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Estivemos à conversa com os SOUQ a proposito da edição de "The Dynamite Sisters".

Fenther – As devidas apresentações...
SOUQ – Os Souq são Bruno Barreto (baixo), Bruno Tavares (voz), Gabriel Neves (sax tenor), João Martins (bateria), Jorge Loura (guitarra), Paulo Gravato (sax barítono) e Rui Bandeira (trombone)

Fenther – Como estão os SOUQ actualmente?
SOUQ – Ainda a recuperar o fôlego das intensas sessões de gravação e misturas de "The Dynamite Sisters", e já sem mãos a medir na promoção ao álbum e a preparar a tour que aí vem.

"Como é nosso costume, deixamos alguns espaços em aberto para momentos de pura improvisação, por isso nunca irão acontecer dois concertos iguais."

Fenther – O que se alterou entre cada um dos 3 volumes deste Red Desert Saga? Mais maduros?
SOUQ– Apesar de "The Dynamite Sisters" ser o volume três da trilogia, é ainda o nosso segundo álbum. O primeiro álbum, "At La Brava", é o volume dois, e próximo álbum será, finalmente, o volume um com o qual fecharemos a trilogia. Star Wars à nossa maneira. Falar em maturidade é um clichê, mas efectivamente houve um processo de amadurecimento desde At La Brava e The Dynamite Sisters. Tocámos muito ao vivo, conhecemo-nos melhor enquanto músicos e o processo de composição e arranjos é agora muito mais colaborativo. Além de tudo, as entradas de dois novos elementos (Gabriel Neves e João Martins) ajudaram a elevar a música para um outro patamar.

Fenther – Este volume é uma edição da FNAC? Como isso aconteceu?
SOUQ– Já tinham existido contactos com a Cultura FNAC por altura do At La Brava, mas de forma muito superficial, e devido ao prazo que auto-impusemos acabámos por avançar com a edição de autor. Desta vez tudo se conjugou e estamos muito satisfeitos com a parceria.

Fenther – Satisfeitos com o resultado final deste "The Dynamite Sisters"?
SOUQ– Muito satisfeitos. Para além de termos explorado de forma mais profunda alguns caminhos que começámos a trilhar em At La Brava, também estamos convencidos de que somos agora mais eficazes na construção dos temas, e tanto exploramos o nosso lado jazzístico ou progressivo sem restrições, como somos capazes de passar a mensagem de uma canção em 2 ou 3 minutos. Para não acabarmos a fazer um álbum duplo tivemos que deixar de fora algumas ideias grandiosas, mas a gaveta vai ficar aberta para o fim da trilogia ou para um EP que possamos fazer entretanto.

Fenther – Querem repetir o feito alcançado pelo "At La Brava"?
SOUQ– Não queremos repetir, mas sim ultrapassar. At La Brava foi a nossa apresentação, tocou fundo em algumas pessoas, recebeu alguns prémios, mas não teve uma grande exposição. Mas sentimos que em cada concerto que demos ganhámos novos seguidores. Agora gostávamos de chegar a muito mais gente e vamos para a estrada fazer com que isso aconteça. A verdade é que a primeira edição de "The Dynamite Sisters", que saiu há poucas semanas, já está praticamente esgotada e isso é um bom sinal.

"O próximo álbum será, finalmente, o volume um com o qual fecharemos a trilogia. Star Wars à nossa maneira."

Fenther – Há convidados neste disco?
SOUQ – Além de um grupo de amigos que nos ajudou com percussão corporal em "The Bishop And The King", tivemos a Diana Silveira em "M.A.S.K.", o tema que fecha o disco. Mais do que ser uma velha e grande amiga, a Diana é uma das grandes vozes de sempre neste país, e foi uma honra poder contar com ela.

Fenther – E ao vivo? Como vão planear o vosso palco e por onde?
SOUQ – No concerto de apresentação de "The Dynamite Sisters" tocámos o álbum na íntegra, e temos vontade de o fazer de novo em ocasiões especiais, mas já temos preparado um alinhamento que percorre os nossos dois álbuns até à data. Como é nosso costume, deixamos alguns espaços em aberto para momentos de pura improvisação, por isso nunca irão acontecer dois concertos iguais.
Em Janeiro começa a tour "a doer", e as datas irão ser anunciadas em breve.

Fenther – Aveiro... há movimento alternativo? Outras bandas por ai?
SOUQ – Aveiro tem uma longa história musical e daqui saíram e saem muitos e grandes músicos de todos os géneros. A nível alternativo, actualmente é a casa dos Moonshiners e dos "velhinhos" Booby Trap, mas há uma série de gente talentosa a aparecer. Infelizmente não há aquilo a que se possa chamar um "movimento" pois não existem espaços para tocar.

Fenther – E a nível nacional? O que recomendam?
SOUQ – Além dos já citados amigos, de memória recomendamos Retimbrar, Memória de Peixe, Pulha Seltzer...

Fenther – Se fossem do ministério da Cultura, o que propunham?
SOUQ – Tentaríamos passar para o ministério da educação para implementar o ensino sustentado de música e artes em geral a partir do ensino básico, e talvez ao fim de uns anos já não fosse necessário um ministério da cultura.

Fenther – Mensagem final...
SOUQ – Tirem 50 minutos do vosso tempo para ouvir "The Dynamite Sisters" de uma ponta à outra mas, acima de tudo, venham ver os Souq ao vivo porque é onde a verdadeira magia acontece e onde as canções ganham asas. Se não puderem ver os Souq vejam outras bandas, mas saiam de casa que há muita música boa a ser tocada por aí.

Vitor Pinto



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