Mangualde Hard MetalFest

Vigésima terceira edição do Mangualde Hard MetalFest, com um cartaz dividido entre bandas portuguesas na tarde e estrangeiras na noite. Devido a um atraso dos Derrame, os Machinergy de Arruda dos Vinhos tiveram assim, de abrir hostilidades com um som cru, temas cantados em português, por vezes rondando o punk. “Antagonista” foi talvez o melhor tema, a que se juntou uma versão de “I Don’t Care” dos Ramones, que passou desapercebida junto dos muitos que já estavam presentes para ver o trio.

Seguiram-se os aveirenses Estado de Sítio, mais próximos do crust punk, mas nem por isso menos interessantes, numa boa actuação do quarteto que terminou com o vocalista a cantar o último tema no meio do público. Vieram depois os Destroyers Of All, num excelente concerto, que revelou uma unidade sólida e muito interessante com um thrash/death bastante coeso. Não só foram a melhor banda nacional de cartaz, como ombrearam com outros nomes internacionais.

Atrasados, os Derrame acabaram a actuar ao fim da tarde, proporcionando uma boa ocasião para o jantar. Os Bloodhunter, vieram desde a Corunha para se intrometerem entre o cartaz nacional e mereciam uma melhor posição. Praticamente desconhecidos entre nós, apesar de já terem actuado algumas vezes e o seu primeiro disco ter sido gravado em terras nortenhas, os Bloodhunter foram chamando pessoal à sala graças ao visual da sua vocalista, que ao terceiro tema saltou para a plateia, para movimentar as hostes. Os seus potentes guturais e a qualidade dos músicos que integram o quarteto, proporcionaram bons momentos, com um som que por vezes lembra os primeiros tempos de Angela Gossow com Arch Enemy. Um grupo a seguir.

Seguiram-se os Theriomorphic que lentamente estão a regressar aos palcos e que entregaram uma prestação sólida. Pede-se apenas mais temas novos e mais rotatividade, porque já não andam longe da máquina que foram em outros tempos. Depois vieram os finlandeses Convulse, um trio que começou melódico, lento, com poucos vocais e foi crescendo para territórios do death, acelerando, incrementando as letras e tornando-se técnico. Muito interessante, embora ficasse a sensação de terem tocado mais que o desejado.

Tygers Of Pan Tang vieram fazer a festa, mostrar que o Metal clássico tem sempre uma energia capaz de mexer com todos, mesmo que isso depois não resulte tão bem em vendas ou em concertos fora de festivais. Bons músicos, máquina experiente e bem oleada, fizeram a festa e portaram-se como se fossem os cabeças de cartaz. Previsivelmente terminaram em encore com o seu único êxito, “Love Potion nº. 9”.

Holy Moses tem em Sabina Classen o centro das atenções e a vocalista, apesar dos seus 53 anos, não parou em palco e incentivou as raparigas ao stage diving, naquele que foi o concerto mais participado. Apesar disso, musicalmente revelou-se muitos pontos abaixo dos músicos que a ladearam, que surpreenderam pela qualidade de execução, verdadeiramente impressionante.

Ao fim de década e meia, Ancient Rites voltavam aos palcos nacionais, eles que já foram tão populares por cá. Infelizmente foram a decepção da noite, com Gunther Theys apenas na voz, baixo gravado e aquela sensação de já ser tarde na carreira e na noite, num cartaz que revelava ser maior que a resistência de grande parte das centenas de pessoas presentes ao longo do dia. A festa fechou com o grind dos portugueses Shoryuken, mas só para os resistentes, para a maioria já tudo estava fechado desde Holy Moses.☆


      



Ancient Rites


Bloodhunter


Convulse


Derrame


Destroyers Of All


Estado de Sítio


Holy Moses


Humanart


Machinergy


Theriomorphic


Tygers Of PanTang


Emanuel Ferreira

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