A.A.A.
Access All Areas




Estivemos em conversa com os Tricycles sobre o álbum homónimo.

Fenther – Quem são e de onde vêm? As devidas apresentações...
Tricycles – Somos o Sérgio, o Edgar, o Afonso e o João e vimos de Lisboa e, antes de Lisboa, todos de sítios diferentes. A coisa mais em comum que temos é não termos um trajeto comum, não sermos da mesma cidade, termos andado muito tempo por cidades e países diferentes, para finalmente nos encontrarmos no tempo e espaço certo.

Fenther – São assumidamente uma banda rock? Ou vagueiam por outras paragens?
Tricycles– Somos assumidamente uma banda rock. Assim como somos assumidamente uma banda pop. E uma banda que não tem qualquer pudor em ir beber influências a qualquer lado. Não acreditamos demasiado em categorizações. Temos um som, uma raiva, que nos faz ser rock, gostamos de distorções e guitarras elétricas em volume elevado, mas também somos melancólicos e gostamos por vezes da suavidade de um piano calmo ou da vibração única de um sintetizador. Somos uma banda que é como uma pessoa. Quase ninguém está sempre alegre ou sempre a espumar pela boca ou infinitamente entediado, não é? Nós ainda para mais somos quatro, com influências diversas, incluindo musicais, e portanto temos tudo para ser bastante inconstantes. Em vez de nos assustar, essa inconstância estimula-nos, impede-nos de bocejar.

"É excelente lançar o nosso primeiro álbum numa editora que tem uma história, um rasto de qualidade e um catálogo como a Lux."

Fenther – Onde se inspiram e quem ou o que vos influência?
Tricycles– Cada um de nós tem as suas musas, paranoias e influências. Musicalmente é divertido deixar os outros adivinhar quais são... e por vezes identificarem algumas que nós não teríamos necessariamente reconhecido.

Fenther – Podem falar um pouco sobre este vosso disco? Palavras poucas...
Tricycles– Gostamos que as músicas que fazemos não sejam neutras, bonitinhas e superficiais. Preferimos canções despenteadas, habitadas por planetas, astros e personagens com as quais nem sempre nos identificamos mas que pediam para viver nelas. O “Tricycles”, editado pela Lux Records, é feito dos diferentes sabores, cheiros, risos, cuspidelas e desabafos delas. São 12 músicas, produzidas pelo Nelson Carvalho com o nosso input, e que têm uma certa coerência na sua heterogeneidade, em boa parte por causa de uma certa ‘aproximação estética’ que foi resultado do trabalho do Nelson.

"Temos um som, uma raiva, que nos faz ser rock, gostamos de distorções e guitarras elétricas em volume elevado, mas também somos melancólicos e gostamos por vezes da suavidade de um piano calmo ou da vibração única de um sintetizador."

Fenther – Têm convosco convidados neste disco?
Tricycles– Não.

Fenther – Satisfeitos com o trabalho da Lux Records?
Tricycles– Sim. É excelente lançar o nosso primeiro álbum numa editora que tem uma história, um rasto de qualidade e um catálogo como a Lux. Para além disso, trabalhar com o Rui Ferreira é simples e sem tretas. As coisas com ele acontecem.

Fenther – Estado da musica nacional? Que bandas recomendam?
Tricycles– Essa é uma daquelas perguntas que poderia ter muitas respostas, incluindo algumas que pareceriam contraditórias embora não fossem. Olhando apenas para o positivo, o que nos parece é que há atualmente uma enorme qualidade e diversidade de música a ser criada em Portugal, imensas bandas excelentes a fazer coisas muito, muito distintas e isso é entusiasmante. Alguns exemplos... Glockenwise, Twist Connection, Bruno Pernadas, Primeira Dama, peixe:avião, You Can’t Win Charlie Brown, The Whales, Ghost Hunt, X-Wife, Cave Story, Capitão Fausto, Joana Espadinha, Éme, Birds are Indie, de quem já falámos, Moki (a banda de uma miúda que participou num desses concursos de talentos e, ao contrário de outros, não foi pelo caminho fácil do mainstream), Anarchicks, Torto, Black Bombaim... e muitas outras, mais e menos conhecidas que estas...

Fenther – Mensagem final...
Tricycles– Os Tricycles já existem há algum tempo mas somos como um feto que já dá pontapés mas ainda não nasceu... Estamos no ínicio. Não conseguimos pensar em mensagens finais.

Vitor Pinto



      geral@fenther.net       Ficha Técnica     Fenther © 2006