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Estivemos à conversa com os The Dirty Coal Train a propósito da edição do disco "Primitive".

Fenther – Como estão os The Dirty Coal Train neste ano de 2019?
The Dirty Coal Train – A 4 horas de Lisboa foi a maior mudança. De resto estamos como de costume: sempre a produzir temas e a tentar tocar ao vivo o mais possível (e cada vez mais fritos da cabeça! Nada de novo nessa parte também!).

Fenther – Mudou alguma coisa desde o "Portuguese Freakshow" no contexto de estúdio?
The Dirty Coal Train– Sim, depois do "Portuguese Freakshow" gravado em 2 estúdios com convidados e em que usámos muita instrumentação diferente este novo "Primitive" foi deliberadamente gravado na íntegra apenas com o Marky Wildstone (dos Dead Rocks e The Mings na bateria) e captado pelo Luis Tissot (guru da cena garage punk brasileira) nos caffeine estúdios em São Paulo o mais "ao vivo em estudio" possível apenas com overdubs pontuais e um tema em que o Ricardo usou uma caixa de ritmos.

"...este "Primitive" é também uma referência ao que sentimos com o clima politico no Brasil aquando da gravação..."

Fenther – E ao vivo? Há mudanças significativas?
The Dirty Coal Train– Nada de novidades nessa parte! Ao vívo continuamos a apostar no mesmo: power trio de 2 guitarras, vozes e bateria, suor e energia.

Fenther – Tudo está actualmente mais "Primitive" Ou deveria estar?
The Dirty Coal Train– Não sabemos se querem um comentário politico ou social ou outra coisa! haha! Nós estamos bem mais "rurais" e de volta ao básico. Nesse sentido mais primitivos sim, mas nada que daqui por uns tempo se mude de vida ou de som de banda ou.... do que nos der na gana! Vantagens de ser banda independente!

"Ao vívo continuamos a apostar no mesmo: power trio de 2 guitarras, vozes e bateria, suor e energia."

Fenther – Este "Primitive" fala-nos de quê? Alguma história ou histórias?
The Dirty Coal Train– O título pode ser lido como um regresso ao som mais cru de discos como o nosso segundo "dirty shake" (mas muito melhor captado desta vez, não se assustem! haha) Mas este "Primitive" é também uma referência ao que sentimos com o clima politico no Brasil aquando da gravação: seja a tensão de uma política selvagem do "vale tudo", seja por uma referência mais directa à constante desflorestação e perseguição de povos indígenas em pleno século XXI.

Fenther – As apresentações deste disco vão ser por onde?
The Dirty Coal Train– Concertos de apresentação oficial do novo disco “PRIMITIVE”
17/05 – Carmo 81 – Viseu
18/05 – Sabotage – Lisboa
21/06 - Teatrão - Coimbra
6/7 - Barracuda - Porto

Fenther – A Europa é para ser conquistada ou afirmar valores?
The Dirty Coal Train– Não somos nada colonialistas. Não herdámos essa costela da história tuga, os nossos antepassados deviam ser daqueles que ficavam por aqui a copular e a "laurear a pevide"!

Fenther – Sentem-se mais acarinhados cá ou fora de portas?
The Dirty Coal Train– Das melhores coisas de ter uma banda que lida directamente com editores, organizadores, publico, promotores,... tem sido fazer amigos em quase todos os sítios! Dizer que os amigos de Portugal são melhores ou piores que os amigos em Espanha, no Brasil, em França,... não seria justo! Adoramos tanta gente que conhecemos por causa da banda que seria injusto começar uma lista e correr o risco de que mesmo apenas 1 fique por mencionar!

Fenther – Mensagem final...
The Dirty Coal Train– Caguem de vez para programas de "realidade televisiva" e "caça talentos" televisivos e organizem coisas! Seja um fanzine, um concerto, uma tertúlia, um grupo de copos&conversa apenas... sei lá.. façam a porra da vossa banda ! Se até nós conseguimos, vocês certamente conseguem fazer as coisas acontecer na vossa comunidade! Estudem essa coisa do DIY ("faça você mesmo") ligada ao punk e ao inicio do rock independente! Sejam curiosos: procurem o que gostam, investiguem, sejam críticos e deixem de encher a barriga à malta que tem a mania de dizer o que é melhor para vocês. Claro que com isto não quero dizer que comecem a comprar os nossos discos e os nossos concertos! Seria fixe mas cada um tem o gosto que tem! Pedimos sim que não façam sempre a mesma coisa na esperança que algo mude! Isso e comprem discos de editoras independentes tugas! Sejam de rock, indie rock, pop, hip hop, electrónica experimental,... Elas merecem e precisam! Arriba Avanti !

Vitor Pinto



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