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Estivemos à conversa com Rui Taipa sobre o álbum "berro".

Fenther – As devidas apresentações...
Rui Taipa – Olá, sou o Rui Taipa, sou músico cantautor e venho de Freamunde, Paços de Ferreira.

Fenther – Onde te inspiraste para dar este "berro"?
Rui Taipa– Este disco acaba por ser uma viagem pelas minhas influências até porque foi escrito ao longo de vários anos e as letras baseiam-se em vivências minhas. Para mim, escrever é ir ao confessionário.

"“Rui Taipa” já não sou só eu. Sou eu e eles. Somos uma banda."

Fenther – Foi complicado coloca-lo cá fora? Ou actualmente há meios que o permitem fazer facilmente?
Rui Taipa– Este disco estava na calha há bastante tempo. Desde 2015. Mas a vida dá muitas voltas e, após ter pisado o palco principal do indie music fest ou o das Sebastianas (por exemplo), quando tudo parecia estar a encaminhar-se deu-se o rompimento da minha vida. Não foi possível continuar com os companheiros de palco da altura e tive de começar tudo de novo. Felizmente, quem tem amigos não morre na cadeia e acabou por ser muito melhor assim. Complicado não é porque hoje em dia qualquer pessoa com um computador põe a sua música onde quiser mas ainda continua difícil chegar a mais público e furar, digamos assim. Não adianta muto teres um disco cá fora se os suspeitos do costume é que o vão ouvir. Mas estamos a trabalhar de forma a chegar a pessoas que ainda não “berraram” connosco.

Fenther – Consegues descrever este "berro" em poucas palavras?
Rui Taipa– Urgente. Despido. Pessoal.

"Para mim, escrever é ir ao confessionário."

Fenther – Quais foram até agora, os teus contributos para a musica nacional?
Rui Taipa– Antes do “berro” lancei um EP formato solo, em 2014. Já corri o país com vários projecto mas com “Rui Taipa” penso que agora é que vai começar o verdadeiro contributo.

Fenther – E a musica nacional está de boa saúde na tua opinião? O que recomendas?
Rui Taipa– Acho que nunca houve tanto projecto a surgir. Por outro lado tenho visto coisas que me deixam um pouco triste. Gente talentosa a tentar copiar “à cara podre” ídolos seus. Deixarem-se influenciar é uma coisa, mas tentar imitar… Aproveitem esse talento para serem únicos. Papagaios, não! Obviamente que recomendo uma visita a Leiria. Não sei o que é que aquela gente põe na comida mas… Nossa! First Breath são um grande exemplo de que com trabalho tudo acontece, e conseguiram um lugar ao sol nunca antes entregue a uma banda de post portuguesa. Recomendo o “drifter”, ouçam esse discozaço! E a Surma também tem um percurso e sonoridade incríveis. Além disso a Débora é um anjo caído do céu.

Fenther – Como te apresentas em palco? Há convidados?
Rui Taipa – Pois. Nós agora com banda completa somos nove marmanjos lá em cima. Do 8 para o 80… (mesmo!). Sem sopros somos 5. Tudo malta amiga que fui conhecendo através de concertos meus ou com as duas Big Bands das quais faço parte como vocalista. A minha ligação ao jazz e à malta que convidei para os sopros vem daí. Convidei-os para gravar o disco mas quando estamos em palco não os vejo como músicos convidados. “Rui Taipa” já não sou só eu. Sou eu e eles. Somos uma banda.

Fenther – Preferes palcos grandes ou mais intimistas? Algum que te tenha deixado marcas?
Rui Taipa– Gosto muito dos dois. Com banda gostei muito de tocar no Espaço A em Freamunde, na pré-apresentação do disco. Mas o que mais me marcou foi o concerto secreto do Indie Music Fest em que toquei para uns 40 festivaleiros que não sabiam ao que iam, no alto de um monte. Não havia sequer um cabo ligado. Foi totalmente acústico. Só eu, a guitarra, a harmónica e um bombo. E o silêncio das pessoas.

Fenther – Um livro...
Rui Taipa– O Principezinho do Exupery.

Fenther – Um disco...
Rui Taipa– Wish You Were Here – Pink Floyd

Fenther – Um filme...
Rui Taipa– Mulholand Drive.

Fenther – Mensagem final...
Rui Taipa– Obrigado pela entrevista, pela partilha e pelo teu trabalho em prol da música nacional. A malta agradece.
Xi-coração.

Vitor Pinto



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