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Estivemos à conversa com os Linda Martini sobre a edição do homónimo "Linda Martini".

Fenther – Como estão os Linda Martini neste ano de 2018? Crescidos?
Linda Martini – Com novo disco e com a agenda cheia de concertos para o tocar ao vivo, que é onde nos sentimos melhor. O tempo passa, mais ainda somos menores. Se alguma coisa correr mal, não temos idade para prisões, só casas de correção.

Fenther – A vontade continua a mesma desde o vosso início? Os ideais mantêm-se?
Linda Martini– A razão que nos une desde o início é fazer música que nos entusiame e que nos apeteça partilhar, seja em disco ou em concertos. É essa aventura de compôr, através das influências e contributos de cada um, a nossa própria linguagem, como um dialecto que só pode ser falado a quatro línguas.

"Se fazemos estragos, são todos intencionais."

Fenther – Podem levantar um pouco o véu do novo "Linda Martini" para quem ainda não ouviu?
Linda Martini– É um disco em que tentámos aproximar-nos mais do registo ao vivo, por isso é mais intenso, áspero e directo. Ao mesmo tempo segue a linha do Sirumba, o nosso último álbum, em que procurámos explorar outros grooves, quase piscando o olho ao afrobeat ou mesmo ao funk.
No final de contas é um disco rock cantado em português. Somos os mesmos Linda Martini à procura de não nos repetirmos. Expandindo as nossas fronteiras, indo para fora de pé à procura de voltar à superfície.

Fenther – Há convidados neste registo?
Linda Martini– Não tivemos convidados a tocar no disco, mas contámos com a ajuda preciosa do Santi Garcia que nos guiou em todo o processo de gravação. Teve um papel fundamental como co-produtor, função que repartiu connosco, e que foi fundamental para chegarmos à sonoridade do álbum.

Fenther – Um disco brilhante de onde se retiram dois singles. "É só uma canção" e "Quase se Fez uma Casa". Porque um único vídeo para estes dois temas?
Linda Martini– Porque não nos entendiamos em relação à escolha do single. Alguém sugeriu fazermos um único vídeo para as 2 canções em discussão e acabou assim.

"Se alguma coisa correr mal, não temos idade para prisões, só casas de correção."

Fenther – Estão a correr bem as apresentação ao vivo deste disco?
Linda Martini– Muito bem. Tivémos praticamente todas as salas esgotadas e sentimos que o público acolheu rapidamente as novas músicas. Foram concertos intensos. Deu-nos um gozo especial experimentar finalmente as novas malhas em concerto, onde sentimos que ganham uma nova vida e outra dimensão.
A julgar pelo número de concertos, reacção das pessoas e da critica... Muito bem.

Fenther – Preferem tocar em grandes festivais ou em reduzidos clubes?
Linda Martini– São concertos diferentes. Cada um tem a sua magia. Felizmente temos mantido o melhor dos dois mundos. Tocando tanto em grandes festivais, onde se pode chegar a novo público, como em ambientes mais intímos, como clubes ou auditórios, onde sentimos uma maior proximidade e cumplicidade com o público.

Fenther – Musica nacional? Recomendam? Que bandas?
Linda Martini– Vivemos um período muito fértil com muito boa música a surgir. Havendo tanta coisa fica difícil escolher, mas pegando no que tenho ouvido mais recentemente, chamou-me a atençao os Moon Preachers, um duo de surf rock psicadélico que nos berra aos ouvidos. Também tenho curtido as malhas punk rock dos Fugly.

Fenther – Gostam de inovar? De fazer "estragos" no normal?
Linda Martini– Não nos queremos repetir. Estamos sempre à procura das fronteiras do que somos e de que forma podemos ir além delas. Se fazemos estragos, são todos intencionais.

Fenther – E depois dos festivais de verão? O que vão preparar?
Linda Martini– Temos uns truques na manga mas não podemos estragar a magia, para já.

Fenther – Escolham dois temas deste vosso homónimo e digam a razão.
Linda Martini– “Quase se fez uma casa”, é uma das músicas mais intensas no disco e ao vivo.
“Caretano”, porque sim.

Fenther – Se estivessem no ministério da Cultura, o que fariam no imediato?
Linda Martini– Começava por decretar que os discos também são cultura e que devem ter o mesmo regime de IVA dos seus congéneres.

Fenther – Mensagem final...
Linda Martini– Paz, amor e guacamole.

Vitor Pinto



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