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A.A.A.
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Estivemos à conversa com Dela Marmy a propósito da edição de "Captured Fantasy".

Fenther – Quem é e de onde nos chega Dela Marmy?
Dela Marmy – Dela Marmy é o projecto em nome próprio de Joana Sequeira Duarte (ex- The Happy Mess). Dela Marmy surge do desejo de Joana de editar um conjunto de canções que foi escrevendo/compondo em diferentes períodos da sua vida.

Fenther – O porque deste nome?
Dela Marmy– Dela Marmy é um nome afectivo. Marmy foi-me dado por alguns dos meus amigos da dança, a Lucia do Pietro e o Filipe Pereira e despoi foi-se espalhando por todos. Quando estava a escolher um nome para o projecto queria que não fosse um nome qualquer, mas antes, que tivesse uma ligação afectiva comigo, com a minha história; ao mesmo tempo, não deveria ser apenas refente a mim. Fiz alguns jogos de nomes até encontrar Dela, que surgiu de Bambi, a minha gata, a quem chamo muitas vezes Bambimaria ou Bambidela.

"Inspiro-me nas sensações corpóreas, numa paisagem, nos acontecimentos exteriores de variada espécie, nas relações com o mundo, nas relações com o outro."

Fenther – Como te sentes a editar um disco numa altura tão dificel como esta?
Dela Marmy– Sinto que não devo suspender o percurso das coisas; este disco foi feito para este tempo e não outro e só posso pedir que as pessoas o oiçam o mais possível, até porque – sendo suspeita, claro – mas é um disco bonito, muito sensível como, também, o período em que estamos a viver. Se não ouvirem, tudo bem na mesma, não podemos, nem quero, controlar tudo. Claro que há obstáculos que não tínhamos previsto, por exemplo, várias entrevistas presenciais e showcases em rádios cancelados ou adiados até ver….. Adiar os concertos de apresentação de Abril e Maio…. Talvez a tendência mais imediata fosse adiar o lançamento, para um tempo onde as pessoas estivessem de novo bem, sem preocupações destas. Mas o mais provável é que nada volte a ser como era; vai haver mudanças em todos nós, nos mecanismos internos de cada um, na nossa relação com o mundo…. A minha maior questão agora é ética, no sentido de estar a promover um disco nesta altura em que a instabilidade emocional está abalada, em que as pessoas estão preocupadas em sobreviver ou preocupadas com um familiar ou amigo que não sobreviveu…. Ou talvez precisemos de coisas que devolvam amor e crença ao mundo para equilibrar este pesadelo.

Fenther – Podes levantar um pouco o véu sobre este teu registo?
Dela Marmy– É um disco próximo da sonoridade do EP anterior, em que a base são sintetizadores e voz. É um disco que brilha no escuro, digamos assim. Captured Fantasy foi produzido pelo Charlie Francis, que, com a sua vasta experiência tornou as composições mais coesas e fortes. Neste álbum também há autorias (letras) de outras pessoas, como o próprio Charlie, a escritora e poetisa Raquel Serejo Martins e o Clayton Georges (aka TYTUN), este também com um feat. na última canção do disco; tinha o sonho de cruzar o hip-hop/rap nas minhas canções. Músicos de excelência, o Vasco Magalhães na bateria, o Tiago Brito e o Steven Goundrey que deram uma nova cor aos temas.

"Já só quero ter concertos ao vivo. Porque neste momento isso significa que tudo vai passar…"

Fenther – Como defines o teu som e onde te inspiras?
Dela Marmy– Um tipo de som delicado, até solene, melancólico, dançante, com alguma alegria. As canções são compostas com sintetizadores e voz e tento que a ideia em bruto do início se mantenha ao longo do processo, que esse lugar pouco pulido do acto criativo resista e seja a potência da canção. Inspiro-me nas sensações corpóreas, numa paisagem, nos acontecimentos exteriores de variada espécie, nas relações com o mundo, nas relações com o outro.

Fenther – Ideias e projectos para o reencontro com a normalidade?
Dela Marmy– Já só quero ter concertos ao vivo. Porque neste momento isso significa que tudo vai passar…

Fenther – O que recomendas no meio da musica nacional?
Dela Marmy– Gosto muito de Capitão Fausto, Lince, Bruno Pernadas, First Breath After Coma, Noiserv, The Legendary Tigerman, X-Wife, Sopa de Pedra.

Fenther – Mensagem final?
Dela Marmy– Cultivar sempre o amor e a liberdade de pensamento.

Vitor Pinto