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Estivemos à conversa com D'Alva.

Fenther – Como acontece esta união dos D'Alva com Sir Scratch?
D'Alva – Esta canção foi criada num LiveStream que fizemos nas instalações do Tradiio durante duas semanas. O Sir Scratch estava a assistir e perguntou no chat "Quando é que fazemos uma música juntos?", e nós respondemos "Pode ser esta" e ela veio ter connosco, escreveu na hora a letra e gravou.

Fenther – E toda esta malta no video clip?
D'Alva – Muito telefonema, muita sms, muita mensagem de Facebook, um calendário partilhado no iCal e muita boa vontade. Todas as pessoas que participaram nos são próximas de uma maneira ou de outra (salvo uma ou outra excepção) e quiseram fazer parte desta ideia em particular quando ouviram a música e a sua mensagem. Ficaram algumas de fora, mas se assim fosse ainda agora estávamos a fotografar amigos. Acabou por ser uma maneira de em pouco mais de duas semanas visitarmos amigos.

"O Sir Scratch estava a assistir e perguntou no chat "Quando é que fazemos uma música juntos?", e nós respondemos "Pode ser esta" e ela veio ter connosco, escreveu na hora a letra e gravou."

Fenther – A experiência do Livestream foi positiva? É para repetir?
D'Alva– Foi mesmo muito positiva a níveis que não antecipamos. Não estávamos à espera de que o stream chegasse ao Jornal da Noite (SIC) por exemplo, ou do tipo de interacção que tivemos com quem estava a assistir. Os primeiros dias foram um pouco mais difíceis devido a estar ali uma camera o tempo todo, mas depois habituamo-nos, em todo o caso tão cedo não devemos repetir este tipo de LiveStream tão cedo, mas ganhámos um gosto por este tipo de interacção com quem segue a nossa música, tanto que quase por acaso começamos um Live todas as segundas-feiras na nossa página de FB, em que durante uma hora bebemos café e trocamos ideias com os nossos seguidores. No entanto há coisas que precisam de estar em segredo até à altura certa.

Fenther – A Missão foi concluída com muito amor?
D'Alva– A missão ainda agora começou! Uma das coincidências interessantes que aconteceu com este projecto tem a ver com o momento que atravessamos enquanto humanidade. Brexit, Trump, e a vaga de intolerância e indiferença que invade o nosso planeta e a internet. Quem diria que uma canção com esta mensagem composta literalmente um ano antes seria tão relevante. Acima de tudo queremos passar a mensagem de que por detrás de cada ideia, ideologia ou acção está uma pessoa, e a perspectiva dessa pessoa merece ser ouvida e considerada, e regra geral por detrás de um "troll" on-line há alguém com bastantes issues. Ter razão é over-rated, amar em particular na diferença é urgente.

"Há coisas que precisam de estar em segredo até à altura certa."

Fenther – O ponto de situação dos D'Alva neste inicio de ano...
D'Alva– 2016 parecia ser o ano em que olharíamos para um novo disco, mas o verão correu melhor do que esperávamos (visto ser o terceiro verão a tocar o mesmo disco), e logo a seguir apareceram oportunidades de escrever singles para outros artistas, sendo o Virgul e o Mickael Carreira os que mais se destacaram e quiçá os mais inesperados, e por isso decidimos fazer uma pausa na nossa música por se algo que sempre quisemos fazer. A experiência correu muito bem, ambos os singles são hits. Um de nós foi de férias e o outro fez 13 demos para o disco novo, por isso material novo não falta, e agora estamos divididos entre promover este single e trabalhar em música nova. Estamos muito entusiasmados.

Fenther – Ao vivo... onde e quando?
D'Alva– Este Verão já estão a aparecer algumas datas, espectáculos diferentes e pontuais, mas ainda não podemos anunciar. Mas queremos passar o ano a compor e gravar.

Fenther – Preferem tocar em grandes festivais ou em reduzidos clubes?
D'Alva – Ambos. São bastante diferentes. Um festival grande é um desafio particular de cativar e controlar uma massa enorme de pessoas que já estão cansadas de estar em pé o dia todo. Um clube é mais suado, é tudo mais "in your face", e normalmente passa por um de nós acabar no meio do público com peças da bateria a voar.

Fenther – Estado da musica actual nacional? Está de saúde?
D'Alva – Cada vez melhor, através de todo o espectro indie - mainstream, e em certos géneros já está ao mesmo nível do que vem de fora, mas acima de tudo tem cada vez mais personalidade o que é muito importante.

Fenther – Cinco bandas a recomendar?
D'Alva – Varwell, Wet Bed Gand, HMB, You Can't Win Charlie Brown, Virgul. Uma salda de frutas como é a nossa música no fundo, mas em comum têm discos recentes ou quase a sair.

Fenther – Mensagem final...
D'Alva – "Se estar certo é munição, de que serve ter razão? Que o amor seja a missão."

Vitor Pinto



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