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Estivemos à conversa com Rosemary Baby sobre o álbum "Timeless".

Fenther – Quem é de onde nos chega Rosemary Baby?
Rosemary Baby – Os Rosemary Baby nasceram do fruto da imaginação de Bruno Rosmaninho, ex- chef de cozinha e dj nas horas vagas, alentejano de Montemor o Novo , “crescido” desde os 19 anos em Aljezur mas que vive em Lisboa. David Neto no baixo, João Sousa (dinamite) na Bateria, Rodrigo Almeida na guitarra. Temos às vezes a companhia de um trio de metais de luxo Mário Amândio no trombone, Micael Pereira no trompete e Zé Valério no saxofone.

Fenther – O que mudou desde "The First Time" até agora?
Rosemary Baby – A experiência, no tentar fazer melhor. A banda tornou-se mais madura na maneira como faz o aproach às canções, tornando o som um pouco mais coeso e poderoso. Mas a irresponsabilidade da criação sem regras continua a mesma, completamente descomprometida.

"A maioria das canções são muito pessoais com histórias que me aconteceram ou vi acontecer perto de mim e há duas que foram escritas para a família."

Fenther – "Timeless" em meia dúzia de palavras?
Rosemary Baby– Um disco honesto cheio de sentimentos.

Fenther – Há convidados ao longo destas dez faixas?
Rosemary Baby– Há sim. Para começar as teclas foram gravadas pelo Daniel Terrell músico do Richie Campbell, O Luis Grade Ferreira emprestou a voz para alguns coros. A magnifica Iolanda que faz um dueto numa das canções e um convidado espontâneo ( estava de passagem pelos Black Sheep Studios) o Pedro Tatanka que participa com uma guitarra slide.

"Para mim os erros ou imperfeições são uma coisa natural, a vida tem de ser descomplicada e a busca da perfeição pode ser uma busca interminável."

Fenther – Eric Garner foi uma inspiração para todo o disco?
Rosemary Baby– Não. O Eric e eu “cruzámo-nos” uns dias depois da sua morte. Já estava a tocar a canção mas sem letra. Ouvir e ver aquilo repetido vezes sem conta na tv fez com que as ultimas palavras dele saltassem para o refrão da musica, e pensei – roubei-lhe as palavras o mínimo que posso fazer é contar um pouco da sua história e de forma mais abrangente tocar com o dedo na ferida do racismo, para que ninguém se esqueça que ele existe.
A maioria das canções são muito pessoais com histórias que me aconteceram ou vi acontecer perto de mim e há duas que foram escritas para a família, as minhas musas Diana e Margarida.

Fenther – "I Can't Breathe" é o cartão de boas vindas? Foi escolhido ou saiu naturalmente?
Rosemary Baby– A escolha do single foi um processo lento e complicado. Tínhamos 4 possíveis canções para a apresentação e esta era uma delas. Depois de muito pensar o factor que desempatou acabou por ser este - A produção do disco parou a meio e teve um longa paragem quando o nosso querido e saudoso amigo Bruno Simões desapareceu. E era a música que estávamos a trabalhar no momento e naquela que iríamos continuar nesse dia. - o trabalho parou ali, era dali que iria recomeçar.

Fenther – És perfecionista?
Rosemary Baby – Não, de todo. Para mim os erros ou imperfeições são uma coisa natural, a vida tem de ser descomplicada e a busca da perfeição pode ser uma busca interminável. Tento ser sobretudo honesto comigo próprio para ser honesto com os outros através da minha música.

Fenther – Como defines o teu som?
Rosemary Baby – Talvez no Pop Rock? Nunca sei bem, responder a esta pergunta.

Fenther – Ao vivo vais andar por onde a apresentar este "Timeless".
Rosemary Baby – Dia 22, quinta-feira temos a primeira apresentação ao vivo cá em Lisboa, no Damas. Depois esperamos lançar o pé à estrada.

Fenther – Estado da musica nacional? Está de boa saúde?
Rosemary Baby – Depois da vitória do grande Salvador Sobral gostava de dizer inequivocamente que sim, mas por honestidade não consigo. Tenho de a meter em dois sacos diferentes. A música independente em Portugal está boa, recomenda-se e é boa de consumir. Já a dita mainstream que tinha melhorado bastante há 10 anos, parece nos últimos quatro ou cinco têm sido para mim, claro com felizes exceções, seca e desprovida de qualquer mensagem ou sentimento, sem interesse sem ser o económico. Soam uns aos outros, copiam a cópia e isso é péssimo no meu ponto de vista. Um problema que também não é exclusivo de Portugal, passa-se por todo o lado.

Fenther – Mensagem final...
Rosemary Baby – Sejam felizes e dancem muito. Encontramo-nos por aí.

Vitor Pinto



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