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Estivemos à conversa com André Carvalho a propósito da edição de The Garden of Earthly Delights.

Fenther – Quem é André Carvalho e de onde nos chega?
André Carvalho – Sou um contrabaixista e compositor português. Nasci e cresci em Lisboa, vivi 4 anos em Viena e agora vivo em Nova Iorque há quase 5 anos. Tenho 2 discos editados com a minha música e estou prestes a lançar o terceiro - “The Garden of Earthly Delights”.

Fenther – Em poucas palavras, o que nos podes dizer sobre este "The Garden of Earthly Delights”?
André Carvalho– Este disco foi gravado em Nova Iorque com alguns dos músicos com quem mais toco por cá. A música do disco é uma suite em vários movimentos, inspirada no “O Jardim das Delícias” de Hieronymus Bosch. Sempre quis escrever uma obra mais longa e que tivesse um conceito forte por trás. Este fantástico quadro levou-me a sentar ao piano, escrever música, ser invadido pelo seu poder e magnetismo, ler o máximo que encontrei sobre o seu autor e todos os mistérios que nos apresenta.
Já não gravava música minha há bastante tempo, em parte porque nestes últimos anos houve várias mudanças na minha vida, em parte porque sentia que este próximo disco teria de ser diferente do trabalho que apresentei até agora.

"Música portuguesa? Só conheço melhor o mundo do Jazz. Acho que há cada vez mais e melhores músicos."

Fenther – São momentos de inspiração que ficaram registados? Satisfeito com o resultado final?
André Carvalho– Sem dúvida muito satisfeito com o resultado final! Tivemos um dia e meio em estúdio e, na verdade, gravámos grande parte do disco no primeiro dia, ficando com o restante tempo para fazer uns takes extra, gravar um ou dois temas que não estão no disco e fazer uns overdubs.
Julgo que a música do disco tem ambientes muito diferentes e que passa por extremos, assim como o “Jardim das Delícias” vai do 8 ao 80! Acho que sim, há muitos momentos de inspiração no disco.

Fenther – Onde encontras essa inspiração?
André Carvalho– Em tudo o que me rodeia: família, amigos, músicos que admiro, filmes, livros, pintura, natureza, etc. Neste caso, “O Jardim das Delícias” e a visão apocalíptica, bizarra e perversa que Bosch nos apresenta. Este quadro tem um poder e uma energia especial. Quando se olha para ele, fica-se de boca aberta com o universo surreal apresentado, o detalhe, a iconografia, o simbolismo e o mistério por trás de cada elemento. O quadro transmite também uma visão extremamente pessimista que, sendo própria da época em que o seu autor viveu, poe-me a pensar sobre o mundo actual.

"Nasci e cresci em Lisboa, vivi 4 anos em Viena e agora vivo em Nova Iorque há quase 5 anos."

Fenther – Quem está contigo na elaboração deste disco?
André Carvalho– Começando pelos sopros, temos: o Jeremy Powell no saxofone soprano e tenor e também na flauta; o Eitan Gofman no saxofone tenor, flauta e clarinete baixo e o Oskar Stenmark no trompete e flugelhorn. Na guitarra, também de Portugal, o André Matos e finalmente na bateria o Rodrigo Recabarren. É um grupo muito internacional: um americano, um israelita, um sueco, dois portugueses e um chileno.
Não só tenho a sorte de trabalhar com todos eles há alguns anos, como também de sermos muito amigos. Há vários anos que tocamos juntos e julgo que aos poucos fomos criando um som mais pessoal.

Fenther – E o excelente grafismo deste disco a quem se deve?
André Carvalho– Deve-se à artista visual Margarida Girão.
Quando terminei as gravações, comecei a pensar no artwork, o que gostaria que transmitisse, qual o meio para o fazer, que elementos visuais deveriam estar presentes. Rapidamente e sem saber bem porquê, percebi que gostaria de ter algo recorrendo a colagem. Vi alguns livros sobre o assunto, pesquisei alguns artistas e, por sugestão da minha mulher e uma amiga, decidi ver o site da Margarida Girão, pessoa que na altura não conhecia. Gostei imenso do que vi e decidi enviar-lhe um e-mail, sem saber se ela iria querer trabalhar comigo. Ela ficou entusiasmada e apresentou-me uma proposta com a qual fiquei não só satisfeito, como também muito curioso e intrigado com que iria surgir. As coisas desenvolveram-se rapidamente e gostei imenso das ideias que a Margarida me ia apresentando. Para além disso, foi muito fácil trabalhar com ela. Neste processo todo, acabámos por ficar amigos. Se não conhecem o trabalho dela, sugiro que vejam o seu site e façam um dos seus workshops!

Fenther – Ao vivo vais ter os mesmos músicos em palco?
André Carvalho– Estou neste momento a marcar vários concertos de apresentação do disco, não só nos Estados Unidos, como também na Europa. Para os concertos que tenho nos Estados Unidos, tentarei sempre que possível tocar com os músicos que gravaram. Nem sempre é fácil coordenar as agendas de todos. Nos concertos na Europa, estarei a tocar com músicos portugueses que tocam comigo sempre que vou a Portugal e possivelmente um ou outro músico europeu, mas alguns destes detalhes ainda estão a ser definidos.

Fenther – Por onde vais estar ao vivo?
André Carvalho– Quando o disco sair, terei alguns concertos nos Estados Unidos. Ainda há algumas datas por confirmar mas para já teremos várias apresentações em Nova Iorque (The Owl Parlor, Neighborhood Church in Greenwich Village e destaque para concerto no Blue Note integrado no European Sound Series, com o apoio do consulado Português em Nova Iorque). Para além destes, terei mais algumas coisas fora de Nova Iorque, em Cleveland, Baltimore e possivelmente Washington, entre outros.
Depois, durante o Verão, tenho várias datas confirmadas em Portugal e Espanha, como o Museu Nacional de Arte Antiga (com o apoio da Antena 2), Hot Clube, OutJazz, Quebra-Costas, ASEJAZZ (Sevilha), Festival de Jazz de Moaña (Vigo), Clarence Jazz Club (Málaga), entre outros.
Estou também a planear outros concertos pelos Estados Unidos (Costa Oeste) para o Outono e uma tour na Europa em Janeiro de 2020.

Fenther – Estado da música feita em Portugal… Como está na tua opinião?
André Carvalho– Só conheço melhor o mundo do Jazz. Acho que há cada vez mais e melhores músicos. Continuam a haver poucos sítios e pouco investimento fora das grandes cidades, o que por vezes torna difícil montar tours e ter um bom número de concertos para apresentar um novo trabalho.

Fenther – Mensagem final...
André Carvalho– Espero que possam ouvir o meu novo disco, que venham assistir a um dos vários concertos que terei em Portugal e que venham dizer olá a seguir ao concerto! Toda a informação sobre mim e o disco está no meu site e nas redes sociais. Por isso, o ideal é seguirem-me na vossa rede social preferida e assim estarão a par de todas as novidades!

Vitor Pinto



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