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Crónicas
Setembro 2006

Á procura de Nessy!

Foi num momento de férias que saímos de Portugal rumo a Loch Ness em busca do monstro (Nessy) para os amigos...
Escala feita em Dublin e a descoberta de uma cidade aparentemente calma, mas a ferver de cultura e muita animação. Foi assim que encontramos o puro estilo de vida por entre as ruas de Temple Bar, pelas pontes que cruzam o rio Liffey ou pela magia da O'Connell Street. Encontrar aqui a Nessy seria uma loucura, mas mesmo assim partimos á busca.
Por entre encontros imediatos com os Raconteurs de Jack White nas ruas que circundam Temple Bar e se encontram no bar com o mesmo nome, com o Hard Rock e com o magestoso Oliver St.John Goraty, o bar que enche as vistas e nada passa despercebido. É chegada a hora para uma paint Guinness. Inevitávelmente um sabor único. Uma imagem caseira que invade uma boa parte da cidade com as suas enormes fabricas.

Avista-se um barco Viking que entra na agua e sai para rolar na estrada. Talvez tivessem visto a Nessy. Negativo! Aconselham-nos um sábio. E onde o encontrar? Trinity College! Acolhe e forma talentos desde 1592. Fabuloso!
Fomos levados até Oscar Wilde. Não se encontrava em sua residência. Estava mesmo em frente, instalado num jardim de repouso sempre com seu ar boémio.
Restava-nos o Castelo, onde só encontramos areia. Muita areia formatada em esculturas, e a O'Connell Street, uma imensa avenida em forma de galeria de arte onde se destaca o interminavél "bico" ali mesmo espetado e as esculturas de Barry Flanagan, animados coelhos em bronze ao longo de toda a avenida.
Ali mesmo tentamos pela última vez perguntar pela Nessy, mas a questão feita a James Joyce foi em vão. Sugeriu-nos apenas um Irish Coffe no John Keating, um bar/restaurante que se instala bem dentro da St. Mary's Church. Isso mesmo. Uma igreja belíssima que acolhe os fiéis que fazem as suas orações e frente a um copo ou dois. Foi o que nós fizemos antes de deixar Irlanda!

Escócia era o rumo. Seria o rumo certo? Sem duvida que sim, não fosse a chegada triunfal a Edimburgo, onde nos primeiros instantes em terras escocesas, fomos projectados em plena High Street.
A quem iriamos perguntar pela Nessy? Ás milhares de pessoas que enchiam as ruas, tudo por culpa do Fringe e de todos os outros festivais que acontecem por esta altura na capital da Escocia? Aos artista que tudo davam em troca de um sorriso? Aos musicos, que nos faziam dançar apenas com a força da alma? Estavamos rodeados de gente de todo o mundo e ninguém tinha visto a Nessy.
Nem William Wallace, o verdadeiro "Braveheart" (na foto), nem tão pouco, toda a Military Tattoo, que se reunia todas as noites no surpreendente castelo local. Ao fundo da rua, o palácio da rainha. Mas nada apontava para um lago com um monstro.

Estavamos rodeados sim, de muita musica. Á nossa volta, o "T on the Fringe". Muse, Snow Patrol, Kasabian, Keane, Editors e até os Simple Minds, mesmo ali do outro lado da rua. Pena foi a policia não nos deixar atravessar a Princes Street.
Sem rodeios, pedimos ajuda ao Haggis. O divertido autocarro amarelo que nos iria levar ás altas montanhas, ás ilhas e a toda a história escocesa.
Embarque feito na aventura, e encontros com a natureza em estado puro, castelos assombrados em Highland, toda a beleza da ilha de Skye com o arco iris em magia e um pôr o sol colorido de sentimento único, os campos de batalha de Culloden quase que sagrados, quedas de água intermináveis, as ovelhas imensas e os cavalos brancos...
Em Inverness perguntamos já em desespero pela Nessy. Talvez andasse por perto, mas não por ali. Assaltamos o Castelo Eilean Donan, o mesmo de "Highlander", mas lá apenas apareceu Richard "The real highlander", como o próprio fez questão de frizar, e há provas disso mesmo.

Finalmente e quase sem forças, avista-se um lago negro, frio e com estranha ondulação... Loch Ness! Um lago bastante misterioso, com uma energia inexplicável. Era a Nessy! Gritos foram expulsos em direcção ao lago que causava arrepios. Mas nada... A Nessy não estava disponivel naquela tarde.
Mesmo assim, nada foi em vão. Toda a viagem foi rica em conhecimentos e momentos perfeitos. Tudo graças ao monstro que vive no lago mais famoso do mundo e que nos deu tamanha felicidade!

No regresso, quem encontramos foi Hamisha... o verdadeiro "monstro" no sentido figurativo.

Vitor Pinto

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