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Crónicas

Fevereiro 2015


Pedaços de Pensar Grande
"Otimismo em forma de escada de subida"

Otimismo é acreditar que vai ser melhor.
Otimismo é ver cada buraco diante e acreditar que dentro dele, depois dele, acima dele ou nele inteiro se esconde um sentido maior, uma razão superior, uma qualquer forma de seguir.
Otimismo é ir de olhos bem abertos e saber ver tudo o que há. O perfeito e imperfeito, o mais que perfeito, o passado simples e, sobretudo, o futuro.
Otimismo é, por isso, conjugar cada verbo em todos os seus tempos verbais e querer conjugar o futuro duas vezes. Ou três.
Otimismo é cair e levantar-se, podendo pelo meio praguejar, vociferar, remoer ou desesperar. Mas levantar-se. Tarde ou cedo, fácil ou dificilmente. Mas levantar-se. Ainda que seja mais mental que fisicamente. Ainda que seja mais a médio do que a curto prazo. Mas confiar que é possível, sempre e eternamente possível levantar-se. E repensar, reorganizar, refazer e renovar para que o levantar se faça possível.
Otimismo não é ver só barcos à vela em dia de vento a favor ou veleiros sobredimensionados. Otimismo é ver naufrágios e apreciar barcos de papel que não aguentem nem um pombo em cima. Otimismo é ver tudo o que flutue e tudo o que afunde. E saber que, de algum modo, e de cada um dos velejares, haverá algo que aprender sobre o manejo dos lemes e das âncoras.
Otimismo não é contentar-se com pouco. Nem acreditar em impossíveis.
Otimismo é acreditar em fazer muito e fazer por transformar a esfera das possibilidades.
Otimismo é ter poder. Otimismo é querer mais. Otimismo é a não resignação ao estupor dos dias que aparecem e a perseguição do melhor, escondido atrás de obstáculos grosseiros ou finamente concebidos.
Otimismo é a escolha feita diante de todos os dados, é a decisão de cabeça fria, a escolha de ponderações feitas, o caminho mais difícil.
É acreditar no impossível por ver, e por os pés num caminho que ainda não tenha tijolos postos. Sabendo do que se vai atrás, o que se procura, o que se está disposto a fazer acontecer. Resistindo ao não quando o que se deseja é um sim.
Recusando um sim quando o que fizer sentido é um não. Otimismo é perseguir o desejo com os pés assentes nos seus antípodas. E confiar que com esse esforço se chegará onde nos esperam.

Otimismo é pegar com as mãos ásperas nos paus de uma cabana que ruiu e construir uma escada para chegar mais alto do que a chaminé que aquela cabana nunca teve projetada.

Fotos: Ávany França

Edite Amorim, 18 Fevereiro'14
www.thinking-big.com/blog

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