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Edições ao telescópio no palco Fenther...



Mundo Cão - «Mundo Cão»

Num ano que se aproxima vertiginosamente ao fim, olhamos para trás e constatamos que foram poucos os registos que fizeram estragos na indústria.

Um desses casos, e para nós o de maior impacto, foi o lançamento de um projecto inovador e diferente, sem dúvida alguma.
Falo de Mundo Cão e do seu disco baptizado com o mesmo nome.

Uma banda com fortes ligações à cidade dos arcebispos, não fossem as letras imaginadas pelo “mestre” Adolfo Luxúria Canibal. Dentro do mesmo caldeirão denominado Mão Morta, surgem também Vasco Vaz e Miguel Pedro para dar o toque subtil a este projecto.
Ainda em Braga, encontraram Budda para se juntar fielmente ao Mundo Cão, contando ainda com o baixo de Canoche.

Para além de todo este arsenal montado na retaguarda da banda, há um nome, há uma imagem que se destaca e que torna os instantes da banda especiais. Pedro Laginha.
Uma imagem solta que se evidencia na televisão, aparece em alguns videos dos Mão Morta e desde o primeiro instante desta banda, domina a provocação em palco.

Para além da novidade da banda e do disco, esta foi sem dúvida, a grande imagem em destaque, a grande aparição debaixo de suspeitas de alguns e eleito em devoção por outros.
O que é certo e real, é que Pedro Laginha cumpriu o seu objectivo expondo as músicas do disco ao vivo e enfrentou o grande público, conseguindo para além de tudo isto, surpreender.
Em palco, a voz deste actor, para além de atingir os pontos altos de todo o registo físico, consegue provocar arrepios. O desempenho com toda a banda é perfeito, e o resultado? Salas esgotadas de Norte a Sul.

Mas o causador de tudo isto, é mesmo o disco de estreia «Mundo Cão». Um registo que conseguiu trazer ar fresco e nessa mesma corrente de ar, chegou igualmente a novidade.
A “Morfina” que nos foi injectada serviu para nos deixar em alerta sobre este tema perfeito, viciante e bem posicionado para poder destapar o véu do restante disco. Um tema que atingiu a atenção de todos e que todos agradeceram a boa vontade.

“O Caixão da Razão”, “Vasculhar Sua Ficção” e “Da Vertigem Sou Mendigo” acabam por ser sem dúvida alguma, os pontos fortíssimos deste registo. Muita garra, muita força, muita raiva saudável na execução e sensibilidade nas melodias extremamente bem conseguidas. Excelente o cintilar das guitarras.
Os restantes sete temas que compõe esta pérola da música nacional, são conquistados, quase que espontaneamente a cada audição, pela viciante língua portuguesa aqui exposta, colocada sempre na perfeição com o desempenho dos instrumentos.

“Andarilho do Desejo” eleva-nos para uma viagem quase que psicadélica nas asas desta melodia e “A Noite na Cidade” segue a mesma viagem, o que nos faz sentir no êxtase pleno. Trata-se de temas calmos, mas muito fortes no sentimento.
Há movimentações “blues” em “Estroinice”, o que não deixa de colorir ainda mais este registo, que chega ao seu final com uma faixa instrumental meia escondida.
Está longe dos olhares indesejados, mas bem próxima e acessível para quem quer viver mais, neste Mundo Cão.

Vitor Pinto

Para adicionar mais informações sobre Mundo Cão, agradecemos o contacto ou o envio de mais infos. Obrigado!

fenther@gmail.com



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