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Edições ao telescópio...



Deolinda «Canção ao Lado»

Neste ano redondo de 2008 começamos a ouvir por aqui e por acolá, algumas musicas entoadas em português que nos faziam parar. Parar e sentir aquele som que cheirava a novidade, mas ao mesmo tempo, cheirava a tradição musical portuguesa. O Fado!

Não foi preciso procurar muito para encontrar a Deolinda. Não se trata do nome da vocalista da banda, mas sim do nome da própria banda. Só por isto estavam confirmadas todas as suspeitas de encontrarmos algo diferente e apetitoso.

A bela voz que se ouve na Deolinda é da Ana Sofia Bacalhau. Ela que nos chega das experiências dos Lupanar e que agora se junta neste projecto delicioso a Pedro Martins que anima com a sua guitarra clássica, também a Zé Pedro Leitão que devora sabores ritmados com o contrabaixo e a Luís Martins, o multi instrumentista que sabe cuidar de uma forma especial a guitarra clássica, o ukelele, o cavaco, a guitalele e a viola braguesa.

Quatro personagens que dão vida e cor à Deolinda, que surgem com este registo «Canção ao Lado» e que nos fazem viajar por entre o fado vadio, o fado puro que se ouve nos bairros lisboetas. Essa é também a visão de João Fazenda que ilustra de uma forma especial este disco da Deolinda, tornando-o ainda mais forte e perfeito. Uma Lisboa ilustrada com muita cor e com sons saudáveis e animados.
E são esses os sons que formam o disco «Canção ao Lado» que em 14 viagens nos conquistam e nos deixam com saudade se uma nova audição não for efectuada entretanto.

Experimentem ouvir o viciante tema de abertura “Mal por Mal”. O mal da Deolinda faz-nos tão bem! A perfeição deste quarteto faz-nos ficar contentes com a vida e soltos com uma alma descansada. Volta-se às tradições enraizadas com o “Fado Toninho”, balança-se ao som de “Contado Ninguém Acredita” e o bailarico em forma de intervenção de “Movimento Perpétuo Associativo”. O tema preferido cá da casa.
Choram as pedras da calçada com um cintilante “Lisboa Não é a Cidade Perfeição” e depois da tristeza, a festa em tons saltitantes com “Fon-Fon-Fon”, a tuba endiabrada em confronto directo com os vários estilos musicais. A tuba sairá vencedora? Descubram…

Para a sobremesa fica o tranquilizante “Fado Castigo”, “Ai Rapaz” em tons de engate por entre o bailarico, “Canção ao Lado”, Garçonete da Casa de Fado” em tons brasileiros e o apaixonado “Clandestino” a fechar.

Um disco de eleição absoluta com produção de Nelson Carvalho e de mãos dadas com o Sons em Transito.
No final, fica o apetite para repetir… Façam o favor. A mesa está posta. Sirvam-se!

Vitor Pinto

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