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Edições ao telescópio...

Coldfinger – «Supafacial»


As palavras de Miguel Cardona sobre o grande regresso dos Coldfinger...

Fenther - Um regresso já há muito desejado, ou chegou na altura certa?
Coldfinger - Chegou a altura certa.

Fenther – Como classificam “Supafacial” em relação aos vossos álbuns anteriores?
Coldfinger - Para nós representa uma continuação natural do nosso trabalho.

Fenther – A sonoridade mantém-se fiel?
Coldfinger - Sim a nossa sonoridade mantém-se mas também evoluiu. Foi essa evolução que nós quisemos registar neste disco e agora ao vivo.

Fenther – Quem são os Coldfinger actualmente? Há convidados neste trabalho?
Coldfinger - Os coldfinger são a Margarida, Miguel, Nuno e Ruca, nas gravações do disco participaram como músicos convidados o João Pedro Coimbra, Guilherme Nascimento e André Gonçalves.

Fenther - Sentem-se já maduros? Uma banda que sabe bem o que quer?
Coldfinger - Não. Queremos tocar,só isso.

Fenther – O que ouvem os Coldfinger?
Coldfinger - Tudo o que vai surgindo tanto no panorama nacional como também algumas coisas que chegam lá de fora. Por cá ouvimos os novos de Poppers, D.j. Ride.

Fenther – Como vai funcionar a banda ao vivo?
Coldfinger - Margarida –Voz e teclados, Miguel-Guitarra e Baixo, Nuno-bateria, Ruca-Synths e programações

Fenther – Já tem concertos agendados?
Coldfinger - Temos tocado por ai, Lisboa Guimarães ,Coimbra como vez ainda temos muito para tocar .

Fenther – Também andam pelas Fnacs. Gostam destes “show cases” intimistas?
Coldfinger - Gostamos sempre de apresentar a nossa música.

Fenther – Um apelo para a musica actual portuguesa…
Coldfinger - Não stresses.





Coldfinger «Supafacial»

A agulha é colocada no vinil que gira em rotação suave durante 42 minutos e 26 segundos.
É este o som refrescante que os Coldfinger nos oferecem no início deste verão 2007.

Já tínhamos saudades de sentir as movimentações deste colectivo formado por Cardona e Margarida Pinto à cabeça, contando ainda com Nuno e Ruca.
O motivo deste regresso deve-se ao excelente «Supafacial» editado numa altura aceitável, mesmo encostada ao verão. Um perigo sujeito, mas a banda lisboeta pensou no acontecimento e refrescam-nos com 14 temas perfeitos.
Prova disso mesmo, o viciante single, logo na abertura do disco. “Supafacial” o tema titulo, muito bem conseguido, suavizando e alegrando a prateleira dos novos sons perfeitos made in Portugal. Descola-se uma guitarra e “Dragonfly” arrisca-se a ficar com o estatuto de segundo single deste registo, o quarto da banda, depois do magnífico EP de estreia «EP01», dos álbuns «Lefthand» e «Sweet Moods & Interludes» e do registo ao vivo, «Live Coda». Tudo isto num pequeno espaço de 5 anos!

O som deste novo registo, atreve-se a fugir as manobras já feitas pelos Coldfinger. Um som que ultrapassa fronteiras e nos deixa na duvida… Isto é português? É sim, e ainda bem que é. São elogios que se criam à volta desta nova etapa.
O som electrónico aliado ás reflexões de caris punk, num já chamado “electro-punk”, é registado em “Beat Kick”. A dança solta, mas sempre refrescante, solta-se em pleno. “Perception or Nothing” e “Song Six” vagueiam na suavidade do encanto da voz de Margarida. A magia voa em torno da emoção. Perfeito.

Uma vez mais, a musica portuguesa está de parabéns registando-se num perfeito estado de saúde. A Zona Musica, tem estado atenta ao que se vai produzindo por ai, não deixando cair por terra momentos tão deliciosos como estes.
Continuando a colagem de papéis pelas paredes que se espalham pela cidade, há um tema que nos dá força e provoca ritmo. Ritmo viciante. “Feeling Resides”. A maravilha do som presente. “Hard 2B the Bastard” numa suavidade quase que acústica muito bem encaminhada até respirarmos um novo ar… “I Breathe”, sentimentalista, provocante, viciantemente perfeito.
Caminha-mos por entre as pistas carregadas de suspence e “Bitch Pitcher” por entre os subúrbios do ritmo. A força da palavra em formato “spoken word”. Queremos mais. Enquanto o vinil se aproxima perigosamente do final, a agulha vai descodificando e ampliando “Swingcat”. Um verdadeiro “swing” felino este tema.

Queremos ver bastantes vezes este cabaret ao vivo, provocado pela força dos Coldfinger, que se encontram perfeitamente no seu estado maduro, simpático e saudável. Venham muitos concertos para dar asas e luz, a este «Supafacial» que se quer citadino.
“Missunderstone” marca o intervalo, entre esta e a próxima audição que se prevê imediata. Um excelente registo, como há muito não se ouvia por estes lados.

Vítor Pinto

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