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Edições ao telescópio...

Uma cidade, três projectos!


Há um movimento de revolta pela zona de Barcelos…
Há uma emergente onda punk a surgir dos subúrbios incandescentes das ruas e vielas da cidade do galo.
Desde há muito que Barcelos tem afirmado o seu produto musical. Mas o Fenther, apresenta agora, 3 novos projectos de produção barcelense e que ilustram perfeitamente a vontade da expressão por parte dos Rendimento Mínimo, Classified e Black Bombaim.

O registo homónimo amarelo dos Rendimento Mínimo, demonstra uma energia revoltante. Sente-se as palavras de ordem e as “Mãos Sujas” e a “Desconfiança Cega”, levam-nos logo de imediato ao cérebro da questão. “O que é que se passa? Anda tudo armado… em parvo!”. A força das guitarras sentem-se nas veias, e a vontade continua a fazer estragos…
“Rock Rola”, uma abordagem artística para o blog de apoio a bandas de Barcelos, o rock-rolaembarcelos.blogspot.com do amigo da Fenther, Ilídio Marques.

O melhor tema encontra-se a meio do disco. “Homem Acorrentado” navega pela perfeição. Muito bem conseguido este momento, que junta vário estilos, aqui em perfeita harmonia nos sentidos!
Sem querer desfigurar a obra dos R.M., há aqui bastantes aromas a Mão Morta. E isso é sem duvida notório em “Contar os Segundos”, o que não deixa de ser saudável. Experimentem.
Tendo como parceiros de edição a Honeysound e Oops!, não restam duvidas que Barcelos consegue conceber, criar e expor todo o trabalho conseguido em “casa”. Notável este momento que se vive por estes lados.
A fechar “Num Instante o Distante” sobre gritos de desespero e ainda “O Diabo Dança” cantado bilingue. Português e Francês. Um single perfeito!

Os Classified dentro da mesma ordem de ideias, fogem já um pouco para o campo Grunge. “Taunt” carece de uma audição atenta nesse sentido. Muito bom o inicio deste «Loud n Angry», um EP que demonstra bem as vontades destes quatro rapazes, o Rui Rodrigues, Marco Vale, Rui Lima e Miguel Martins. Os próprios dizem ser uma alternativa à alternativa, rotulando de imediato, toda a sua criação para a “Musica Zangada”… Uma atitude que merece respeito.
Solta-se a guitarra em “Binary” na vontade de ser um tema forte e viciante. Conseguida a proeza. “Monster” e “Ace of Blades” funcionam como comprovativo de um bom caminho a ser percorrido pelas entranhas de Barcelos. O primeiro a passear por entre um blues marginal e o segundo na revolta do rock rastejante.
No final, o longo tema de 7 minutos e meio. “Smoke”, um refrescante tema, calmo e envolvente. Saber saborear este tema, é saber viver!

O terceiro destaque vai para os Black Bombaim. Chegado até nós ainda em formato maquete, espera-se desta banda barcelense, muito mais. Para além do disco de estreia, aguardam-se concertos ao vivo, para debitarem toda uma energia que não pode ficar simplesmente compactada dentro de uma rodela.
O som dos B.B. é para se extrair e para ser captado por entre o suor dos rostos de quem a produz. É preciso sentir fisicamente, o que de espiritual é por demais sentido.
As palavras instrumentais são simplificadas nos instrumentos que são tratados com a devida beleza. O resultado? “III” logo na abertura deste registo. Sente-se uma corrente que nos obriga a dançar. Impossível ficar indiferente. Perfeito!

“Seven” Segue o encanto de primeiro tema, na aventura instrumental, no longo percurso caminhado por palavras sonoras imaginárias. De novo as notas melódicas que se soltam das cordas em “Peyote” e a raiva em “12 A.M.”, que se divide em dois momentos distintos, tendo o primeiro acto a vocalização já merecida por entre encantos sonoros. Solta-se o grito e o sentimento.
No segundo acto, a calma aparentemente camuflada pela força dos Black Bombaim. “Your Sister Morphine Won´t Get You Home” desliza até ao final, com a calma merecida, para repor energias para uma próxima movimentação.

Bem Vindos ao universo destas três bandas, que partilham a mesma vontade, as mesmas ideologias, a mesma cidade…

Vítor Pinto

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