HABITAT NATURAL DA MÚSICA
A história da música em Portugal não seria a mesma sem o Festival Paredes de Coura. Ao longo dos seus 33 anos de existência, o mais antigo e carismático festival português tem feito história na descoberta de novas promessas musicais e na apresentação dos nomes mais consagrados da música a nível mundial. Com uma programação cuidada e coerente, sempre fiel ao espírito alternativo que o caracteriza, o Festival Paredes de Coura, que acontece junto à Praia Fluvial do Taboão já foi considerado um dos 5 melhores festivais de música da Europa pela revista Rolling Stone. Arcade Fire, Pixies, Nick Cave, PJ Harvey, Zaho de Sagazan, AIR, Lola Young, Idles e Fontaines D.C., são apenas alguns dos nomes que já pisaram o palco deste festival. O Vodafone Paredes de Coura regressa em 2026 entre os dias 12 e 15 de Agosto.
De 12 a 15 de Agosto de 2026 a música regressa ao Couraíso. Hermanos Gutiérrez juntam-se aos já confirmados Amyl and The Sniffers, Underworld, Wet Leg, Thundercat, Benjamin Clementine, CMAT, MEUTE, Aldous Harding, Kurt Vile & The Violators, Cate Le Bon, Maruja, WU LYF, Getdown Services, Show Me the Body, Bassvictim, terraplana, Strawberry Guy, Vendredi sur Mer, Skegss, Westside Cowboy, Prostitute, Dame Area, Friko, Tomode, Julia Mestre, A garota não, First Breath After Coma + Salvador Sobral, Horsegirl, UNIVERSITY, Capitão Fausto e Milhanas.
Dos ambientes sombrios e cinematográficos de WU LYF, com vocais intensos e sonoridade dramática, à energia rítmica e pulsante dos Getdown Services, que misturam electrónica, post-punk e grooves irresistíveis, cada projecto oferece experiências sonoras únicas. Terraplana cria shoegaze atmosférico, introspectivo e melancólico, enquanto Skegss traz surf rock, indie e punk juvenil com guitarras contagiantes e refrões fáceis de cantar.
Westside Cowboy combina indie rock, folk e “Britainicana”, com melodias cativantes e harmonias envolventes. Prostitute mistura post-punk experimental e rock árabe, com guitarras abrasivas, sintetizadores corrosivos e ritmos primitivos. Dame Area aposta em electrónica tribal e industrial, minimalista e hipnótica, Friko combinam percussão intensa e grooves densos com energia visceral, e Tomode transformam electrónica ambiental e downtempo em paisagens sonoras poéticas e densas.
Hermanos Gutiérrez são um duo instrumental que constrói paisagens sonoras a partir do diálogo íntimo entre duas guitarras. A sua sonoridade é marcada por melodias minimalistas, ritmos subtis e uma forte dimensão atmosférica, onde cada nota parece suspensa no tempo. Entre ecos de bolero, desert blues e surf rock lento, criam composições contemplativas e profundamente emotivas, que evocam vastas paisagens e estados de introspecção.
WU LYF (abreviação de World Unite Lucifer Youth Foundation) é uma banda britânica de indie rock formada em Manchester em 2008, conhecida pelo seu som intenso, sombrio e atmosférico que cruza post‑punk, gospel e rock alternativo de forma visceral e hipnótica. A sua obra original, Go Tell Fire to the Mountain (2011), destacou‑se pela produção reverberante, arranjos minimalistas e intensidade emotiva dos vocais de Ellery James Roberts, criando um álbum cult que influenciou a cena indie britânica e conquistou uma legião de fãs pela sua autenticidade e força sonora.
Depois da separação em 2012, WU LYF regressaram em 2025, surpreendendo o público com a primeira música nova em 13 anos, “A New Life Is Coming”. O regresso assinala um novo capítulo criativo, com material inédito que expande o seu som, mantendo, porém, a intensidade emocional e a aura enigmática que sempre definiram a banda.
Getdown Services é um duo britânico que se tem afirmado como uma das propostas mais irreverentes da nova vaga alternativa do Reino Unido. Movendo-se entre o post-punk minimalista, a electrónica lo-fi e o spoken word, constroem canções assentes em batidas secas, linhas de baixo repetitivas e sintetizadores crus, onde a palavra assume um papel central. A sua identidade vive desse equilíbrio entre o groove hipnótico e a observação mordaz do quotidiano contemporâneo.
Com letras que funcionam como pequenas crónicas urbanas - cheias de ironia, humor seco e comentários sociais subtis - o projecto distingue-se por uma estética despretensiosa e assumidamente DIY. A contenção sonora é parte da sua força: há espaço, repetição e tensão, criando uma atmosfera simultaneamente descontraída e provocadora. Em palco, essa simplicidade transforma-se numa experiência envolvente e imprevisível, reforçando-os como um dos nomes mais curiosos e refrescantes da cena alternativa britânica recente.
Terraplana é uma banda brasileira de shoegaze e rock alternativo formada em 2017 em Curitiba, no Paraná. Destacaram-se rapidamente pela sua sonoridade envolvente e introspectiva, onde guitarras texturizadas, vocais etéreos e letras emotivas se cruzam, criando um universo sonoro cheio de nostalgia e profundidade. Com o primeiro EP “Exílio” (2017), a banda revelou a sua capacidade de explorar camadas sonoras ricas, fundindo shoegaze, post-rock, slowcore e indie de forma natural e cativante.
O reconhecimento aumentou com o álbum de estreia, olhar pra trás (2023), que recebeu elogios da crítica e que consolidou o grupo na cena alternativa brasileira. Em 2025, lançaram o segundo álbum, natural, produzido por JooJoo Ashworth, que expande ainda mais a intensidade emocional e as texturas do seu som, com guitarras atmosféricas e passagens de grande impacto sonoro. Este último confirmou-os como uma das propostas mais originais, consistentes e promissoras do rock alternativo contemporâneo no Brasil.
Skegss é uma banda australiana de surf rock e indie rock formada em 2014, composta por Benny Reed e Jonny Lani. Desde o início, conquistaram a cena musical com um som descontraído, marcado por riffs de guitarra simples e cativantes, linhas de baixo envolventes e melodias pop acessíveis, onde as letras capturam a energia da juventude, a amizade, as festas e as pequenas frustrações do dia a dia. A sua música celebra uma autenticidade despreocupada, que se sente tanto nos discos como nos concertos, transmitindo uma sensação de proximidade e comunidade.
Com álbuns como My Own Mess (2018) e Rehearsal (2021), solidificaram o seu lugar no surf rock contemporâneo, alcançando reconhecimento internacional e construindo uma base de fãs leal. Em palco, a banda transforma cada actuação numa celebração vibrante e contagiante, combinando energia, humor e espontaneidade, provando que a sua música é feita para ser sentida tanto no estúdio como no palco, mantendo sempre a essência divertida e genuína que define a identidade do grupo.
Westside Cowboy é uma banda britânica de rock alternativo formada em Manchester, cuja sonoridade mistura indie rock, folk e “Britainicana” combinando harmonias vocais envolventes com guitarras melódicas e uma energia crua e contagiante que refletem a autenticidade do grupo. Surgiram a partir de amigos que se conheceram na universidade e começaram a tocar juntos, evoluindo de covers e jam sessions para composições próprias marcadas pela autenticidade e personalidade.
O primeiro single, “I’ve Never Met Anyone I Thought I Could Really Love (Until I Met You)” (2024), chamou imediatamente à atenção. Seguido por singles como “Shells”, “Alright, Alright, Alright” e “Drunk Surfer”, que pavimentaram o caminho para o EP de estreia “This Better Be Something Great“ (2025). No início de 2026, o segundo EP, “So Much Country ’Till We Get There”, consolidou a sua evolução sonora e mostrou que a banda é uma das propostas mais cativantes e promissoras do rock alternativo britânico contemporâneo.
Prostitute é uma banda norte-americana de post-punk experimental e rock árabe formada em 2020 em Dearborn, Michigan. O projecto nasceu durante o isolamento da pandemia e rapidamente se destacou pela forma intensa e confrontadora com que mistura guitarras distorcidas, baixos primitivos, bateria frenética e sintetizadores industriais com samples de diferentes culturas. As letras, descritas como “perturbadoramente poéticas”, exploram temas como fanatismo, violência, identidade e estereótipos xenófobos, transformando cada canção numa experiência política, visceral e quase teatral.
O álbum de estreia, Attempted Martyr, é um disco de conceito que acompanha a ascensão e queda de um fanático, mostrando a capacidade da banda de unir narrativa, crítica social e energia sonora de forma única. Em palco, são conhecidos pelos concertos explosivos e imprevisíveis, onde Moe Kazra assume a frente do espectáculo com intensidade e presença magnética, transformando cada actuação numa experiência colectiva e imersiva. Actualmente, trabalham no segundo álbum, que aprofunda influências de electrónica e ritmos árabes, mantendo a energia anárquica e a força política que caracterizam a banda.
Nas profundezas da vibrante cena do it yourself de Barcelona, surge um nome com um som que desfia categorização: Dame Area. Fruto da união entre Silvia Kostance, uma feiticeira dos sintetizadores, e Viktor L. Crux, um mestre das batidas primativas, este projeto explode com a força de uma onda tribal, numa eletrizante fusão de post-punk, EBM e música latina obscura.
Friko é uma banda norte-americana de indie rock formada em Chicago que tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais energéticas e emotivas da cena contemporânea. Combinando harmonias ricas, guitarras incisivas e uma sensibilidade que oscila entre introspecção e explosões de intensidade, a sua música cruza elementos de indie rock, post-punk e chamber pop, criando canções que são pessoais e universais.
O álbum de estreia, Where we’ve been, Where we go from here (2024), recebeu elogios da crítica pela sua mistura de dinamismo e profundidade emocional, apresentando temas marcantes como “Crimson To Chrome” e “Get Numb To It!”. Em 2026, a banda apresenta o segundo álbum, Something Worth Waiting For, gravado com o produtor John Congleton, reafirmando a evolução do seu som e a capacidade de reinventar a sua abordagem musical. Conhecidos pelos concertos enérgicos e pela ligação intensa com o público, Friko continuam a conquistar espaço no panorama do indie rock global, mostrando uma maturidade rara para uma banda ainda jovem.
Tomode é um duo emergente que tem vindo a destacar-se pela sua abordagem criativa e estética própria dentro da música electrónica e experimental contemporânea. Formado por dois artistas com uma visão artística comum - a de fundir texturas electrónicas com elementos orgânicos e uma sensibilidade poética - o projecto distingue-se pela forma como transformam sentimentos e atmosferas em paisagens sonoras densas e envolventes. A sua música atravessa géneros, combinando electrónica ambiental, electro‑pop e elementos de downtempo com um forte foco na narrativa emocional.
O seu trabalho caracteriza-se por arranjos refinados, uso imaginativo de sintetizadores e uma atenção minuciosa à construção de atmosferas, criando canções que nos convidam a uma experiência introspectiva e contemplativa. Embora sejam relativamente recentes na cena musical, já conquistaram atenção crítica e de público pela sua capacidade de criar músicas que são simultaneamente acessíveis e artisticamente ambiciosas.
Hermanos Gutiérrez é o projecto dos irmãos Alejandro e Estevan Gutiérrez, um duo instrumental que constrói paisagens sonoras a partir do diálogo íntimo entre duas guitarras. Com raízes suíças e equatorianas, a sua música reflete esse cruzamento cultural, combinando influências latino-americanas com o imaginário do western, do folk e das bandas sonoras cinematográficas.
A sua sonoridade é marcada por melodias minimalistas, ritmos subtis e uma forte dimensão atmosférica, onde cada nota parece suspensa no tempo. Entre ecos de bolero, desert blues e surf rock lento, criam composições contemplativas e profundamente emotivas, que evocam vastas paisagens e estados de introspecção. Em palco, essa contenção transforma-se numa experiência envolvente e quase meditativa, o que os afirma como uma das propostas instrumentais mais singulares e cinematográficas da música contemporânea.