30 anos de carreira. Um marco histórico para o hip hop nacional
O regresso aos palcos para um concerto especial no Coliseu do Porto já esgotado
O novo disco "96 ao Infinito" a ser editado na sexta feira dia 13 de Fevereiro
Podemos avançar, em primeira mão, com alguma surpresa para a noite do Coliseu? Algum convidado surpresa? Ou algum tema a ser tocado, que ainda esteja no segredo dos deuses?
Vai ser uma noite muito especial, isso é certo! Temos algumas surpresas planeadas, alguns convidados que vão trazer momentos únicos… mas ainda vamos guardar o segredo! O que podemos garantir é que vai ser uma celebração que ninguém vai esquecer, com alguns dos temas que marcaram a nossa história e com temas do novo disco que sai já na próxima sexta-feira, dia 13 de Fevereiro, com o título "96 ao Infinito".
Está tudo preparado para esta grande noite de celebração?
Estamos em contagem decrescente e a dar os últimos retoques, estamos muito entusiasmados. Preparámos tudo com muito cuidado, porque queremos que seja uma noite de celebração para todos, para quem nos acompanha desde o início e para quem nos descobriu agora. É uma mistura de um nervosismo saudável, alegria e gratidão, mas estamos prontos para viver cada momento no palco, que sempre foi o nosso habitat natural.
Se pudessem mudar alguma coisa ao longo destes 30 anos, o que teriam mudado ou feito de forma diferente no universo Dealema?
O nosso percurso é de resistência e superação, porque escolhemos ser uma banda independente. Claro que haveria coisas que faríamos de forma diferente, mas cada desafio e cada vitória ajudaram a moldar o que somos hoje. O mais importante é que nunca perdemos a nossa identidade nem a nossa liberdade criativa. Poderíamos ter mais alguns discos enquanto colectivo na nossa discografia mas se isso tivesse acontecido talvez não tivéssemos alguns discos a solo que foram marcantes para a história do Hip Hop nacional, e esses discos, ao fim do dia, também são de Dealema.
Três décadas num colectivo que se manteve intacto desde o inicio na sua criação é um feito notável e quase único no universo da música…Qual é a chave do sucesso?
Acreditamos que a base do nosso sucesso é o respeito mútuo e a amizade que nos mantém unidos. Também é sobre trabalho constante, dedicação, persistência, mesmo quando o caminho é difícil. E, acima de tudo, o amor à arte, que se sente em cada música e em cada palco.
O Hip Hop nacional está de saúde atualmente? Qual o conselho para os jovens músicos em Portugal?
O Hip Hop em Portugal está vivo e cheio de talento em todas as suas vertentes, há uma nova geração a surgir com ideias frescas, existe muita diversidade o que se traduz também num espectro muito amplo entre a mediocridade e a excelência. O mais importante para os jovens é acreditar no seu som, trabalhar todos os dias, respeitar quem veio antes e, ao mesmo tempo, criar a própria identidade, o segredo para o sucesso reside nessa originalidade em vez de seguir tendências. O Hip Hop sempre foi sobre contar histórias verdadeiras, por isso nunca deixem de ser autênticos.
Os Dealema são um dos mais antigos grupos de Hip-Hop português, criado na década de 90, com membros de Gaia e do Porto. Começaram com a fusão de dois projetos – Factor X que juntava Mundo Segundo e DJ Guze, e Fullashit na qual estavam Fuse e Expeão – entretanto conheceram o quinto elemento Maze, e todos juntos formaram os Dealema que há 20 anos se mantêm no ativo exatamente com a mesma formação.
MC's de língua afiada e com um extenso vocabulário, todos os membros da banda são também produtores, o que foi gerando, ao longo dos anos, um crescente número de fãs não apenas em Portugal, mas em outros países de língua oficial portuguesa onde a banda tem uma base muito sólida de seguidores. Tem sido também essa faceta que tem proporcionado aos Dealema diversas colaborações dentro e além fronteiras com artistas de peso no cenário hip-hop e soul. Entre eles Nach (Espanha), Kid MC (Angola), Emicida (Brasil), Dino de Santiago, Manel Cruz ou Marta Ren, só para citar alguns.
O primeiro trabalho dos Dealema a ver a luz do dia surge em 1996, ano em que apresentam o mítico “Expresso do Submundo” – reeditado, mais tarde, em formato K7, uma prenda aos fãs que nunca tiveram acesso comercial a este disco. Seguiu-se o álbum homónimo em 2003 que arrebatou a crítica e o público. Nesse ano, começava a aventura mediática dos Dealema que foram capa de muitas revistas e tocaram nos maiores festivais de música em Portugal. A discografia mostra-nos logo depois em 2008 o “V Império” que viria confirmar o estatuto da banda, consolidando o eixo Porto/Gaia como a nação do hip-hop em Portugal.
Dois anos mais tarde, a convite do Henrique Amaro, associam-se numa parceria de sucesso à NOS Discos editando o EP “Arte de Viver” que catapultou os Dealema para a ribalta mostrando que o hip-hop está mais do que nunca vivo e de boa saúde. Em 2011 a bandavolta aos beats pesados e à lírica mais negra com “A Grande Tribulação”. Neste álbum, o pentágono pinta a tela do momento pré apocalíptico que paira sobre a humanidade. Como sempre a sua mensagem pretende de forma direta provocar no ouvinte sentimentos concretos tendo como veículo a poesia e ambientes carregados de intensidade.
A terminar o ano de 2013 chega a “Alvorada da Alma”, que é um regresso às origens, onde tudo começou, à paixão pela música desde o primeiro momento até ao que ela representa hoje. O trabalho conta pela primeira vez com 12 convidados, alguns deles nomes internacionais da cena hip-hop e outros vindos de universos musicais distintos do rap, denunciando uma diversidade sonora que se consagrou grandiosa.
Depois de um hiato de mais de 12 anos, em que os Dealema nunca saíram de cena, o pentágono volta a reunir-se em estúdio, no mítico 2º Piso, para cozinhar aquilo que virá a ser o próximo disco. Fiquem atentos que a caravana dealemática está de volta!
"Moment of Truth" - Gang Starr
"Este tema é algo que me diz muito a nível pessoal e foi um dos pilares principais e uma referência absoluta na transição da adolescência para a idade adulta. Os versos profundos repletos de sentimento e conhecimento de GURU acompanhados pela mestria inigualável da produção de DJ Premier são um marco histórico na cultura Hip Hop e, sem dúvida, ajudaram a formar e moldar muitas consciências." MUNDO SEGUNDO
"'93 Til Infinity" - Souls Of Mischief
"Este tema é como uma cápsula do tempo e sempre que o escutamos somos transportados para os anos 90 e para a época dourada do Rap. O beat tem uma leveza luminosa, um ambiente inspirador e positivo, a letra fala de amizade, união, de espírito de grupo, de juventude e de talento.
Não são apenas MCs lado a lado; são uma ideia comum, uma linguagem partilhada, uma forma de estar no hip-hop. Tal como os Souls of Mischief, nós, Dealema, sempre fomos mais do que indivíduos, sempre fomos a soma de todas as partes que formam o pentágono." MAZE
"Shook Ones part II" - Mobb Deep
“Algures em 95, estávamos nós no auge da nossa adolescência e em plena época dourada do Hip Hop, tudo era vivido a 100%, incluindo todas as vertentes desta cultura. Quando este álbum saiu pensámos “wow…estes gajos partem tudo!”. Das rimas aos instrumentais, tudo soava muito diferente do que se tinha ouvido até então. O álbum contava também com convidados de peso como, por exemplo, Nas e Raekwon (Wu Tang Clan), só para citar alguns. As rimas de Prodigy, super afiadas e com um slang muito próprio e inteligente, encaixavam como uma luva nos densos e obscuros ambientes produzidos por Havoc. “Shook Ones part II”, um dos temas do álbum é até aos dias de hoje um dos maiores hinos do Hip Hop mundial. “The Infamous” é um disco que transmite uma espécie de hardcore de rua que nos motivou muito enquanto Dealema. A legacia de Mobb Deep continua ainda hoje e bem forte!” DJ GUZE
"Bring the Noise" - Public Enemy
"A música tem a banda Anthrax como featuring e foi a primeira vez que ouvi rap misturado com metal. Fiquei instantaneamente viciado em rap e, especialmente, no Chuck D." EXPEÃO
"Full Clip" - Gang Starr
"Este som, produzido pelo icónico DJ Premier, representa o Hip Hop na sua vertente mais pura e crua. Ouvi-lo é recordar toda a nossa história também, as sessões de rimas, as festas, os concertos. Este som representa a nossa adolescência no Hip Hop." FUSE