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.cruzamente editam um bicho como nós e apresentam-no ao vivo no dia 18 de Maio no CCOP no Porto

Maio 6, 2024

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“Ilusões” é o segundo single do primeiro LP dos .cruzamente, um bicho como nós, e traz consigo uma melancolia quente, que nos leva à introspecção com um balançar da cabeça.

Porque é que somos assim? Como é que a nossa mente nos ilude ao ponto de não vermos o que está diante de nós? O encontro, mesmo que seja connosco, parte da cedência. E desse modo, quanto mais recíproca for, mais equidistante será o ponto de entendimento. Cedam, egos!

O vídeo que acompanha o single “Ilusões” foi criado pelo Bernardo Bordalo. Com uma base de foundfootage, pretende abordar a narrativa do tema e do álbum no máximo de dimensões em simultâneo. Desde o nível pessoal à nossa cumplicidade com o ecossistema, as forças naturais que operam alheias a tudo, mas que são condição para a nossa existência, até à impossível quantificação do ser no universo. O tudo e o nada, ao mesmo tempo.



Nas palavras do realizador: “Fora da nossa vista, existe todo um universo debaixo de água cuja presença é absolutamente vital para o planeta, ainda que opere de forma invisível - o ciclo da água é um exemplo disso. Da água para o vapor, para a nuvem e de volta ao planeta sob a forma da chuva. São forças quase mágicas, quase no universo da ilusão, que operam ciclicamente para sustentar tudo.”


Alicerçado no rock, o espírito dos .cruzamente não é saudosista, mesmo que venerem os antepassados e confiem na fraca memória que possuem como prova da intemporalidade de algo. De igual modo, também não procuram o futuro. Volta e meia, apercebem-se dele, vêem-se nele envolvidos, quando erguem o olhar até então preso aos seus instrumentos. Nem tampouco se procuram a eles mesmos, pelo menos enquanto grupo. Talvez seja isso, quando juntos, são. Sem buscas, sem querer. O que faz com que, a quem passa, pareçam crianças, numa bolha a esvoaçar sem nunca tocar no tempo. Afinal, têm uma pretensão, que essa bolha possa carregar o máximo de gente e de lugares com eles, e flutuar sem tempo e sem rumo.

Os .cruzamente são uma banda de Vila do Conde, composta por Francisco Rodrigues (voz) Pedro Cardoso (saxofone e harmónica) Carlos Loureiro (guitarra) Rodrigo Aroso (baixo) e Guilherme Magalhães (bateria). Os temas são originais e em português com uma base pop/rock, incluindo vários elementos funk, sem restrições.

Deram os seus primeiros passos na música em 2012, quando atuaram pela primeira vez ao vivo em Mindelo - Vila do Conde. Desde então, tocaram em vários espaços de música ao vivo de Norte a Sul do país, queima das fitas do Porto, Festa do Avante, Festivais de Verão e espetáculos comunitários. Durante este percurso lançaram três EPs: CruzaMente (2015); agitado (2019) e doninha (2020).

O seu primeiro álbum um bicho como nós, a editar no dia 10 de Maio, foi produzido, captado e misturado por Pedro Vidal (Jorge Palma, Blind Zero) e masterizado por Mário Barreiros.

Poucos de nós terão vivido tempos tão polarizados como estes. A amplitude torna-se tão reduzida, que é difícil percepcionar quem está do outro lado e é fácil, por isso, reduzi-lo à grandeza da nossa imaginação. Sim, porque cada bicho é um bicho e não sabemos se é possível imaginar um, uno e inteiro, sem que ele seja uma parte de nós. Até um bicho como nós mesmos é difícil de imaginar de forma plena, teríamos de nos conhecer muito bem. Possível ou não, é um bom exercício, o do auto-conhecimento. Sobretudo quando nos leva a partes que nunca antes tínhamos encontrado. Ficamos mais fortes, também porque nos apercebemos da falibilidade dos nossos sistemas de avaliação. Se falhamos connosco, também falhamos com os outros e isso obriga a que a nossa constante redescoberta passe pela reavaliação do outro, cada vez mais, até que a amplitude aumente e nos apercebamos que do outro lado está um bicho como nós. Tão feio quanto bonito, tão forte quanto fraco. Vivo, falível.


O concerto de apresentação do disco um bicho como nós acontecerá a 18 de Maio no CCOP, no Porto, pelas 21h30m. Será apresentado o disco, bem como alguns temas de trabalhos anteriores, com algumas surpresas pelo meio. Os bilhetes já estão à venda.



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