Crónicas

Abril 2016


Pedaços de Pensar Grande
Iluminar possíveis

Falar do Possível é trazer o mundo todo para dentro da cabeça. É fazer do pensamento um contentor de tudo, e da imaginação um aquário sem vidro. O Possível é o terreno fértil onde cresce toda e qualquer coisa. É um sem-paredes, sem-muros, sem-barreiras; é um com-espaço, com-estímulos, com-abertura.

O Possível é o que cabe na imaginação humana. É o que se estende entre o tudo que existe e o que está por inventar, entre o repetido e o único, aquilo que veio à luz uma só vez e desapareceu esquecido.
Define-se como pedaço estendido de um mundo inteiro. Fica-lhe para a frente e para trás o infinito partido a meio, como no corte limpo de uma linha reta, que se prolonga num “para sempre” e que não se sabe onde começou. Infinito para ambos os lados.

Falar do Possível é admitir a omnipotência do humano e poder fazer dela um exequível exercício quotidiano.
Admitir que o tudo que existe nos pode caber nos atos, e que o que não existe está só à mão de inventar.
Viver os dias colocando-lhes os ingredientes que a vontade traz, acreditando que podem fazer parte e lutando para que assim seja; confiando num resultado que esteja mais perto do desejo, do que do “tem de ser”, ou do “sempre se fez assim.”

Viver com o Possível dentro é percorrer os livros, os filmes e as histórias alheias em busca de exemplos e ideias; é acreditar nas coisas de longe sentindo que, para que estejam perto, só necessitam de viajar pela nossa mão.

O Possível é conhecer muitas coisas e emparelhá-las naquilo a que chamamos “minha vida”. É o sem limite. É saber a imensidão do mundo e querer dela o que mais faça sentido, sem importar quão longe, quão difícil, quão estranho possa parecer. É saber que pode vir, saber que pode estar, saber que pode ser. E só por isso ser guiado, só com isso deixar satisfazer a sede de ser tudo o que se pode ser.

Iluminem-se, pois, os Possíveis. Contem-se histórias que nos encham de horizontes, partilhem-se exemplos que nos elevem os sonhos, os desejos, os quereres e as vontades.
Iluminem-se os caminhos, para que todos se trilhem com resistência ao peso do habitual.
Alarguem-se as formas de ser, o desejo que faz expandir o de dentro, num claro voo ao ser maior.

Eduque-se com base na amplidão e ensine-se a amar sem limites nem fronteiras. Faça-se crescer o tudo o que se pode ser, alimentando a procura de respostas fora dos tabuleiros habituais de jogo.

Ancoro nas ações do dia-a-dia as respostas concretas a esta iluminação desejada. E revejo as conversas de café, das que fazem encostar com afinco as costas à cadeira, ouvindo ou desfiando momentos em que, contra todas as expectativas, as coisas se fizeram de forma diferente. Quantas histórias provando que os impossíveis só o eram na antecipação. Quantos casos partilhados trazendo exemplos de que se pode, de que dá, de que funciona. Quantos exemplos dizendo “parecia impossível mas funcionou!”, “Parecia tão difícil que respondesse e respondeu”, “Parecia tão improvável e olha onde acabámos”. Como se se provasse que, no fundo, acabar em qualquer lugar é só questão de não limite no primeiro passo dado.

Um dia tornar-se-á claro por dentro que o mundo é um espaço todo por inventar.
Porque o Possível é a Terra inteira em dia de não eclipse, com o ar todo por respirar; os céus inabitados esperando um voo qualquer e um olhar que lhe suba tão elevadamente, que saiba de forma clara que o horizonte é essa linha reta, sem princípio, sem fim, toda presente, toda possível.

Fotografias by Miguel Marecos


Edite Amorim, 14 Abril'16
www.thinking-big.com

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