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A.A.A.
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O Fenther esteve à conversa com Vitorino Voador. Fenther 7 anos - 7 questões.

Fenther – Foi complicado editar este teu primeiro EP? É difícil ser musico em Portugal?
Vitorino Voador – Olá, editar um EP nos dias de hoje já não é uma tarefa assim tão complicada, as pessoas conseguem fazer as coisas pelos seus próprios meios, eu felizmente tive o trabalho bastante mais facilitado depois do convite da Optimus Discos, mas mesmo que este convite não tivesse sido feito teria avançado pela minha editora ou próprios meios também, talvez o processo até estar pronto fosse mais demorado, ou o resultado final fosse diferente, mas o disco acabaria por ser editado.
Ser musico em Portugal pode ser um desafio, especialmente se uma pessoa viver apenas disso, é um país pequeno e isso tem as suas limitações, mas quem quer muito acaba por conseguir, estou rodeado de pessoas que o fazem!

Fenther – "Carta de Amor Foleira" abriu-te as portas que desejavas? Até onde queres chegar?
Vitorino Voador – Esta musica foi o inicio do Vitorino Voador, foi uma “Carta” de apresentação, com a presença nos Novos Talentos acabei por me dar a conhecer a mais gente que reconheceu o meu trabalho e abriu outras portas, estou longe do sitio onde quero chegar, quero através da minha musica, poder chegar a qualquer tipo de palco, poder tocar em qualquer palco grande sem ter por sua vez que deixar os palcos pequenos que adoro. Quero poder apresentar a minha musica fora de Portugal para um publico que não seja apenas português e que a minha língua não seja uma barreira para o poder fazer. Ao mesmo tempo não consigo dizer aonde quero mesmo chegar porque isso implica um fim que eu espero que não exista.

Fenther – O que te provoca inspiração?
Vitorino Voador – *Musica feita por músicos que cá andam pelas razões certas.
*O dia a dia banal
* Vídeos de gatinhos (estou a gozar, mas algumas viagens pelo youtube deixam-me inspirado!)

Fenther – Como te apresentas em palco? Há acompanhamento com o prato principal?
Vitorino Voador– Normalmente apresento-me sozinho, e apresento as minhas musicas de uma forma completamente despida e acústica, quando não toco sozinho, toco com o Zé Castro que trata de toda a parte eletrónica e aí aproximamo-nos mais do trabalho do disco, no futuro vou ter o ultimo formato que procuro que é o formato em banda, mas como sou um péssimo líder de banda só agora é que arranjei os músicos… Mas em breve vamos ter banda das boas!

Fenther – E no futuro próximo, o que vai chegar pelas mãos do Vitorino Voador?
Vitorino Voador – Num futuro próximo vamos ter a continuação do EP e da sua historia, o disco está praticamente acabado mas por ter partido a mão no natal acabei por atrasar a gravação e já não vai poder sair em Abril como queria, ficou para depois do verão. Vai ser um disco diferente do EP, com convidados, mais instrumentos e arranjos um pouco diferentes.

Fenther – Por onde costumas navegar na web? E onde te poderemos todos encontrar?
Vitorino Voador – Podem-me encontrar nos vários pontos cibernéticos do Vitorino Voador, o mais fácil será ir ao site e de lá seguir para o facebook, bandcamp, youtube, etc.
Aqui fica o site para quem estiver interessado em descobrir o Vitorino Voador
Link: www.vitorinovoador.com

Fenther – Uma mensagem final para o Fenther...
Vitorino Voador – Que o Fenther esteja convosco, tal como a força esteve para o Luke. Muito obrigado pelo convite e tudo de bom para o Fenther!


Vitor Pinto







O Fenther esteve à conversa com O Martim. Fenther 7 anos - 7 instantes com a voz do momento, o senhor que se segue na cena portuguesa.

Fenther 7 anos - 7 momentos com O Martim.


Fenther – O Martim é festa, alegria e boa disposição. Concordas? Fala-nos sobre esta aventura...
O Martim – Eu gosto de acreditar que sim, embora a temática do disco seja claramente a derrota e o desamor. Eu acho que a música, tal como a vida não são para ser levadas demasiado a sério. Não me interpretem mal, as coisas têm que ser bem feitas, e bem trabalhadas, mas sempre com a noção de que se trata apenas da vida, e nada mais.
As canções são baseadas em episódios da minha vida e são escritas por mim, sou grande fã de produção musical e no meu modesto estúdio caseiro comecei a gravar as primeiras canções para “O Martim” no início de 2012. A banda foi crescendo e hoje em dia já somos 5: os grandes mestres e meus caros amigos David Pires, António Quintino, Iris Sarai e a mais recente aquisição, o explosivo Francisco Sales.

Fenther – Pelo meio há aí aventuras Jazz, aventuras televisivas, há o B fachada, Homens da Luta... O que andas a tramar?
O Martim – Quando me perguntam isso eu costumo responder “nada de jeito”, o que na maior parte das vezes é a verdade... O que acontece é que eu sou antes de mais nada um (contra)baixista. estudo música desde os 17 anos e desde então que não faço mais nada sem ser tocar. Tive o privilégio de no meu caminho conhecer pessoas incríveis, como o Fachada, o Nilton, o Jel e o Vasco Duarte, com quem tenho vindo a trabalhar e que me ajudam muito nesta odisseia. Com eles aprendo imenso.

Fenther – O single "Banho Maria" é perfeito! Pronto já disse! Quem te influencia? Onde te inspiras?
O Martim – Influências são muitas, claro. (e muito obrigado pelo elogio ao single) Há tempos perguntaram-me porque é que eu vim parar ao Pop, uma vez que já passei por tantos estilos musicais, e a resposta que eu dei, que se aplica a esta pergunta é que o Pop não é nada mais do que a soma de todos os estilos. No meu caso a minha música é isso mesmo, um pouco de tudo por aquilo onde passei. Claro que tenho ídolos, o Fachada, o Rodrigo Amarante, O Marcelo Camelo... Mas a inspiração vou buscá-la a muito mais sítios. Ao cais do sodré, por exemplo.

Fenther – Ao vivo... quem está contigo? Tens sempre acompanhamento ou poderá surgir O Martim só e abandonado em palco? Próximas elevações ao vivo?
O Martim – A banda tem vários formatos, acho que depende sempre um bocado do sítio onde vamos tocar. Já aconteceram muitos concertos comigo sozinho (aliás os primeiros foram todos assim) depois durante uma temporada larga fomos um power trio (com o Quintino a tocar baixo e iphone e o Pires na bateria) a Iris juntou-se a festa, e o nucleo duro passou a ser um quarteto, e agora vai passar a quinteto com o Sales. Nos concertos maiores e sempre que haja essa possibilidade, ainda existe uma seccção de sopros que se junta a festa. O melhor que têm a fazer é ir no dia 8 de Fevereiro ao Ritz clube, ou no dia 16 de Março ao Plano B, para conhecerem a banda na sua íntegra. São os concertos de lançamento do disco.

Fenther – O que gostas de apreciar numa banda em palco? E qual o melhor instrumento que inventaram, na tua opinião?
O Martim – Aquilo que eu mais gosto de apreciar numa banda em palco é a energia. A entrega. A pior coisa que me podem fazer é por a ver um concerto sem alma, aqueles músicos que vão para o palco fazer tricot. Que seja a coisa mais horrível e desafinada do planeta, se for tocado com energia e entrega é sempre bonito de ver.
Em relação ao melhor instrumento que inventaram a resposta é para mim evidente, escolho o baixo. Tenho um fascínio pelas frequências graves, as vezes sinto que elas me alimentam, me dão energia.

Fenther – Como vês a musica actual nacional? A musica Portuguesa vive dias felizes actualmente? Enquadras-te bem nesta festa tuga?
O Martim – A música nacional sempre foi boa. Sempre se fizeram coisas por cá muito interessantes. Acho que hoje em dia com os novos meios que temos a nossa disposição e com o facto de o acesso à música ser cada vez mais imediato, descobrem-se cada vez mais projectos novos e talvez haja mais gente a fazer música. Estamos claramente numa fase boa, nos últimos anos descobri bandas novas portuguesas que já não saem do meu ipod e estão a caminho de ser minhas novas bandas preferidas! Particular destaque para os senhores Capitão Fausto. Se eu me enquadro bem na festa? Onde há festa eu raramente me enquadro mal...

Fenther – Uma mensagem final para o Fenther...
O Martim – Um gigantesco obrigado ao Fenther por esta entrevista e outro para todos os que a leram. Espero ver-vos no Ritz Clube no dia 8 de Fevereiro e no Plano B dia 16 de Março. A primeira rodada fica por conta d´O Martim!!


Vitor Pinto







A brilhante Yellow, falou ao Fenther sobre a sua viagem no mundo da musica.

Fenther 7 anos - 7 momentos com Yellow.


Fenther – Fala-nos da caminhada Yellow até chegar a "Wings".
Yellow – "Wings" vem no seguimento dos meus últimos dez anos de trabalho. Sempre ligada à música electrónica, não só como consumidora e ouvinte apaixonada, trabalhei essencialmente ao serviço da pista de dança.
Foi um laboratório incrível. Durante 5 ou 6 anos estive ao lado de um dos DJ's que mais admiro: Nelson Flip. Tínhamos um projecto onde eu era MC e ía acompanhando o Nelson Flip nos pratos. Foi um projecto que me permitiu explorar a voz até ao limite e, como era baseado em improvisação, a espontaneidade era palavra de ordem e não havia limites. Foi muito intenso e foi daqui que nasceu a minha vontade de produzir.
Comecei então em 2006 a produzir música de dança e a actuar a solo em formato live-act e estive mais quase dois anos neste registo. Quando comecei a compor as músicas que apresento em "Wings", quis alargar o espectro musical e sair um pouco da cena club. Não que a cena club tenha algo de errado, mas estava com vontade de não ter a "obrigação" de trabalhar no mínimo a 120 BPM's! Comecei a explorar várias correntes dentro da música electrónica e fui inspirar-me em artistas que me marcaram quando comecei a ouvir música electrónica... como por exemplo todo o catálogo da "Warp Records".
E atirei-me de cabeça... ou melhor, levantei voo.

Fenther – É difícil fazer música electrónica por cá? Já produziste outras coisas?
Yellow – Deve ser tão difícil fazer música electrónica por cá, como conseguir reconhecimento sendo cantora lírica.
Todas as minhas produções até à data são de cariz electrónico... mas deixo o amanhã em aberto.

Fenther – Ao vivo... as músicas apresentam-se mais calmas que o disco ou tentas transformar o palco numa pista de dança? Próximos palcos?
Yellow – Tento ser fiel ao mesmo sentimento que me levou a fazer cada música. Ao vivo há uma energia diferente e ali já não estou sozinha no estúdio... é essa energia é que pode transformar as músicas, mas no quê exactamente, acho que vai ser sempre diferente em cada concerto. Há a componente visual a apoiar a música. Tenho um par de asas volumétricas onde incide vídeo, num projecto de video mapping reactivo, em que os visuais vão reagindo à música. Penso que acrescenta algo mais a quem vai assitir a um concerto. E deu-me imenso gozo pensar no projecto assim!
Para já, contem com a minha presença no Musicbox em Lisboa, dia 8 de Fevereiro e estejam atentos ao meu site e à minha página no Facebook! Já todos fizeram o download gratuito, certo?

Fenther – O que gostas de apreciar numa banda em palco? E qual o melhor instrumento que inventaram, na tua opinião?
Yellow – Acima de tudo, a música...
A história dos instrumentos, pelo menos o que conseguimos investigar na história da música ocidental, remonta à antiguidade grega. São demasiados anos de história e de instrumentos para escolher um que seja melhor que todos os outros! Gosto de tudo o que produza som. Há um instrumento que penso ser mesmo muito recente, e que deve de certeza de derivar de outros que já existem, mas que tem uma sonoridade lindíssima. Chama-se hang drum.

Fenther – Quem te influencia? Onde te inspiras?
Yellow – Existem muitos artistas que me influenciaram, posso nomear alguns, embora acabe por ser redutor: Boards of Canada, Aphex Twin, Laurie Anderson, Goldie, Orbital, Bjork, Two Lone Swordsmen... sei lá, há tanta coisa boa para me me influenciar! As fontes de inspiração são extremamente variadas. Obviamente há aquilo que estou a sentir quando começo a escrever uma música. Mas também me inspiram muito todas as artes visuais e, essencial, a própria tecnologia disponível.

Fenther – Como vês a música actual nacional? A cena Portuguesa vive dias felizes actualmente? Enquadras-te bem no panorama electrónico de cá, ou vais procurar um lugar lá fora?
Yellow – A indústria musical está a mudar de paradigma a nível global. Portugal não é excepção. Penso que os músicos devem adaptar-se a estes novos formatos e tirar partido deles, torná-los uma vantagem. Hoje o que vende não são cd's e passa-se tudo mais a nível de web. Portugal tem excelentes músicos e excelentes artistas. A indústria mudou mas cada vez há mais músicos e com qualidade a apresentarem o seu trabalho. Os media têm um papel fundamental na divulgação destes trabalhos.
Basta folhear um jornal para perceber que a nação não está propriamente feliz... seja em que sector for vivem-se momentos exigentes. Isso não significa, nem nunca significou ao longo da história, que haja menos música ou pior música.
Eu sinto-me muito bem em Portugal! Obviamente vou procurar um lugar em todos os cantos do mundo... não me faz sentido ficar "só" por aqui. Mas isso é lógica.

Fenther – Uma mensagem final para o Fenther...
Yellow – Apoiem os artistas nacionais e as produções independentes! São fruto de uma vontade maior do que a própria indústria.


Vitor Pinto







As Anarchicks estão ai para fazer estragos... Antes passaram pelo Fenther em tempo de aniversário!

Fenther 7 anos - 7 momentos com as Anarchicks


Fenther – Falem-nos da caminhada Anarchicks até chegarem a "Really?!".
Anarchicks – Começou com vontade de criar...A Pris e a Synth estabeleceram contacto através do facebook porque estavam as duas com vontade de começar um novo projecto...a Pris conhecia a Catarina e combinou-se um primeiro jam com as três, que correu muito bem. Iniciou-se busca pela guitarrista que culminou na Ana. A partir daí começámos a compor temas, investimos em fazer um EP, “ Look what you made me do”, que foi, á semelhança do album, gravado com o Makoto Yagyu e que teve edição apenas digital. Depois , com muito trabalho de equipa e com a Chifre conseguimos criar este nosso primeiro filho de longa duraçao...e o resto são concertos.

Fenther – Estão com o selo da Chifre. Sentem-se confortáveis? Recomendam?
Anarchicks – Sim, muito. Ja somos todos uma grande familia.

Fenther – Ao vivo... a vossa atitude é mais Punk ou mais dançável? Próximos palcos?
Anarchicks – A nossa atitude é ...punk dancável, com atitude. Próximos palcos, Musicbox dia 25, lançamento oficial do nosso album; dia 26 no Plano B, lançamento do album com a malta do Porto e em fevereiro teremos atuações em diversas Fnacs...estejam atentos.

Fenther – O que gostam de apreciar numa banda em palco? E qual o melhor instrumento que inventaram, na vossa opinião?
Anarchicks – Atitude.
No que toca á questão do instrumento, aí as opiniões divergem: a Catarina diz de modo muito convicto que prefere a bateria; já a Synth está apaixonada pelo baixo; a JD diz que prefere a guitarra e a Pris prefere a guitarra tambem...no final, surge um consenso: o piano!! Porque foi a base de tudo. É percursivo e melódico!

Fenther – Quem vos influencia? Onde se inspiram?
Anarchicks – Tudo nos influencia. As nossas vivências ; o convivio umas com as outras...mas no geral as nossas fontes de inspiração são sem duvida tudo o que experienciámos, vivemos, e ouvimos e consumimos de música até aos dias de hoje...

Fenther – Vocês enquadram-se bem na musica actual nacional? A cena Portuguesa vive dias felizes actualmente?
Anarchicks – A musica portuguesa sorri, e nós sorrimos com ela!

Fenther – Uma mensagem final para o Fenther...
Anarchicks – Continuem o vosso optimo trabalho!!!!


Vitor Pinto






Os Salto estiveram à conversa com o Fenther. O resultado foi este...

Fenther – Foi difícil dar este primeiro Salto?
Salto – É capaz de ser a pergunta/piada/trocadilho mais utilizado nas entervistas. É sempre um desafio. E eles existem para ser aceites e ultrapassados. A ambição é a capacidade de procurar os maiores desafios. Podemos dizer que somos bastante ambiciosos, hehe.

Fenther – Quem são os Salto em disco e os Salto ao vivo?
Salto – Por mais incrível que pareça são as mesmas pessoas com a excepção do baterista, o Tito, que é um grande amigo nosso. De resto podem esperar dinâmicas interessantes no concerto que não existem no cd, fruto da maior próximidade com publico que há em concerto.

Fenther – Preferem estar em estúdio a criar ou em palcos a improvisar?
Salto – As duas coisas. Elas acabam por estarem muito ligadas porque é só em concerto que reparamos em falhas que no ensaio parecem estabelecidas. Por outro lado no estúdio existe uma intimidade com o instrumento que em palco é difícil de obter. Achamos que são essenciais ao crescimento de uma banda. E sabemos que temos muita sorte por poder tocar ao vivo.

Fenther – Por onde vão estar ao vivo em breve?
Salto – Ao vivo vamos estar sempre, a não ser quando deixamos mensagens no voicemail de alguém, ou fazemos progamas na televisão diferidos. Em concerto vamos estar pelas festas de recepção ao caloiro do instituto superior técnico e do politécnico de Beja.

Fenther – Como foi tocar na pala da entrada do Coliseu do Porto? Como surgiu esta experiência ?
Salto – Foi uma ideia brilhante do Luís Montês, que nos pareceu impecável! Claro que no momento em que subimos á pála e reparamos na altura da mesma, pensamos duas vezes se queríamos sair desse concerto com as duas pernas inteiras. Correu bem.

Fenther – Por onde circulam na net?
Salto – Em Portugal sempre pela direita, menos quando existe ultrapassagens. Há muitas coisas boas na net, muitos sites que nos inspiram e que trazem coisas muito interesantes á tona. O caso do Resident Advisor, que cataloga todos os nomes relevantes da música eletrônica, o Moovmnt, que representa a parte mais recente da história da soul/R&B/Hip-Hop. O blog Create Digital Music é também um grande poço de ideias e concretizações da tecnologia com a música, muito interessante.

Fenther – Álbum homónimo... Satisfeitos com o resultado?
Salto – Claro, se assim não fosse não estaria editado, hehe. Na verdade foi um trabalho que ajudou a sedimentar muitos dos conhecimentos que aprendemos no curso de produção da ESMAE. Ajudou a perceber que há muito ainda para aprender e para crescer.

Fenther – Tem convidados neste registo?
Salto – Não, para este primeiro álbum pareceu-nos importante ser uma aventura nossa na medida em que a procura de soluções para os temas tornava-se bastante creativa. Mas claro que não descartamos a possibilidade de incluir artistas de fora nos próximos registos.

Fenther – Como tem sido recebidos pela critica?
Salto – Muito simpaticamente, com bolinhos, tostas e chá, e quase sempre com scones. Regra geral temos tido criticas positivas ,sempre que existe uma parte menos positiva é também sempre bem justificada e pertinente.

Fenther – Reagem bem as criticas menos boas?
Salto – Reagimos muito mal e apetece-nos bater em quem as escreve! Normalmente fechamo-nos em casa a comer gelado e a ver televisão....Reagimos naturalmente.Uma crítica é sempre uma opinião de alguém que tenta ver mais a fundo o trabalho de outra pessoa. Tem sempre um valor relativo, tanto as boas como as màs criticas, por ser fruto da vivência de quem a escreve. Ficamos muito contentes com o trabalho de quem escreve sobre o nosso álbum e aprendemos muito com o que dizem sobre nós.

Fenther – Ouvir os vossos temas nas rádios torna-vos mais fortes e inspiradores?
Salto – Acima de tudo realiza um dos nossos objectivos que é conseguir mostrar a nossa musica ao maior numero de pessoas.

Fenther – E internacionalização? É um objectivo?
Salto – É sempre uma ambição e a verdade é que já temos tido manifestações de fãs no México, em Espanha e na Rússia. Só o tempo dirá. Hehe

Fenther – Escolham um tema deste disco. A razão da escolha?
Salto – É algo muito difícil de fazer. Seria quase como pedir a um pai para escolher qual o filho que gosta mais. Todas as musicas dizem- nos muito. Foram feitas todas com a mesma intensidade e entrega e isso deixa-nos muito contentes.

Fenther – Como esta a actual musica nacional na vossa opinião?
Salto – Esta bem e recomenda-se! Temos assistido a uma insurgência de qualidade muito grande no panorama musical português aliado ,também, ao crescimento do interesse do público. Porém deixa-nos muito contentes ver tanto talento a rodear-nos.

Fenther – Mensagem final...
Salto – Salto é de quem ouvir.


Vitor Pinto






Os Dazkarieh à conversa com o Fenther. As palavras estiveram sobre o novo disco "Eterno Retorno".

Fenther – Dazkarieh depois de todos estes anos continuam com a mesma força?
Dazkarieh – Agora mais do que nunca. Com o passar do tempo cada vez gostamos mais do que fazemos e sentimos sempre que há novas coisas a descobrir e criar. Acho que neste momento estamos com mais força do que quando começámos.

Fenther – Quais são os principais objectivos da banda? Ideologias?
Dazkarieh – O nosso principal objectivo é tocar no coração de quem nos ouve e esperar que a nossa música traga conforto, esperança e felicidade. Enquanto artistas queremos passar para fora o que nos vai na alma e fazer chegar a nossa mensagem ao maior número possível de pessoas. Queremos tocar muito ao vivo porque achamos que é aí que a verdadeira comunicação acontece, frente a frente, olhos nos olhos.

Fenther – Continuam a tocar mais no estrangeiro do que cá?
Dazkarieh – Acho que as contas ficam por metade cá e metade fora.

Fenther – Há alguma explicação para isso?
Dazkarieh – A nossa música é muito bem recebida fora de Portugal, talvez por ser uma representação da nossa cultura diferente do fado, com uma força mais urbana e jovem mas ao mesmo tempo divulgando canções e instrumentos da tradição oral portuguesa. Por outro lado, Portugal é um país geograficamente pequeno e para termos muita actividade como gostamos temos de nos virar para fora.

Fenther – Já começaram a apresentar ao vivo este “Eterno Retorno”?
Dazkarieh – Já fizemos uma digressão por salas na Alemanha e um programa na Antena 1. Agora vamos começar cá em Portugal.

Fenther – E por onde vão estar em breve?
Dazkarieh – 20 Outubro -Teatro Locomotiva - Taveiro/ Coimbra; 3 Novembro - Hard Club - Porto; 16 de Novembro - Teatro Sá da Bandeira - Santarém; 23 de Novembro - Lisboa;

Fenther – A festa continua a fazer parte dos concertos dos Dazkarieh?
Dazkarieh – Há um grande caldeirão de emoções partilhado nos nossos concertos das quais a festa faz parte. Também há momentos de maior intimidade e de introspecção. Tentamos levar o público numa viagem interior que normalmente acaba sempre com muita alegria.

Fenther – Estão satisfeitos com o resultado final do disco?
Dazkarieh – Totalmente satisfeitos. Como não temos pressões para editar o que saí é mesmo do nosso total agrado. Acho que neste disco conseguimos uma coesão grande no que respeita a todos os aspectos do disco, desde o conceito, as composições, a produção, o som, o trabalho gráfico, etc.. Desta vez todos os elementos batem certos e combinam para expressar uma ideia.

Fenther – Escolham um tema do álbum. O porquê da escolha?
Dazkarieh – "Primeiro Olhar" é o primeiro single deste disco e fala de olhar para as coisas como se fosse a primeira vez e da descoberta fantástica que é isso. Se nos maravilhássemos sempre com as pequenas coisas como as crianças certamente éramos mais felizes e o mundo era melhor.

Fenther – Há convidados pelo disco?
Dazkarieh – Não. Não sentimos a necessidade de convidar ninguém desta vez, achámos que conseguíamos passar a nossa ideia trabalhando com a prata da casa.

Fenther – Que instrumentos aparecem neste registo?
Dazkarieh – Acrescentámos a viola Braguesa aos instrumentos que temos vindo a usar no passado: Nyckelharpa, Bouzouki costumizado, Cavaquinho, Gaitas-de-fole portuguesas, Adufe, Pandeireta, Guitarra e Bateria,

Fenther – Na vossa opinião, qual foi o melhor instrumento que foi inventado?
Dazkarieh – Todos os instrumentos são bons e têm uma função. Quando combinados uns com os outros ainda melhor por isso para mim são todos vencedores.

Fenther – O que apreciam mais numa musica?
Dazkarieh – Que seja verdadeira e interpretada com toda a alma.

Fenther – Fontes de inspiração criativa... Onde procuram? No alto das montanhas ou no fundo dos oceanos?
Dazkarieh – Todo o que nos rodeia e o que vivemos. Estamos sempre à procura, a descobrir e viver coisas novas e tudo isso acaba por ser transposto para a nossa música.

Fenther – Próximo passo dos Dazkarieh depois desta entrevista?
Dazkarieh – Começar a digressão nacional do "Eterno Retorno".

Fenther – Na vossa opinião, como vai a saúde da musica portuguesa?
Dazkarieh – Vai muito bem e recomenda-se. Apesar da situação financeira do país há cada vez mais música boa a ser criada em Portugal em todos os estilos. E cada vez mais acontece "A Música Portuguesa a Gostar dela Própria".

Fenther – Um grito final...
Dazkarieh – A vida é bela, é só preciso olhar para as coisas como se fosse a primeira vez e valorizar aquilo que temos.
Sejam felizes!!


Vitor Pinto






Os Supernada estiveram à conversa com o Fenther. Eurico Amorim abriu-nos o livro...

Fenther – Bem Vindos ao Fenther. Vocês são...
Supernada – Os Supernada, uma banda de amigos do Porto formada em 2002 e que apresenta em 2012 o seu álbum de estreia "Nada é Possível".

Fenther – Longa se tornou a espera. Porque só agora o álbum de estreia?
Supernada – Foram imensos os factores que contribuíram para que este, já estranho processo de gravação se tivesse alastrado mais no tempo. Em primeiro lugar quando os Supernada se formaram esteemos cerca de quatro ou cinco anos sem a mínima preocupação em ter um álbum editado. A nossa preocupação foi, ao início, divertimo-nos e fazer música despreocupadamente, e numa segunda fase apresenta-la ao vivo. O "problema" surgia então quando nos propusemos a registar estas primeiras musicas. Já tinham passado quase 6 anos da sua criação e toda a banda já não se identificava muito ( nem conseguia intrepetar da mesma maneira) temas feitos à tanto tempo. Começamos então a procurar ideias novas e frescas, que começassem então a definir uma nova estética em que a banda estivesse mais enquadrada e confortável e, ao mesmo tempo, uma plataforma de comparação com as ideias antigas, de modo a tentarmos muda-las e torce-las a ver quais sobreviveriam e se conseguiriam então enquadrar-se nesta nova estética. Isto aliado a um processo de gravação(que vão perceber) já em si mui pouco usual, levou a que (em tom de verdade) quase chamasse-mos a este disco "Segundo Disco"

Fenther – É complicado editar discos em Portugal? Sente-se bem na actual musica feita por cá? Como analisam o estado da musica portuguesa actualmente?
Supernada – Apesar da música e arte já existirem no mundo á milhões de anos, o que hoje se chama a industria da música e da arte existe á pouco mais de 50. É um sector ainda muito novo e com pouca experiência, e que já está, graças à internet a ter profundas alterações. O própria maneira de fazer musica , devido às novas tecnologias e também á internet também mudou imenso nos últimos 50 anos. O que quero dizer com isto é que à uns anos atrás só se editava discos uma elite, com dinheiro para aceder a um estúdio com material caro e especialistas, e que depois era vendido para outra elite com acesso a aparelhagens e leitores de vinil e com poder de compra. Agora qualquer um com um orçamento mínimo tem um estúdio em casa, faz, grava e edita sozinho sem ter de recorrer a um "especialista", e também facilmente destribui, na internet milhões de pessoas podem ouvir a tua música em qualquer parte do mundo. Não faltam exemplos aqui em Portugal, e basta ver um caso recente de sucesso internacional o Bon Iver que gravou o seu primeiro disco todo numa pequena sala em sua casa. Isto de facto muda muito as coisas e, do meu ponto de vista para melhor. O único senão, e isto obviamente também se aplica à musica portuguesa é que como há tanta música nova a ser feita, tantos novos autores e discos a saírem, blogs com opiniões, sites com álbuns novos, é difícil ás para o público geral distinguir o que de facto é bom e tem qualidade tal é o excesso de informação. Mas acho positivo o facto de nos últimos 10 anos aparecer tantos novos autores e música portuguesa.

Fenther – Como surgiu esta ideia do livro-disco?
Supernada – Queríamos fazer um objecto que mostrasse um pouco da mixórdia deste processo e do que os Supernada viveram nestes 10 anos. São montagens feitas pelo Manel e a Susana com imagens de estúdio, ao vivo e outras tantas situações que espelham a nosso mundo nestes anos. Foi um modo também de agradecimento às pessoas que esperaram e perguntavam por este trabalho à algum tempo e assim levavam um bom-bom com o CD.

Fenther – Satisfeitos com o resultado?
Supernada – Todos muito satisfeitos, também foi essa uma das razões que contribuiu para a demora. Só queríamos lançar algo que todos assinássemos por baixo, por isso as músicas e mesmo as técnicas de gravação foram submetidas a imensas experiências e trocas e baldrocas de modo a conseguir chegar a um resultado conciso que todos aprovássemos. È bom agora tocar e ensaiar músicas que gravamos sem nunca as ter tocado do inicio ao fim juntos, e agora que o fazemos todas aquelas horas de estúdio fazem sentido.

Fenther – Como tem reagido a critica? E os concertos? Reacções positivas?
Supernada – Difícil de responder pois nem somos cítricos nem publico de nós mesmos, mas ao que parece toda a gente tem gostado muito do álbum e da sua apresentação e os espectáculos têm corrido muito bem.

Fenther – Por onde vão tocar em breve?
Supernada – Tivemos a fazer as nossas apresentações no Porto e Lisboa, já fizemos algumas semanas académicas e concertos pelo pais, e estivemos no festival Super Bock Super Rock no dia 6 de julho e depois também iremos aos açores, mas para estarem actualizados vistem o nosso facebook http://www.facebook.com/bandaSUPERNADA

Fenther – Ao vivo tentam primar pela originalidade? Ou apresentam-se simples e directos em palco?
Supernada – Ao vivo tentamos mesmo recriar os ambientes do álbum, claro que na gravação existem muitas sobreposições de instrumentos e cordas sopros, e ao vivo somos só cinco tivemos que distribuir funções e arranjos por menos elementos, mas o resultado compre de uma maneira diferente que o álbum.

Fenther – Já há ideias para o futuro dos Supernada? Vamos ter de esperar mais 10 anos pelo próximo álbum?
Supernada – Tal como desde inicio os Supernada vão continuar isentos de preocupações e pressões, sem ter nada muito planeado " a ver vamos". Para já queremos muito mostrar e tocar este cd ao vivo e é para isso que temos trabalhado principalmente. Vamos sempre nos ensaios fazendo musica nova, alguma até já apresentada recentemente ao vivo, mas sem para já sabermos "se", "como" e "quando" a vamos gravar.

Fenther – Onde alimentam as vossas inspirações?
Supernada – Uns têm filhos, outros pais, mulher, namorada, outros cães, gatos, uns são mais campo, outros cidade, ás vezes triste, ás vezes contentes, mas principalmente somo cinco gajos que gostam muito, muito de ouvir e tocar música e que se encontram às terças e quintas num anexo onde tudo isto se junta e faz algum sentido, pelo menos para nós.

Fenther – Escolham um tema deste disco. E o porque da escolha...
Supernada – Escolhemos o "isto não é nada" pois é uma música que espelha bem o estranho processo de composição, gravação. Esta música é uma que já tínhamos tocado várias vezes nas nossas primeiras apresentações ao vivo, mas que está completamente diferente do que era. Vozes e do Manel diferentes, forma mudada (menos partes), arranjos diferentes, cordas e sopros que não existiam, quase uma musica nova e aliado a isto como esta música é antiga e já foi submetida a tantos testes e alterações que o próprio processo de gravação é alternado. Nesta música temos uma primeira parte com uma bateria e um baixo captado pelo Manel numa pequena sal em 31 de Janeiro, a bateria e o baixo do fim já foram gravados pelo ruca em Vale de Cambra, bem como as guitarras, já as vozes foram gravadas pelo Manel no stop, o arranjo de sopros e cordas gravado pelo Nuno Mendes noutra sala do Stop, em fim, isto se fossemos a ver música a música era de facto uma mixórdia, e espelha bem a densidade e complexidade de trabalho realizado nestes anos todos.


Vitor Pinto






Os A Jigsaw continuam enormes, imparáveis... Fizeram uma pausa para o Fenther.

Fenther – Quem são e de onde vem os A Jigsaw?
A Jigsaw – Os a Jigsaw são um trio multi-instrumentista, oriundo da cidade de Coimbra, constituídos por João Rui, Susana Ribeiro e Jorri

Fenther – A Jigsaw porquê? Como surgiu o nome?
A Jigsaw – A escolha do nome foi a continuação de uma tradição perpetuada pelo grupo belga dEUS, que para seu nome escolheram o título de uma canção das Sugacubes (Ex-banda da Björk). Nós fomos seguidores dessa tradição e adoptámos para nós o título de uma canção (Jigsaw You) do primeiro álbum dos dEUS, “Worst Case Scenario”. Não obstante o facto de hoje em dia a música que eles fazem já não ser necessariamente algo com que nos identifiquemos, na altura em que formámos os a Jigsaw, em 1999, os dEUS eram uma banda com cujo trabalho nos identificávamos.

Fenther – Quantos discos editaram até agora? Quais são?
A Jigsaw – Ora, se apenas tivermos em conta a edição dos LP’s, os discos editados foram o “Letters From The Boatman”, de 2007; o “Like The Wolf” em 2009 e o mais recente,”Drunken Sailors & Happy Pirates” em 2011.

Fenther – O que vos faz mover?
A Jigsaw – A música. É tão simples e poético como isso: é a música que nos move; a construção de canções.

Fenther – O que influencía os A Jigsaw na Musica?
A Jigsaw – Obviamente teríamos que separar o que são influências directas das indirectas para poder responder convenientemente a esta pergunta. Ou seja, o que nós julgamos que nos influencia e o que nos influencia sem que tenhamos perfeita consciência disso. Mas sem aprofundar essa questão julgo que, enquanto músicos, se poderia dizer que somos influenciados um pouco por tudo. Mas o mesmo se sucede enquanto seres humanos, na construção da nossa identidade. Ora, algo como uma boa canção, um bom álbum ou até um bom público num determinado concerto, pode ser o suficiente para influenciar-nos de tal modo que a marca deixada por essa experiência venha abrir a porta por onde entraremos para escrever uma canção. Não há forma de quantificar ou enumerar por quem ou o quanto somos influenciados pelo quer que seja.

Fenther – O que ouvem?
A Jigsaw – Entre nós os três acabamos por conseguir reunir um conjunto bastante ecléctico de artistas que escutamos, mas a bem de uma certa coerência, melhor será nomear os que nos são comuns. E assim, nomearia artistas como o Leonard Cohen, Nick Cave, Tom Waits, Elvis Presley, Johnny Cash e tantos outros.

Fenther – E fora da musica, o que vos influencía?
A Jigsaw – Se já na música o que nos influencia é de tal forma diverso, então fora da música ainda mais diverso o será. Quase que merecia aqui um manifesto da construção da identidade. Porque não há mesmo como nomear apenas alguns “influenciadores” sem trair os outros que aqui ficam na sombra do silêncio. Mas cientes dessa traição, avancemos com alguns desses “influenciadores”, como são os livros, a literatura, o cinema, a fotografia, a escultura ou as histórias que os nossos pais nos contavam ao adormecer.

Fenther – Como tem corrido os concertos de apresentação de "Drunken Sailors & Happy Pirates"?
A Jigsaw – Têm corrido muito bem. Reparamos que de concerto para concerto há mais pessoas interessadas em conhecer o nosso trabalho e inclusive que já conhecem as letras das canções. E temos encontrado essa boa receptividade com o público também fora de Portugal, o que nos deixa naturalmente bastante satisfeitos.

Fenther – Sentem-se piratas, ou uns simples marinheiros no meio da musica nacional?
A Jigsaw – Talvez um pouco dos dois. Por um lado seremos marinheiros no sentido em que a dado momento tivemos a necessidade de partir para alto mar, cruzar fronteiras e abandonar a terra firme. E por outra perspectiva somos Piratas porque somos os nossos próprios agentes e managers: isso dá-nos a liberdade para por exemplo gravar como queremos e editar o que queremos e quando o queremos – e há uma certa alegre pirataria nisto tudo.

Fenther – Como analisam o estado da musica actual?
A Jigsaw – No que diz respeito à criatividade no território nacional, julgo que estamos a atravessar um excelente momento. Há cada vez mais e melhores bandas e músicos. Já num âmbito mais global, não te saberia dizer sequer qual a tendência actual da “cena” musical, mas a verdade é que há sempre boa música disponível. É necessário é ir procurar bem, face à gigantesca oferta que existe neste momento.

Fenther – Vocês tocam muito pela Europa. São melhor compreendidos? Há mais apoios por lá?
A Jigsaw – Cada país será sempre um caso diferente; e há, obviamente, especificidades inerentes a cada um deles. De certa forma, fomos compreendidos mais rapidamente noutros países do que em Portugal, mas isso também pode ser explicado pelo facto de que à data em que começámos a apresentar a nossa música nesses países a nossa identidade já era mais forte: ou seja, apesar de serem primeiros passos noutros países, não eram os nossos primeiros passos. Algo que também parte de nós nesse explorar de novas culturas é a queda da barreira linguística: tentamos sempre falar a língua nativa do país onde estamos a apresentar os álbuns porque quando assim não o é, há inevitavelmente uma barreira que se ergue entre canções, no momento em que se conta uma história por exemplo.

Fenther – Que país gostaram mais de tocar? Porque?
A Jigsaw – Suponho que cada um de nós, terá o seu país favorito por uma ou outra razão. Mas como de uma forma geral temos encontrado um público relativamente homogéneo de concerto para concerto, onde se consegue sempre atingir um determinado nível de intimidade. E isso, aliado ao quanto nos agradam os concertos, concorrem naturalmente para a resposta de que o país onde estamos a tocar no momento é aquele onde mais gostamos de tocar. Ontem por exemplo, tivemos um concerto na Alemanha e foi absolutamente fantástico. Ao fim de 18 canções o público continuava a pedir mais e mais músicas e tivemos que retornar ao placo para dois encores. Magnífico! Neste momento estamos a caminho da Holanda onde vamos tocar hoje à noite. Talvez que hoje ainda seja melhor do que ontem. É também complicado responder de uma forma objectiva porque de facto temos tocado muito em diversos países Europeus nos últimos anos e os públicos também podem variar muito dentro do mesmo país.

Fenther – Alguma aventura nas tours que queiram partilhar?
A Jigsaw – O facto de andarmos tanto tempo em tour proporciona sempre essas aventuras. Até porque as viagens por si só a isso ajudam. O difícil será eleger uma história para partilhar de entre as tantas que nos sucedem. Uma que me ocorre agora decorreu entre três países. O título dessa história, a ser narrado em mais profundidade seria “como fomos da Suíça para França, passando pela Alemanha com o maravilhoso sucesso de dois encontros com a polícia nativa e atropelando o antigo baterista da banda”. Mas correndo o risco de me olvidar agora de alguns detalhes pertinentes desta aventura, convido os leitores a ler essa história no nosso blog www.ajigsawmusic.blogspot.com que tem sido quase como um diário de bordo das nossas viagens desde a gravação do Like The Wolf.

Fenther – Qual o disco que mudou as vossas vidas?
A Jigsaw – Sem dúvida absolutamente algum que foi o Like The Wolf

Fenther – Que admiram mais numa musica?
A Jigsaw – A comunhão perfeita entre a parte musical e a parte lírica.

Fenther – Para vocês, qual foi o melhor instrumento que inventaram? Porque?
A Jigsaw – Sendo que entre os três tocamos 27 instrumentos e temos mais de 40, as opiniões de cada um seriam diversas. Portanto, a melhor invenção terá sido o microfone e o médium para gravar os instrumentos, para que eles tenham a sua vida perpetuada para além do momento presente em que são tocados.

Fenther – Por onde vão tocar em breve?
A Jigsaw – Como neste momento estamos a meio da nossa tour europeia, o mais breve será na Holanda, Alemanha, Bélgica França, Suiça, Espanha e, claro, Portugal onde iremos regressar a meio do mês de Maio. Mas o melhor para ficarem informados será ir ao nosso site em www.ajigsaw.net e a partir daí têm os links com as datas de concertos actualizadas.

Fenther – Depois da edição em vinil de "Drunken Sailors & Happy Pirates", o que vem a seguir? Projectos e ideias futuras?
A Jigsaw – Antes de mais, para poder explicar o que vem a seguir, este álbum não se encerra nas 12 músicas que o compõem. Isto porque originalmente preparámos 35 canções para o mesmo. E elas serão todas editadas, distribuídas por 12 edições distintas, em que o comum a cada uma é o facto de terem como título uma 12 que estão no álbum e depois terem os tais B-Sides que não foram publicados no álbum. Por ora já saíram 4 edições:
The Strangest Friend (Cd-Single)
Drunken Sailors & Happy Pirates (Cd)
I’ve Been Away For So Long (Cassette)
Drunken Sailors & Happy Pirates (Deluxe Vinyl)
Mas mais irão sair até completar as 12. E paralelamente cada uma das 35 músicas terá um vídeo, que serão da autoria de realizadores de países tão diversos como Alemanha, EUA, México, Espanha, Itália e, claro, Portugal. Portanto para já vamos estar ocupados com estas edições bem como a apresentação do álbum tanto em Portugal como fora de portas. Quanto a ideias futuras, já estamos obviamente a começar a preparar um futuro álbum, mas isso é porque gostamos de ter tempo para o fazer e de escrever com essa liberdade que apenas o tempo confere.

Fenther – Mensagem Final...
A Jigsaw – Se souberem onde podemos encontrar instrumentos antigos, pré século XXI, por favor entrem em contacto connosco.


Vitor Pinto






Uma conversa com os Lissabon que nos falaram sobre si, sobre o seu trabalho e sobre o futuro...

Fenther – Porquê Lissabon?
Lissabon – Pedro: Porque é a cidade onde vivemos, que nos inspira...
Garcês: E de onde retirámos criatividade quando transpomos as nossas vivências para a música que compomos.

Fenther – Como vocês se apresentam em palco?
Lissabon – P: Geralmente vestidos, e de preferência bem penteados (risos) mas podemos pensar em mudar... Tocamos sempre num formato clássico de bateria, baixo, guitarra, voz e sintetizadores, sem eletrónicas, onde tudo é tocado em tempo real!
G: Há sempre uma necessidade de nos divertirmos e divertir as pessoas que nos estão a ver... há toda uma energia e uma adrenalina que nos contagia antes de subirmos ao palco e que naquele momento queremos partilhá-la com quem nos ouve.
Soraia: Sempre que subimos ao palco queremos que aquele seja o melhor concerto de todos. Damos o nosso melhor, através das nossas músicas, para transmitir ao público alguma coisa que o faça vibrar, sensações!

Fenther – Foi importante a edição de um EP antes do álbum?
Lissabon – P: Foi muito importante! O tempo permitiu-nos alguns aperfeiçoamentos e composição de novos temas, incluindo o single!
S: Foi importante na medida em que pudemos ter uma noção mais próxima do público potencial de Lissabon e perceber o que podíamos/devíamos rever ou melhorar.
Inês: Deu-nos a possibilidade de rodar as músicas ao vivo, de nos conhecermos melhor, de evoluirmos.

Fenther – E este "If It's Only Just a Dream..."? Satisfeitos com o resultado final?
Lissabon – P: De modo geral, muito satisfeitos. Julgo que há ano e meio atrás não conseguiríamos prever tal feito!
G: É um pouco cliché, mas há sempre coisas que vais descobrindo como as fazer de outra forma e que acabarias por mudar, mas o resultado final é sem dúvida muito positivo.
I: Claro que sim! E com esperança naquilo que nos pode trazer.

Fenther – Se pudessem voltar atrás alteravam alguma coisa nele?
Lissabon – P: Se voltássemos atrás e trocássemos alguma coisa seria mesmo só para fazer as coisas de forma diferente... As decisões que tomámos foram muito ponderadas, o mais provável era não querermos voltar atrás!
G: O que está feito foi o nosso melhor no momento em que foi feito porque tudo foi realizado com entrega e dedicação. Se as coisas tivessem sido feitas de outra maneira o resultado não teria sido este e a magia disto é que nunca irás saber como teria sido se fizesses de outra forma. Sinceramente, não ocorre nada que pudesse ser mudado.
S: Como qualquer pessoa que se entrega de corpo e alma a um projeto, vamos sempre achar que podíamos ter feito isto ou aquilo de maneira diferente. Na verdade, sempre que tocamos as músicas, tocamo-las com uma intenção ou um estado de espírito singulares, e quem nos escuta também faz a sua própria interpretação de acordo com o momento que está a viver. Não existe um "resultado final", propriamente dito.

Fenther – Defendem o imediato ou preferem planear bem as coisas?
Lissabon – P: alguns de nós defendem mais o imediato, outros o planeamento. No fim tentamos um meio-termo que nos seja conveniente!
G: Há sempre um planeamento dos passos que vamos dar apesar de surgirem aspetos em que decides com o coração e com a vontade de fazer. Mas somos 4 que nos balanceámos na busca de uma organização. Uns são mais reacionários outros mais racionais mas há sempre uma ação que é fruto de uma decisão final da banda.
S: Planear é a base que nos sustenta, que nos dá segurança e que reflete a forma como nos comprometemos com o que fazemos. Mas a espontaneidade do momento é imprescindível na hora de executar, ou seja, na hora de subir ao palco e tocar.
I: Oscilamos entre um improviso planeado e um planeamento improvisado!

Fenther – Vocês são exigentes?
Lissabon – P: Ficamos ofendidos com essa pergunta! (risos) Não dá para perceber pela música e pela imagem que a banda transmite?.. às vezes demasiado exigentes...
S: Ahah, exigentes? Connosco, com os outros, com o cão e o gato...
I: É uma característica que nos empurra para a frente e que nos obriga a procurar soluções novas.

Fenther – Concertos de apresentação?
Lissabon – P: A apresentação oficial foi no Metrostudio em Lisboa, no Chiado. Correu bem e havia espumante e morangos com chocolate!
G: Gostamos de fazer as coisas de uma forma alternativa indiferentes ao risco que podemos ou não correr. O Metrostudio era um espaço diferente, onde não é comum ver uma banda a tocar e isso entusiasmou-nos para fazer lá a festa de apresentação.

Fenther – Vão estar por onde a apresentar este disco?
Lissabon – P: Temos concertos marcados um pouco por todo o lado. O melhor mesmo é linkarem-se a http://www.lissabonmusic.com ou ao facebook da banda para updates!

Fenther – Como definem o vosso som?
Lissabon – P: De forma geral, indie-pop, mas com muitas nuances! Muitos pozinhos de darkwave, de rock progressivo, de electro rock...
I: Pessoalmente prefiro não definir… os rótulos levam-nos ao preconceito! Deixo isso ao critério de quem ouvir.

Fenther – Onde vão buscar as vossas influencias?
Lissabon – P: A todo o lado! Das bandas que gostamos, à moda, à TV, aos gatos...
G: À vida que cada um leva, à cidade onde vivemos, às pessoas que vivem connosco e que fazem parte do nosso mundo, ao passado, presente e futuro, aos discos que nos ficam na memória, às relações que funcionam ou não funcionam ou já funcionaram...
S: As influências são as que cada um dos quatro foi/vai vivendo ao longo das suas vidas.

Fenther – Alguma meta a atingir em breve?
Lissabon – P: Espalhar a sementezinha dos Lissabon! Queremos divulgar o máximo a nossa música e deixar o público decidir o nosso futuro!
G: O objetivo principal é tocar a nossa música para o maior número de gente e que o maior número de pessoas ouça, compre e partilhe as nossas canções. Nós acreditamos neste disco e temos por missão partilhar este sentimento com as pessoas. Queremos sempre o melhor para nós e o objetivo principal é sempre atingir o máximo que conseguirmos e nos deixarem conseguir.
S: Os Tops, os palcos, a realização pessoal (não necessariamente por esta ordem) de cada um.

Fenther – Internacionalização?
Lissabon – P: Para já está planeado o lançamento do disco no Canadá... na 2ª metade de 2012 em Inglaterra. Vamos tentar outros países, também. Tocar fora de Portugal deixou de se tornar um sonho para se tornar uma necessidade...
I: A internacionalização é um caminho natural, a música que fazemos é universal, o público também!

Fenther – Como está a música nacional na vossa opinião?
Lissabon – P: De modo geral a produção musical parece-nos fraca! Muitos projetos parecidos e sempre na onda de um revivalismo qualquer dos anos 80! O público não tem grandes opções de escolha... Quanto ao mercado, esse ressente-se da crise, cada vez os caches são mais baixos e ficam muitos concertos por marcar por falta de dinheiro para cobrir despesas...
G: Há gostos para tudo. Há coisas boas e há coisas muito más. Acho que há um exagero na defesa da utilização da língua portuguesa e um descuido na aposta dessas mesmas bandas e depois tens porcarias a tocar na rádio que não interessam nem ao menino "jesus"... E depois há crise que existe desde que fazemos música... ou porque os instrumentos eram caros, ou porque gravar m disco era caríssimos, ou porque havia os concertos das câmaras municipais que eram gratuitos e as pessoas não pagavam para ver concertos, ou porque... e atualmente os problemas são outros. No fundo há toda uma hierarquia que foi criada e que está velha e obsoleta e que precisa de remodelação. Mas no futuro os problemas serão outros e continuaremos em crise na música nacional.

Fenther – Ideias futuras? Próximos passos?
Lissabon – P: Continuar a promover este disco que ainda agora saiu! Preparar um novo vídeo para o próximo single... Se a 1ª edição do disco esgotar, fazer uma nova edição com extras!
S: Por agora temos de promover este álbum e o 1.º single, levá-lo o mais longe que nos for permitido. Vamos aguardar pelo veredicto do público, que é muito importante para avaliarmos e projetarmos os passos seguintes.
I: Tocar, tocar, tocar… e divertirmo-nos muito com isso.

Fenther – É difícil fazer música por cá? É possível viver só da música em Portugal?
Lissabon – P: Fazer música e gravar é fácil! Os instrumentos estão mais baratos que nunca, os estúdios também... Viver da música é muito complicado, mas todos nós temos atividades paralelas que fazemos por prazer e pretendemos mantê-las.
G: Gostaria de voltar a fazê-lo... conheço imensa gente que o faz, por isso é possível.
S: Fazer música é como na música da Simone d'Oliveira: quem a faz, fá-la por gosto. Essa é a parte fácil. Difícil é sustentá-la, fazê-la crescer e sair do nosso "ninho".

Fenther – Último grito....
Lissabon – P: A nova camera da Canon que vai permitir a realização de videoclips com ainda mais qualidade (risos)!
G: O "If It´s Only Just a Dream..." dos Lissabon


Vitor Pinto






O Fenther esteve à conversa com os Murdering Tripping Blues a proposito do registo ao vivo.

Fenther – Como estão os Murdering Tripping Blues actualmente?
Murdering Tripping Blues – Bastante bem, com concertos a surgir por Portugal e pela Europa de promoção do disco ao vivo "1st time in color" e da caixa com a discografia da banda chamada "Fuzz Box" a sair na Alemanha, Holanda e Benelux e que nos levará a viajar lá mais para o verão.

Fenther – Depois de 2 álbuns de estúdio, um registo ao vivo. Queriam captar a vossa energia em palco?
Murdering Tripping Blues – Sim, achávamos importante ter um disco ao vivo porque as musicas ganham sempre uma vida diferente em palco, queríamos captar e transmitir esse lado ao ouvinte. Com a oportunidade de lançar o nosso trabalho na Alemanha decidimos incluir um disco ao vivo fazendo assim um apanhado de musicas dos diversos álbuns da banda e mostrando um lado ainda mais cru e intenso que os registos em estúdio.

Fenther – Registam sempre os vossos concertos?
Murdering Tripping Blues – Nem sempre mas sempre que possível gostamos de os gravar para podermos ouvir e perceber melhor o que andamos a fazer e ter uma perspectiva de ouvinte sobre os concertos e não apenas de interprete. Não analisamos as gravações exaustivamente à procura de erros ou algo do género, apenas gostamos de ouvir e perceber se o que sentimos em palco tanto a nivel técnico como emocional se de alguma forma coincide com o que o publico poderá ter experienciado. Por vezes achamos que tocámos espectacularmente bem e depois vamos a ouvir e foi apenas bom. Também gravamos quase como quem tira uma foto, para guardar aquele momento para mais tarde retornar a ele ou guardá-lo no fundo do baú.

Fenther – Porquê Paredes de Coura? Foi um concerto marcante?
Murdering Tripping Blues – Foi um concerto marcante e fundamentalmente foi um concerto cheio de energia tanto da nossa parte como da parte do publico que se demonstrou bastante efusivo ao longo do set. Não foi o concerto mais bem tocado nem aquele que tínhamos com o melhor som mas foi sem duvida um dos que melhor representa um concerto dos Murdering e queríamos partilhar isso com o publico. O facto de este ser o 1º disco gravado ao vivo no festival Paredes de Coura também é um motivo de orgulho para nós porque gostamos bastante do festival e fomos acompanhado ao longo dos anos mesmo antes de existir a banda.

Fenther – Já há projectos e ideias para o próximo álbum?
Murdering Tripping Blues – Sim. Estamos a compor temas novos e estamos contentes com o rumo que o disco está tomar. Ainda é bastante prematuro falar muito sobre ele mas será um disco que seguramente surpreenderá de forma bastante positiva

Fenther – Por onde têm tocado?
Murdering Tripping Blues – A maior parte dos concertos vamos começar a dar agora visto termos andado ocupados com a realização da "fuz Box" e do "1st time in color" e com os contactos internacionais mas para já o Plano B no Porto dia 27 e o Centro Cultural Vila Flor em Guimarães no dia 28 Maio. Teremos um concerto em breve em Lisboa e outros já se estão a juntar a estes e serão brevemente anunciados no nosso site: murderingtrippingblues.com ou no facebook e afins.

Fenther – Tem sido bem aceites por onde passam? Tem feito muitos estragos?
Murdering Tripping Blues – Felizmente somos sempre bem recebidos onde tocamos e podemos dizer que já temos uma base solidade de pessoas que nos acompanham e que aparecem nos nossos concertos trazendo sempre mais umas pessoas consigo. Os maiores "estragos" estão para vir.

Fenther – E estrangeiro? Vão avançar com concertos e edições internacionais?
Murdering Tripping Blues – Fechámos uns contratos na Alemanha, Holanda, já temos uns festivais marcados na Holanda e com passos moderados mas seguros vamos desbravando a velha Europa.

Fenther – Como está na vossa opinião a musica nacional actual?
Murdering Tripping Blues – O circuito alternativo em termos de bandas interessantes está bem e recomenda-se, o circuito dito mainstream é a mesma merda de sempre. Felizmente há cada vez mais bandas alternativas que começam a atingir públicos maiores deixando de ser apenas uma coisa só para alguns mas ainda tem que haver um esforço grande de divulgação desse circuito e essa divulgação não passa apenas pelos media mas passa muito mais pelo interesse das pessoas e pela intervenção das mesmas através dos meios cibernéticos e do ir a concertos, comprar material das bandas e ajudá-las a promover ganhando assim todos com isso; as pessoas terão boa musica para ouvir e bons espectáculos para assistir e os músicos poderão continuar a fazê-lo.

Fenther – O que inspira os Murdering Tripping Blues na musica?
Murdering Tripping Blues – Tudo o que seja real. Bebemos muito daquilo que se passa connosco e do quotidiano, não vamos buscar referencias a coisas metafisicas nem fadinhas, duendinhos, diabinhos, Crowleyzinhos nem nada dessas merdas. O mundo é inspirador o suficiente, não precisamos de ir à 5a dimensão buscar inspiração. Em termos musicais a resposta é um pouco a mesma: Tudo o que seja real, desde os primórdios do rock ao funk, jazz, soul, punk, etc.

Fenther – E fora da musica?
Murdering Tripping Blues – Penso que não há fora da musica. O movimento dos corpos, o frenesim das cidades, a pasmaceira do campo, o dia-a-dia, as diferentes artes, o tempo, tudo se traduz em musica.

Fenther – O que admiram mais numa musica?
Murdering Tripping Blues – Pureza. Digo pureza referindo-me à sua capacidade de mostrar o lado mais interior do ser, seja ele feio ou bonito, seja ele traduzido numa musica country muito bela e calma, numa balada romântica, ou na mais intensa e violenta das musicas rock. A honestidade na musica purifica-a mesmo quando não se diz a verdade mas se sente que se diz uma verdade.

Fenther – Qual o disco que marcou as vossas vidas?
Murdering Tripping Blues – Acho que o disco comum aos 3 seria o Led Zeppelin I.

Fenther – E qual foi o melhor instrumento que inventaram?
Murdering Tripping Blues – Divje.

Fenther – Mensagem final...
Murdering Tripping Blues – blah blah BANG!!!


Vitor Pinto






O Fenther esteve à conversa com os Wraygunn a proposito do novo trabalho da banda.

Fenther – Wraygunn versão 2012. Como está?
Wraygunn – Está bem, muito obrigado!!! Acho que a banda está a passar o seu melhor momento, em que tudo faz mais sentido e está mais coeso. Estamos muito felizes com o último disco, é para nós, o nosso melhor...

Fenther – O Que mudou desde o "Shangri-la" até aqui?
Wraygunn – Muita coisa.. Mas não houve nenhuma ruptura agressiva... Acho que os wraygunn foram sempre crescendo, mudando aos poucos, fazendo um caminho em que existe evolução a cada album, mas em continuidade... Acho que estamos mais maduros, mais experientes, melhores músicos... Conseguimos conquistar as pessoas também com coisas belas, que era uma coisa que antes não conseguíamos... E isso faz-nos muito sentido.

Fenther – Porquê "L'Art Brut"?
Wraygunn – Pricipalmente porque é um sítio bonito e inspirador para olhar.

Fenther – Como correram os concertos de apresentação deste novo disco?
Wraygunn – Muito bem. Tocámos o disco integralmente, nos quatro primeiros espectáculos, que é sempre uma experiência diferente. E ficámos contentes por o público ter vindo, numa altura em que as coisas estão tão difíceis.

Fenther – E os próximos? Onde vão estar?
Wraygunn – Depois da queima de coimbra, teremos mais espectáculos (incluindo festivais) durante o verão, que não podemos ainda anunciar.

Fenther – E lá por fora? Há planos para uma Tour internacional?
Wraygunn – Sim, o disco sai em setembro na europa e devemos ir tocar às principais capitais europeias este final de ano. Depois no próximo esperamos fazer uma tour mais extensa.

Fenther – "Don't You Wanna Dance" para single de avanço do album. Querem mudar a atitude dos Wraygunn, ou é tudo fruto da maturidade da banda?
Wraygunn – Não... Não creio.. A nossa atitude é a mesma de sempre.. Um single é uma coisa muito específica, dificilmente consegue falar ou representar um albúm... Custa-nos sempre colocar esse peso numa canção... Para mim o dont you wanna dance é uma musica muito querida, fico contente que mais pessoas gostem dela...

Fenther – Musica actual nacional... Como a vêm? Está boa de saúde?
Wraygunn – Creio que sim... Existem cada vez mais projectos interessantes, e claro, também cada vez mais “embustes”. Mas continuaremos a lutar do lado bom da força.

Fenther – Que bandas costumam ouvir?
Wraygunn – Tantas que é impossível citar. Mas ouvimos quase tudo, desde reggae ao punk, rock´n´roll, hip-hop, tango, exótica, cha-cha-cha, blues, gospel...

Fenther – Influências musicais dos Wraygunn? Onde as vão buscar?
Wraygunn – Está respondido na anterior!!! Acrescento a vida, que acho que é a nossa maior inspiração.... Com todas as suas banalidades e maravilhas e desgraças...

Fenther – E fora da musica, o que vos inspira?
Wraygunn – Bem, estou mesmo uma pergunta à frente!

Fenther – Já há projectos para um futuro próximo? Ideias?
Wraygunn – O projecto é tocar, para já... Há que voltar a encher o “saco” da criatividade, o disco ainda é tão recente....

Fenther – Qual o disco que mudou as vossas vidas?
Wraygunn – Só posso falar da minha... Boom, the sonics.

Fenther – O que admiram mais numa musica?
Wraygunn – Tento não ouvir música dessa maneira. O que admiro mais é que me toque.

Fenther – Qual foi o melhor instrumento que inventaram na vossa opinião?
Wraygunn – Qualquer um, desde que usado com amor.

Fenther – Grito final...
Wraygunn – Já chega de corrupção.


Vitor Pinto






O Fenther esteve à conversa com Miguel Angelo a proposito da sua aventura a solo.

Fenther – Como está e como se apresenta o Miguel Angelo versão 2012?
Miguel Angelo – Está bem, julgo, pelo menos ao espelho não vejo grandes manchas. Manchas no passado? Todos as tivemos, há que seguir em frente e este "regresso" tem a ver com isso, com um passado que agora se transformou em futuro.

Fenther – Uma aventura a solo com que objectivos?
Miguel Angelo – Com o objectivo de escrever canções como minha banda sonora de vida. Canções que possa transportar em concertos e que as pessoas as queiram escutar e saibam acompanhar. Não foi sempre assim?

Fenther – Naturalmente terás uma banda a acompanhar-te. Quem são eles?
Miguel Angelo – No baixo o Rui Fadigas, que segue viagem comigo, e que é fã de tecnologia e bom bagaço, na guitarra electrica o Mário apesar de ser mais novo é fã de britpop, o Rogério Correia na guitarra de 12 cordas que é fã de rock progressivo e de boas canções pop - a quem impusemos um limite de inversões de acordes por música - e o Samuel Palitos na bateria que é fã de tudo o que tenha Boa Onda - que aliás é título de um dos temas mais Richard Hawley do disco.

Fenther – O single "Precioso" é um belo tema. Será a cara de um álbum de iguais caracteristicas?
Miguel Angelo – É um álbum de canções. Depois tem uma coisa no fim à Animal Colective. Começámos na pré-produção com uma abordagem que beijava muito a folk e o country mas depois fomo-nos aproximando da nossa natureza, i.e. as canções pop.

Fenther – Haverá convidados no disco?
Miguel Angelo – Haverá. Em Precioso toca a Dalila Marques, o seu violino. Em Palpitação toca o João Abeijó, a sua tuba e ainda vai haver um acordeão voador e um violencelo cuja proveniência a seu tempo será revelada.

Fenther – Por falar em convidados... The Poppers e os Lábios entre outros, fazem parte do vídeo de "Precioso". É uma homenagem que estás a prestar aos amigos?
Miguel Angelo – É uma companhia. Tal como as companhias de teatro, as bandas são família. Neste video, desde os actores do TEC até aos músicos, são todos profissionais e amigos com quem me cruzei e que admiro. E fazia todo o sentido, é nos recomeços que gostamos de aquecer no apoio dos nossos.

Fenther – O vídeo está muito bem conseguido. Quem é o realizador?
Miguel Angelo – É o Paulo Prazeres, da DroId. Queriamos um video clássico, algo cinematográfico, bem filmado e com plot. Para fazer a diferença das cenas do dia-a-dia do youtube...

Fenther – E afinal o que está a acontecer? Algo precioso?
Miguel Angelo – ...

Fenther – Vamos contar com o Miguel Angelo ao vivo pelo país? Já há datas?
Miguel Angelo – Vamos começar em Ovar, no Centro de Artes, as pré-apresentações dos novos temas. O disco só será apresentado em Lisboa no início de Outubro - o que desencadeará uma digressão de espaços fechados - mas até lá rodaremos o grupo por algumas terras portuguesas, em jeito de ante-estreia.

Fenther – Como vês o estado da musica nacional actual? está bem de saúde?
Miguel Angelo – Muito bem! A onda urbana necessita é entrar terra adentro, para que os músicos não se fiquem pelas queimas das fitas e festivais de verão... Porque precisam de ser profissionais.

Fenther – Uma musica que te tenha marcado...
Miguel Angelo – Paul Weller (nos The Jam, The Style Council e a solo).

Fenther – Um artista...
Miguel Angelo – Sir Peter Blake.

Fenther – Um livro...
Miguel Angelo – Last Train to Memphis, Peter Guralnick

Fenther – Um filme...
Miguel Angelo – 8 1/2, Federico Fellini.

Fenther – Uma mensagem final para o Fenther.net...
Miguel Angelo – Fazem sempre falta sites assim... Parabéns!
Fenther – Obrigado!

Fenther – Obrigado Miguel... Vê mo-nos por ai!
Miguel Angelo – Abraço e obrigado.


Vitor Pinto

Vejam o video de que se fala:






O Fenther esteve à conversa com Walter Benjamin a proposito do seu recente álbum de estreia.

Fenther – Quem é e de onde chega Walter Benjamin?
Walter Benjamin – Walter Benjamin é um escritor de canções apaixonado por gravar discos e tocar no geral. Vem de Lisboa mas anda um pouco por todo o lado. Agora estou em Londres.

Fenther – Qual o segredo para se conceber um álbum tão perfeito como este?
Walter Benjamin – Obrigado pelas simpáticas palavras! A perfeição é algo que nunca se atinge, o segredo é tentar fazer o melhor possível.

Fenther – As tuas influências? O que te inspira?
Walter Benjamin – As minhas influências vêm de toda a parte, todos os discos que oiço são capazes de me influenciar. Para este disco fui buscar coisas mais clássicas como o Dylan, os Beatles, a bossa nova e a pop no geral.

Fenther – Que ouves actualmente?
Walter Benjamin – Tenho andado viciado no EP obscuro de Baga + The Les Big Mac. Chama-se Play Tie e foi o presente de natal que eles fizeram para dar aos amigos. Tive a sorte de ser um deles. E no geral ando a ouvir mil outras coisas que me vão passando pela frente...

Fenther – Panorama a nível de musica nacional, como a vês actualmente?
Walter Benjamin – Vejo que a música está óptima. Os últimos anos só têm demonstrado que há coisas incríveis a aparecer. Quem me dera que a política portuguesa tivesse a qualidade da música portuguesa.

Fenther – Quem participa neste disco?
Walter Benjamin – Montes de amigos, tanto portugueses como estrangeiros. Primeiro tenho que citar o João Correia e o Nuno Lucas que tocam comigo desde sempre e que fazem parte dos Julie & the Carjackers, tal como o Bruno Pernadas que também toca guitarra numa música. Tive a sorte de ter a Márcia, a Francisca Cortesão (Minta), o João Paulo Feliciano, o Jakob Bazora, o Nick Mills e o Duncan Brown. Pelo estúdio também passou o B Fachada.

Fenther – Foi complicado encontrar todos estes talentos?
Walter Benjamin – Não, fui coleccionando amigos talentosos ao longo da minha vida. Sou mesmo a pessoa com mais sorte do mundo.

Fenther – Estás satisfeito com a edição pela Pataca Discos?
Walter Benjamin – Estou, ter uma editora independente que me deixa fazer o disco que eu quero, da maneira que me apetece é um luxo. Mas trabalhei muito para ter este luxo.

Fenther – Como correu o concerto de apresentação deste disco?
Walter Benjamin – Ainda só tive o concerto de lançamento em Londres e correu acima de todas as expectativas. Esgotámos a sala e tivemos uma óptima recepção por parte do público.

Fenther – Por onde vais tocar em breve? Já há datas?
Walter Benjamin – Agora é Lisboa no dia 21 de Abril no Auditório Padre Carlos Alberto Guimarães, ao pé da Av. dos EUA. Dia 27 é no Porto, no Maus Hábitos, e no dia 28 é na Associação ArQuente, em Faro.

Fenther – Ao vivo, consegues ter a companhia dos teus convidados? Como te apresentas em palco?
Walter Benjamin – Vou tocar sempre com banda mas Lisboa vai ter um grupo alargado de amigos. Vão fazer parte da banda, para além do João Correia e do Nuno Lucas, Noiserv, B Fachada, Márcia, Francisca Cortesão, Manuel Dordio, Bruno Pernadas e Jakob Bazora.

Fenther – Ideias e projectos futuros? Tens algo para desvendar?
Walter Benjamin – Há muitas ideias para discos e espero que haja muitos concertos!

Fenther – Onde quer chegar o Walter Benjamin?
Walter Benjamin – Só quero fazer o máximo de música possível e poder mostrar a quem dela goste.

Fenther – Um livro de referencia?
Walter Benjamin – A idade da razão, do Jean-Paul Sartre. Foi importante quando comecei a escrever este disco.

Fenther – Uma canção?
Walter Benjamin – Tantas... Long, Long, Long dos Beatles.

Fenther – Um filme?
Walter Benjamin – The Graduate.

Fenther – Mensagem final...
Walter Benjamin – Oiçam o meu disco! E se puderem apareçam nos concertos.


Vitor Pinto






O Fenther esteve à conversa com Os Lábios por altura do concerto em Lisboa no Teatro da Trindade. Ana Pereira ficou contagiada pelo enorme sorriso d'Os Lábios.

Fenther – Quando e como começou este projeto?
Os Lábios – O Projeto nasceu em 2009-2010 quando estávamos a gravar o disco. Tínhamos outro Projeto “ os profilers”. Tinha outras cores, ou falta delas! Era mais poligloto e tinha um som mais rígido. Quando nasceu era para fazer experiências, não tínhamos nada estabelecido! Acabou por ficar assim e depois perdeu-se um pouco no meio destas experiencias! Tínhamos algumas músicas em Português e a dada altura a San passou a escrever exclusivamente em Português, achávamos essas canções mais fortes e dava-nos muito gozo trabalha-las, identificávamos-mos mais com este tipo de sonoridade. Quando fomos para estúdio levamos também estas novas ideias, gostamos, achamos que não fazia sentido termos um projeto paralelo aos” profilers” e foi aí que se criaram os Lábios.

Fenther – Quais são as vossas influências musicais?
Os Lábios – As nossas influências são um pouco aquilo que ouvimos. Somos cinco e todos com gostos diferentes. Passa pelo jazz ,pop/ rock, metal, , indie… No final, tudo se mistura e acaba por resultar e como já nos conhecemos à muito tempo estamos à vontade para chamar um nome feio uns aos outros, se nos apetecer!

Fenther – Foi a San que compôs a maioria dos temas?
Os Lábios – Sim, compus a maioria dos temas. Agora estamos a trabalhar no novo álbum onde componho menos. Escrevia em inglês, francês, castelhano e a dada altura comecei a sentir alguma dificuldade em exprimir-me noutra língua que não a minha. Sentia-me mais confortável com a língua portuguesa e as coisas foram evoluindo naturalmente neste sentido.

Fenther – Como é que tem sido desde o lançamento do vosso álbum?
Os Lábios – Tem corrido muito bem, tocamos em muitos sítios, tivemos muitos concertos no verão. O primeiro e segundo single chegaram aos ouvidos de muita gente, tivemos o privilégio de tocar nas ilhas e em Espanha, foi muito agradável.

Fenther – Espanha é mais uma aposta?
Os Lábios – Não, por agora estamos concentrados em Portugal.

Fenther – É difícil conseguir apoios em Portugal?
Os Lábios – É um pouco difícil mas os meios de divulgação são maiores e isso já facilita um pouco. Depois temos a sorte de trabalhar com amigos, pessoas que gostamos e que nos ajudam fazendo com que as coisas se tornem mais fáceis.

Fenther – Hoje é dia dos namorados, foram vocês que escolheram a data?
Os Lábios – Não, foi quase ao acaso. O Inatel fez-nos a proposta há cerca de um ano/ano e meio. Na altura achámos que era um pouco precoce aceitar com tanta antecedência mas acabamos por fazê-lo achando que essa data poderia ser interessante e a partir daí é que surgiram todas as ideias. Não pensámos “vamos fazer um concerto no dia dos namorados”, pensamos “ok, fazemos isso no dia dos namorados e vamos pensar em coisas até lá”.

Fenther – Cantas sempre descalça?
Os Lábios – San de Palma -É muito mais confortável. É quase como quando se chega a casa e se tira os sapatos, é um bocado isso. No palco tenho sempre a sensação que sinto as vibrações da bateria e dos ritmos. Mas é mais pelo conforto! Mas hoje até foi dos dias em que me aguentei mais com os sapatos!
Eurico Silvestre - Três músicas?!
San de Palma - Não, mas depois calcei-os para cantar com o Miguel. (Miguel Ângelo)
Eurico Silvestre - Ok, foram então cinco músicas ou sete. Um record!

Fenther – Quando não tocam, o que fazem?
Os Lábios – Quando não tocamos fazemos músicas novas e ensaiamos. Juntamo-nos sempre várias vezes por semana, três pelo menos, e quando não temos nada para tocar trabalhamos coisas novas que é outra coisa que nos dá imenso gozo a seguir a tocar ao vivo.

Fenther – Como foi gravar a cena promocional para o lançamento do vídeo ‘Fado Arcado’?
Os Lábios – Foi uma ideia do Jorge Sousa, ele tem umas ideias boas e nós achámos piada. A ideia surgiu muito antes do vídeo ‘Fado Arcado’, foi tipo “pah, vocês não têm nada para lançar? Tenho aqui uma ideia.’ Tínhamos carro, roupa e tentámos idealizar a coisa do lançamento!

Fenther – Caíste muitas vezes?
Os Lábios – Foram duas! Na primeira vez tentei cair com jeitinho e à segunda fui na boa, pensei “vou fazer de conta que isto não está a acontecer e vou deixar ir-me. E assim foi!

Fenther – Para além do vosso CD, que é o máximo, que outros recomendariam aos visitantes do Fenther?
Os Lábios – Olha, vamos dizer uma coisa nova que ainda não saiu. Já ouvi um pouco porque anda aí pelo facebook que é o novo disco da ‘NAIFA’. Ouvi um pouco de cada música, tipo um medley. Ouvi quinze a vinte segundos de cada música e acaba por revelar aquilo que é, e nós gostamos bastante!

Muito obrigada a San De Palma e Eurico Silvestre pela disponibilidade e simpáticas gargalhadas que tornaram tudo mais fácil.


Ana Pereira






Os LACRAUS estiveram à conversa com o Fenther a proposito do seu album "Os Lacraus encaram o lobo".

Fenther – Com que força Os Lacraus “Encaram o Lobo”?
LACRAUS – Os Lacraus encaram o lobo, com a força que de quem anda há muito tempo (demasiado tempo) preso por detrás de teclados, nós de gravata, alter-egos, e reconhecimento em terras que não as nossas.

Fenther – Sentem-se carneirinhos no meio da musica nacional?
LACRAUS – No que ao reino animal diz respeito somos Lacraus simplesmente.

Fenther – Por onde andam a apresentar este disco? Reacções tem sido boas?
LACRAUS – Curiosamente temos andado a apresentar o disco de todas as formas menos em palcos. Em pouco tempo julgo termos sido merecedores do prémio para "o grupo que dá mais entrevistas na TV, que concertos", mas estamos a trabalhar para que esse numero se equilibre, pelo menos.

Fenther – Por onde vão tocar proximamente?
LACRAUS – Dia 23 de Fevereiro no Hall do São Jorge em Lisboa, e sim "Hall". Pretendemos entregar o roque enrole logo à entrada, tal a urgência em tocar este disco. De referir que a entrada é gratuita, e o concerto começa cedo. Convidámos os recém chegados de Abbey Road "Os Pontos Negros", e o incontornável Samuel Úria, que se fará acompanhar pelas "Velhas Glórias". Quem julga que conhece o Samuel, e nunca o viu neste set up, então desengane-se. Temos tambem o MexeFest no Porto em breve, e estamos a trabalhar em mais datas.

Fenther – Vão estar no Porto no Festival MexeFest. Uma excelente porta. Uma óptima oportunidade para os Lacraus, concordam?
LACRAUS – A oportunidade apareceu é certo, e o MexeFest já tem o peso que tem, mas porta ou não, é um palco, e de um palco precisam as canções que conseguimos em algum esforço (ou não seriam o que são) registar, e o Porto é lugar de gente quente, de sangue na guelra, e é disso que queremos e precisamos.

Fenther – Os vossos ideais passam por cantar sempre em português? Ou poderá mudar?
LACRAUS – A língua portuguesa é algo incontornável para qualquer grupo/artista na Flor Caveira, e por consequência Os Lacraus. Isto não quer dizer que tenhamos má relação com o inglês, ou qualquer outra língua. Crescemos a ouvir musica anglo-saxónica, e em certa medida a musica que fazemos é reflexo disso. Temos também muitos amigos que cantam em inglês, eu inclusive fiz parte até bem pouco tempo de uma banda que cantava em inglês. Mas em suma, não está nos planos um "shift" linguístico.

Fenther – E “Quando a Musica Acabar em Portugal”?
LACRAUS – "Continuará noutro lugar", e com isso vivemos muito bem. Alias, acabar com coisas é negócio com o qual nos damos muito bem, a começar com cerimónias. Este disco foi feito muito no momento, e para o momento, sem grandes expectativas. Felizmente as pessoas têm-no escutado pelo que ele é, longe de hypes, longe de sombras de outras coisas, mas, se acaba-se em si mesmo, viveríamos (quase) bem com isso.

Fenther – Satisfeitos com o trabalho do Armando Teixeira na produção deste disco?
LACRAUS – Mais que satisfeitos. O Armando foi o "corpo estranho" que fez os anti-corpos mexerem. Com a sua estranha calma, consegui dar forma, e mais que conter, direcionar o estrago feito por nós.

Fenther – Como o conseguiram apanhar? Foi com “Um Peito em Forma de Bala”? Ou sentaram-se à mesa com um machado na mão?
LACRAUS – Por pouco não foi ele que nos apanhou a nós! Em conversa com o Tiago no passado, ficou a vontade de fazer algo em conjunto. Nessa altura ainda "Guillul" era vivo, e se passeava de skate pela praia de Carcavelos, mas o Guillul teve de dar lugar ao Lacrau, e foi uma simples questão de transpor o convite de um para outro. O Armando gostou do desafio, os restantes Lacraus, responderam à chamada, e em menos de nada estava um disco feito. Mas sim, acredito que muita gente pense que foi por força de violência que coagimos o Armando a trabalhar connosco. Faz todo o sentido.

Fenther – Sentem-se confortáveis com o selo da Flor Caveira ao vosso lado?
LACRAUS – Temos na banda, um membro fundador da FC, e um outro que assume uma posição na direcção da mesma, logo não poderíamos estar mais ao centro. Alias, eu arrisco a título pessoal, dizer que este é o disco que a FC há muito ansiava, para por alguns pontos nos Í's, acerca das origens do que se produz há anos, de Queluz para o mundo. Nos últimos anos a FC ficou conhecida pelos "cantautores" de viola ao peito, mas é da distorção, muitas vezes retratada na caveira, que nasce a flor.

Fenther – Este é um disco sincero, afirmam vocês. Por outras palavras…
LACRAUS – Não ficou nada por dizer…é escutar o disco. Não ficou erro por registar…é escutar. Não ficou suor por verter…é por no máximo e escutar.

Fenther – A Alexandra Lencastre tem conhecimento da vossa canção? E a Flannery O’Connor?
LACRAUS – A Alexandra Lencastre, para nossa pena não deve ter conhecimento ainda, mas gostava do fundo do coração que tivesse, nem que fosse pela querida homenagem, em tom de aviso é certo, mas que é merecida. A Flannery, muito dificilmente, visto ter falecido em 64.

Fenther – A musica nacional na vossa opinião? Como a sentem?
LACRAUS – Pelo lado do "negócio" mal, pelo lado da música, muito bem. Nunca se produziu tanto, e tão bem, com tão poucos meios. A necessidade, aguça de facto o engenho, e é bom que as canções, essas sim importantes, não fiquem presas a meios, mas que falem por si só. Tem sido essa a disciplina da Flor Caveira, desde os tempos do low-fi.

Fenther – Projectos para o futuro?
LACRAUS – O futuro passa por tocar este disco o mais possível, e o resto "logo se vê". A vantagem de se estar numa banda com esta idade (tudo na casa dos 30), é que pouco há a provar ou a conquistar. Há a musica por prazer, e regras por quebrar. Haverá coisa mais anti-rock, que um grupo de trintões, com 6 filhos entre si, empregos, famílias, responsabilidades "paroquiais" e existências semi pacatas, juntar-se e fazer um disco? Lacraus são tudo menos o que se espera, sendo que ao mesmo tempo não trazem nada de novo.

Fenther – Mensagem final...
LACRAUS – Fica o agradecimento sincero em nome de todos Os Lacraus, ao Fenther.
Vemo-nos por ai pelos palcos.


Vitor Pinto






Os Iconoclasts à conversa com o Fenther a proposito do seu album de estreia.

Fenther – Quem são e de onde nos chegam os Iconoclasts?
Iconoclasts – Somos uma banda composta por seis pessoas que se conheceram para fazer música. Somos de Lisboa.

Fenther – Como definem o vosso som?
Iconoclasts – Uma convergência natural dos vários gostos e influências dos seis. Preferimos não catalogar, mas é sempre mais fácil chamar-nos de Rock Alternativo.

Fenther – Sentem-se pioneiros do género em Portugal ?
Iconoclasts – Não somos os primeiros nem seremos os últimos a tocar música com influências de bandas alternativas como My Bloody Valentine ou The Smiths… Mas talvez sejamos dos poucos cujas essas mesmas influências não sejam fáceis de reconhecer na música que produzimos.

Fenther – E quais são as vossas fortes influencias?
Iconoclasts – My Bloody Valentine, The Smiths (como antes referido), Pixies, Foals, Pavement… Somos muitos e cada um tem ouve muita música. Mas estas acabam por ser as mais concensuais.

Fenther – O percurso resumido dos Iconoclasts ate à data de hoje...
Iconoclasts – Começou quando o Vitor e o Sérgio procuravam formar uma banda. Por volta do Natal de 2008 já tinha entrado o último elemento, depois de meses a fio de audições para econtrar o baterista, baixista e vocalista certos. E também por volta dessa data, preparávamo-nos para promover o EP. Tocámos em muitos locais do país e a aceitação foi sempre boa. No início de 2011 vencemos o Festival Termómetro e presentemente estamos a fazer por chegar o álbum de estreia “Mt. Erikson”, que foi editado no dia 19 Setembro.

Fenther – Vêm com o selo da vossa vitoria no termómetro 2011. Uma ajuda importante para a edição?
Iconoclasts – Tenho ganho o Termómetro, tivemos alguma ajuda. Nesse aspecto temos a sorte de, para já, dizer que não nos foi muito difícil. Mas não é fácil para uma banda nova gravar num estúdio profissional e editar um cd sozinha. Há sempre grandes preços associados e nem sempre se arranja ajuda de uma editora.

Fenther – Satisfeitos com o resultado final do disco? Voltariam atrás para alterar alguma coisa?
Iconoclasts – Sim. Há sempre qualquer coisa que uma pessoa gostava de poder mudar. É natural não se ficar 100% satisfeito com o resultado final de um disco. Especialmente quando se passa semanas dentro de um estúdio a trabalhar no mesmo. Perde-se prespectiva. Mas passados meses de termos completado esse processo, estamos mesmo muito satisfeitos com o resultado. E estamos gratos pela ajuda do Eduardo Vinhas (Golden Pony Studios).

Fenther – Qual a ideia da capa do vosso disco? O que representa?
Iconoclasts – Preferimos deixar que as pessoas façam a sua própria interpretação da capa do disco. Mas a partir do facto de que o disco fala maioritariamente de memórias de crescimento, momentos de infância e adolescência… O paralelismo para o visual torna-se mais fácil.

Fenther – Tem sido bem aceites pela critica?
Iconoclasts – Como reagem às notificações menos boas? (se é que elas existem) Temos sido bastante bem recebidos. Há sempre quem compreenda melhor o que tentamos fazer. Depende, por vezes, do background de quem ouve. No geral as pessoas têm sido calorosas a criticar o disco. E quando não o são, tentamos analisar o que há de pertinente no negativismo. Temos de aprender a aceitar falhas que nos são apontadas. E a partir daí evoluir.
Mas quando são críticas menos boas feitas a partir de premissas que nos parecem frívolas ou erradas, escolhemos ignorar.

Fenther – E os concertos de apresentação como tem corrido?
Iconoclasts – Têm corrido bem e esperamos tocar ainda mais o disco ao vivo.

Fenther – Por onde vão passar em breve?
Iconoclasts – Estão algumas datas a ser agendadas a Norte do país. Tocámos lá muito quando promoviamos o EP e temos saudades de lá ir. Para já ainda não podemos revelar nada mas podem ir procurando actualizações na net.

Fenther – Onde encontramos os Iconoclasts na web?
Iconoclasts – Encontram sempre informações completas e datas novas em www.facebook.com/iconoclastsband

Fenther – Como esta a actual musica nacional na vossa opinião?
Iconoclasts – Está cada vez mais populada. Há sempre uma banda nova a surgir e na maioria dos casos a música tem uma notória evolução na qualidade.
Está promissora.
O único entrave é sempre o apoio à música. Em tempos de crise as artes são sempre um pouco deixadas ao abandono. E vivem-se tempos difíceis na música portuguesa.

Fenther – Projectos e ideias futuras?
Iconoclasts – Estamos concentrados em levar o “Mt. Erikson” o mais longe possível. Mas começamos agora a dar os primeiros passos a compor música nova, ao mesmo tempo. Não podemos adiantar ideias concretas, mas sabemos que não queremos fazer dois álbuns iguais.

Fenther – Escolham um tema deste disco. O porquê desta escolha?
Iconoclasts – Wisdom Cola. É um tema preferido na banda, que é sempre tocado de peito aberto e leva-nos a expor um lado mais emocional.

Fenther – Mensagem final...
Iconoclasts – Apoiem as bandas portuguesas indo aos concertos. Mais importante do que vender discos, é termos as salas cheias de pessoas interessadas no que há de bom na música.

Vitor Pinto






Old Jerusalem está de regresso aos discos e o Fenther não deixou escapar este momento...

Fenther – Como está o Francisco Silva actualmente?
Old Jerusalem – Bem, obrigado.

Fenther – Sempre inspirado para nos contar historias... É o dia a dia da vida que te inspira?
Old Jerusalem – Não sei dizer com certeza, em parte será, naturalmente. De qualquer forma, não posso dizer que a vida do dia-a-dia seja tão entusiasmante que suscite a cada passo ideias ou inspiração para canções, penso que será mais o pensar do dia-a-dia, a reflecção corrente e recorrente sobre coisas pequenas e grandes que esteja mais na base dessa inspiração.

Fenther – O que costumas ouvir regularmente?
Old Jerusalem – Ouço regularmente muita música e muito variada, é-me praticamente impossível responder de forma “fechada” a esta pergunta.

Fenther – De regresso este ano em força. O que mudou do registo anterior até agora?
Old Jerusalem – Em termos da actividade de Old Jerusalem, entre o lançamento do anterior registo em 2009 e o presente, consumou-se o fim da Bor Land, o que significou que Old Jerusalem passou por um período de auto-gestão nas questões relacionadas com o agenciamento (já antes a suspensão da actividade editorial da Bor Land tinha determinado uma mudança de editora) e posteriormente deu-se nova mudança de “casa”, desta vez para o colectivo PAD com quem actualmente Old Jerusalem trabalha a nível de agenciamento e apoio editorial. Pelo meio houve pedaços significativos de tempo dedicados a outras coisas da vida.

Fenther – Apareces agora com o selo da PAD. Como chegaste até lá?
Old Jerusalem – A relação com a PAD foi facilitada pelo facto de conhecer já vários dos elementos do colectivo antes da estrutura ter iniciado a sua actividade. Inclusivamente trabalhei já com essas pessoas a outros níveis antes de Old Jerusalem ter dado entrada no “roster” do colectivo, pelo que a aproximação foi natural.

Fenther – Continuas a trabalhar com o Paulo Miranda? Um companheiro de longa data...
Old Jerusalem – O Paulo Miranda é um companheiro de jornada desde praticamente o primeiro dia de actividade pública de Old Jerusalem. Estou inclusivamente convencido que tem sido ele a chave fundamental para a longevidade do projecto e é certamente devido ao empenho pessoal e profundo do Paulo que Old Jerusalem conta até hoje 5 discos editados.

Fenther – Porquê só agora o álbum homónimo? Chegou altura de prestar homenagem a Old Jerusalem?
Old Jerusalem – Não, de forma alguma. Tratou-se de uma conjugação de factores, alguns simbólicos (o facto de o disco ter sido interpretado na totalidade por mim, sem colaborações externas, o que replicou de alguma forma as condições iniciais do projecto) e outros pragmáticos e prosaicos (o não ter surgido um nome melhor em nenhum momento do processo).

Fenther – Editar discos em Portugal é dificel?
Old Jerusalem – Editá-los com a ideia de os trabalhar para que o investimento realizado tenha um retorno minimamente ajustado ao que se despendeu não é propriamente fácil, mas por outro lado, nunca tantos passos do processo foram tão acessíveis.

Fenther – As apresentações deste disco como correram?
Old Jerusalem – Da perspectiva de Old Jerusalem correram bem, foram concertos agradáveis que celebraram de forma sóbria mas viva o nascimento deste novo disco.

Fenther – Próximos concertos? Onde vão ser?
Old Jerusalem – Confirmados neste momento para os próximos meses:
28 de Outubro – Jameson Urban Routes no Music Box, em Lisboa
29 de Outubro – showcases FNACs Marshopping (Leça da Palmeira) e Norteshopping (Matosinhos)
30 de Outubro – showcase FNAC Sta Catarina, no Porto
04 de Novembro – Subscuta, em Barcelos
05 de Novembro – Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães
11 de Novembro – showcase FNAC Guimarães
25 de Novembro – showcases FNACs Colombo e Vasco da Gama, em Lisboa
26 de Novembro – Viana do Castelo, local a designar
2 ou 3 de Dezembro – Vodafone Mexe Fest, em Lisboa, local a designar
10 de Dezembro – Auditório de Espinho

Fenther – Aparece aqui uma musica escrita por Lou Reed? É uma referencia tua?
Old Jerusalem – Não é uma referência de primeira linha, mas é certamente um songwriter que respeito e que foi ganhando espaço na minha lista de audições ao longo do tempo.

Fenther – Vamos ter mais discos perfeitos como este? Que podemos esperar de Old Jerusalem no futuro?
Old Jerusalem – Eu próprio não sei bem o que se pode esperar de Old Jerusalem no futuro, no fundo depende do que aconteça com Old Jerusalem (e comigo…) no presente e futuro mais próximo. Mas idealmente não demoraremos muito tempo até começar a trabalhar nas canções destinadas a tomar parte de um próximo disco. As demos desses temas já estão inclusivamente gravadas, pelo que será uma questão de definir coordenadas “logísticas”, financeiras e estéticas e pôr a bola a rolar…

Fenther – Como está a musica nacional na tua opinião?
Old Jerusalem – A música, bem. O mercado musical é que deixa algo a desejar.

Fenther – Mensagem final...
Old Jerusalem – Não tenho.

Vitor Pinto






Estivemos à conversa com Rita Braga a proposito do seu novo registo “Cherries That Went to the Police”.

Fenther – Quando descobre a Rita a sua vocação para cantar?
Rita Braga – Sempre gostei de me expressar pela música, voz e instrumentos, tenho cassetes que gravava em casa desde que me lembro, inventava programas de rádio... Aos 18 anos toquei pela primeira vez ao vivo para um público desconhecido mas antes já fazia maquetes que mostrava a amigos.

Fenther – Sentes que esta é a altura ideal para lançar a carreira artística?
Rita Braga – Espero que sim. Nos últimos tempos tenho investido muita energia nisso, tanto com o disco como com atuações ao vivo, este ano já foram cerca de 50 pela Europa e Estados Unidos! Fui tendo outras atividades mas agora sinto-me muito focada na música.

Fenther – Tinhas editado algo anteriormente?
Rita Braga – Tinha editado 3 EP’s desde 2004, mas edições feitas em casa em CD-R, para os quais nunca procurei distribuição. Apenas ia vendendo nos concertos.

Fenther – Foi complicado editar agora este álbum de estreia?
Rita Braga – Não foi fácil e levou tempo. A minha ideia sempre foi editar um disco feito com melhors condições e outro tipo de produção e colaborações 0mas não tinha meios nem material profissional e quando conheci o Bernardo Devlin ele interessou-se pela minha música e propôs gravar-me e produzir o disco. Deu-me uma grande ajuda e foi muito bom ter contado com ele, apesar de não ter havido estúdio estou satisfeita com o resultado e o som final. Em tempos tive algumas editoras interessadas mas por vários motivos a coisa não se concretizou e acabei por fazer uma edição de autor. Mas agora acho que também foi bom passar por tudo isto para um primeiro album, aliás a edição de autor torna-se cada vez mais comum e não tive obrigações...

Fenther – Porquê “Cherries That Went to the Police”?
Rita Braga – Há uma história por detrás do nome mas explicado não tem graça. O autor da capa, o Zograf, que faz banda desenhada é que deu a sugestão, eu fiquei uns dias a pensar porque ainda não tinha um título e aceitei, achei curioso no mímino.

Fenther – Este disco foi gravado em várias partes do globo, certo? Como isso aconteceu?
Rita Braga – Sim... graças à internet. Eu gravei a minha parte em Lisboa, voz e ukulele ou guitarra ou teclados, e os músicos foram-me enviando as faixas à distancia, primeiro começou com as colaborações do Chris Carlone que na altura morava em Filadélfia, depois o Nik Phelps enviou os takes de clarinete da Bélgica, a Yvette e o Jef de Los Angeles e o Hernani e o Rui Dâmaso mesmo de Lisboa, mas também sem nos encontrarmos e por fim um músico argentino, o Ignatz de Buenos Aires. O certo é que funcionou!

Fenther – Onde vais beber influencias?
Rita Braga – A muitos sítios... os temas populares dos anos 20 fui conhecendo através da Annette Hanshaw, uma das minhas cantoras preferidas que teve uma curta carreira entre finais dos anos 20 e início dos anos 30. Também fui fazendo versões de músicas de filmes, de Hollywood a Bollywood (sinto-me inspirada sempre por um lado visual), e às vezes em viagens havia pessoas que me pediam para aprender uma música na língua delas como foi o caso da Sérvia.

Fenther – Há aqui autenticas viagens por diversas culturas e estilos musicais. És seguidora da cultura mundial?
Rita Braga – Não vou propriamente seguindo a imprensa especializada, mas às vezes vou fazendo pesquisas ou encontro coisas ao acaso. Por exemplo um disco de “rebetika”, um estilo de música que se tocava na Grécia, ouvi por curiosidade numa loja e adorei e fui-me informar mais sobre esse tipo de música que é altamente interessante. Muitos discos comprei pela capa, pedi para ouvir e gostei. Depois tenho alguns blogues e sites preferidos – ou rádios online como a Luxuria Music ou a WMFU onde vou descobrindo nomes, do passado e do presnte.

Fenther – Costumas viajar em busca de novos sons e conhecimentos?
Rita Braga – Sim. É uma vantagem de viajar sozinha é que paradoxalmente nunca me sinto sozinha, acabo por me integrar mais com as pessoas do próprio sítio e absorver mais da cultura local, acho que tenho facilidade de adaptação. Tenho tido sorte porque sempre me receberam bem e geralmente conheço pessoas com quem me identifico e partilho muitos gostos em comum, quer na Europa quer na América e por isso fui sempre parar aos sítios certos, na América em vários estados foram quase tudo amigos e contactos do Chris Carlone que tocou no meu disco. É preciso dizer que ando num circuito muito independente, sem estrutura por detrás por isso é mesmo preciso os músicos apoiarem-se uns aos outros...

Fenther – O teu fiel instrumento neste disco é Ukulele. Fala-nos dele…
Rita Braga – Há muitas razões para gostar de um ukulele. É bonito, tem um som muito característico e tem uma grande vantagem que é a portabilidade... para viajar é o melhor que podia escolher, e penso nesse lado prático (ao vivo também uso bases pré gravadas e basta levar o i-pod). É curioso que apesar de ter sido criado por portugueses “nasceu” no Havai e através da América chegou um pouco a todo o lado mas aqui nunca se tornou popular, talvez agora as pessoas já vão reconhecendo mais. Digo a brincar que é de 40 em 40 anos que volta à moda, foi anos 20, depois nos anos 60 com os Beatles ou o Tiny Tim e agora há outra vez muita gente a tocar... há festivais de ukulele por todo o mundo, da Califórnia à Áustrália ou à Finlândia e Itália mas por acaso ainda não fui a nenhum.

Fenther – Quem são os convidados deste disco?
Rita Braga – Sem querer respondi numa pergunta anterior, mas são o Chris Carlone, o Nik Phelps, a Yvette Dudoit, o Hernani Faustino, o Rui Dâmaso (Loosers), o Jef Hogan, o Ignatz B, o Bernardo Devlin produziu o disco e fez colagens e tocou em vários temas.

Fenther – Parabéns pelo excelente vídeo “Under the Moon”. Vais voltar a trabahar com o Paulo Abreu para outros vídeos deste disco? Contente com o trabalho dele?
Rita Braga – Obrigada, sim gosto imenso do trabalho do Paulo, em super 8 e preto e branco com uma marca muito pessoal, fiquei muito contente com o vídeo e por ter trabalhado com ele. Houve também um trabalho de recolha de filmes dos Fleischers Brothers (que produziram também a Betty Boop). Entretanto quando fui para os EUA (fiquei 3 meses entre Março e Junho) fiz mais 4 vídeos para o disco que estão na internet ou no meu site “www.superbraguita.com”.

Fenther – Por onde tens andado a apresentar este disco?
Rita Braga – Recentemente voltei de uma tour em Bordéus, Paris, Berlim, Leipzig e Madrid. Na última viagem aos EUA ainda não tinha o disco editado mas aproveitei para divulgar o trabalho nas tours e acabei por fazê-lo numa fábrica lá.

Fenther – E próximos concertos?
Rita Braga – A partir de Domingo começo uma série de showcases nas Fnacs pelo país todo, mas no dia 15 de Outubro é o concerto de apresentação do disco no Teatro do Bairro, em que vou contar com vários convidados do disco. O Nik Phelps, Chris Carlone e Rui Dâmaso são nomes confirmados.

Fenther – A capa deste disco foi desenhada por um sérvio, dando continuidade à forte internacionalização deste trabalho. A Rita Braga também quer andar pelo mundo?
Rita Braga – Sim, a Rita Braga quer andar pelo mundo. Já agora aproveito para dizer que o autor da capa, o Aleksandar Zograf, é um nome internacional (editado em muitos países e pela histórica Fantagraphics, a maior editora de BD independente americana) e teve um livro recentemente editado pela primeira vez em português pela Chili Com Carne, vale a pena conhecer.

Fenther – Projectos para o Futuro?
Rita Braga – Brevemente vou compor a banda sonora para um filme que fiz em São Francisco, uma curta metragem muda em que fui atriz (“Wander” realizado pelo Claude Cardenas). Tenho feito bandas sonoras, também compus uma música ao piano que vai ser o tema de uma curta realizada pelo Chris Carlone.

Fenther – Qual a tua opinião sobre a actual musica nacional?
Rita Braga – Este ano tenho estado pouco tempo em Portugal e por isso fui a poucos concertos e não tenho acompanhado muito. Acho que há sempre projetos de qualidade ou novos discos que vão surgindo. E acho que há falta de espaços para tocar ao vivo em Lisboa, pelo menos para o que faço, apesar de ser a capital acabo por tocar muito pouco aqui.

Fenther – Ultima mensagem…
Rita Braga – Paz e amor!

Vitor Pinto






O Fenther esteve à conversa com os You Can't Win, Charlie Brown e o resultado...

Fenther – Quem são e de onde vem os You Can´t Win Charlie Brown?
You Can't Win, Charlie Brown – Os You Can’t Win, Charlie Brown são Salvador Menezes, Afonso Cabral, David Santos, Luís Costa, João Gil e Tomás Sousa e vêm de vários cantos de Lisboa com uma vontade comum de fazer música.

Fenther – "Chromatic" porque?
You Can't Win, Charlie Brown – Achámos que era um nome que ilustrava bem as diferentes fases e os vários ambientes que existem no disco. Além disso era um nome que tinha uma componente visual muito forte, o que ficou bem demonstrado na capa.

Fenther – Há convidados neste disco? Quem são e onde aparecem?
You Can't Win, Charlie Brown – Há. A Márcia canta na “A While Can Be A Long Time” e na “An Ending”, e tivemos também um quarteto de cordas, o “Tempus String Quartet”, também na “An Ending”.

Fenther – Em poucas palavras definam o vosso trabalho.
You Can't Win, Charlie Brown – Seis pessoas que gostam muito do que fazem!

Fenther – Apresentações ao vivo? Por onde vão estar?
You Can't Win, Charlie Brown – Vamos estar no Lux a 15 de Setembro, depois seguimos para uns concertos em Londres mais para o fim do mês, entre 25 e 28 de Setembro.

Fenther – As apresentações anteriores tem corrido bem? Qual tem sido a reacção do publico?
You Can't Win, Charlie Brown – Tem sido óptimo. Demos 3 concertos na rua, em Lisboa, cada um deles teve mais gente que o anterior, o que foi muito bom. E tocámos também em Paredes de Coura, a reacção foi excelente e soube bem voltar a um palco, principalmente para tocar para tanta gente e num sítio tão especial.

Fenther – E da imprensa?
You Can't Win, Charlie Brown – Felizmente as criticas por parte da imprensa têm sido todas muito positivas, o que nos faz acreditar que aquilo que gostamos de fazer é bastante apreciado pelos outros.

Fenther – Se tivessem de escolher um só tema deste disco qual seria?
You Can't Win, Charlie Brown – Depende dos dias... hoje: “Euphemisms” ... Amanhã umas das outras, ou talvez esta de novo!

Fenther – São representados pela Pataca Discos. Satisfeitos com o trabalho feito?
You Can't Win, Charlie Brown – Muito satisfeitos, tem sido uma parceria feliz.

Fenther – Se pudessem voltar atras, alteravam alguma coisa desde o inicio da criação musical até ver o disco nas lojas?
You Can't Win, Charlie Brown – Não. Nem faz sentido pensarmos assim. Agora que este disco já saiu, compete-nos é pensar o que é que podemos fazer de diferente e de melhor no próximo.

Fenther – A quem se deve o fabuloso grafismo do disco?
You Can't Win, Charlie Brown – Foi o Pedro Gaspar. Fez um trabalho fantástico. Já tem trabalhado connosco desde o início, foi quem fez também a capa do EP.

Fenther – Metas a atingir no futuro?
You Can't Win, Charlie Brown – Continuar a fazer o nosso trabalho com gosto e com vontade, isso é que interessa.

Fenther – Como esta a actual musica nacional na vossa opinião?
You Can't Win, Charlie Brown – Está muito bem. Andam-se a passar coisas muito interessantes, assim de repente conseguimo-nos lembrar logo de bandas como os Paus, We Trust, o Walter Benjamin, os Julie & The Carjackers.... e isto foi logo sem pensar muito no assunto. A lista de boa música continua.

Fenther – Mensagem final...
You Can't Win, Charlie Brown – “Vemo-nos por aí!”

Vitor Pinto






Com o lançamento do álbum homonimo, Os Velhos falaram com o Fenther e mostraram estar satisfeiros com o trabalho feito até agora.

Fenther – Como estão Os Velhos actualmente?
Os Velhos – Estamos contentes por ter sido possível gravar as nossas canções num disco da maneira que as queríamos gravar e por ter chegado a hora de esse disco estar disponível para quem o queira ouvir. Estamos também com vontade de tocar por aí.

Fenther – Por onde tem andando a apresentar as vossas musicas?
Os Velhos – Ultimamente temos estado concentrados no lançamento do disco. Antes desta fase, tocámos várias vezes em Lisboa e andámos por mais alguns lugares, fomos ao Porto, a Santo Tirso, a Beja, a Arcos de Valdevez, a Esposende e a Évora. Agora planeamos ir tocar as canções do disco onde for possível.

Fenther – Musicas essas agoras compiladas neste vosso album, correcto? Foi complicado editar o disco?
Os Velhos – Não. Já tínhamos editado 4 canções pela Amor Fúria e a edição do disco foi a concretização de um plano que se foi construindo ao longo do tempo. Com a colaboração de mais algumas pessoas, como o José Fortes, que tratou do som do disco, e os responsáveis da Valentim de Carvalho, que apoiaram a edição, o processo de gravação e edição foi demorado, mas tranquilo.

Fenther – Satisfeitos com o resultado?
Os Velhos – Sim. Quisemos gravar o disco na casa onde passamos fins-de-semana juntos desde há uns anos em vez de irmos gravar para um estúdio. Pensámos que era importante para o nosso disco que estivéssemos a tocar ‘em casa’, todos na mesma sala, para que a captação aproximasse as canções gravadas do que nós sentimos que elas são. Esta maneira de gravar e um processo de mistura e tratamento de som bastante cuidadoso permitiram-nos chegar a um resultado com que ficámos muito contentes.

Fenther – O selo Amor Furia tem sido uma grande ajuda para Os Velhos?
Os Velhos – É uma ajuda na medida em que, por mérito da Amor Fúria, alguns canais de chegada às pessoas lhe estão mais abertos do que a uma banda que se lance sozinha. No entanto, também pode fazer com que se olhe para as bandas que estão sob esse selo como se elas fossem muito parecidas quando, na verdade, elas são muito diferentes. Sob o selo da Amor Fúria estão com certeza algumas coisas comuns às pessoas envolvidas, mas também estão maneiras muito diferentes de encarar a música e de olhar para as bandas, os discos e as canções.

Fenther – Há convidados neste disco?
Os Velhos – Não.

Fenther – Por onde vão estar em breve a apresentar o disco?
Os Velhos – Apresentamos formalmente o disco em Lisboa, dia 17 de Maio, no MusicBox e no Porto, dia 21 de Maio, no Pitch Club. Depois, planeamos andar por aí a tocar o disco onde nos quiserem ouvir. Já temos alguns concertos marcados para Junho e Julho, dos quais talvez valha a pena salientar o do Optimus Alive no dia 6 de Julho, no Palco Clubbing.

Fenther – Algum cenário especial para os palcos?
Os Velhos – Há uns tempos fizemos uma caixa de luz cor-de-rosa com cartão e madeira, que dizia OS VELHOS, mas a caixa partiu-se e ainda não a substituímos, por isso não há nenhum cenário especial planeado para os palcos.

Fenther – Como está a musica nacional na vossa opinião?
Os Velhos – Esta é uma pergunta a que não se pode responder em poucas linhas. Podemos dizer que há algumas bandas/músicos a fazer coisas que nos interessam, mas também que não são muitos. Por outro lado, também não temos qualquer sentimento de nostalgia em relação a outros tempos da música portuguesa.

Fenther – Projectos futuros?
Os Velhos – No futuro próximo, queremos dar concertos e dar a conhecer o disco que agora editamos. Num futuro menos próximo, provavelmente continuaremos a fazer canções e a gravar, mas não temos nenhum plano concreto definido, por agora.

Fenther – Há algum palco que gostariam de poder pisar?
Os Velhos – Nós não temos nenhum projecto de grandiosidade. Estamos dispostos a fazer canções e a tocá-las e gravá-las da maneira mais próxima possível daquilo que acreditamos que é bom. Se quiserem que façamos isso em palcos bonitos, teremos o maior gosto, mas não temos o objectivo de ‘poder pisar’ nenhum palco.

Fenther – Mensagem final...
Os Velhos – Que nos amemos uns aos outros.

Vitor Pinto






Helena Granjo conversou com os Urban Tales. Mais um nome que o Fenther não deixa passar ao lado.

No fim de 2004 Marcos César decide abandonar o projecto SOUL DESPAIR para criar o seu projecto próprio. No início de Janeiro de 2005 nascem os Urban Tales, influenciados por bandas como Anathema e Paradise Lost.

Com todos os seus membros reunidos a banda decide gravar uma pré-demo e foi com esse primeiro trabalho que os Urban Tales foram convidados por Ricardo Capristano (conhecido pelo seu trabalho em desportos radicais e documentários de corridas de rally) a incluir uma música no DVD “MAIS1”, um filme de desporto que junta imagens de surf e músicas de bandas portuguesas como The Temple, Urban Tales, Cain, etc.

Após alguns meses em ensaio, escrita e gravação de músicas, a banda decide gravar uma demo oficial para obter o interesse das editoras. Esta primeira demo teve muito boas críticas em termos de media, levando o grupo ao status de banda revelação em 2006.
A banda sofreu algumas alterações com o objectivo de manter uma atitude profissional em relação à música e uma vez que o conseguiram, assinaram com a Burning Star Records um contrato para 2 albuns, sendo “Diary of a NO” o primeiro e tendo já sido considerado entre os melhores trabalhos de 2007 por várias revistas e entidades ligadas à cena alternativa nacional e internacional.
Agora em 2011 estão de regresso com o seu mais recente trabalho "Loneliness still is the friend", álbum que parece seguir as passadas do seu antecessor em termos de sucesso. O Fenther esteve à conversa com Marcos, o vocalista deste projecto:

Fenther – “Diary of No” foi aclamado como um dos melhores álbuns do ano em 2007, vocês sentiram o peso da responsabilidade de fazer um trabalho tão bom ou ainda melhor?
Urban Tales – Nem por isso. Fomos deixando as coisas acontecerem, pelo caminho começámos a perceber que tínhamos grandes músicas em mão e que não devíamos ter dúvidas deste trabalho.

Fenther – "Loneliness still is the friend" é a continuação de Diary of a No, uma vez que a temática da melancolia, da solidão, da morte e da nostalgia persiste?
Urban Tales – Sim, acho que isso nunca irá mudar muito. Liricamente a coisa será sempre um pouco assim. Daí “soar” muito a Urban Tales.

Fenther – De onde surgiu o título "Loneliness still is the friend"?
Urban Tales – Esse nome já me acompanha há muito tempo. Inclusive usei-o numa música num projecto onde participei com o Vasco Gomes (agora web master da banda) e com o primeiro guitarrista da banda Sérgio Osório. O nome surge de muito tempo passado sozinho, com os meus pensamentos, de por vezes mesmo estando no meio de muita gente, não me encontrar ali. De muita introspecção, sinceramente, vem de uma série de sentimentos.

Fenther – A inspiração para este álbum teve a sua origem nas tuas vivencias ou de pessoas que te são próximas, ou decidiram desta vez tomar um rumo diferente?
Urban Tales – Continua o mesmo. Liricamente a coisa manteve-se em experiências vividas ou assistidas por mim, como fiz no primeiro álbum.

Fenther – Continuas a dominar um pouco no que diz respeito ao processo de criação, da última vez que falamos referiste que apesar de todos participarem a última palavra era tua, neste novo trabalho verificou-se o mesmo tipo de execução, a responsabilidade continua a ser tua?
Urban Tales – Sim, acho que a coisa mantém-se. Contudo, neste álbum, a coisa na parte criativa, correu tão bem que não me lembro mesmo de ter que optar por essa possibilidade. Havia muita criatividade no ar e quase todas as ideias eram boas. O problema de todas aquelas ideias, foi ter de pôr de parte coisas tão boas.

Fenther – Como surgiu a colaboração do actor Vítor de Sousa no tema “Despair”?
Urban Tales – Chegou-se à ideia de que era bom ter alguém a declamar um poema naquele instrumental, depois lembrámo-nos do Vitor de sousa. Primeiro falámos com a manager e depois com ele. Em todas as alturas houve uma grande abertura na participação do Vítor de Sousa na música. Depois foi só ir a um estúdio e gravar. Correu muito bem. Aliás o mérito de toda aquela atmosfera é muito do próprio Vítor de Sousa que foi quem escolheu o poema.

Fenther – Porque o excerto de um discurso de Charles Manson no tema “Silent Cries” , será por ser um tema que foca a violência / a violação? Baseia-se em algum facto real?
Urban Tales – A música fala de um acto tresloucado certo? De alguém que foi exposto a violência, violação, crime, etc... Dai lembrei-me do tal discurso de Charles Manson. Achei que iria criar uma grande dinâmica e ambiente à música e, de uma certa forma fazia “sentido” na música.
Se é uma história real...? Prefiro que cada um tire a sua ilação e interprete à sua maneira. O que tenho, é a certeza que muita gente já deve ter passado por algo parecido e vive com esse tormento no corpo por toda uma vida.

Fenther – Como foi trabalhar com o produtor Dave Chang no tema “Stand Alone”? Como surgiu esta colaboração?
Urban Tales – Lembrei-me dele, fiz-lhe o convite e ele aceitou. Foi algo muito rápido.

Fenther – Os Urban Tales estão a ter bastante exposição nos media, como por exemplo, a MTV, a SIC Radical, a Antena 3, entre outros, em comparação com outros projectos nacionais alternativos que só conseguem a sua divulgação nos meios underground. Como explicas este facto, será por adequarem um pouco a vossa sonoridade para agradarem a gregos e troianos?
Urban Tales – Não me parece que agrademos a todos...era bom, mas acho que ainda há muita gente que não vai à bola connosco. O que temos de aceitar, faz parte...E isso acontece com todas as bandas. O facto de termos tanta exposição, não sei bem como te responder a isso, simplesmente batemos à porta das pessoas e pedimos para ouvir a nossa música ai é rezar que gostem. Não há nenhum segredo, até porque nem temos manager, ou outro tipo de ajuda directa. Somos mesmo nós a chatear toda a gente.

Fenther – Há uns dias no facebook comentava-se o facto de muitas bandas do underground nacional não pedirem cachet para actuarem, ou seja, a filosofia do “o que é preciso é tocar” e tal. O que pensam disso?
Urban Tales – Ui...Isso é complicado, pois há muitas opiniões divergentes acerca disso... Eu sou mais apologista de que o concerto se não tem cachet (que devia), pelo menos que tenha outros factores interessantes para que se dê a aprovação desse evento. Dou-te um exemplo, fomos convidados para tocar em Fevereiro na aula magna (algo que infelizmente não veio a acontecer), na festa do dia das doenças raras. Como deves imaginar nem se iria falar de cachet, mas só o facto de podermos tocar na Aula magna, já era um factor de aceitação. Não quer dizer que é por “um palco” que se aceita um concerto. O que digo é que: se não há cachet para uma banda; pelo menos que haja outros factores (sejam eles quais forem), que valham a pena...Não sei se me faço entender...Mas fica ai a ideia...

Fenther – Como foi o lançamento de "Loneliness still is the friend" a 7 de Março? O que têm planeado para a sua divulgação em termos de espectáculos e apresentações ao vivo? Vai haver uma digressão nacional/internacional?
Urban Tales – Este álbum está, e falo por mim, a ultrapassar todas as expectativas, há várias coisas a acontecer (coisas que ainda não podemos divulgar), mas que para uma banda deste género é muito bom e muito gratificante, depois é ver todos os meios que já nos tinham aberto portas, agora a darem-nos os parabéns por este trabalho e com reacções bem mais fortes que os anteriores. Para já pensamos em promover em todo o lado possível este álbum (rádios, jornais, revistas, webzines, etc), visto que daqui a 2/3 meses já ninguem se deverá lembrar de nós pois há imensa oferta de outras bandas constantemente a sair para o mercado. Depois é esperar por convites e ver o que é possível fazer.

Helena Granjo






Uma conversa descontraida enquanto a tripla The Underdogs prepara os derradeiros concertos de apresentação do EP "Silence".

Fenther – Quem são e de onde vêm os The Underdogs?
The Underdogs – Os The Underdogs são o Victor Hugo (guitarra, voz, harmónica), Alexandre Mano (baixo) e João Maia (bateria), e são de Aveiro.

Fenther – Como definem o vosso som?
The Underdogs – Rock directo e honesto.

Fenther – Temos nas mãos o disco de estreia ou já editaram algo anteriormente?
The Underdogs – Como banda, este EP “Silence” é a nossa primeira edição oficial.

Fenther – Como tem corrido os concertos de apresentação?
The Underdogs – A digressão de apresentação do EP ainda não começou. No entanto, todos os concertos até à data têm corrido muito bem e a reacção do público tem sido bastante satisfatória.

Fenther – Vão estar a tocar por onde?
The Underdogs – Vamos iniciar a digressão no dia 16 de Abril, Plano B – Porto e depois seguimos para a nossa terra natal, Aveiro, Mercado Negro, no dia 23 de Abril, onde vamos fazer os 3 um Djset, interrompendo o mesmo para dois momentos, onde tocaremos versões acústicas de 5 temas.

Fenther – Onde querem chegar os The Underdogs? Há alguma meta a atingir?
The Underdogs – Os The Underdogs querem chegar a tudo e a todos, mas desejamos, acima de tudo, criar e tocar a nossa música.

Fenther – Foi complicado editar este disco?
The Underdogs – Complicado? Não! Já andávamos a tocar há algum tempo e, juntando esse factor ao trabalho diário, apenas queríamos guardar fielmente no EP aquilo que já tínhamos na sala de ensaios e nos concertos. Em resultado, optámos pelo tipo de gravação “Live”, o que, mais uma vez, veio facilitar a produção, criação e edição do EP “Silence”.

Fenther – Satisfeitos com o resultado? Há convidados na produção ou na criação das musicas?
The Underdogs – Sim, estamos muito satisfeitos. Todo o projecto ficou ao encargo dos The Underdogs e do nosso “4º” elemento, como habitualmente o mencionamos, o Velvet, nosso técnico de som. Nunca esquecendo, obviamente, o apoio do nosso agente, Carlos Vieira.

Fenther – Como vêem a actual musica nacional?
The Underdogs – Na nossa opiniãp, a cena musical portuguesa, não obstante a grande vaga de música popular, apresenta-se neste momento com uma enorme e fértil variedade de projectos, mas, acima de tudo, de estilos.

Fenther – Projectos futuros?
The Underdogs – Continuar a promoção do presente “Silence”, tocando ao vivo, e começar a trabalhar no nosso Album.

Fenther – Mensagem final...
The Underdogs – Silence! Silence! The devil is blowing my horn…

Vitor Pinto






O Fenther esteve à conversa com os regressados Norton. A banda de Castelo Branco está ai com toda a força... Obrigatório ouvir.

Fenther – Como estão os Norton em 2011?
Norton – Muito felizes com o novo disco e com as reacções do público aos concertos e ao disco! Acima de tudo estamos mais activos que nunca!

Fenther – Continuam com a mesma vontade de fazer boa musica e fazê-la chegar bem longe? E levá-la até onde?
Norton – Sempre adorámos fazer música, faz parte de nós e das nossas vidas, e a vontade que temos em fazê-la chegar a todo o lado é cada vez maior! Queremos editar, distribuir e tocar este disco no maior número de países possíveis! Em breve vai ser editado no Japão, e já está a ser distribuído em Espanha, onde também já temos algumas datas confirmadas… Temos recebido críticas de todo o lado do Mundo ao single “Two Points”, da Indonésia à Alemanha, França, Estados Unidos, México…

Fenther – Foi complicado gravar este "Layers Of Love United"?
Norton – Foi mais difícil que os anteriores, sem dúvida! Houve cuidados com este disco que não tínhamos tido antes. Mudámos bastante a maneira de fazer as coisas, talvez por isso tenha sido mais demorado. Estivemos de Outubro de 2010 a Janeiro de 2011 em estúdio, foi um processo longo, mas estamos muito orgulhosos do trabalho final!

Fenther – Satisfeitos com o resultado?
Norton – Mais que nunca! Acreditamos imenso no potencial deste disco e não podíamos estar mais satisfeitos!

Fenther – Houve convidados para este disco?
Norton – Ao contrário dos dois discos anteriores, neste decidimos não ter convidados. Apesar disso o nosso produtor Eduardo Vinhas e o Miguel Nicolau, que toca connosco ao vivo muitas vezes, foram as únicas pessoas de fora dos Norton que tocaram neste disco. Era tão óbvio para nós que participassem, que nem os vemos como convidados, são uma extensão da banda, fazem parte do núcleo dos Norton!

Fenther – Continua a ser complicado editar discos em Portugal?
Norton – Depende do ponto de vista, mas achamos que sim. A indústria está completamente desorientada, ninguém sabe bem como vão ser as coisas daqui a uns anos… Não é fácil editar um disco, ter uma boa distribuição e promoção. É preciso trabalho, insistência e acima de tudo acreditares naquilo que fazes!

Fenther – E pô-los a tocar por ai?
Norton – Mais difícil é… As salas em Portugal são poucas, muitas das vezes as condições não são as melhores, e agora com a crise mais difícil fica! Mas lá está, com vontade tudo se consegue, é preciso acreditar naquilo que se faz!

Fenther – Por onde vão andar a mostrar este novo registo?
Norton – Estamos a marcar espectáculos por todo o país. Um dos nossos principais objectivos com este disco é tocar ao vivo o máximo possível. Foi um disco feito a pensar nos espectáculos ao vivo e é aí que o queremos mostrar. Temos também datas confirmadas em Espanha, e esperamos no início do próximo fazer outra Tour pela Europa, para repetir o que fizemos no final de 2009.

Fenther – Ao vivo tem alguma particularidade extra do disco? Como se apresentam ao vivo?
Norton – Ao vivo tentamos ser o mais fiel ao disco possível!
“Layers of Love United” ao vivo é um espectáculo intenso, pensado para a festa, para cantar e dançar!

Fenther – Há mais portas abertas em Castelo Branco para os Norton? E internacionalização?
Norton – Depende, não tanto como gostaríamos, mas vai melhorando com o tempo. A nível de publico está melhor que nunca, e agradecemos imenso às pessoas por isso!
A internacionalização sempre foi um dos nossos principais objectivos, estamos sempre a trabalhar nisso. Como falei anteriormente, o disco vai ser editado no Japão e já está disponível em Espanha, onde já temos alguns espectáculos marcados.

Fenther – Como vêem a actual musica feita em Portugal? De boa saude?
Norton – Sim, existem bastantes bandas a fazer muito boa música por aí, outras nem tanto, mas há movimento e isso é que interessa!

Fenther – Uma ultima mensagem...
Norton – LAYERS OF LOVE UNITED

Vitor Pinto






O Fenther falou com os Godog na apresentação do album de estreia.
A boa disposição da banda de Barcelos que promete fazer estragos a curto prazo.

Fenther – Como estão os Godog em 2011?
Godog – RIJOS!!

Fenther – O que mudou desde a vossa ultima edição até agora?
Godog – Bem, mudanças existem sempre, aprendemos muito, tocamos muito e crescemos com todo o caminho que fizemos até aqui. Mas a mudança que podemos salientar, é o facto da Bárbara ter-se transformado num membro integral da banda, desde a ultima edição (EP Balance between lines), a partir daí fomos homogeneizado a banda que culmina nos 6 elementos. Desde então o processo criativo e de trabalho já conta com a totalidade dos mesmos.

Fenther – Satisfeitos com o vosso álbum de estreia "Tell me a Story"?
Godog – Sim, muito. Marcamos com este álbum uma etapa percorrida até então. Temos temas novos, outros re-editados com novos arranjos e a receptividade por parte do público tem sido muito boa mesmo.

Fenther – Há convidados neste trabalho?
Godog – Não, Quem sabe no próximo, mas gostava-mos de salientar e agradecer a cedência dos direitos da versão "A vaca de Fogo " (Madredeus) ao Sr. Pedro Aires Magalhães, Gabriel Castro e ao Rodrigo Leão que acabou por ser o elo de ligação entre nós. Eles ouviram o tema e aprovaram a edição no álbum. É gratificante !!!

Fenther – Foi complicado pô-lo cá fora?
Godog – Não foi difícil, e temos que agradecer à Soulfly tattoos pela Edição deste álbum, São amigos que acreditam no nosso trabalho, e fazem neste momento parte da estrutura que queremos cimentar. A apresentação do álbum no C.C.O foi calorosa, recebemos mais de 350 pessoas no anfiteatro.

Fenther – Em Barcelos há uma enorme fonte de criatividade musical em todos os estilos. Concordam?
Godog – Sim, sem dúvida, temos bandas para todos os estilos com a sua inerente qualidade, recentemente numa edição do JN catalogaram barcelos "A Capital do Rock" ou "Seattle Portuguesa", e não é exagero nenhum, e quem conhece a "cena" musical Barcelense nos últimos anos chega a essa conclusão.

Fenther – E locais para tocar? Apoios? Incentivos?
Godog – Locais para tocar cada vez ha mais, os eventos e festivais já começam a marcar presença na "agenda" do público, é preciso trabalhar e tentar sempre tocar nos melhores e gratificantes eventos para promover e mostrar o nosso trabalho ao vivo. Quanto aos Apoios e incentivos, podemos contar com associações culturais por vezes com a ajuda de municípios, festas underground, e acima de tudo os nossos fãs e público que nos apoiam imenso.

Fenther – Por onde vão andar a promover este vosso disco?
Godog – Neste momento temos duas fnacs no Porto onde vamos fazer o nosso showcase, e o GSM fest 2011 em Barcelos que este ano conta com um cartaz poderoso, como nomes até agora confirmados Paradise Lost, Church of Misery, EyeHateGod, More than a thousand, men eater, Shamans of Rock e Cold Fear. Fora estas datas estamos a agendar mais concertos para vários pontos do País, todas as oportunidades para tocar são bem vindas.

Fenther – Onde querem chegar os Godog?
Godog – Bem, nós queremos chegar a toda a gente, e esperar que as pessoas se identifiquem com a nossa música como nós. A partir daí o futuro o dirá. Mas até agora o percurso foi bastante gratificante.

Fenther – Como vêem vocês o estado da musica feita em Portugal?
Godog – Portugal respira uma enorme diversidade musical, embora o mercado de consumo, nomeadamente mainstream, seja bastante restringido. A "exportação" de bandas é reduzida, penso que deviam existir mais iniciativas e apoios para espalharmos mais a música Portuguesa pelo Mundo. Mas vemos com bons olhos o futuro.

Fenther – Ultimo grito.
Godog – Apoiem a musica portuguesa!

Vitor Pinto






O Fenther apanhou os Kandia na apresentação do novo album da banda.
A conversas descontraida com a banda de "Inward Beauty | Outward Reflection".

Fenther – Como estão os Kandia actualmente?
Kandia – Estamos neste momento em fase de preparação de alguns concertos lá por fora, continuamos a promover o nosso álbum e gravamos agora o videoclip para o tema "Into your Hands".

Fenther – Um regresso muito desejado após a paragem para as gravações? Ansiosos por voltar aos palcos?
Kandia – Já temos actuado após o lançamento do álbum, estar em palco é sem dúvida alguma aquilo que mais gostamos de fazer, mas já temos a cabeça a funcionar para um próximo trabalho! Mas, para já, queremos dar um saltinho fora de Portugal.

Fenther – Foi complicado toda a elaboração deste disco? Foi dificil pô-lo cá fora?
Kandia – É sempre mais complicado quando não tens uma editora a trabalhar contigo e a ajudar na promoção, mas passo a passo vamos conseguindo fazer o que é suposto. Uma coisa é certa, é um trabalho muito suado e muito sentido, sem dúvida.

Fenther – Satisfeitos com o resultado final?
Kandia– Sim, estamos satisfeitos com o resultado mas achamos sempre que podiamos ter feito melhor, acho que é inevitável qualquer música pensar isso!

Fenther – Convidaram alguém para se juntar aos Kandia nas gravações e na produção final?
Kandia – O Daniel Cardoso produziu e gravou pianos e baterias no álbum.

Fenther – Já sentiram criticas a este vosso trabalho? Como reagem vocês às menos boas?
Kandia – De facto não nos podemos queixar, só temos tido boas críticas, quanto às más se as houver desde que sejam construtivas são aceites de bom grado e fazem-nos crescer.

Fenther – Começaram já a rodar as novas canções ao vivo? Por onde?
Kandia – Quando o álbum saiu em Fevereiro de 2010 arrancamos logo com os concertos de promoção, um ano depois decidimos dar uma frescadela na setlist para os próximos concertos. Andámos pelo norte e sul do país.

Fenther – E as próximas datas?
Kandia – As próximas datas são em Espanha, mas estamos a tentar fazer mais algumas datas aqui em Portugal nos próximos meses.

Fenther – Como está a musica nacional na vossa opinião?
Kandia – Esse é o velho tema de "não bater mais no ceguinho". Está tudo na mesma, não vale a pena aprofundar (lol).

Fenther – Os apoios continuam escassos? E os locais para tocar? Já há mais oferta?
Kandia – O Hard Club reabriu e trouxe alguma esperança, já cá fazia falta! De resto não notamos grandes diferenças no panorama musical/bares/apoios, está tudo igual... com os seus inúmeros defeitos e poucas virtudes.

Fenther – Onde querem chegar os kandia?
Kandia – Sempre mais longe!

Fenther – Um ultimo grito...
Kandia – Era óptimo que as bandas portuguesas se unissem em vez de criarem um campo de batalha entre elas!

Vitor Pinto






Os Glockenwise estão de regresso. O Fenther apanhou-os em plena apresentação do novo album "Building Waves".
Esta malta está viva e recomenda-se!

Fenther – Como estão os Glockenwise actualmente? Houve alterações desde a vossa ultima edição?
Glockenwise – Acima de tudo bem dispostos, muito entusiasmados com a edição do nosso primeiro disco, Building Waves. A principal alteração foi sem dúvida perder um frontman para se ganhar uma guitarra: foi um pena amputar assim a liberdade a um frontman, mas com outra guitarra e uma atitude ainda mais alegre e descomprometida ganha-se muito mais que isso, a banda torna-se um frontman.

Fenther – Continuam com a mesma atitude? Onde querem chegar vocês?
Glockenwise – A atitude está um pouco na génese do que fazemos, alterar isso seria descaracterizar os The Glockenwise. A nossa forma de estar perante a música não é muito diferente da nossa forma de estar no quotidiano, portanto era inconcebível continuar este projecto se algum de nós tivesse intenções ou ambições intoleravelmente diferentes das do grupo em relação ao estilo de música e maneira de a fazer. Nós queremos tocar muito mais para mais pessoas, nada mais simples.

Fenther – Um novo album "Building Waves"... Satisfeitos com o resultado?
Glockenwise – Quando vais gravar um disco levas na cabeça uma ideia pre-concebida de como ele vai soar. Escusado será dizer que no final do processo ele nunca soa exactamente como achavas que ia soar, mas depois de ouvir um bilião de vezes o disco é seguro dizer que estamos muito satisfeitos com o resultado. Trabalhar com o Paulo Miranda é sempre uma experiência estimulante.

Fenther – Tem havido boas criticas ao disco. Como reagem às más criticas?
Glockenwise– Sinceramente ainda não li nenhuma má crítica ao Building Waves. É mais comum encontrarem-se comentários anónimos em blogs de segunda categoria a desferir insultos vulgares, mas esses só servem mesmo para rir.

Fenther – Os concertos como tem corrido?
Glockenwise – Tentámos tocar com a mesma entrega para 10 ou para 300 pessoas. Os de 300 pessoas costumam ser brutais.

Fenther – Por onde vão estar em breve?
Glockenwise – Dia 26 de Fevereiro tocámos no Hard Club com os selvagens israelitas Monotonix e com os nossos vizinhos Larkin, de Viana do Castelo no Hard Club. Depois dia 4 de Março no Kastrus em Esposende e no fim de semana seguinte em Cantanhede no Rock no Monte (11 de Março) e Musicbox (12 de Março).

Fenther – Continuam a construir ondas ("Building Waves") por Barcelos. Querem por a cidade a mexer? Tarefa complicada...
Glockenwise – Não é complicada, é impossível. Além do mais não podia estar mais longe dos nossos objectivos. Queremos ver até onde chega a "onda", quanto mais longe de Barcelos melhor.

Fenther – Que soluções vocês encontram para cidades como Barcelos, se virarem mais para a musica e para a cultura?
Glockenwise – Nós limitámo-nos a dar concertos. As soluções têm de ser encontradas pelos órgãos eleitos para esses efeitos. Mas sinceramente: abrir o Teatro Municipal Gil Vicente e garantir-lhe uma boa programação, bem como apoiar iniciativas como o Festival Milhões de Festa, tendo em consideração o tempo e trabalho exigido para a organização de um festival deste género, eram boas formas de começar.

Fenther – Gostariam que houvesse mais apoios e locais para tocar em Barcelos? Ou continua a ser preferivel "exportar" o vosso talento para outras cidades mais abertas?
Glockenwise – A ideia de ser a "equipa da casa" não é só ridícula como algo que queremos evitar a todo o custo. É óbvio que queremos tocar em Barcelos e apresentar o nosso disco, e fazer isso num espaço com o mínimo de condições, mas tocar mensalmente em Barcelos é tudo menos o motivo pelo que começámos a banda.

Fenther – Como está a musica nacional na vossa opinião?
Glockenwise – Boa de saúde. Há muitos projectos entusiasmantes e cada vez mais pessoas interessadas e a melhor parte é que não é um movimento macrocéfalo focado em Lisboa.

Fenther – Projectos futuro... Já existem ideias e vontades?
Glockenwise – Para já tocar muito o Building Waves e exportá-lo para os sítios mais distantes. Há algumas ideias, mas para já está tudo em aberto.

Fenther – Como porta estandarte da nova musica feita a Norte, que mensagem querem deixar ficar aqui?
Glockenwise – Para aqueles miúdos do secundário que estão tão fartos de não fazer nada quanto eu estava: não desistam e façam as cenas com estilo, tenham uma atitude alegre e aberta e vão ver que ainda vão viver muito.

Vitor Pinto






Supreme Soul de regresso. O Fenther apanhou-os na apresentação do single "The Perfect Place For Us".

Fenther – Uma longa espera entre o vosso EP e este novo single. Foi preciso afinar tudo e voltar à carga?
Tiago Nobre Dias – Depois do EP “Love and shadows” decidimos que era então o momento de gravar um disco de longa duração. Foi um longo processo, pois para além da composição de temas novos, pretendíamos incluir no álbum algumas canções que fizeram parte dos dois EP’s anteriores. Penso que se tornou mais complexo do que se esperaria. Pretendíamos renovar a sonoridade mas ao mesmo tempo teríamos que respeitar a essência e o espírito dessas canções. Para além disso, fomos sempre muito exigentes em todas as fases de produção do disco. Porque sabíamos o que queríamos atingir. Porque os nossos objectivos estavam bem definidos, e era nossa a responsabilidade de corresponder aos desafios colocados por nós próprios. Entendemos abdicar da variável “tempo” para que o disco, idealizado como um todo, fosse de facto uma realidade actualmente. Todas as decisões tomadas relativamente ao nosso percurso como banda estão justificadas. Estamos muito satisfeitos com o resultado final. Durante esta longa espera, a nossa atitude foi a de uma entrega total ao novo trabalho.

Fenther – Como estão vocês actualmente? O Que mudou?
Tiago Nobre Dias – Em termos de sonoridade, continuamos a explorar os ambientes dos finais da década de 70 e dos anos 80. Nesse aspecto, não vamos desiludir o nosso público! No entanto, sem querer desvendar muito daquilo que é o “No One’s All” penso que apresentamos actualmente um som mais agressivo e com melodias mais intensas. Ao mesmo tempo, considero que a carga emocional e sentimental da nossa música é maior.
Como banda, continuamos fiéis aos nossos princípios e à nossa identidade. Acima de tudo somos grandes amigos, e isso alimenta verdadeiramente a coesão de um grupo. Em todas as situações soubemos colocar sempre os interesses colectivos como prioritários e inabaláveis, em prol dos individuais. Na verdade, talvez as principais mudanças tenham ocorrido mesmo ao nível pessoal…

Fenther – Estão a promover o vosso novo videoclip para este novo single?
Tiago Nobre Dias – Sim. O lançamento do videoclip foi dia 24 de Novembro e o impacto do mesmo tem superado as nossas expectativas. É um motivo de orgulho, não só para os Supreme Soul como também para toda a equipa que concretizou este projecto, que na nossa opinião realizou um trabalho fantástico.

Fenther – Em poucas palavras descrevam o video para quem ainda não o viu.
Tiago Nobre Dias – O vídeo retrata uma história entre duas pessoas que partilham lugares e sentimentos, e a relação ou não relação entre o amor e o destino. Peço desculpa pela ambiguidade da resposta, mas a história tal como é contada, sugere diversas interpretações plausíveis. E é muito interessante verificar isso através das conclusões que o público tem retirado, como se de um filme se tratasse. Gostaríamos de preservar esta particularidade do videoclip.

Fenther – E o album? Para quando?
Tiago Nobre Dias – O álbum estará concluído em Dezembro. Estamos a terminar as misturas finais para a posterior masterização. Pretendemos que o disco esteja disponível ao público a partir de Janeiro de 2011.

Fenther – Tem tocado ao vivo? Por onde?
Tiago Nobre Dias – Fizemos uma pausa para nos dedicarmos inteiramente ao trabalho de estúdio. Mas claro, em 2011 vamos voltar a tocar ao vivo para apresentar o “No One’s All”. As saudades dos palcos já são muitas…

Fenther – Para saber das vossas movimentações onde vos podemos encontrar?
Tiago Nobre Dias – Estamos presentes no Facebook, MySpace, Palco Principal e Last Fm. O lançamento do nosso site oficial em www.supremesoul.com também está para breve.
Porém, quem desejar receber todas as novidades do grupo, basta enviar uma mensagem através das redes sociais ou um e-mail para mail@supremesoul.com, e passará a constar da nossa mailing list.
http://www.facebook.com/pages/Supreme-Soul/116287431554
www.myspace.com/supremesoulmusic
www.palcoprincipal.com/supremesoulmusic
www.twitter.com/supremesoulpt

Fenther – Com está a musica nacional na vossa opinião?
Tiago Nobre Dias – Temos grandes artistas e música de qualidade em Portugal. Contudo, penso que no nosso país se trabalha por vezes de uma forma isolada e pouco concertada. Precisamos de mais parcerias e sinergias entre artistas, bandas, meios de comunicação social, agentes, promotoras, casas de espectáculos, etc., para contribuirmos de forma efectiva para a evolução sustentável da música nacional. Mas atenção, refiro-me apenas à óptica de mercado. Porque a qualidade e diversidade da música portuguesa está claramente salvaguardada. Talvez com um pouco mais de visibilidade ao que se faz por cá… e não falo só de música, mas sim da arte em geral.

Fenther – Mensagem final...
Tiago Nobre Dias – A todos os nossos fãs e amigos, muito obrigado pelos vossos comentários, pelas palavras, por todo o apoio.
Um agradecimento ao Fenther pela oportunidade que nos foi dada, tanto agora como desde sempre.

Vitor Pinto






Valeu bem a espera de muitos anos, para saborearmos a segunda vez deste musico portuense. Nuno Prata.

Fenther – Como está Nuno Prata actualmente?
Nuno Prata – Bem, obrigado.

Fenther – Uma longa paragem emtre o primeiro e o segundo disco. Foi necessaria esta paragem tão longinqua?
Nuno Prata – Foi o tempo suficiente para me afastar da música e acabar o curso, ser pai, arranjar um emprego e voltar à música.

Fenther – Satisfeito com o resultado deste trabalho?
Nuno Prata – Muito. Sobretudo porque legitima o primeiro e perspectiva o terceiro.

Fenther – Como tens reagido às criticas dele?
Nuno Prata – O que tenho lido tem sido simpático para com o disco. Fico contente, obviamente.

Fenther – Onde buscas a tua inspiração?
Nuno Prata – As canções nascem sobretudo da tentativa de resolver as minhas questões comigo, com os meus e com o mundo.

Fenther – Já pensaste em escrever e cantar numa lingua estrangeira?
Nuno Prata – Se partir do pressuposto que não domino gramática, fonética e semântica, até consigo imaginar com interesse a ideia de escrever e cantar numa outra língua.

Fenther – Os concertos ao vivo como estão a correr?
Nuno Prata – Bem.

Fenther – O palco será apenas constituido por ti, ou terás outros musicos a acompanhar?
Nuno Prata – Os concertos são em trio, na companhia dos músicos que já tocavam comigo: Nico Tricot e António Serginho.

Fenther – O que podemos esperar no futuro da tua veia de cantautor?
Nuno Prata – Sinto aqui uma coisa a fervilhar, mas ainda não sei o que é.

Vitor Pinto






Peixe:Avião. Editado neste final de ano, o segundo longa duração dos bracarenses, prova ser das melhores colheitas do presente ano.

Fenther – Há uma nova "Madrugada" no universo Peixe:Avião?
Peixe:Avião– Há uma vontade de mostrar e ao mesmo tempo tentar definir a música que fazemos, atribuir-lhe um cunho reconhecível, caracterizá-la com os nossos adjectivos. Assumimos este projecto na perspectiva de construir uma carreira. Nesse sentido, nos três anos da nossa existência, temos estado a aprender, com erros e sucessos que vamos angariando ao longo do percurso. Recolhemos experiência através do álbum anterior (“40.02”), e assim tentámos criar um disco que - pelo menos para nós - em tudo fosse melhor que o antecessor, reflectindo a maturidade que o tempo e as experiências nos trouxeram.

Fenther – O que se alterou entre "40.02" e este vosso novo disco?
Peixe:Avião – Acima de tudo tivemos muito mais tempo para idealizar e concretizar o "madrugada", do que o "40:02". Esse tempo extra permitiu-nos reflectir mais aturadamente sobre todo o processo criativo, de modo a apurar a nossa identidade.

Fenther – Este é um disco mais maduro. Estão de acordo?
Peixe:Avião – É esse o nosso desejo. É óbvio que passou mais tempo sobre o nascimento da banda e que, portanto, nos conhecemos melhor enquanto banda. Por outro lado, todo o processo criativo foi mais aturado, como referi anteriormente, e esperamos que isso se tenha reflectido numa sonoridade mais madura.

Fenther – Há convidados neste disco?
Peixe:Avião – Sim, tivemos a participação da Manuela Azevedo, num tema, e do Bernardo Sassetti, em dois. Foi um trabalho bastante frutífero, na nossa opinião, tanto do ponto de vista do resultado final, como da nossa aprendizagem das suas formas de trabalho que são preciosas para nós, tendo em conta a experiência e a qualidade das suas carreiras.

Fenther – Foi dificil ultrapassar o peso complicado do segundo álbum?
Peixe:Avião – Embora tivéssemos a noção de que o segundo álbum é uma espécie de obstáculo para qualquer banda, nós colocamos sempre bastante pressão sobre nós próprios, e acho que essa pressão interna foi mais importante e positiva para nós, do que qualquer outra.

Fenther – Satisfeitos com o resultado?
Peixe:Avião – Sim, este álbum é um grande salto para nós, pelo menos na nossa opinião. Pensamos que é mais exigente e mais abrangente, simultaneamente e isso era precisamente o que procuravamos. Claro que, por outro lado, há sempre coisas que podemos melhorar e algumas de que só com o tempo nos poderemos vir a aperceber completamente.

Fenther – Por onde vão acontecer as apresentações ao vivo?
Peixe:Avião – As festas de lançamento deste disco vão acontecer neste mês de Outubro, dia 9 no Theatro Circo de Braga, e no dia 14 no Lux de Lisboa. Temos feito showcases nalgumas fnacs de modo a promover a compra do disco, que assumiu a forma de disco-bilhete (a compra do álbum dá direito a assistir qualquer um dos concertos de lançamento a acontecer em Braga ou Lisboa).

Fenther – Qual o caminho a seguir? Mais novidades para breve?
Peixe:Avião – Pretendemos ainda este ano, e sobretudo para o início de 2011, marcar vários concertos para mostrar este e o anterior álbum no palco, seja em auditórios, festivais, etc. A seu tempo, o próximo álbum irá começar a formar-se, mas para já queremos que as pessoas venham descobrir a nossa música, seja no disco ou ao vivo.

Fenther – Mensagem final...
Peixe:Avião – “A pedra que deve ser polida merece a paciência do artesão, senão, jamais as asperezas serão eliminadas.” - salomão

Vitor Pinto






(aura)

Um projecto bastante interessante tendo o Outono como horizonte. O discurso directo no Fenther por entre um imaginário fotográfico...

Fenther – Como nasceu este projecto?
(aura) – No início do ano de 2008 descobri o trabalho fotográfico do José Ramos e a força e expressão das imagens facilmente me levaram a me perder nos cenários e, inconscientemente, tomei- os como ponto de partida para viagens imaginárias. Nessa mesma altura também estava a sentir uma palpitante necessidade de criar algo verdadeiramente pessoal pois, a nível musical, estava envolvido em algumas bandas – onde o caminho é fruto de um bolo dinâmico de vontades – e compunha música para televisão e publicidade, estando muito amarrado a directivas que não dependiam (só) de mim. Essa imensa vontade de total liberdade criativa começou-se a materializar com a descoberta das fotos pois aí tive a ideia de criar um álbum conceptual inspirado nesse imaginário. Contactei o José e confrontei-o com o desafio tendo ele acedido imediatamente a ceder-me o seu espólio de onde escolhi as dez fotografias que se transformaram nos actos de invisible landscape.

Fenther – Tentaste criar algo de novo? Algo diferente?
(aura) – O objectivo nunca foi esse: deliberadamente tentar criar algo diferente ou original. Tendo como base o facto de não me querer impor barreiras criativas ou estilísticas de qualquer tipo, a fusão entre várias influências e estéticas sonoras foi algo que aconteceu de uma forma natural e orgânica. Ter, por exemplo, uma estrutura rítmica completamente mindfuck e labiríntica transvestida com um som poeirento de bateria de sótão a acompanhar uma peça clássica mesclada com um som podre de teclado não me parece uma incoerência absurda mas sim uma possibilidade com um potencial interessante. Como tal, neste disco podem sentir um pouco de tudo o que gosto e me influencia, desde peças orquestrais a Post Rock, Dubstep, Mathrock, Darkwave, Indie, World Music, Psychedelic, Shoegaze, Música Clássica, Electronica, Sound Design, etc. O grande desafio ao misturar todos estes ingredientes foi faze-lo de forma coesa e orgânica, sempre em prol das próprias músicas. Todo este processo multi-direccional tinha que ter um sentido uno e não soar como uma manta de retalhos. Claro que a produção também foi feita nesse sentido mas a nível formal e estético tentei criar um organismo mutante mas saudável e (até) funcional. Em suma, sendo este trabalho fruto de uma intensa e diversificada amálgama é natural que tenha uma sonoridade muito vincada e própria, para o bem e para o mal. A mistura de várias formas (aparentemente) antagónicas prende-se com o meu próprio mapa pessoal. No meu auto-rádio tanto sai The Dillinger Escape Plan como Vampire Weekend. De Alcest, Boyz Noiz, David Lynch, Lula Pena, Daniel Johnston, Venetian Snares ou Tiago Guillul a Nathan Larson, Beirut, Múm, MGMT, Behold… The Arctopus, Burial, Kayo Dot, Verdi ou Neurosis.

Fenther – Foi difícil editar este disco?
(aura) – Foi. Em primeiro lugar porque não é um produto etiquetado, direccionado para um determinado target. Reunir um conjunto de editoras que achasse que poderiam estar interessadas neste disco não foi fácil porque não há assim tantos selos vocacionadas para projectos experimentais e originais, especialmente que estejam a assinar artistas novos. Terminei o disco em inícios de 2009 – no pico da crise económica global – e, para além de ter recebido muitas respostas do género “…Gostávamos mesmo de edita-lo mas agora é complicado…” tive tudo quase acertado com duas editoras da cena alternativa que faliram/ ficaram em stand by antes de fecharmos o acordo. Depois de ter perdido a energia para continuar à procura de uma solução convencional para editar o disco – e vendo outros projectos e amigos, com música muito interessante, na mesma indefinição – decidi criar a netlabel Abutre, uma plataforma online que lança e promove discos, em formato digital, sendo o download gratuito. Lancei o álbum originalmente através da Abutre em 2009 e este criou imediatamente algum impacto na cena da música gratuita global tendo sido indicado pelo website Norte-Americano Sputnik Music como um dos discos mais interessantes desta nova tendência de lançamentos digitais. Por força desta visibilidade na internet a editora Romena Valse Sinistre (que se dedica a música experimental e fortemente emocional e tem um roster de artistas muito eclético e interessante) contactou-me dizendo que tinham adorado o disco e o queriam lançar. Imediatamente “cancelei” o lançamento da Abutre, tendo tornado esse lançamento digital numa espécie de edição limitada, uma vez que só esteve online perto de um mês. Cerca de quatro meses depois de assinar com a Valse Sinistre o disco está cá fora.

Fenther – Em Portugal é complicado editar discos na tua opinião?
(aura) – Sempre foi difícil haver uma verdadeira indústria musical em Portugal porque a força de sermos poucos é algo de irreversível. Para uma editora, o investimento de fabricar um disco é o mesmo em Inglaterra, nos EUA ou em Portugal mas as plataformas de venda e o número de clientes em potencial é incomensuravelmente mais pequeno no nosso país. Isto afecta a indústria mainstream – por não haver cashflow para investir em grandes manobras promocionais – mas também faz com que não haja uma cena marginal editorial que sirva de forma contínua e profissional os subgéneros mais escondidos. Mesmo quando se vendiam discos nunca tivemos muitas soluções profissionais (e um verdadeiro mercado) para bandas de Metal, Dance Music, Punk ou Hip Hop. As editoras que existiram viveram sempre em contínuo sufoco financeiro e funcionavam com o esforço dos seus criadores. Nesta fase da indústria, onde as vendas são mínimas, praticamente não temos mercado. Os artistas de top vivem dos concertos e do merchandising e as nossas majors assinam cada vez menos bandas e quando o fazem é sob condições constrangedoras. Neste cenário, é óbvio que é inviável haver editoras Portuguesas de Stoner ou de Ska, que ofereçam condições profissionais aos nossos melhores artistas. Só tenho 28 anos mas a julgar pelo espólio de vinyl do meu pai, quer-me parecer que durante os anos 70 e 80 havia uma legítima admiração e respeito pela criação nacional e os nossos discos tinham a mesma relevância comercial do que o que vinha de fora. O que me parece é que os anos 90 foram absolutamente desastrosos e a indústria arruinou esse estatuto, por dois motivos. Primeiramente porque se começou a dar primazia ao fácil e oco e se apostou em vender sempre as mesmas bandas e fórmulas banais. Segundo, porque se caricaturou as bandas nacionais ao só apostar no mais desinteressante. Convenhamos de forma honesta, se lá de fora vinham todo o tipo de propostas refrescantes, bem tocadas e desafiadoras aqui levávamos com pop tosco e insosso e com entretenimento musical de gosto absolutamente duvidoso. Essas bandas medianas foram transformadas no porta-estandarte da música nacional e creio que isso afastou o grande público das bandas e dos discos Portugueses mas felizmente essa tendência parece-me estar a mudar, até porque temos, e sempre tivemos, grandes artistas e bandas, nos mais variados estilos.

Fenther – Estás satisfeito com o resultado final?
(aura) – Sim, fiquei bastante satisfeito. Para além de ter tratado de tudo o que diz respeito ao lado musical e da produção também desenhei todo o artwork, ou seja, ficou tudo sob a minha alçada, o que torna todo o processo mais fácil e prático. Devido ao facto de terem passado vários meses desde a conclusão do disco até este ser editado em CD tive muito tempo para repensar a mistura, a masterização e o lay-out. Comparando com o lançamento original da Abutre, acabei por ter tempo para enriquecer ainda mais o desenho da capa, adicionei mais alguns layers a algumas músicas e voltei a masterizar todo o disco. Portanto, a configuração CD que agora é apresentada é quase como uma versão 2.0 de invisible landscape e aquele interregno de indefinição acabou por ser muito positivo para o trabalho poder amadurecer a um ritmo natural, em lume brando. Um pormenor que aprecio bastante é o facto do booklet – que apresenta todas as fotos – ter sido impresso em papel fotográfico, o que dá bastante brilho e força às imagens.

Fenther – Há convidados neste disco? Quem são?
(aura) – Há dois grandes amigos de infância, com os quais cresci e partilhei vários palcos e garagens, que aparecem como convidados neste disco. Roubei ao baixista Bruno Santos (aka Skimy Farrow) os tappings que podem ouvir no tema nove, warm winter, e a partir daí teci toda a malha. Queria muito incluir o Bruno neste disco porque a sua maneira de tocar e a beleza harmónica das suas composições sempre foram uma fonte de inspiração para mim. Acaba por só entrar num tema mas num próximo álbum quero usurpar-lhe muitas mais notas. O outro caso é ainda mais interessante pois tinha decidido criar um disco exclusivamente instrumental – e assim o fiz, até ao penúltimo tema – mas quando cheguei ao último capítulo senti que faltava uma presença humana, digo assombrosamente humana. Achei que daria força ao disco quebrar um pouco com um certo abstraccionismo e dar-lhe o rumo concreto de uma voz, de uma palavra. Não que a letra queira levar o ouvinte a algum lado - até porque o objectivo desta viagem é apenas fornecer cenários e Banda Sonora - mas acaba por ser um regresso a nós mesmos, depois de um mergulho em queda livre num mundo por explorar. Olhando para a foto pareceu-me claro que a voz que encaixaria na perfeição seria a de Jóni Vieira (na altura nos The Other Side e agora a solo com 1 is the Lonely Number). O processo foi muito simples, enviei-lhe a foto e disse-lhe para escrever um poema. À noite entrámos no estúdio e uma garrafa de whisky depois estávamos numa roulote a comer um kebab, com vista para o Douro, já com o tema gravado.

Fenther – Vais andar na estrada a promover "Invisible Landscape"?
(aura) – Como deves calcular, tocar este álbum ao vivo - de forma fidedigna - implicaria arranjar dezenas de músicos de áreas completamente distintas e tentar criar e coordenar esta orquestra híbrida seria um trabalho complexo e, porque não admiti-lo, extremamente dispendioso. Caso conseguisse montar toda esta estrutura e conseguíssemos interpretar o álbum com a emoção e forçaa que nele sinto, acho que seria um projecto e uma experiência fabulosa mas de uma forma realista devo admitir que isso não deverá acontecer. Já pensei em fazer algumas versões mais minimais e até reinventar um pouco os temas mas nada de muito concreto, para já. Aliás, a única reinvenção que fiz, para já, até dificultou mais a tarefa pois criei uma versão orquestral do primeiro tema do disco (the furious march) para a cena inicial do filme Português Um Funeral à Chuva. Portanto, a grande promoção que o disco terá será mesmo a imprensa escrita, a internet e (espero) as pessoas.

Fenther – Ideias para o futuro?
(aura) – Bem, a curto prazo tenho algumas coisas interessantes a acontecer. Em primeiro lugar, criei dez temas originais para a Banda Sonora do filme do realizador Telmo Martins “Um Funeral à Chuva” e a Lusomundo deverá editar o DVD (possivelmente incluindo a Banda Sonora) já em Outubro. Tenho uma banda chamada Irmãos Brothers e vamos gravar em breve 4 temas para um split CD que sairá por uma editora Norte-Americana. É um Mathrock n’ Roll absolutamente psicadélico com toques de Stoner e Prog. Podem ouvir o primeiro single “Já cedo a sombra se pôs (no poço negro)” no nosso Myspace. Em breve gravarei mais um ep para Ghost Orchid e o tema de estreia dos Musgo, um trio que partilho com o Skimy Farrow e Max Tomé. No meio de tudo isto, e já com outras criações para cinema no horizonte, irei começar a compor o próximo disco de (aura), para o qual ainda não tenho qualquer ideia. Em relação à Abutre Netlabel, em breve irá sair uma compilação gratuita, em formato digital, chamada “New Gaze of Portuguese Rock” que contará com temas (alguns inéditos e studio outtakes) de Miss Lava, Dawnrider, 1 is the Lonely Number, Laia, Löbo, Irmãos Brothers, Black Bombaim, Haniak, Manuel Gião, Alice in Wonderland Syndrome, etc. Para saberem de todas as novidades basta irem ao website da Abutre onde também podem fazer o download de todo o catálogo.

Fenther – Como vês a musica nacional actualmente?
(aura) – Independentemente do que falámos em cima e de praticamente não haver uma verdadeira indústria com espaço para subcategorias e um circuito amplo com condições e público para as bandas se fazerem à estrada, acho que a nível criativo estamos em grande forma e muito mais descomplexados e aventureiros. Isso também tem a ver com as transformações sofridas na mentalidade desta nova geração. Se vivemos uma década passada de caixotes em zonas industriais onde se asfixiava ao som de follow the leaders e love generations (generalizando a tendência dominante) agora testemunhamos um regresso às ruas e, basicamente, ao mundo. E nas ruas outrora desertas as pessoas trocam ideias, e crescem bares, e crescem palcos, e crescem galerias de arte, e isso traz promotoras, traz público e traz vida. Se passeassem à noite pela cidade do Porto há 8 anos atrás nem o mais optimista previa o turbilhão que se levantou nos últimos anos e o número de novas salas e pessoas que atacaram os becos com um genuíno entusiasmo. E o processo é recíproco, o meio também influencia a matéria e considero que vivemos uma fase muito produtiva e efervescente, com tendência para continuar a crescer. Vejo mais espaços alternativos e salas com bom gosto e condições, vejo festivais e concertos de estilos marginais com hype e público, vejo grandes centros de artes com uma programação mais arrojada, vejo novas promotoras com personalidades bem vincadas que trazem a Portugal arte com relevância contemporânea e vejo muita música a ser produzida, essencialmente. No meio de tudo isto vão-se fazendo bons discos e vejo os artistas nacionais a ganhar espaço nas rádios, nos media e nos festivais comerciais pois regressaram a um ponto onde conseguem surpreender e entusiasmar o público. Pessoalmente ouço muita música nacional e há muitas bandas e discos que preenchem obrigatoriamente as minhas playlists.

Fenther – Ultima mensagem...
(aura) – Em primeiro lugar agradecer o facto de estarem a dar espaço a este projecto e, na continuação da resposta seguinte, enaltecer o papel da imprensa online na revitalização da criação musical Portuguesa. Em relação a invisible landscape, podem ouvir o álbum na íntegra no Last FM e saber mais informações no Myspace. Podem adquirir o disco através do website da Valse Sinistre e, claro, para acompanharem todas novidades de (aura) e de todos os projectos da Abutre Netlabel é só se juntarem a nós no Facebook.

Vitor Pinto






Pop Dell'Arte

Um dos regressos mais aguardados de sempre, comentado aqui, nas palavras sabias do irreverente João Peste.

Fenther – Como estão os Pop Dell'Arte actualmente?
João Peste – Estão bem muito obrigado!

Fenther – Quase vinte anos de carreira sempre sem grandes pressões. Como conseguiram tal feito?
João Peste – Não sei se conseguimos isso! Sem pressões ? O que houve mais foi pressões e continua a haver, aliás...

Fenther – Sentem-se um mito vivo?
João Peste – Antes um mito vivo do que morto, lol. Mas não, não nos sentimos como um mito... Vivos estamos, alive and kicking e... fucking forever como cantamos na letra do Electric G.

Fenther – Esperaram pelo tempo certo para editar este vosso novo album?
João Peste – Não sei o que é o tempo certo, mas espero que seja o disco certo. Não nos preocupámos assim muito com o tempo, mas em que o disco ficasse como queriamos... e, em parte, conseguimo-lo!

Fenther – Mesmo demorando 15 anos entre "Sex Symbol" e este "Contra Mundum"?
João Peste – Já vi que são excelentes a aritmética... Pois foi, passaram exactamente 15 anos entre o "Sex Symbol" e este "Contra Mundum". Curiosamente, não tenho cabelos brancos, ainda! Não sei se conseguirei repetir esta proeza daqui a 15 anos ou quando for a saída do próximo álbum...

Fenther – O ep que aparece aqui pelo meio "So Goodnight", foi uma forma de dizerem: "Estamos aqui!"?
João Peste – Sim, estamos aqui e boa noite! Foi exactamente isso que quisémos dizer...

Fenther – Estão satisfeitos com o resultado final deste "Contra Mundum"?
João Peste – Relativamente, e falo por mim, estou! Mas só com o tempo é que terei a certeza de estar mesmo satisfeito com ele.

Fenther – Na vossa opinião está mais próximo de "Sex Symbol" ou de "Free Pop" musicalmente falando?
João Peste – Acho-o próximo e distante de ambos, simultaneamente. No entanto, a identidade de Pop dell'Arte está presente em qualquer dos três...

Fenther – "Ritual Transdisco" é um single perfeito. Orelhudo. Foi pensado para ser assim? Para agarrar logo à primeira audição?
João Peste – Não, nem sequer foi pensado,,, foi sentido e tocado, não pensado. É assim que fazemos música. Sem pensar...

Fenther – Vão estar em palco a apresentar este disco ao vivo?
João Peste – Sim, no Music Box, dia 15.

Fenther – Sentem falta da rotina rock'n'roll, quer na estrada, quer nas entrevistas?
João Peste – Népia,,,, Estou até um pouco cansado das entrevistas - lol - Foi tipo overdose, nas últimas semanas.
Quanto à rotina rock'n'roll: Não acredito na rotina do rock'n'roll,,, o rock'n'roll genuino não tem rotinas. As rotinas têm a ver com o mainstream e com o falso rock'n'rolll.... O rock'n'rolll - como canta o Alan Vega dos Suicide - o rock'n'rolll é como uma faca, rasga e rasga a nossa vida até que ela sangre... Depois continuamos a esperar por outro golpe ou desistimos. Nesse caso bye bye rock'n'roll. Mas eu não sou gajo de desistir...

Fenther – Como vês a musica nacional actualmente?
João Peste – Oiço-a mais do que a vejo... B. Fachada, Governo, Maria João Pires, Sei Miguel, Youthless; Musgo, Corsage, Abztract Sir Q ; Social Smokers, Loosers, Tigrala; Filho da Mãe, 3 Tristes Tigres; Mão Morta. 20th Century Expressions (Bruno Monteiro & Joao Paulo Santos).

Fenther – Mensagem final...
João Peste – Wild 'n' chic.... we are so wild 'n' chic!

Vitor Pinto






Slimmy

O segundo trabalho para a irreverente banda portuense, aqui apresentado na primeira pessoa. Senhoras e Senhores...

Fenther – Como está Slimmy actualmente?
Slimmy – Slimmy está mais vivo que nunca, com nova formação, com novo disco e novo espectáculo ao vivo pronto a contagiar o público.

Fenther – Houve mudanças no alinhamento da banda?
Slimmy – Sim, houve… primeiro houve uma mudança normal de baterista derivada de razões pessoais do Garcez. Depois incluímos um novo guitarrista, o Funky e um programador/teclista, o Gustavo Silva. A inclusão destes dois novos elementos, era algo que já estava pensado desde os últimos tempos da digressão do ‘Beatsound Loverboy’ e que transforma as actuações ao vivo mais vigorosas e energéticas … neste momento somos uma máquina de rock’n’roll.

Fenther – Satisfeito com este segundo disco?
Slimmy – Muito satisfeito. Este novo trabalho apesar de ser novamente uma mistura de rock e electrónica, que caracteriza Slimmy, é diferente ao nível das canções, pois considero-o mais orgânico e fruto de um trabalho mais de banda, dado que, já com o trio formado e na extensa digressão que fizemos com o ‘Beatsound Loverboy’ enquanto íamos tocando ao vivo, íamos experimentando algumas coisas e gravando.
A tudo isto não é alheio o facto de ter trabalhado com dois dos produtores do primeiro álbum, o Quico Serrano e o Mark Turner, pessoas com as quais consigo ter uma relação muito estreita a nível de trabalho e que conhecem Slimmy desde os ‘primórdios’.
De referir também que neste CD procuramos ter um conceito gráfico que acompanhasse as músicas, o universo de Slimmy e o próprio título do álbum ‘Be Someone Else’. Todo o artwork, que considero excelente, foi desenvolvido pela Liliana Pinto da My Favourite Designer (www.myfavouritedesigner.net)... cada vez mais os suportes físicos tem que possuir mais valias que os distinga e que faça com que o consumidor os compre por o considerar um objecto único’. Todo este conceito permite que o mesmo CD tenha duas capas diferentes e ainda nos reserve uma surpresa no instante em que retiramos o booklet da caixa… mas o ideal é mesmo comprarem o disco para verificarem com os próprios olhos (risos).

Fenther – Sentes que está mais maduro, mais energético, mais sedutor...?
Slimmy – Sobretudo sinto uma maior maturidade e experiência, resultante desses dois anos e meio em digressão por Portugal. A escrita de letras está mais adulta também, apesar de ainda manter a energia e a irreverência, assim como toda a sexualidade e sensualidade em tudo o que faço.

Fenther – Como estão a ser as apresentações ao vivo? Algum ponto de destaque?
Slimmy – Considero que as reacções por parte do público tem sido bastante positivas… ainda sem o disco editado fizemos alguns concertos de pré-apresentação e notei que apesar das pessoas ainda não conhecerem os novos temas não ficavam indiferentes, manifestando-se quase de igual forma às músicas já bem rodadas. Acho que isso se deve, e identificando o principal ponto de destaque, ao facto de o espectáculo estar mais real e poderoso com esta nova formação onde a mistura dos novos temas com os mais antigos ganhou outra dinâmica, o que faz com que os concertos sejam ainda mais vibrantes.

Fenther – Por onde vais estar em breve ao vivo?
Slimmy – Em Julho iremos estar em Coruche, no Festival da Juventude no dia 17 e a 29 tocamos em Vila Nova de Gaia. Em Agosto temos uma actuação agendada para o Porto, que será divulgada brevemente e ainda alguns pedidos para outras cidades por confirmar… mas o melhor mesmo será fazer essa pergunta à minha agência, a 1bigo (risos)

Fenther – O vídeo de "Be Someone Else" o single, está excelente. Quem o realizou?
Slimmy – Tenho a mesma opinião quanto à excelência do vídeo (risos). Foi produzido pela Riot Films, onde na equipa encontramos alguns elementos que já tinham trabalhado connosco do vídeo do tema ‘You Should Never Leave Me’, na altura com um excelente trabalho também por parte de António Vieira como director. Neste novo vídeo apenas identificamos alguns conceitos que queríamos seguir, dando total liberdade à equipa de produção, fruto do conhecimento e reconhecimento dos trabalhos já feitos. A realização ficou a cargo do Miguel Januário sendo que o Paulo Castilho assumiu a direcção de fotografia e o Júlio Alves a direcção artística.
… já agora sugiro que publiquem o link para que quem quiser possa confirmar o que estou a dizer (risos) [http://www.youtube.com/watch?v=HAGjW4WHV6Q]

Fenther – E como aconteceu mais esta produção de luxo neste disco?
Slimmy – Não foi propriamente uma produção de luxo… apoiamo-nos basicamente no talento e nas boas ideias de toda a equipa, que conseguiu passar com imagens a mensagem da canção e desta nova fase de Slimmy. Foram dois dias de filmagens, no Cine-Teatro de Estarreja, sendo a maior parte do trabalho realizado em pós- produção.

Fenther – Na tua opinião a população portuguesa está mais aberta para receber Slimmy ou ainda não?
Slimmy – Eu acho que sim mas nunca me preocupei muito com isso porque quero acreditar que os portugueses sabem quando um produto é sincero ou não e tem discernimento para valorizar quem faz as coisas com paixão e honestidade...
ora, como tanto eu como a minha banda fazemos isto com bastante convicção e sinceridade, procuramos sempre que a relação que temos com o público assente num modo ‘festivo’, descontraído e de pura diversão.

Fenther – Vais editar e apresentar este disco lá fora? Por onde?
Slimmy – Obviamente que tentamos sempre agilizar os nossos contactos para que tal seja possível, apesar de sinceramente não nos preocuparmos muito com esse tema. Na realidade hoje em dia e com o mercado que temos é possível comprares/importares um disco sem o mesmo ter uma edição física no país onde resides. De nada interessa editares um disco lá fora se ao mesmo tempo não conseguires ter quem o promova eficazmente e também uma colaboração no agenciamento de forma a que as coisas resultem realmente. Por outro lado vivemos na era digital onde através das diversas plataformas existe acesso global ao teu ‘produto’. No álbum anterior ficamos bastante surpreendidos, pela positiva, com as vendas digitais que o disco consegui no mercado além fronteiras, principalmente nos Estados Unidos.

Fenther – O futuro de Slimmy passa por onde?
Slimmy – O meu objectivo é poder mostra-me e dar-me a conhecer ao maior número de pessoas possível… assim, espero que passe pelas casas das pessoas, pelas ondas hertezianas e sobretudo pelos palcos nacionais, já que essencialmente é onde sentimos mais prazer em apresentar aquilo que fazemos.

Fenther – Uma mensagem final...
Slimmy – Um grande abraço para o fenther.net, que nos acompanha desde o inicio… descubram o ‘BE SOMEONE ELSE’ e divirtam-se a ouvi-lo, quer seja em CD ou ao vivo.
Abraço and Good Luck!

Vitor Pinto





Milhões de Festa! O Fenther esteve à conversa com Fua da organização.

Fenther – Tudo preparado para a edição 2010 deste grande festival?
Fua – Há sempre uma imensidão de pequenos pormenores a tratar mas a preparação está a decorrer de forma bastante tranquilo (dentro dos possiveis num evento deste tipo).

Fenther – Porquê Barcelos?
Fua – Porque não em Barcelos? Temos desenvolvido nos últimos anos uma colaboração que me deixa bastante agradado com uma série de bandas de Barcelos. Para além disso sinto uma vontade enorme dos miúdos em pegar em instrumentos, formar bandas, ir a concertos, comprar discos. Só faltava um evento deste tipo. Habituamo-nos a ver as bandas de Barcelos a tocar fora da cidade todos os fins de semana, pelo menos nestes três dias não vão precisar de dormir fora de casa.

Fenther – Depois de Braga, Porto e Barcelos, por onde pode seguir o evento? Sul?
Fua – A ideia será estabilizar o festival em Barcelos mas só após a edição deste ano é que colocaremos esta questão.

Fenther – O Milhões de Festa! atingiu este ano a maturidade?
Fua – Não diria maturidade mas sente-se um óbvio passo em frente em termos de impacto e de crescimento. A maturidade fica para daqui a uns anos (muitos).

Fenther – Destaca alguns nomes do cartaz deste ano, internacionais...
Fua – É um bocado complicado destacar nomes dado que todos os presentes no cartaz são escolhas do coração. Estou super curioso para ver como o Mark E.Smith se vai comportar, a estreia dos Electric Wizard é algo de muito relevante, os Delorean por tudo o que se tem falado deles e será muito engraçado ver um concerto deles 6 anos depois do primeiro, os Monotonix vão incendiar o festival por certo mas no geral estou muito curioso para ver todas as bandas.

Fenther – E nacionais?
Fua – Escolhemos as bandas portuguesas que achamos mais relevantes neste momento por cá. Expectivas em alta portanto.

Fenther – É dificel fazer um evento deste porte em Portugal? Há apoios suficientes?
Fua– Acaba por ser complicado mas a disponibilidade da Câmara Municipal de Barcelos no apoio e na organização tem sido exemplar. Um exemplo para outros munícipes no que toca ao apoio à cultura diz respeito. Quando se estabelece uma parceria como a que conseguimos estabelecer tudo se torna mais fácil de desenvolver.

Fenther – Onde se podem adquirir os bilhetes e qual o valor deles?
Fua – 15€ bilhete diário e 35€ passe geral. Os bilhetes podem ser adquiridos na ticketline.pt, fnacs e outras lojas habituais. Os bilhetes bonitinhos podem ser encontrados na Louie Louie, Lost Underground, Matéria Prima, Jo Jo's, Casa da Juventude de Barcelos e Café Senra.

Fenther – Vais dar uns mergulhos na piscina para relaxar? ;)
Fua – Seria um crime poder usufruir de uma piscina e não o fazer :)

Vitor Pinto




Garagem... 14 anos a oferecer uma nova cultura aos amantes de Drum'n'Bass e não só! As palavras de Marco Martins. O principal culpado!

Fenther – Como está a Garagem olhando para trás ao longo destes 14 anos?
Marco Martins – A Garagem continua igual a si mesma, sempre tentando superar as barreiras culturais deste país inovando a sonoridade portuguesa.

Fenther – Sentes o peso da responsabilidade de uma nova educação musical em Portugal?
Marco Martins – Sem dúvida. O facilitismo criado pela internet,e o seu consumo instantaneo torna por vezes mais dificil filtrar a qualidade. Parece que hoje em dia vivemos obcecados com numeros...quantas musicas tens no teu ipod, quantos, quantos.....discute-se mais numeros, e menos qualidade.

Fenther – Quando decidiste "abrir" a Garagem, pensaste chegar tão longe?
Marco Martins– Quando inicio qualquer projecto, penso sempre em atingir os objectivos pretendidos, neste caso era revolucionar a cultura da musica electronica em portugal. após 14 anos de trabalho, penso que ainda é um trabalho em progresso.

Fenther – E fazer tantos estragos pelo meio?
Marco Martins– É acima de tudo atitude Punk (não são estragos, são novos alicerces).

Fenther – Qual o momento mais marcante em todos estes anos de actividade?
Marco Martins – De tantos que me marcaram tenho que dizer que um deles foi a estreia da equipa do VSC-guimaraes 1996 com blue orange juice a tocar. isto sim foi logo um inicio marcante!!!!!!!!

Fenther – Sempre acreditaste na cultura Drum'n'Bass?
Marco Martins – Sim! Foi algo que desde cedo me despertou atenção, e como promovo apenas aquilo que gosto, mantive sempre a mesma linha.

Fenther – Foi dificel introduzir este estilo por cá?
Marco Martins – Sim. O drum and bass terá sempre os seus momentos mais altos e mais baixos. A sua identidade será sempre uma de uma cultura underground, e nunca mainstream. Por um lado, penso que esse será o lado mais aliciante do drum and bass, por outro reflecte o gosto geral pelo comercialismo, algo que penso que nunca irá mudar em portugal.

Fenther – Porque a Garagem só se movimente a Norte do país?
Marco Martins – A Garagem ja desenvolveu varios eventos em Lisboa. Por vezes em casos pontuais ainda promove eventos la, mas a nossa frente é sem duvida no norte. numa altura em que nos queixamos tanto do centralismo, acho que alguem deve redobrar a atenção pelo norte.

Fenther – O que costumas ouvir nos momentos de relax?
Marco Martins– Musica , de todos os generos punk,rock,techno,etc…

Fenther – A tua veia punk ainda continua?
Marco Martins– Para mim a atitude punk é muita revista no drum and bass. culturas do não-conformismo.

Fenther – Que tal fazer umas festas Punk Rock algures por ai?
Marco Martins– Tento sempre de vez em quando introduzir outras sonoridades. No ano passado , os Dokuga tocaram em Guimarães. Este ano, o aniversario conta novamente com DJs deste genero.

Fenther – Tens por habito, frequentar outras noite Drum'n'Bass por cá ou no estrangeiro?
Marco Martins– Poucas vezes, uma vez que trago os Djs de quem gosto, por isso vou mais a Londres ver novos talentos.

Fenther – Podemos esperar por mais 14 anos de Garagem?
Marco Martins– Como já disse, não posso quantificar, mas irei continuar...

Fenther – O que está preparado para os proximos tempos?
Marco Martins– Camo & krooked , estreia absoluta em Portugal, e o lançamento do ep stereo out dos Sigma , no s.joao dia 23 junho, no Porto. E finalizar as rodagens do documentario de dnb, da stup_IDcreations.

Fenther – Para quando os Pendulum?
Marco Martins– Ja trouxe os pendulum 6 vezes a portugal. agora que tocam como banda, penso que seria o formato mais interessante. quem sabe...

Fenther – Uma ultima mensagem...
Marco Martins– Ressuscitar Lux Interior , juntar os Black Flag e virem todos tocar a portugal, se possivel para a garagem, e como logico trazer Atari Teenage Riot que voltam a tocar depois de 10 anos parados, e sem duvida sao uma loucura...

Vitor Pinto






Cock'n'Roll. Conversas com o Fenther por entre as palavras das produtoras do evento, Alexandra Martins e Inês Faria.

Fenther – Como surgiu esta ideia?
Inês F. – Esta ideia surgiu no âmbito da disciplina de Área de Projecto. Juntando o útil ao agradável, o projecto serviu para que pudéssemos ter uma pequena ideia de como será trabalhar nesta área, uma vez que tencionamos segui-la após o ensino secundário. Ao mesmo tempo, o tema surgiu naturalmente, visto sermos fãs da cena rock barcelense.

Fenther – Quais a bandas a participar e o local?
Inês F. – Os concertos, que iniciarão às 16h no Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, contarão, respectivamente, com a presença dos The Glockenwise, Azia, Aspen e La La La Ressonance.

Fenther – Acreditam que Barcelos continua a ser uma cidade-fonte de boa musica portuguesa?
Inês F. – Independentemente de ser uma cidade-fonte de boa música é uma cidade-fonte de muita música, e isso, só por si, já é bastante importante. O número de bandas em Barcelos não pára de aumentar e a qualidade de algumas é evidente: há bandas barcelenses a tocar pelo país todo e a abrir para grandes nomes do rock actual. Para além disso, a comunicação social está cada vez mais interessada em dar a conhecer essas mesmas bandas. Desta forma, tem-se vindo a criar um burburinho positivo em torno da cena barcelense e não será, certamente, obra do acaso.

Fenther – Há espaço nessa cidade para tantas bandas?
Inês F. – Como se costuma dizer: Onde cabe um português, cabem dois ou três...

Alexandra M. – Há, claro. Mais não seja, porque o concelho tem quase 400 mil metros quadrados. As bandas têm todas o seu espaço, porque são bandas de diversos estilos, e, por isso, atacam em área completamente diferentes. Depois também há outra questão, nem todas as bandas têm os mesmos objectivos. Enquanto umas procuram sair da cidade e até do país, outras apenas anseiam pelo divertimento. E depois há ainda bandas que se fazem num dia, desfazem noutro e consecutivamente.

Fenther – Um festival totalmente barcelense. foi bem aceite esta vossa ideia? Houve apoios e ajudas?
Inês F. – Bem aceite sim (apesar de só poder haver certezas depois da realização do evento). No entanto, o mesmo não se pode dizer dos apoios, que ficaram bem aquém das expectativas. O país continua em crise, não é verdade? Assim que vai um forte agradecimento para aqueles que, mesmo em crise, ainda investem na cultura.

Fenther – A razão destas bandas em cartaz?
Inês F. – Queríamos que o cartaz representasse não só os diferentes estilos de música que por cá se fazem, mas também que mostrasse um pouco da evolução geracional. Isto é, temos os La La La Ressonance - pioneiros da cena barcelense - como também os Aspen, fruto desta nova geração explosiva. Sem esquecer outros factores: os The Glockenwise ainda não apresentaram o seu trabalho acústico na terra mãe; os Azia estão prestes a lançar o novo EP, os Aspen apresentar-se-ão pela primeira vez com o seu guitarrista em Barcelos e os La La La Ressonance por serem, sem sombra de dúvida, dos maiores nomes da música alternativa portuguesa.

Fenther – Mesmo sem este ter acontecido, podemos falar já de uma segunda edição do "Cock'n'Roll" ?
Inês F. – É extremamente precipitado falarmos numa segunda edição pois, como já referimos, é um projecto de escola. Visto estarmos a concluir o ensino secundário, o propósito do festival termina também. No entanto, se correr bem e se houver muita adesão, não será por nós que não haverá continuidade.

Fenther – Onde podemos encontrar informações na web sobre este evento?
Inês F. – Toda a informação actualizada sobre o evento na página do Facebook:
http://www.facebook.com/pages/Cock-and-Roll/116594298361804?ref=ts

Fenther – O convite final...
Inês F. – Já que nunca há nada para fazer aos sábados à tarde, fica aqui o convite para toda a gente que queira aparecer e curtir boa música. Aproveitem, fiquem para a noite e para além de mais concertos, ainda vêem um documentário. "Rock and Roll all night and party every day"

Vitor Pinto






Bass-Off em discurso directo numa conversa agradável com o Fenther, sempre à volta de "OHmónimo"..

Fenther – Quem são e de onde vêm os Bass-Off?
Bass-Off – Os Bass-Off são uma banda de rock alternativo, oriunda de Caldas da Rainha, formada em 2004 pelo Rui Filipe (Joe) na guitarra e voz, Nelson Alves (Né) na guitarra e voz e Nuno Oliveira na bateria.

Fenther – Como está o movimento pela zona das Caldas da Rainha no que diz respeito a bandas nacionais?
Bass-Off – Em relação a este assunto, temos de dizer que sem dúvida Caldas da Rainha ganhou muito com o seu Centro Cultural e Congressos (CCC). A oferta de eventos culturais é muito maior e mais variada do que era e isto fez com que muitos bons projectos nacionais se apresentassem na cidade. Por outro lado, algumas bandas e projectos com menos projecção têm vindo a ser divulgadas e apresentadas no auditório do Centro de Juventude das Caldas da Rainha ao longo dos últimos anos. Portanto, pode-se dizer que o movimento de todos estes projectos nacionais, grandes e pequenos, tem sofrido uma grande evolução na nossa zona e isso é sem dúvida motivo de orgulho para nós enquanto caldenses.

Fenther – Como definem o vosso som?
Bass-Off – Embora gostemos de dizer que somos uma banda de Rock n´Noise, devido às influências "sónicas" que impomos numa sonoridade tipicamente "rockeira", a verdade é que rotular este projecto é complicado. Somos os três bastante diferentes em termos musicais, tanto na execução como nas influências de cada um. Mas todas essas diferenças acabam por ser conjugadas e quando chega a altura de compor, a nossa sonoridade é uma fusão dessas mesmas influências, do carácter de cada um. Somos rock, somos indie, somos alternativo, somos experimental, somos... rock n' noise!

Fenther – "OHmónimo" Porque?
Bass-Off – Porque era importante preciso ser original sem o ser! A verdade é que a primeira hipótese que surgiu era a de o álbum ser de facto homónimo, à semelhança do que muita gente faz no seu primeiro álbum. Mas nós decidimos voltar isso a nosso favor e tornar esse termo no próprio título do álbum! A troca das duas primeiras letras prende-se com questões gráficas (na nossa opinião funcionava melhor assim e marcava ainda mais a diferença) e com um pequeno trocadilho: as três primeiras letras formam a palavra Ohm, que é o nome dado à unidade de medida da resistência eléctrica... uma pequena piada técnica!

Fenther – Têm tido boa aceitação por parte da imprensa?
Bass-Off – Apenas agora começamos a ter noção do feedback dado pela imprensa, até porque todo este processo de divulgação leva algum tempo a surtir efeito. Mas a verdade é que todas as impressões que temos recebido e lido acerca do nosso disco até agora têm sido muito positivas. Obviamente, esta boa aceitação serve de tónico para continuarmos a trabalhar cada vez mais.

Fenther – Vão apresentar este trabalho ao vivo? Por onde?
Bass-Off – Somos, acima de tudo, uma banda de actuações ao vivo. O disco é, obviamente, importante enquanto suporte físico e veículo de promoção, mas a nossa grande aposta sempre foi o trabalho ao vivo, com actuações intensas e cheias de energia. Neste momento já temos concertos de apresentação marcados nas Caldas da Rainha, Porto e Lisboa, além de uma série de showcases nas Fnac’s de todo o país. Assim que esta primeira ronda de apresentação estiver terminada iremos então avançar com outras actuações, um pouco por todo o país.

Fenther – Foi importante para vocês terem participado no Termómetro e no concurso da Levi’s?
Bass-Off – Nunca fomos uma banda de concursos. Aliás, estes foram os únicos onde participámos desde que existimos e não fazemos intenção de o voltar a fazer. Mas a verdade é que o timing e as oportunidades foram excelentes, ao servirem de rampa de lançamento para este álbum. Se estaríamos aqui sem ter ganho estes concursos? Gostamos de acreditar que sim, mas contar com a ajuda destes dois eventos foi importantíssimo e só temos a agradecer a toda a gente que, desde a nossa vitória em ambos os concursos, nos tem ajudado neste processo de lançamento e promoção.

Fenther – Escolham um tema deste álbum. Porquê?
Bass-Off– Só um? Assim é complicado... Só para sermos do contra, vamos escolher dois: "Whatever" e "Virginia". O primeiro porque é o nosso single de apresentação, um tema bem mexido, com boa onda, dançável, enfim, orelhudo! O segundo porque mostra o nosso lado instrumental mais forte, toda a nossa intensidade sónica.

Fenther – Qual o estado da música nacional na vossa opinião?
Bass-Off– Se há uns anos atrás pensávamos que tudo estava perdido, a verdade é que actualmente há uma luz bem forte ao fundo do túnel. Cada vez surgem mais projectos interessantes, com originalidade, com valor de nível internacional e com músicos de grande nível. Infelizmente, viver da música em Portugal continua a ser muito complicado e as oportunidades continuam a não ser muitas, portanto este será sem dúvida o ponto menos positivo do panorama actual e que aparenta ter tendência a piorar. Por outro lado, cada vez mais as bandas têm facilidade em produzir o seu próprio material, em gravar os seus discos e até em editá-los, o que ajuda um pouco a equilibrar as coisas.

Fenther – Vocês estão na web? Onde?
Bass-Off – Tentamos estar presentes em todas as redes sociais de maior expressão, mas o nosso site principal continua a ser o myspace: www.myspace.com/bassoffband Podem visitar o nosso perfil e ter acesso a todas as faixas do nosso álbum, bem como a nossa agenda de concertos, fotos e vídeos. Fora isso, podem também encontrar-nos no Facebook, Twitter, hi5, LastFM, YouTube, etc.

Fenther – O vosso disco vai estar em vendas online em mais de 700 países. Como isto aconteceu?
Bass-Off – Esta foi sem dúvida uma das grandes surpresas para nós, em termos de promoção. A nossa editora, a Independent Records, em conjunto com a MEDIApromo/MEDIAsounds (a quem desde já deixamos um enorme agradecimento pelo apoio em toda a produção final e promoção do disco) conseguiu-nos esta distribuição online através dos mais variados sites (iTunes, Amazon, etc.), fazendo assim com que o nosso álbum chegue ainda a mais pessoas. É sem dúvida uma óptima oportunidade para promover o nosso trabalho.

Fenther – Um último grito...
Bass-Off – Visitem o nosso Myspace e se estivermos pelos vossos lados, contamos com a vossa presença!

Bass-Off
Nuno Oliveira – bateria e voz

Vitor Pinto






The Soaked Lamb. Uma conversa agradavel e descontraida aos autores de "Hats & Chairs".

Fenther – Quem são os The Soaked Lamb e de onde vêm?
The Soaked Lamb – Somos um “rebanho” em forma de sexteto, todos da mesma família, mesmo os que não têm laços de parentesco. Vimos de um tempo em que tudo se passava mais devagar e era feito para durar e não para consumo imediato. Principalmente a música. Mas vivemos no presente e até usamos pedais de distorção nas guitarras, se isso ajudar a música. E ajuda muitas vezes. E até podem ser digitais. Vimos também dos longos almoços de Domingo, em que se comia ensopado de borrego e bebia vinho tinto, quando gravámos o primeiro disco. Foi nesse cruzamento que vendemos a alma ao diabo.

Fenther – Aguardaram pelo momento certo para editarem este disco, ou mal esteve pronto, saiu cá para fora?
The Soaked Lamb – Se fizéssemos música comercial, e que dependesse de tops e de resultados de vendas, esse momento seria importante. Felizmente, estamos confortavelmente sentados longe dessa realidade e não temos qualquer tipo de pressão. A não ser, talvez, a de algum chapéu que tenha um número abaixo do ideal. As coisas são feitas ao nosso ritmo, e esse ritmo é lento, e tem três tempos se for uma valsa. A maioria das vezes tem quatro é um blues ou um swing, e noutras ainda é um ragtime. Mas nunca acelera muito para além disso. Para nós, o importante foi termos todo o tempo do mundo para que todos os pormenores estivessem ao nosso gosto. Foi nessa altura que colocámos o disco à venda. Coincidiu também com o momento em que chegou da gráfica.

Fenther – Satisfeitos com o resultado final?
The Soaked Lamb – Estamos muito satisfeitos. Completamente satisfeitos. Este é o disco que nós queríamos. Somos culpados de tudo o que está lá. Qualquer falha e incorrecção foram feitas com toda a atenção e dedicação. E as reacções, quer do público, quer da imprensa e crítica, têm suplantado as nossas melhores expectativas. Mesmo as mais pessimistas.

Fenther – O porque dos chapéus e das cadeiras (Hats & Chairs)?
The Soaked Lamb – Isso prende-se com a nossa postura em palco, desde os primeiros concertos, e do nosso cuidado com os detalhes. O visual da banda é apenas mais um deles. Todos usam chapéu e todos tocam sentados. Todos excepto o contrabaixista, por uma questão ergonómica do instrumento, e a vocalista, que é bonita demais para ficar sentada.

Fenther – O grafismo deste disco está excelente. Os meus parabéns! Vocês tem sempre muito cuidado com a imagem?
The Soaked Lamb – Agradecemos o elogio. A imagem é tão importante para nós como a música. Faz tudo parte da mesma preocupação com os pormenores, que mencionámos anteriormente. Além disso é deformação profissional, porque trabalhamos todos na área da comunicação, de alguma forma. Entre designers, publicitários, ilustradores, escritores, realizadores, e outras profissões, não podíamos deixar esse trabalho em mãos alheias.

Fenther – Ao vivo também tem esse cuidado de apresentação visual?
The Soaked Lamb – Temos sempre esse cuidado. Até nos ensaios temos esse cuidado. Já aconteceu alguém tocar de chinelos, mas foi uma questão de estar na praia errada. Entretanto esses chinelos mudaram de banda.

Fenther – E onde poderemos tirar as provas? Por onde vão passar proximamente?
The Soaked Lamb – Os ensaios são fechados ao público, e têm que acreditar em nós. Mas ao vivo podem comprová-lo facilmente. Apesar de estarmos quase a terminar a tour nacional de lançamento do novo CD “Hats & Chairs” que nos levou de norte a sul, ainda nos podem apanhar no Musicbox, em Lisboa, no dia 30 de Abril, no concerto de encerramento da tour. Depois disso, apanham-nos mais facilmente em disco. E também como caminhamos devagar, deve ser fácil apanharem-nos em breve, noutros palcos.

Fenther – Vocês estão na web? Por onde?
The Soaked Lamb – Estamos nos canais sociais habituais, Facebook, Myspace, Blogs, Youtube. etc.
www.soakedlamb.com
www.facebook.com/thesoakedlamb
www.myspace.com/thesoakedlamb
E ainda em www.fenther.net
Já que o tema é a web, aproveitamos para dizer que o nosso booking é feito pela Rewind Music (www.myspace.com/rewindspace)

Fenther – Escolham um tema deste disco e porquê?
The Soaked Lamb – Blue Voodoo. Por ter sido o single de lançamento. Por ser o primeiro tema do disco. Por ter um convidado de luxo, que se chama Nuno Reis, a tocar uma trompete fantástica. Por ser talvez o tema que resume melhor o todo, apesar do disco ser bastante diversificado. Por ser Blue. E por ser Voodoo.

Fenther – Um ultimo grito...
The Soaked Lamb – Não é um grito. É uma frase pausada, sussurrada ao ouvido, rouca e em Dó menor: “ouçam a nossa música”.

Vitor Pinto






Freddy Locks conversou com o Fenther a proposito do seu novo disco. O Verão chegou!

Fenther – Como está Freddy Locks Actualmente? De boa saude?
Freddy Locks – Sim, estou de boa saúde apesar do peso dos trinta e das poucas horas de sono...

Fenther – Satisfeito com "Seek Your Truth"?
Freddy Locks – Sim. Muito feliz e orgulhoso com o resultado final deste disco.

Fenther – Em poucas palavras, define este teu disco...
Freddy Locks – É um disco que fala sobre a verdade e tem um groove muito forte.

Fenther – No disco há muitas colaborações... Quem são eles?
Freddy Locks – O Dj Nelassassin partiçipa no tema "Place for you",o Tony Moka participa no tema "Criolo", o Asher G fez o dub "Close to Dub" e o Beat Laden fez o dub "Human dub".

Fenther – Ao vivo também vão aparecer?
Freddy Locks – Não em todos os concertos, mas vão aparecer em alguns de certeza.

Fenther – E por onde vão andar a mostrar este registo?
Freddy Locks – Pra já temos concerto dia 24 em Lisboa, depois esperamos mostrá-lo por todo o mundo ;)

Fenther – Acreditas que o Reggae continua com força em Portugal?
Freddy Locks – Sei que o reggae vai continuar sempre a crescer em Portugal e no mundo.

Fenther – Como vês a musica nacional actualmente?
Freddy Locks – Vejo muitos projectos de grande qualidade e uma grande evolução na diversidade. Sinto que temos muito talento em Portugal.

Fenther – Projectos para o futuro?
Freddy Locks – Tocar muitos concertos ao vivo, mostrar o disco o mais possível e continuar humilde e sem pretensões. Carpe diem Style !!

Vitor Pinto






BunnyRanch conversaram com o Fenther sobre o novo disco "If You Missed the Last Train...".

Fenther – Como estão os Bunnyranch actualmente?
BunnyRanch – Estão com um álbum novo e a promove-lo.

Fenther – O que se alterou entre o registo anterior e este novo album?
BunnyRanch – Como temos um guitarrista novo é normal que surjam ideias e sonoridades novas o que é sempre importante e positivo. Mas de qualquer modo acho que as alterações não fogem a sonoridade dos bunnyranch.

Fenther – Foi complicado editar "If you missed the last train..." ?
BunnyRanch – É sempre o processo que, para nós, requer muita imaginação isto porque as editoras têm cada vez menos capacidade para editarem muitas bandas e por isso preferem ficar com as mais conhecidas em vez de arriscarem em projectos mais alternativos. Desta vez tivemos a sorte de uma editora de Coimbra chamada ARTEZ estar interessada em nós. É uma editora pequena com poucas edições até ao momento, mas para já na minha opinião, estão a fazer melhor trabalho que as ditas grandes editoras.

Fenther – Satisfeitos com o resultado?
BunnyRanch – Sim. Trabalhamos onde queríamos e com quem queríamos (sierra vista studios com o Boz Boorer) portanto o saldo é positivo.

Fenther – Continuam fieis ao som que sempre vos caracterizou?
BunnyRanch – Acho que sim. Mas quem pode responder a essa pergunta será o publico.

Fenther – Por onde vão tocar nos proximos tempos?
BunnyRanch – Para já estamos a promover o disco nas fnacs e alguns teatros mas em breve vamos a todos os palcos que podermos.

Fenther – Como está a musica feita em Portugal actualmente, no vosso entender?
BunnyRanch – Há sempre bandas com que me identifico mais que outras. Gosto dos dead combo, mão morta, a jigsaw por exemplo. Mas sinceramente não sou grande consumidor de música portuguesa actual.

Fenther – Se perdessem o ultimo comboio, que fariam?
BunnyRanch – Íamos de avião ou de camioneta ou a pé. Mas íamos de alguma maneira.

Vitor Pinto






The Poppers conversaram com o Fenther sobre o novo disco com edição em vinil. "Up With Lust" é mais do que um regresso.

Fenther – Como estão os The Poppers actualmente?
The Poppers – Com uma grande vontade de tocar Rock n Roll e mostrar este novo disco ao máximo de pessoas possível. Acreditamos muito no UP WITH LUST.

Fenther – O que se alterou desde o registo anterior e este "Up With Lust"?
The Poppers – Muita coisa, a começar pelo baterista… pois desde 2008 que temos o Bruno “The Animal” Fernandes como baterista, sendo parte integrante da banda. O produtor do Boys keep Swinging foi o Paulo Miranda, este novo disco contou com a Produção de Nuno Rafael, o que traçou a alteração de sonoridade. Acho que somos uns sortudos em até á data termos desafiado os produtores que queríamos, e estes terem aceite. Dois profissionais exímios.

Fenther – Como surgiu a ideia da edição em vinil?
The Poppers – Quisemos valorizar o álbum assim como as primeiras pessoas adquirir o dito cujo. Achámos que o Vinil seria a melhor forma de celebrar esta primeira edição do Up With Lust. Por outro lado, era algo que ambicionávamos... Como amantes de Rock n roll, sempre foi um objecto que nos habituámos a ver como … errr “pérola”.

Fenther – Contentes com o trabalho da Rastilho?
The Poppers – YEP, na altura falámos nesta edição limitada e a Rastilho aceitou sem hesitações.

Fenther – Foi dificil editar este disco?
The Poppers – Um bocado, a editora meteu-nos de castigo a ouvir todos os exemplares da edição limitada para garantir que as faixas estavam todas incluídas… ehehehehe Não, não foi dificil. Aguardamos pela altura em que toda a equipa envolvida estaria em sintonia. A Altura certa é esta, advirto.

Fenther – Por onde vão tocá-lo ao vivo?
The Poppers– Onde nos quiserem ter, para já temos planos para promover ao máximo em Portugal, depois do concerto do S Jorge onde contamos com a presente de Sean Riley e Tó Trips, vamos ao Plano B no Porto. Vamos também tocar nas Fnacs, mas com uma abordagem diferente… acústica e exclusiva. Temos também para já planeada a passagem por Espanha, França, Brasil e talvez a Alemanha. Está a correr bem.

Fenther – Os The Poppers estão na net? Onde?
The Poppers – Estão sim, em www.myspace.com/thepoppers

Fenther – Projectos para o futuro?
The Poppers – Promover o disco, engordar e ter filhos.

Vitor Pinto




JOAH ANN LEE conversaram com o Fenther e ficamos a conhecer melhor os seus passos.

Fenther – Como surgiu o projecto JOAH ANN LEE?
JOAH ANN LEE – JOAH ANN LEE nasce das cinzas de um anterior projecto formado por três dos seus elementos, eu (Vasco) o João (guitarra) e o Juca (bateria). O Renato (voz, baixo) respondeu na altura a um anúncio para baixista. Marcámos uns ensaios e partimos dai... durante cerca de ano e meio fomos testando várias hipóteses para a voz... nada resultava. Durante esse tempo, de vez em quando o Renato brincava um pouco ao microfone e detectámos algum potencial. Apesar de musicalmente na altura ainda estarmos algo distantes do que são os JOAH ANN LEE hoje em dia, a voz adaptava-se e tinha o feeling certo... ajudou a consolidar a identidade que procurávamos.

Fenther – Acreditam que é possivel fazer musica em Portugal e viver dela?
JOAH ANN LEE – Fazer música sim, é possível... Viver dela, não. Em Portugal, os músicos não vivem da música.

Fenther – Se pudessem mudar alguma coisa, o que fariam em prol da musica e da cultura?
JOAH ANN LEE – A resposta é longa, árdua e um exercício demasiado complexo para que alguém se digne a ler até ao fim. Mas tudo resumido, era simpático que as pessoas prestassem atenção. Na era do consumo rápido e em massa, a criação artística foi banalizada, deturpada e desprezada. É preciso pedir por favor para se poder criar. Não devia ser preciso, o Homem nunca deveria ter perdido o respeito por si mesmo. A arte (seja ela música, escrita, pintura, etc) é a materialização da (na ausência de melhor definição) alma.

Fenther – Foi complicado editar este EP?
JOAH ANN LEE – Bastante, até porque não foi de todo editado! Foi disponibilizado gratuitamente em alta qualidade através de todos os canais JOAH ANN LEE - myspace, blog, facebook, twitter. Na sequência da resposta anterior, na era das novas tecnologias existem recursos que dotam qualquer um para gravar, misturar e editar com recursos semi-profissionais. Ainda assim, os JOAH ANN LEE optaram por gravar profissionalmente durante o verão de 2009 nos Blacksheep Studios com o Makoto Yagyu. Fizémos algumas edições em sleeve para efeitos promocionais, mas o EP não foi editado para fins comerciais... ainda.

Fenther – Já há fumo branco para o àlbum?
JOAH ANN LEE – Sim, há. É muito difícil para nós estagnarmos... estamos já a trabalhar em novo material e temos sensivelmente metade do álbum em pré-produção. Até ao verão contamos completar o conceito e preparar a gravação, que deverá acontecer lá para o principio do Outono de 2010. Estamos bastante satisfeitos com os resultados obtidos e o feedback de quem já ouviu é muito positivo.

Fenther – E concertos ao vivo? Já tocaram onde e para onde vão?
JOAH ANN LEE – A mini digressão de apresentação do "LION FISH" já arrancou no passado sábado dia 6 de Fevereiro no Santiago Alquimista, com SAM ALONE. Correu bastante bem e apresentámos ao vivo a totalidade do EP, algumas músicas novas e uma ou outra surpresa. Temos já uma data a 17 de Abril na Galeria do Desassossego em Beja (onde nunca estivémos) e uma outra data no Cabaret MAXIME em Lisboa, a 19 de Junho (onde contamos encerrar a Tour). Ainda existem datas por confirmar, mas o nosso objectivo é cumprir paragens obrigatórias como Porto, Coimbra, Barcelos e Leiria. Veremos...

Fenther – Há algum palco que gostariam de pisar?
JOAH ANN LEE – Claro que sim. Pessoalmente, o Coliseu dos Recreios é um sonho antigo... relativamente aos JOAH ANN LEE, neste momento... um festival de Verão, sem dúvida. Seria importante para nós pela divulgação, pelo cartaz, pelo público e pela altura do ano... seria a última actuação antes de voltar para estúdio, se tudo correr como planeado.

Fenther – Vocês estão na web? Onde?
JOAH ANN LEE – Sim, nos seguintes espaços:
MYSPACE - http://www.myspace.com/joahannlee
BLOG - http://joahannlee.blog.com
FACEBOOK - http://www.facebook.com/joahannlee
TWITTER - http://twitter.com/Joahannlee

Fenther – Escolham um tema do vosso EP. Digam-nos porque...
JOAH ANN LEE – Essa pergunta é extremamente complicada... bom, na minha opinião... o Lights Out, até porque foi a escolhida para o vídeo que contamos realizar nos próximos dois meses... mas essa é uma surpresa reservada para a próxima oportunidade! Porquê? Porque de certa forma foi uma das músicas que ajudou a construir a sonoridade dos JOAH ANN LEE. Recordo-me que foi composta num abrir e fechar de olhos e marcou definitivamente o percurso a seguir.

Vitor Pinto






UNOESKIMO em conversas com o Fenther a proposito do seu album homonimo de estreia.

Fenther – Quem são e quando se formaram os Unoeskimo?
UNOESKIMO – Somos o Carl Minnemann, Tiago Mota, João Mascarenhas, Kiko Brandão e Leandro Leonet. Iniciamos por esforço do Carl que compôs as canções e experimentou alguns músicos. O primeiro concerto em Janeiro de 2007 já foi dado com esta formação à excepção do Leandro que entrou imediatamente antes da gravação do disco.

Fenther – Como gostam de defenir o vosso som?
UNOESKIMO – Não gostamos. Temos como única regra não tocar nada que conscientemente nos pareça algo que já exista. À parte disso sentimos que ainda há muitos ambientes diferentes para visitar e desde que nos soe a nós próprios, não nos vamos coibir de o fazer.

Fenther – Foi complicado conseber este disco de estreia?
UNOESKIMO – Mais ou menos. Imagino que haja gente que atravesse bem mais problemas do que nós. Tivemos a sorte de ter uma editora ( Figura ) que acreditou e investiu em nós, e um produtor (João Ferraz) que nos deu todo o conforto e segurança que precisávamos para fazer tudo com calma. Começou a ser gravado em Agosto de 2008 e só em Maio de 2009 ouvimos as primeiras masterizações. Foi muito mais tempo do que esperávamos, e por duas vezes adiamos a data de lançamento. Fizemos a opção consciente de só parar de trabalhar quando tivesse completamente acabado, e acho que o conseguimos.

Fenther – Contentes com o resultado e com a reacção da imprensa?
UNOESKIMO – Como disse na resposta anterior, só o lançamos quando o consideramos pronto pelo que sim, ficamos satisfeitos com o disco que fizemos. Quanto à imprensa sofremos o que todos os que não têm uma major por trás sofrem. Não temos acesso a certas pessoas e órgãos que facilmente ditam a difusão e reconhecimento nacional de uma banda. Mas, progressivamente, têm havido boas respostas de pessoas que realmente se interessam e julgo que a pouco e pouco estamos a subir a escada que permitirá a muita gente conhecer a nossa música.

Fenther – Estão a presenta-lo ao vivo? por onde? E futuramente por onde vão passar?
UNOESKIMO – Fizemos o lançamento no Plano B no Porto, e depois todo o circuito de FNAC’s do norte, que nos deixou bem oleados para agora entrar nos bares em “full power”. Temos já dia 3 de Janeiro uma data no Breyner85 e 23 do mesmo mês na Casa Do Livro, ambos no Porto, e dia 30 no Kastrus Bar em Esposende.

Fenther – Neste vosso album, se quisessem destinguir alguem, quem seria essa pessoa?
UNOESKIMO – Eu destinguiria os “Horn Flakes”, que gravaram os metais no tema “Enduring Love”.Fizeram um trabalho fantástico e por um horrível erro acabaram por não ser referidos nos créditos de disco, algo que nos deixou bastante tristes.

Fenther – Os Unoeskimo estão na net? por onde andam?
UNOESKIMO – Sim. Estamos em http://unoeskimo.com e em http://www.myspace.com/unoeskimo .

Fenther – A vossa opinião sobre a musica nacional actual? O estado de saude...
UNOESKIMO – Acho que a qualidade geral têm vindo consistentemente a melhorar por todo o país.
Embora tenhamos passado algumas fases em que parecia que tudo estava adormecido, longe dos palcos os músicos portugueses têm andado ocupados a estudar, dentro e fora de Portugal, e a ensaiar, a recombinar-se de varias formas à procura de novas soluções. Isso faz com que, para mim, exista neste momento uma data de projectos cheios de valor. Infelizmente, exceptuando no Hip-Hop, normalmente quem tem conseguido a exposição e sucesso são os projectos fast-food, que duram dois ou três anos e acabam. Mas projectos como os X-wife que lhe dão no duro hà não-sei quantos anos e discos e que acabam por ser ouvidos e reconhecidos dentro e fora do País fazem-me pensar que apesar de a indústria ser muito má e cada vez pior, os músicos continuam a melhorar individual e colectivamente.

Fenther – Escolham um tema do disco. Porque?
UNOESKIMO – Disgrace. Porque é o primeiro single do disco, o primeiro single da banda. Porque não tem assim tanto a ver com nada no disco, mas de alguma forma sentimos que era o cartão de visita que por si ia seleccionar quem se aventurava a explorar-nos.

Vitor Pinto






The Dorian Grays em conversas com o Fenther a proposito do seu EP de estreia, editado no final de 2009.

Fenther – Quem são os The Dorian Grays e de onde vêm?
The Dorian Grays – Somos três rapazes com vontade de fazer caos com alguma organização e uma mão-cheia de instrumentos para o fazer. Cada um de nós nasceu num sítio diferente: o João em Vila Viçosa, o Dinis em Évora e o Miguel em Lisboa. Conhecemo-nos em Lisboa numa daquelas noites que acabam numa praça com alguém a dizer "calem-se ou levam com o balde de água", era uma Segunda-feira acho eu. Foi ficando a vontade de se fazer um projecto e quando nos reunimos as coisas resultaram bem.

Fenther – Edição de um EP por opção ou por experimentação das reacções?
The Dorian Grays – Poder-se-á dizer que foi para experimentar reacções, mas só até certo ponto. A banda tem crescido aos poucos e até haver uma maturidade que se reflicta numa colecção de muitas canções que façam todas sentido não vale a pena gravá-lo. Ainda assim há que dizer que para todos os efeitos este acaba por ser um "quase-álbum" de estreia: são 4 canções bastante longas, no total percorrem quase 30 minutos... Que é o tempo que dura boa parte dos discos de punk, por exemplo. Parece-nos que estas músicas fazem sentido sobretudo umas com as outras, daí parecer-nos que ficavam melhor sozinhas do que juntas com outra coisa só para encher. Aliás, tivemos oportunidade de gravar mais música e não o fizemos. Foi, nesse sentido, uma opção: digamos que ninguém acha que o "Morreste-me" do José Luís Peixoto é menos livro porque tem menos páginas que o "Não há coincidências" da Margarida Rebelo Pinto. Ainda que seja pequenino e dê para pôr no bolso e ir a ler no metro.

Fenther – E um album? Para quando?
The Dorian Grays – Ora aí está uma boa questão. Há muito tempo, nos anos 60 e troca-o-passo, a "cena" eram os EPs. Para os albúns ficavam as músicas que não funcionavam bem só por si e nem num lado B cabiam, mas depois vieram os Beatles... E vieram os álbuns. E depois veio a internet... E estão a voltar, lentamente, os EPs. Talvez quando estivermos com aquela ideia do "Bute gravar um álbum!!" isso já se tenha tornado obsoleto. Como já foi aqui dito, este EP é um EP porque dentro das músicas que temos estas soavam bem sozinhas e sem mais nenhuma; talvez venha o tempo em que façamos 11 músicas de 3 minutos e tenhamos um álbum que dure pouco mais que este nosso EP. Não sabemos. O futuro pertence a todos e os passos que vamos dar dependem de tanta coisa...

Fenther – Vão continuar a trabalhar com o Marc Jung?
The Dorian Grays – Gostámos muito de gravar com o Marco Jung. É daqueles gajos com pica para fazer música, um produtor interessado no som que as bandas querem e no que querem transmitir. Trata de nos pôr à vontade para fazermos o que fazemos porque ele sabe muito bem o que faz. Tivemos sessões de gravação muito longas, verdadeiras maratonas intercaladas por discussões apaixonadas sobre o que ouvíamos e os discos de que gostamos. Nas horas que passámos no Marduc sem dúvida que a cada segundo se respirou e transpirou música. Claro que também fomos transpirando algum vinho verde, mas isso é segredo por isso não contem a ninguém... Por isso, sim, gostávamos de voltar a trabalhar com ele.

Fenther – Como se apresentam vocês ao vivo?
The Dorian Grays – Apresentamo-nos os três, essencialmente. Fazemos um trio com guitarra/voz, piano/teclados e bateria/voz/atari punk machine (esta última é uma máquina fabricada por uns amigos nossos para fazer essencialmente muito ruído). Geralmente apresentamo-nos com muito barulho, muito suor e muitos gritos mas também com umas coisas mais lentas pelo meio. Gostamos de intensidade e a música sua-se seja lenta ou rápida.

Fenther – Por onde tem tocado? E por onde vão tocar?
The Dorian Grays – Bem, já tocámos em muitos sítios. Os últimos que visitámos foram o Lounge e o Musicbox, os dois em Lisboa. Estamos agora a marcar concertos de Março para a frente. Sabemos que vamos à zona Oeste inaugurar a próxima volta pelo país.

Fenther – Podemos encontrar os The Dorian Grays na net? Onde?
The Dorian Grays – Claro. No MySpace e no Facebook como toda a gente: www.myspace.com/doriangraysmusic, o endereço do Facebook também surge por lá. Ainda não temos um site oficial mas estamos a tratar disso, entretanto as redes sociais fazem-nos o favor de nos oferecer um cartão de visita.

Fenther – Acham importante o meio digital na musica actualmente?
The Dorian Grays – Claro. O futuro, quer se goste quer não, vai passar essencialmente pela música digital. Se gostamos disso… Já é uma decisão mais cinzenta. Claro que é bom andar de iPod com uma qualidade de som fantástica e 80000 canções na ponta dos dedos, claro que é óptimo ir no carro e ouvir música como deve ser e não sem metade das frequências como antigamente. Claro que é óptimo poder chegar a bandas desconhecidas pelo MySpace, e mostrar-nos ao mundo 5 minutos depois de gravar. E é generoso não ter de pagar uma fortuna para gravar um disco em condições. Mas também falta aquela coisa do “comprei um disco, ena pá ena pá ena pá ena pá ena pá”. Falta aquele sentimento que havia quando éramos putos, em que um álbum era o presente mais pessoal que se podia oferecer.

Fenther – Como está a musica nacional na vossa opinião actualmente?
The Dorian Grays – Muito melhor que há anos, que era só saber tocar uma guitarra para se ser um rei do Rock. Hoje em dia a qualidade é muita e começa a sobressair cada vez mais a singularidade das bandas para além daquele “isto 'tá muita cromo pá”.

Fenther – Como definem o vosso som? Neste EP há varias vertentes sonoras, certo?
The Dorian Grays – Rock. Alternativo. Com cheiros de electro-punk e de classicismo, mas só assim de lado do prato, com um cheirinho de pop, mas como a pop, como a noz-moscada se nota logo… Nota-se logo. Sinfónico, cada música atravessa pelo menos 3 canções. E um bocado de rave, claro, daquele com saltos em cima de amplificadores e a partir teclas de piano com os pés.

Fenther – Palavras finais...
The Dorian Grays – Um enorme bem-haja por nos fazerem tantas perguntas. E um grande-enorme bem-haja para quem as veio ler!

Vitor Pinto






Está ai o segundo registo dos La la la ressonance. O Fenther esteve à conversa com a banda de Barcelos.

Fenther – Qual o tamanho do passo dado entre os The Astonishing Urbana Fall e os La la la ressonance?
La la la ressonance – É do tamanho de um salto paradigmático, pois apesar de ambos os nomes se referirem ao mesmo grupo de pessoas, em termos estéticos não há muitos pontos de contacto. E o mais bizarro é que nem sequer podemos falar dum processo consciente de mudança desencadeado por um qualquer tipo de saturação da sonoridade anterior, muito pelo contrário. Nós estávamos tão confortáveis na pele dos TAUF que chegámos mesmo a entrar em estúdio em 2005 para gravar aquele que teria sido o primeiro álbum da banda em cerca de dez anos de existência. Contudo, durante as gravações fomos surpreendidos por uma sonoridade de tal forma diferente de tudo o que tinhamos feito até então, que não havia como fugir à crise de identidade da qual emergiram os Lllr. Desafiando-me a mim mesmo a sintetizar as duas bandas em apenas três palavras, com o objectivo de melhor clarificar as diferenças entre elas, eu diria que se os TAUF eram corpo, incerteza e efemeridade, os Lllr têm muito mais a ver com cérebro, transparência e intemporalidade.

Fenther – Este é o segundo registo. Estão contentes com o vosso trabalho editado?
La la la ressonance – Claro que sim, sobretudo devido à complementaridade dos dois registos. O "Palisade", o nosso álbum de estreia editado em 2006, é um objecto estranho (no sentido mais "Tim Burton" da palavra) composto por 16 temas que, quer pela convivência improvável de universos sonoros distantes quer pela sua fragilidade, melancolia e contenção, mais parecem estilhaços da tal revolução identitária que se impôs durante o processo de gravação. O "Outdoor", por outro lado, é um disco sem qualquer pachorra para crises adolescentes. Três anos passados sobre a edição do "Palisade" eu diria que os La la la ressonance já não sabem nem querem ser outra coisa, daí que o segundo registo se apresente mais rítmico, alegre e "decibélico". E apesar de nele se materializar uma parceria insólita da banda com o Quad Quartet, um quarteto de saxofones erudito, nunca como agora fez tanto sentido em falar-se também duma coerência a nível estético.

Fenther – Como tem reagido a imprensa ao vosso percurso?
La la la ressonance – Depois da ousadia e imprevisibilidade dos TAUF julgo que a imprensa portuguesa estava já preparada para quase tudo, menos para o fim da banda. A notícia da nossa transmutação em La la la ressonance veio num primeiro momento revelar o peso da marca dos TAUF no panorama musical português, um peso que a nós nos surpreendeu pelo facto de nunca nos termos levado muito a sério. E confesso que a insistência nesse saudosismo taufiano por parte da imprensa, aquando da promoção do nosso primeiro disco como La la la ressonance, chegou mesmo a irritar-nos pois víamos o nosso entusiasmo com o presente ser sistematicamente forçado a responder sobre o passado. Mesmo agora, na promoção do Outdoor, julgo que ainda não demos nenhuma entrevista sem qualquer referência aos TAUF. Mas já sentimos que algo mudou, pois esta menção parece-nos ser agora mais uma questão de genealogia, uma breve passagem pelas origens que dá lugar de forma cada vez mais rápida a um interesse genuíno por aquilo que andamos a fazer agora.

Fenther – E os concertos tem corrido bem? Por onde tem passado?
La la la ressonance – Ainda mal começamos, mas até agora os concertos que demos excederam as nossas expectativas tanto em termos de bilhetes vendidos como de entusiasmo por parte do público presente. Começamos em "grande" num Pequeno Auditório do Theatro Circo de Braga praticamente esgotado, com nove músicos em cima do palco - banda + Quad Quartet - a deixarem-se levar por quase hora e meia de música instrumental, um formato no mínimo arriscado que mesmo assim conseguiu arrancar da sala uma reacção calorosa. Depois seguiu-se a prova de fogo no Subscuta em Barcelos, ou seja, levar o "Outdoor" ao palco sem o arsenal saxofonístico, e apesar da vantagem de jogarmos em casa foi reconfortante sentir que somos capazes de dar dois concertos bastante diferentes baseados no mesmo disco, sem qualquer complexo de inferioridade ou sensação de vazio motivados pela ausência do quarteto. Pelo meio demos um showcase no Porto na loja da CDGO.

Fenther – Os proximos serão onde?
La la la ressonance – Não sei se esta entrevista será publicada a tempo, mas no próximo fim-de-semana em plena noite das bruxas estaremos em Tomar no Theatro Bar. Depois faremos uma pequena pausa na tour de promoção antes de atacarmos Porto e Lisboa lá mais para o final do ano. Assim, tocamos no Passos Manuel no Porto a 28 de Novembro e no Teatro Aberto em Lisboa a 8 de Dezembro. E não posso deixar de referir que para além de voltarmos a contar em ambos os concertos com a presença em palco do Quad Quartet, iremos partilhar o cartaz dessas datas com o Noiserv, um projecto que acompanhamos com interesse e respeito há já algum tempo.

Fenther – Sentem-se apoiados por parte do publico, pela imprensa e pelo estado?
La la la ressonance – Já aqui falei da nossa relação com a imprensa e no que toca ao estado seria fácil preencher umas quantas linhas desta entrevista com clássicos retirados da análise política taxista da estirpe do "Isto é uma vergonha!", mas a verdade é que até hoje ainda mal batemos nessa porta. No que toca ao nosso público a primeira coisa que me ocorre dizer é que agora, pela primeira vez desde que somos La la la ressonance, julgo poder falar disso mesmo: do "nosso" público. Nos primeiros tempos era quase impossível discernir quem eles eram pois entre taufianos confusos, jazzers entediados e rockers imberbes a dar os primeiros passos longe das canções, a nossa música parecia atrair de tudo um pouco. Desta esquizofrenia inicial há um traço que se manteve até hoje e que é talvez o meu maior motivo de orgulho sempre que piso um palco enquanto membro dos Lllr: o carácter transgeracional das nossas audiências. Não dá para explicar o bem que sabe ver uma cabeça meia calva e esbranquiçada a abanar de contente ao ritmo da sapatilha All Star adolescente da cadeira do lado.

Fenther – Como definem o vosso som?
La la la ressonance – Não me levem a mal mas sempre achei que esta é talvez a questão mais infrutífera que se pode fazer a um artista que acaba de criar: a definição da sua própria obra. Especialmente num contexto de música instrumental, como é o caso dos La la la ressonance, pois se fizéssemos canções poderia pelo menos agarrar-me ao conteúdo das letras para tentar satisfazer a vossa curiosidade neste ponto. A verdade é que a definição é sempre posterior à fruição, por isso talvez um dia mais tarde quando a música do "Outdoor" já não mexer comigo a um nível tão visceral eu possa dar uma definição minimamente interessante. Para já só vos posso adiantar o óbvio: música instrumental situada algures num cruzamento entre o jazz, a pop, o rock e a música erudita... parece uma empreitada impossível, mas quem ouvir o "Outdoor" irá perceber o que quero dizer.

Fenther – Influenciados por quem ou por quê?
La la la ressonance – Os La la la ressonance são um grupo de pessoas de tal forma heterogéneo em termos de idades, vivências, rede social e actividades, que falar de influências da banda seria uma lista exaustiva de gostos pessoais sem denominador comum. No meu caso, por exemplo, teria de mencionar os estudos de Leo Brouwer para guitarra clássica como a obra com maior influência a nível técnico e harmónico na criação das minhas malhas lalalianas.

Fenther – Como vêm os La la la ressonance a actual musica nacional?
La la la ressonance – A multiplicação desenfreada de projectos musicais a que temos assistido nos últimos anos no panorama nacional, tem a meu ver consequências distintas. Segundo uma perspectiva quase darwinista parece-me óbvio que a explosão de actividade neste campo é de louvar pois há uma maior probabilidade de esbarrarmos em algo muito bom... mas por outro lado, corre-se o risco de nunca se dar essa colisão, de a boa música não conseguir sobressair do ruido circundante. A filtragem passa assim a ser uma tarefa fundamental, um aumento exponencial da responsabilidade da imprensa especializada que a meu ver ainda não tomou plena consciência deste facto.

Vitor Pinto






O Fenther teve o prazer de trocar algumas palavras com os Irlandeses Fight Like Apes. Delicioso!

Fenther – Tell us who are Fight Like Apes and when it starts?
Fight Like Apes – Fight Like Apes are a 4 piece band from Dublin. We weigh in total just over 250 Kilos. Our combined ages are now officially over 100. Amazing, no? We started playing music together about two years ago out of pure boredom. Funny thing is, the boredom is now gone! Maykay, Pockets, Adrian and me, Tom! are the names of the members.

Fenther – How you define your sound?
Fight Like Apes – Angry, noisy synth punk. We take influences from Pavement, Yo La Tengo, Atari Teenage Riot, Sonic Youth etc. We don't really sound like them though, maybe we're a bit more like Bikini Kill or Babes In Toyland.

Fenther – "Fight Like Apes and the Mystery of the Golden Medallion" what it means?
Fight Like Apes – This is our debut album title. The title comes from an often forgotten episode of the MR. T cartoon where the medallion is stolen from the Olympics by a pair of thieves. It's a sinister tale. Don't be fooled by the cartoon-ish presentation of this programme. It is certainly hard hitting and definitely nail biting. We believe in MR. T very strongly.

Fenther – Are you happy with this work?
Fight Like Apes – Oh, very much so! We produced the best album we could at the time and are all very proud of it! Hopefully the next will be just as much fun to produce. It was made in Seattle WA, and having to live in a city like that for a month is an amazing and weird experience.

Fenther – Your next gigs you play where?
Fight Like Apes – At the moment, we're finishing our run of the summer festivals! Next is a tour of Germany and some dates in Belgium and Netherlands in the autumn. I want to go to Portugal, because I've never been!

Fenther – You know Portugal? What?
Fight Like Apes – Yes! I want to go. I hear it's hotter than a cup of English tea in the summer. Maybe I'll go in winter. We don't hear much about Portuguese music, are Tara Perdida worth checking out?

Fenther – Plans for the future?
Fight Like Apes – Make another album! We begin writing again as soon as the German tour is over. This should be an interesting time. Then, hopefully we can release it next year! Boom.

Fenther – Choose one song of this record... (Tell us why this choice)
Fight Like Apes – My favourite might be 'Digifucker'. We put like, a million instruments into it and made it completely ridiculous. You can tell that the song really tells a story. I like the french horn.

Hope see you soon here in Portugal...
Yes!
Thanks! Cheers...

Obrigado! I am Tom.

Vitor Pinto






JP Coimbra em conversa com o Fenther a proposito da estreia do projecto Andrew Thorn.

Fenther – Como nasce este projecto?
Andrew Thorn – A ideia surgiu por volta de 2007, quando começaram a surgir alguns temas que não encaixavam, nos projectos que até então vinha a desenvolver. Achei por isso, que o melhor seria, iniciar algo de raiz, onde pudesse dar seguimento a estas ideias.

Fenther – Uma vontade de fazer coisas novas, diferentes?
Andrew Thorn – Sim, Representa a vontade de 4 pessoas que querem tentar coisas novas. Vejo quase como uma obrigação, tentar em cada disco, ir um passo à frente daquilo que já fiz. Acho que nos mantém despertos.

Fenther – Este é um EP de apresentação ou de teste?
Andrew Thorn – As duas coisas. Quando lanças alguma coisa, ficas sujeito ao escrutínio dos que te vão ouvir. É o contrato! Existiam estes temas e quisemos lança-los agora, por achar que não fazia sentido, esperar por mais temas ou usar outros existentes, mas que não preenchiam os requisitos.

Fenther – Muito bem conseguida a versão de Tricky. São seguidores dele?
Andrew Thorn – Quando surgiu sim. os primeiros discos foram muitos inovadores. Eu comecei a compor da mesma forma que ele fazia: sampler e caixa de ritmos. Não altura não sabia tocar nenhum instrumental tradicional e o sampler permitiu-me fazer os meus primeiros temas. Há uns meses, estava a tocar num teclado antigo e veio-me à memória esse tema. Ficou bastante diferente do original!

Fenther – Vão andar na estrada a apresentar Andrew Thorn?
Andrew Thorn – Sim, temos uma digressão planeada a partir de Outubro.

Fenther – Já se apresentaram ao vivo, quais as reacções?
Andrew Thorn – •Muito boas. Já o tínhamos feito antes do disco sair e foi uma das razões que levou a grava-lo. Ver a reacção das pessoas, nos concertos, foi inspirador.

Fenther – Como vêm a musica nacional actualmente?
Andrew Thorn – Acho que está a passar um dos seus melhores momentos. Há muitas bandas com qualidade e isso só faz bem, empurra para cima e cria um clima competitivo, mas salutar.

Fenther – Vamos poder contar com um álbum Andrew Thorn em breve?
Andrew Thorn – Sim. Em princípio para o ano...

Vitor Pinto






Ölga em conversa com o Fenther a proposito do novo "LA RÉSISTANCE". As palavras de João Hipólito.

Fenther – Depois de tanto tempo, o regresso. Como estão actualmente?
Ölga – Bem, de momento estamos na estrada a promover o nosso novo trabalho LA RÉSISTANCE e a compor e gravar novos temas.

Fenther – Esta paragem foi necessária para retomar forças e seguir um novo rumo?
Ölga – Na realidade não houve paragem, o processo de construção deste novo trabalho começou quando ainda estávamos a promover o « what is » e decidimos abdicar das actuações ao vivo para nos dedicarmo-nos durante um período de tempo apenas á composição dos temas que incluímos no LA RÉSISTANCE. Em 2007 fomos para estúdio e devido a alguns problemas de carácter artístico que culminou com a rescisão do contrato com a nossa antiga editora Borland, o processo de edição foi atrasado.
Decidimos então assumir todo o processo de produção e misturamos o álbum nos estúdios Golden Pony com a preciosa colaboração do Eduardo Ricciardi, que nos orientou e tornou possível a concretização das nossas ideias, e finalmente fizemos a masterização em N.Y com o Tom Durack. Desta forma garantimos que o produto final fosse do nosso agrado e correspondesse às nossas exigências, infelizmente todo este processo foi demorado, mas foi algo que nos deu ainda mais vontade de continuar.

Fenther – Descrevam-nos La Résistance (o vosso novo álbum)…
Ölga – O LA RÉSISTANCE e o fruto da continuidade e maturação do projecto, é um álbum eclético onde se denota a fusão de diferentes estilos que compõem o nosso universo musical. Centrado numa base rock com influências psicadélicas é um álbum que vive de intensidades e detalhes ao nível das vozes e da composição dos arranjos instrumentais.

Fenther – Foi complicado edita-lo?
Ölga – A edição foi também algo complicado e caricato, pois após a rescisão com a Borland, naturalmente contactamos com outras editoras para a possível edição e distribuição do LA RÉSISTANCE. Depois de analisadas as diferentes propostas, optamos uma vez mais por assumirmos nós a edição, pois embora seja mais trabalhoso as vantagens são sempre maiores quando comparadas com as oferecidas pelas editoras. Optamos por realizar uma edição física de “luxo” em digipack com um layaout e cd muito porreiro (como se fosse um objecto de colecção para gente que ainda prefere o cd ao mp3), e contamos para isso com a ajuda da Skinpin Records que lançou 200 unidades para promoção e também com o apoio da Skud&Smarti para a distribuição física do álbum. Pretendemos também disponibiliza-lo e edita-lo online.

Fenther – Vão apresenta-lo ao vivo por onde?
Ölga – De momento já temos concertos agendados durante todo o mês de Setembro e Outubro, para Lisboa, Porto, Guimarães e Barcelos e iremos realizar showcases de apresentação pelas fnac’s de todo o país. O nosso intuito é promover ao máximo o álbum em Portugal e pretendemos também tocar além fronteiras, nesse sentido existe já a possibilidade de realizar alguns concertos em Brooklyn e em Barcelona, vamos ver…

Fenther – Quais as vossas actuais referencias?
Ölga – • Apenas falando por mim e nas coisas mais actuais fascina-me a loucura e harmonia de bandas como os Animal Collective, Arcade Fire e os The Dodos, mas não deixo de me surpreender pela simplicidade e pela força de bandas da velha guarda como os Pixies, os Beatles e dos Pink floyd na sua fase mais psicadélica.
No panorama nacional ando a ouvir os Gnu e Norberto Lobo que é sem duvida uma referência na forma de tocar guitarra.

Fenther – Como está a actual musica nacional na vossa opinião?
Ölga – Existe muita gente a fazer boa musica, e nesse aspecto penso que basta ouvir a compilação dos novos talentos da fnac, ou programas como o do Henrique Amaro para se ficar com um visão bastante positiva daquilo que se anda a fazer em Portugal. No entanto penso que o que falta são apoios por parte da indústria musical, dos promotores de espectáculos e do público que parece estar adormecido…

Fenther – • Ultimas palavras…
Ölga – “LA RÉSISTANCE”:

1. Força por meio da qual um corpo reage contra a acção de outro corpo.
2. Defesa contra o ataque.
3. Oposição.
4. Delito que comete aquele que não obedece à intimação da autoridade.

(João Hipólito)
ölga

Vitor Pinto






Sizo e o album de estreia "Got To Love People Who Set Themselves Up For Disaster".

Fenther – Como estão os Sizo actualmente?
Sizo – Bem, de saúde e sem gripe A.

Fenther – Estão de regresso ao activo depois de uma intensa jornada no passado. Qual o saldo da promoção de "Nice to Miss You"?
Sizo – Bom, muito bom, tendo em conta um disco que não teve edição física até agora, em que esse trabalho de promoção foi feito por nós sem qualquer tipo de agência, e nos fez tocar em Festivais como Paredes de Coura, Alive, Noites Ritual, ir aos Açores e ir a Espanha várias vezes, tocar com boas bandas. Grande parte destes concertos foram memoráveis para nós. Tendo em conta estes aspectos, acho que foi muito bom.

Fenther – Aparecem então este ano com um novo single. Fala-nos sobre ele...
Sizo – Chama-se She Nods, é uma letra que fala sobre uma relação, e uma música de uma banda que voltou com fome de tocar.

Fenther – Tema este que está a ser cartão de visita para o novo àlbum dos Sizo?
Sizo – Sim, foi-lhe dado o nome de single.

Fenther – Será uma edição de autor, disponivel para download como aconteceu com o anterior album?
Sizo – Não, este disco tem edição fisica, juntamente com o anterior Nice To Miss You, que vem aqui como cd bónus. Já está á venda nas lojas de discos mais interessantes.

Fenther – Vão começar já a roda-lo na estrada, ou aguardam pela edição? Já há concertos marcados?
Sizo – Somos uma banda que mal faz uma música nova, experimenta-a ao vivo para ver como resulta. Acho que se tocassemos sempre a mesma coisa, nos iamos fartar. Da mesma forma que adaptamos músicas que já tocamos há algum tempo, e da mesma forma que pegamos em músicas dos sonics, dos devo ou dos voidoids. Gostamos de ir mudando.

Fenther – Vão trabalhar com a Xinfrim? Como apareceu esta união?
Sizo – Amigos em comum, interesses em comum.

Fenther – Ao vivo, vão manter a mesma energia que os Sizo nos mostraram anteriormente?
Sizo – Vamos ser o que sempre fomos ao vivo, se calhar mais competentes. A tendência é ir aprendendo e melhorando.

Fenther – A web continua a ser uma ferramenta importante para vocês?
Sizo – Sim, no sentido de espalhar informação e chegar ás pessoas de uma maneira mais ou menos livre. O video não passa na mtv, mas passa nos youtubes, ou vimeos, que são sitios que nos interessam.

Fenther – Definam em poucas palavras o registo GTLPWSTUFD...
Sizo – Rock prá frente.

Vitor Pinto




A Jigsaw e o fabuloso "Like the Wolf". Tema de conversa com o Fenther.

Fenther – Como nasce este projecto?
A Jigsaw – Este projecto nasceu da vontade de criar música. Supomos que não tenha sido muito diferente dos primeiros passos de tantas outras bandas. Claro que no nosso caso, quando começámos, as pessoas que constituíam os a Jigsaw não éramos os três. A formação foi-se alterando com os anos, excepto no caso do Jorri e do Joao Rui, que já cá estão desde o início. Entretanto a Susana tornou-se parte integrante da banda após ter sido convidada para o nosso primeiro álbum “Letters From the Boatman”, onde veio contribuir com o violino para duas faixas.

Fenther – A edição do EP "From Underskin" foi um passo importante para estarem aqui hoje?
A Jigsaw – Sem dúvida. A edição desse Ep foi de suma importância, porque foi a primeira vez que decidimos calcular de forma profissional a nossa carreira enquanto artistas, no que diz respeito à vertente discográfica e a forma como depois se transporta isso tudo para a mecânica da banda que, até essa data, poderia ser considerada mais “errante” ou mais “amadora”. Claro que agora olhamos para trás e conseguimos ver a forma como errámos em algumas coisas, ou que as poderíamos ter feito melhor, mas achamos que são passos importantes pelos quais todas as bandas acabam por passar. Até ao nível da “construção” ou da procura incessante do nosso som, esse registo em disco foi importante, porque são marcos a partir dos quais se partem para outros caminhos.

Fenther – Três anos depois a edição do primeiro álbum. Como correu?
A Jigsaw – Quando gravámos o “Letters From The Boatman” já sabiamos que não íamos ser um mega sucesso de vendas, que de um momento para o outro íamos ser reconhecidos na rua… Sabíamos, isso sim, que naquele momento estávamos a dar o nosso melhor e que estávamos no início de uma viagem, que esperamos que seja longa. Ainda assim, as coisas correram muito bem, o álbum esteve em bastantes listas dos melhores do ano, o single “Lion’s Eyes Louder” esteve 10 semanas consecutivas no top da Antena 3, tendo inclusive chegado a primeiro lugar, fomos convidados pela mesma rádio para o tocar no seu 14º aniversário, fomos destaque na Antena 1, para a qual fizemos uma versão de um tema intemporal do David Bowie, “Rebel Rebel”.
Mas, acima de tudo, todo o trabalho que foi feito desde o lançamento do “Letters From The Boatman” fez com que, quando parámos para trabalhar neste novo trabalho “Like The Wolf”, soubéssemos exactamente o que queríamos, foi como o culminar da viagem do barqueiro, chegámos finalmente ao nosso destino. Por isso, resumindo, o principal resultado do “Letters From The Boatman” é o “Like The Wolf”, e quem ouvir os dois álbuns vai perceber que muita correu bem desde então.

Fenther – Como aparecem aqui tantos convidados de "luxo"?
A Jigsaw – Os convidados aparecem de uma maneira bastante natural. Tínhamos acabado de ficar sem baterista e decidimos logo que íamos convidar várias pessoas, fizemos os convites que culminaram na presença do Bérito, do Sérgio Nacimento e do Kaló. Depois, à medida que trabalhávamos nas músicas, fomos sentindo a necessidade da presença de mais instrumentos, instrumentos esses que na altura não tocávamos, como foi o caso do Gui na harmónica, do Marco Nunes na lap steel ou do Carlos Santos no acordeão. Tivemos ainda a presença da Raquel Ralha nas vozes, da Marta Navarro no violoncelo e da Susana no violino, que na altura ainda foi só convidada. Esse convite acabou por culminar na entrada da Susana nos a Jigsaw depois da saída do Augusto Cardoso, que hoje é o guitarrista dos Bunny Ranch.
Mas acima de tudo pretendíamos que os convidados trouxessem algo de seu e as músicas deixassem de ser apenas nossas… e agora já não o são.

Fenther – Como definem o som de A Jigsaw?
A Jigsaw – Sermos nós a definirmos o som é subjectivo, ou pelo menos parcial. Curiosamente, uma das grandes diferenças que sentimos durante o processo de criação deste “Like The Wolf” em relação ao álbum anterior foi o sentir que estávamos a caminhar para um terreno nosso. Demasiado nosso. Se durante o “Letters…” poderíamos sentir que estávamos mais próximos de um ou outro tipo de música, desta vez tivemos a nítida sensação que estávamos a criar o nosso som. Não querendo obviamente dizer com isto que não há referências, mas que desta há um cunho muito pessoal de nós os três.

Fenther – 2009 e um novo registo "Like the Wolf". Foi dificel pôr este álbum cá fora?
A Jigsaw – Não foi difícil, mas sim trabalhoso. O álbum está ser preparado desde 2007, altura em saiu o “Letters From The Boatman”, que coincidiu com a saída do Augusto Cardoso e da entrada da Susana Ribeiro. Começamos aí uma nova etapa na vida dos a Jigsaw, nova formação, novos instrumentos, o elemento feminino na banda, novos métodos. E foi este o começo. Depois, e como já tinha acontecido no álbum anterior, surgiu o conceito pelo qual se ia reger tudo, letras, músicas, grafismo, fotos, vídeos – o tal Lobo de que se fala… “Oh let’s just sing of the old, the good old days, Let’s just bring them back, And hear them on hi-fi stereos”. A partir daí foi dar forma a canções que iam sendo escritas entre ensaios e concertos. Fechamo-nos na sala de ensaios e começamos a gravar as ideias que tínhamos e a fazer arranjos, enretanto o nosso produtor Miro Vaz, com quem já tínhamos trabalhado no “Letters From The Boatman”, já ia pensando na melhor forma de dar vida às nossas ideias. Mas acima de tudo foi sempre um processo bastante natural, muito orgânico. Quando chegámos a estúdio, foi meramente mais uma etapa, que culminou com o cuidado nas misturas. Como se costuma dizer, quem corre por gosto não cansa e nós neste caso corremos a maratona com no coelho da Alice do país nas Maravilhas como lebre.
Acima de tudo com este álbum procurámos criar uma identidade própria, nos arranjos, na produção, no conceito, e sinceramente achamos que conseguimos, pelo menos estamos bastante satisfeitos com o resultado final.

Fenther – Quem são os convidados desta vez?
A Jigsaw – Desta feita, os convidados foram a Becky Lee Walters, a nossa one girl band do Arizona, que nos veio acompanhar na voz, no tema “His Secret” e no” Reurn To Me”. Tivemos dois membros dos Soaked Lamb em duas faixas: o Gito no contrabaixo e o Miguel Lima na bateria, o Carlos Ramos dos Pluma em algumas baterias e, por fim, tivemos o nosso Drunken Sailors Choir, formado por vários elementos que estiveram directa ou indirectamente envolvidos na concretização deste sonho: Banda, Amigos, Convidados… e o omnipresente Jackie!
Não o podendo chamar de convidado, porque é um amigo e depois ainda acumula o cargo de Produtor, engenheiro de som, masterizador e tudo o mais, tivemos mais uma vez ao comando das gravações o Miro Vaz, provavelmente a única pessoa que era capaz de registar este álbum desta banda, tal qual nós o imaginávamos, e ainda capaz de nos surpreender com o seu input criativo. Um “convidado” de respeito.

Fenther – Vão apresentá-lo ao vivo? Por onde?
A Jigsaw – Vamos fazer a habitual peregrinação pelas fnac’s na senda da promoção ao álbum, passando também por algumas salas onde fomos muito bem recebidos no passado, como é o caso do Maxime ou da Tertúlia Castelense. Principalmente queremos chegar ao maior número de pessoas.
Mas acima de tudo, ao vivo, vamos tentar reproduzir o mais fielmente possível o “Like The Wolf”, claro que como gravámos cerca de 18 instrumentos em estúdio será sempre impossível reproduzir na integra este álbum ao vivo, mas vamos tentar fazer com que quem ouça o álbum e veja um concerto nosso não estranhe, reconheça as músicas, mesmo que sejam tocadas de maneira diferente. Embora nunca deixando o formato mais intimista, mas despido, voltando à raiz da construção das músicas.
Além disso vamos tentar que seja com este álbum que galguemos fronteiras, e alarguemos território, saindo de Portugal, possivelmente começando por Espanha, mas com música na bagagem para chegar a paragens bem mais longínquas.

Fenther – A fechar... três palavras para descrever este trabalho, que na nossa opinião, se arrisca a ser álbum do ano...
A Jigsaw – Sangue, Suor e Lágrimas…

Fenther – Como acham que está a musica nacional actualmente?
A Jigsaw – Sinceramente achamos que é cada vez melhor e em maior quantidade. É fácil enumerar projectos que tem bons álbuns, bem gravados, bem produzidos, estética e liricamente ricos… Sendo nós de Coimbra, é com agrado que vemos bandas como WrayGunn, Lengendary Tiger Man, Bunny Ranch, D3O, JP Simões, Anaquim, Sean Riley and the Slowriders serem reconhecidos nacional e no caso de WrayGunn e Legendary terem já um historial rico além fronteiras… e achamos que o que falta, é as bandas acreditarem que é possivél ir lá para fora, apostarem na qualidade e arriscar, porque uma boa música, será sempre uma boa música, aqui em Portugal ou em qualquer parte do Mundo. A massificação da internet veio tornar isso possível.
A música made in Portugal está de boa saúde e recomenda-se. Por isso vão ver concertos e comprem cd’s de bandas portuguesas, que provavelmente irão ter boas surpresas.

Vitor Pinto






Old Jerusalem apresenta o novo registo "Two Birds Blessing" no Fenther. As palavras de Francisco Silva...

Fenther – Francisco, como está a aventura Old Jerusalem actualmente?
Old Jerusalem – Está bem, obrigado. :-) No fundo, prossegue o seu percurso, sem grandes percalços mas com suficientes novos caminhos para manter a sua relevância.

Fenther – Este novo disco, foi pensado para ser um grande disco ou nasceu naturalmente?
Old Jerusalem – Bom, idealmente todos os discos são pensados para serem grandes discos, na mesma medida em que todos nós tentamos ser as melhores pessoas que pudermos ser. Nesse esforço alguns chegam ao topo do Evereste, descobrem a relatividade, pintam a Mona Lisa, etc; outros ficam um pouco aquém desses feitos grandiosos e de grande visibilidade. Certamente todos queriam chegar tão longe quanto possível.
Eu queria o mesmo para este disco, como é evidente, quero sempre, mas as circunstâncias que envolvem a confecção de um álbum de Old Jerusalem ditam também que a sua germinação não pode ocorrer de outra forma que não seja "natural": não há tempo ilimitado para dedicar ao arranjo e gravação das canções, pelo que o tempo de trabalho no disco tem de ser conjugado com os outros tempos de que é feita a vida comum de todos os dias. Acho que a isso se pode chamar "nascer naturalmente".

Fenther – Em três palavras define este disco.
Old Jerusalem – TWO. BIRDS. BLESSING.
Desculpa, não resisti, sou mau a responder a perguntas deste género, não saberia descrever em três palavras o disco. Em boa verdade, também não saberia fazê-lo em 100 palavras... :-)

Fenther – Uma paragem agora pela Rastilho. Como aconteceu?
Old Jerusalem – Embora o trabalho com a Bor Land tenha sido até ao momento (e continue a ser, eles continuam a gerir as marcações de concertos de Old Jerusalem) bastante positivo, os timings que eu tinha programado para o lançamento deste disco não eram adequados para que fosse a Bor Land a editá-lo. Concordámos por isso que o que melhor convinha a todos era que eu procurasse outras alternativas de edição. Já tinha conhecimento do trabalho da Rastilho, e sempre me pareceu bem conduzido, pelo que, quando manifestaram interesse em editar o álbum, as coisas conjugaram-se rapidamente.

Fenther – Já há datas para o apresentares ao vivo?
Old Jerusalem – Estamos a trabalhar no agendamento de concertos de apresentação do disco. Neste momento estão confirmadas apresentações ao vivo a 3 de Abril, no Porto (Maus Hábitos), 4 de Abril em Estarreja (Cine Teatro de Estarreja), a 11 de Abril um showcase na FNAC de Coimbra, 18 de Abril em Lisboa (ZDB) e um showcase a 29 de Abril na FNAC Mar, em Matosinhos. Continuamos entretanto a trabalhar noutras datas, à medida que se forem confirmando serão adicionadas à agenda da página myspace de Old Jerusalem (www.myspace.com/oldj).

Fenther – Qual a exposição "live" de Old Jerusalem?
Old Jerusalem – O trabalho na marcação e gestão dos concertos de Old Jerusalem é um dos aspectos em que mais temos focado a atenção de há uns tempos para cá. Sinto que não estamos num nível de actividade ideal, gostaria de tocar mais, mas nem sempre nos são facilitadas as condições para o fazer. Vamos fazendo o possível, tentando ao mesmo tempo ir "forçando" a entrada num patamar mais confortável de funcionamento.

Fenther – Onde queres chegar? Objectivos?
Old Jerusalem – Tenho 2 ideias recorrentes que me aparecem por vezes como o melhor a que poderei aspirar: ter finalmente disponibilidade material e de tempo para gravar um/mais disco(s) sem as restrições que limitaram o trabalho nos álbuns anteriores; ter capacidade em algum momento para dedicar uns 5-10 anos da minha vida a fazer música em exclusivo. De resto, numa perspectiva mais próxima, apenas o de prosseguir com a actividade criativa de Old Jerusalem, em concertos, discos, colaborações, etc.

Fenther – Vamos esperar por mais retractos sonoros de Francisco Silva num futuro próximo?
Old Jerusalem – Espero que sim, há material suficiente para desenvolver mais algumas coisas e confio que a escrita de canções me continuará a interessar. Desde que as musas não amuem, eu lá vou escrevinhando... :-)

Vitor Pinto




O Fenther falou com Monstro Mau a proposito da edição do seu novo video.

Fenther – Como estão actualmente os Monstro Mau? E quem são os elementos actuais?
Monstro Mau – A formação continua a mesma desde o seu nascimento.Alex Liberalli – Voz, Budda – Guitarra, Nico – Bateria, Tó Barbot – Baixo.
Actualmente o Monstro Mau tem andado em gravações do 2.º álbum.
O ano de 2008 foi positivo para o Monstro mau, ganhámos o Festival Internacional de Vídeo clip de Póvoa de Varzim com o vídeo "Mostro o meu Monstro Mau". Entramos com dois temas na Telenovela portuguesa "Vila Faia".
Fizemos um série de concertos na Tour de lançamento do Álbum "Mostro o meu Monstro Mau"e tocamos por todo o país e gravamos o vídeo clip "Como é Bom"

Fenther – Por onde tem andado? Concertos? Composições?
Monstro Mau – Neste momento o Monstro Mau encontra-se no seu esconderijo secreto (em Braga, quem vai para o Lidl, não vira na primeira, não vira na segunda, vira na terceira) a preparar o seu 2º disco. Estamos também a organizar a Tour “Como é bom” com uma série de concertos. As composições não têm altura marcada, não paramos para compor ou coisa do género. A maior parte das músicas e letras são do Budda, que nunca escolhe hora para compor, basta apenas sentar-se no seu trono com uma guitarra. Depois, o Monstro Mau trata de arruinar o que foi criado e trazer cá para fora o que lhe vai na alma, traduzindo-se nesta sonoridade tão característica.

Fenther – Continuam a usufruir das instalações do Estádio 1º de Maio?
Monstro Mau – Sim, sem dúvida.

Fenther – Qual a vossa opinião sobre estas salas de ensaio em Braga?
Monstro Mau – Foi a melhor coisa que alguma vez foi feita no que diz respeito ao apoio às condições de trabalho das bandas. São salas completamente insonorizadas e acusticamente tratadas que permitem um convívio muito interessante de personagens e estilos musicais. Não queremos outra coisa, podemos dizer que foi lá que o Monstro Mau deu os primeiros passos e sem estas salas muita coisa não teria sido possível. Muitas bandas novas de Braga tiveram naquelas salas um refúgio para amadurecer, crescer e vingar na cena musical Portuguesa. Só lamentamos que muita gente que por lá passa não dê a devida importância ao que tem, não tendo o devido cuidado com o que é de todos.

Fenther – Vão iniciar uma tour agora? Por onde vão passar?
Monstro Mau – 21 Março: Bar concerto N 101 (Calda das Taipas), 27 Março: Alla Scala (Braga), 28 Março: Praça da Cidade (Oliveira de Azeméis), 3 Março: Plano B (Porto), 10 Abril: Cabaret Maxime (Lisboa) e 5 Junho: El Contrabajo (Pontevedra)
Ainda vão se agendar mais concertos, por isso temos o myspace para as pessoas mais interessadas estarem ao corrente de tudo: www.myspace.com/monstromau

Fenther – Qual o motivo desta tour?
Monstro Mau – Apresentação do 2.º VídeoClip "Como é Bom"

Fenther – Em poucas palavras definem o novíssimo single "Como é bom"...
Monstro Mau – É uma música que traduz um bocadinho a vertente mais calma e sensível do Monstro Mau, que para além de aterrorizar por onde passa, também tem um coração. Como nós.

Vitor Pinto




O Fenther esteve à conversa com Noiserv a proposito do seu album de estreia.

Fenther – Quem veste a pele de Noiserv?
Noiserv – David Santos, nascido a 7 de Abril de 1982 em Lisboa...Licenciado em Engenharia Electrótécnica e computadores...e recentemente a estudar música...

Fenther – Como nasceu esta ideia?
Noiserv – Ao ser um projecto de uma pessoa só, acaba por ser algo bastante pessoal não tendo por isso uma filosofia ou uma "ideia" pré-concebida à partida...acabou por ser algo que se foi construindo à medida que me fui apercebendo da minha paixão pela música do que com ela podia tentar transmitir...Teve talvez o seu momento inicial quando numa tarde, tive de decidir um nome para enviar uma maquete para concorrer ao termómetro unplugged do ano de 2005...e ficou "noiserv"...

Fenther – Quais os objectivos de Noiserv?
Noiserv – Como referia anteriormente é um projecto muito pessoal e dessa forma tem como objectivo conseguir de uma forma nem sempre clara transmitir o que me vai na cabeça...o que nem sempre é fácil...mas tento...

Fenther – «One Hundred Miles From Thoughtlessness» foi um trabalho dificil de elaborar?
Noiserv – Este disco acabou por sempre um processo de crescimento sobre o que era noiserv em 2005, Ep editado pela merzbau...e o que é agora...foi por isso um processo longo de perceber o que faria ou não sentido...até que ponto estaria a afastar-me ou não do essencial... O próprio nome significa essa viagem de afastamento do "Thoughtlessness" - (o não pensado) noiserv de 2005...

Fenther – Excelente grafismo! A quem se deve?
Noiserv – O grafismo deve-se na sua totalidade a um trabalho de equipa entre mim e a minha prima Diana (www.dianamascarenhas.com) pessoa em quem confio 100% para tentar transcrever aquilo que ela própria intitula de "ideias parvas do david"...

Fenther – E a ideia do lápis adicional?
Noiserv – Quando me apercebi que o disco era um bloco de notas de pensamentos e vivências minhas...e que eu própria ao revive-las, era capaz de modifica-las sempre um pouco...quis que quem as ouvisse pudesse fazer o mesmo...e como os próprios desenhos são passiveis dessas mesmas mudanças...achei que acrescentar um lápis dava a cada um o poder de acrescentar algo se assim fizesse sentido...e poder à sua maneira completar o que eu deixei incompleto...

Fenther – Onde te inspiras ou quem te inspira?
Noiserv – Não existe nada em que me inspire dedicadamente...acaba por ser o dia-a-dia que me dá vontade de fazer esta ou aquela música...este ou aquele bocado de uma outra música...

Fenther – Tens tocado ao vivo? Por onde?
Noiserv – Felizmente tenho tocado bastante, praticamente por todo o país...o que me permite mostrar o que faço a muitas pessoas...e julgo que isso é claramente o mais importante...relativamente a datas tenho sempre a informação actualizada em www.myspace.com/noiserv ou então www.noiserv.net...

Fenther – As reacções a este trabalho? Tens conhecimento?
Noiserv – As reacções que tenho tido conhecimento tem sido bastante boas, o que me dá uma grande vontade de fazer mais e mais...e um grande sentimento de dever cumprido, uma vez que a música são sentimentos e se de alguma forma conseguimos que esses sentimento cheguem as pessoas tudo faz muito sentido...

Fenther – Depois desta caminhada, o que podemos esperar de Noiserv?
Noiserv – Nem eu sei bem o que posso esperar...mas... vou tentar caminhar de novo...e que no fim da nova caminhada...tudo faça de novo sentido...

Fenther – Como está a musica Nacional actualmente na tua opinião?
Noiserv – Sinto que a música em Portugal está a evoluir ou pelo menos julgo que cada vez menos existe o sentimento "Isto é português, isto é mau" porque realmente não é mau...acho que é necessário Portugal conseguir de alguma forma uma internacionalização mais intensiva dos seus músicos...uma vez que tanto a nível de experiência/reconhecimento/confiança isso terá um papel muito importante..
Julgo também que há uns anos atrás era complicadíssimo ter músicos que admirássemos em Portugal, hoje em dia tudo passa por Portugal, só é preciso que também passem por Portugal, e com reconhecimento, os Portugueses...mas acho que as coisas andam a acontecer...

Vitor Pinto






O Fenther e a Garagem conversaram com Alec Empire antes da actuação em Portugal.

Fenther/Garagem – Em tempos referiu numa entrevista, que acima de tudo se considera um DJ, uma vez que gosta de testar os seus sons junto de um público, para mais tarde desenvolver um som final. O que mudou desde a queda do muro de Berlim, relativamente à receptividade do público?
Alec Empire – O mundo inteiro mudou desde a queda do muro de Berlim. Naquela altura os DJs e produtores partilhavam um sentimento de que fariam parte da invenção da música electrónica , ou pelo menos que elevariam a música a outro nível. Era muito gratificante. Eu penso que nestes últimos anos, a maior parte das técnicas musicais e ideias que tivemos na altura, foram aceites pela maioria do publico. Quando eu falo e trabalho com DJs mais novos eu denoto que eles acima de tudo têm muito respeito pela história que nos fizemos. De certa maneira isto preveniu-os de irem contra as regras. Por outro lado nos tínhamos a vantagem da nova tecnologia, nomeadamente a tecnologia do sampling, que na altura era algo inovador que convidava toda a gente a experimentar. Desde aí as coisas têm melhorado em termos de tamanho e capacidade de armazenamento, mas a ideia embrionária manteve-se a mesma.
Uma vez que eu cresci numa época de mudança, estou sempre à procura de algo diferente, ao contrario de trabalhar sob as regras. Se eu tivesse que descrever esta década então teria que usar como exemplo as redes sociais, que explicam quase tudo que se esta a passar. A maior parte das pessoas têm medo de ficar sozinhas, ou de serem rejeitadas pela maioria. Mas ser popular vem com um grande preço. E se uma pessoa quiser introduzir novas ideias e novas maneiras de pensar, especialmente na musica, então temos que correr o risco de confrontar a audiência. Sem isso?.a musica estagna.

Fenther/Garagem – O que está em jogo quando toca música com mensagens politicas?
Alec Empire – Tudo. A minha carreira, o apoio dos meus fãs, a minha vida. Soa dramático, mas é a verdade. A lista daquilo que uma pessoa não pode fazer é longa. Mas uma pessoa mantém a sua integridade, e a longo prazo acaba por pagar, permanecendo mais tempo no cenário musical. Eu recebo ameaças a todo o tempo. A maioria eu ignoro, mas algumas são mesmo sérias. A nossa sociedade está à beira de uma mudança. A maneira como os nossos pais viveram no ultimo século já não faz sentido. Temos hoje em dia a oportunidade de definir o mundo no qual queremos viver. E algumas pessoas não gostam.

Fenther/Garagem – Os ATR eram um banda politica, o teu projecto a solo é mais pessoal, e Bass Terror? O que o inspirou para criar Bass Terror?
Alec Empire – A Bass Terror era altamente virada para a politica quando começou. Surgiu para reagir contra o movimento Neo-Nazi na Alemanha. Desde então o problema tem aumentado. Eu vejo os neonazis como o maior problema que temos na nossa sociedade. A maior parte da nova geração não tem conhecimento desta história e de como esta é perigosa para todos nos. O fascismo esta lentamente a entrar na nossa sociedade. Apesar de aparentar estar diferente, esta mais perigoso que nunca. Eu sempre vi a cultura do "soundsystem" com as suas raízes na Jamaica dos anos 60 como algo que servia para unir as pessoas localmente. Temos visto corporações a tomar medidas para destruir cenas musicais locais em todo o mundo, para poderem maximizar os seus lucros.
Isto já não se trata de entretenimento. Isto é Guerra. Se nos perdermos esta batalha, então iremos enfrentar uma situação na qual as pessoas não poderão exprimir a sua voz. Atrás da cortina estamos a ser confrontados com uma estratégia "Walmart", que é difícil de explicar aos fãs, uma vez que não é muito visível., e é bastante complexa. Nos últimos dois anos eu apercebi-me, ainda mais, do quanto é importante criar e apoiar apoios para os músicos underground, promotores e fãs.

Fenther/Garagem – Acha que também é possível passar uma mensagem na musica electrónica, nomeadamente na musica jungle?
Alec Empire – A musica em si já carrega uma mensagem: Não se conformem! Determinem a vossa própria vida. Uma das partes mais importantes da cultura de DJ é, e eu refiro-me à verdadeira cultura DJ, é que os DJs têm acesso a musica já gravada e mudam-na à sua maneira. Os mixes dos DJs estão sempre a mudar, novas ideias são assim concebidas. O crescimento do indie rock nestes últimos anos afastou a ideia antiga do que era um DJ, um "entertainer", escravo da industria musical. Basicamente o DJ recebe promos, incluindo vários remixes para promover o ?produto? num certo espaço, a um determinado publico, e o nível de criatividade é menos que zero. Isto mata a arte de DJing. Para mim um DJ é o elo que liga um musico, a um produtor a uma audiência. È mais do que uma arte. O DJ reflecte o que esta a acontecer no momento. Ele ou ela podem manipular o som e inseri-lo num contexto diferente. E esta é a base do pensamento independente. E isto é politico.

Fenther/Garagem – O que é que o atrai no drum and bass/jungle?
Alec Empire – Eu adoro o tempo, a maneira como o ritmo é usado e desenvolvido. Eu adoro o impacto das batidas. Idealmente a musica pode mesmo mudar a maneira das pessoas pensar. A maneira como certas ideias são compostas num tema, e mais tarde modificadas. Esta é a parte que mais gosto. Também gosto do facto deste género de musica ser talvez o único género que muda os samples radicalmente. Não se encontra isso em mais nenhum género. A principal prioridade deste género é criar um impacto físico no ouvinte. Para mim, ainda é algo por responder o porque do hip hop ter abdicado desta parte. Houve uma altura que parecia que o drum and bass também iria cometer o mesmo erro, mas de à um ano para cá, que me apercebi que não, porque tem havido muito bons lançamentos.

Fenther/Garagem – O que espera de um regresso ao jungle? Como acha que esta geração ira responder a esse regresso?
Alec Empire – Eu não vejo isto como um regresso. Nos iremos voltar atrás no tempo, recolher o que é bom, e criar algo de novo. Se nos tentarmos recriar algo que já passou, então iremos falhar. E não podemos arriscar falhar. Não agora.

Fenther/Garagem – O que acha do cenário musical presente? Como ira ser no futuro? Que sons podemos esperar ser reinventados?
Alec Empire – Iremos ver a industria musical a colidir. Isto não acontece de um dia para o outro, é um processo e já começou à já alguns anos. Estamos a aproximar-nos de uma grande mudança no que diz respeito à musica. O velho século esta a terminar, e estamos a entrar numa nova época, após alguns anos perdidos num conservadorismo musical. Os tops já não interessam, a imprensa tradicional perdeu o seu poder, bem como a rádio. Esta cada vez mais difícil chegar a um consenso musical na nossa sociedade. E eu penso que não necessitamos mais disso. A musica pop esta a acabar. Esta é uma consequência da globalização. Uma boa consequência.

Fenther/Garagem – Em que aspecto considera a violência necessária? Que mensagem queria passar, quando se cortou em palco com uma gilete?
Alec Empire – O episodio da gilete deveu-se apenas pelo facto de eu estar deprimido na altura. Estou contente de que essa fase já passou e que me posso concentrar na musica outra vez. Para mim a violência faz parte de quem somos. Ninguém gosta de violência. E quando somos forçados a usa-la, deveremos ter a certeza que a temos controlada. A policia na Grécia que assassinou o jovem ultrapassou os limites, e ira pagar muito caro. Nos anos 60, na Alemanha, o Exercito Vermelho participou em algo semelhante. As autoridades têm conseguido manter o seu poder, apenas porque ameaçam a liberdade das pessoas. De onde eu venho, nos temos autoridade porque as pessoas nos respeitam, e não porque temos uma arma apontada às suas cabeças.

Fenther/Garagem – Também compõe bandas sonoras. Como é que uma pessoa que no passado despediu-se da editora Phonogram para ter controlo criativo, consegue trabalhar sob a visão de um realizador?
Alec Empire – Eu apenas trabalho com realizadores que me permitem uma certa liberdade. Para mim cada projecto tem que ser desafiante e interessante. Eu sempre gostei de trabalhar com outras pessoas, desde que haja respeito mutuo. As editoras de renome não respeitam os artistas, mas sim aproveitam-se deles. Isto também acontece no mundo do cinema, mas eu tento evitar esse género de filmes. Todas aquelas bandas sonoras magnificas, foram produzidas de uma maneira única. "Taxi Driver" e "Blade Runner" são óptimos exemplos. Se um realizador conseguir juntar uma boa banda sonoro ao seu filme, toda a gente sai a ganhar. Não há certo ou errado, muitos filmes podem ser interpretados de maneiras diferentes pelo compositor. Por isso é sempre muito intenso. Mas eu gosto disto. Estou sou muito mais receptivo a criticas e mudanças do que as pessoas poderão pensar. Eu gosto de ver as coisas, filmes, de vários ângulos. Os realizadores com quem tenho trabalhado têm apreciado essa minha faceta.

Fenther/Garagem– O que podemos esperar do seu DJ-set no ano novo? Os fãs de ATR terão a oportunidade de ouvir sons dos Atari?
Alec Empire – Sim! Irá ser um set muito espontâneo. Estou ansioso pelo evento. Eu acho óptimo que um evento com este line-up aconteça. Tenho muitas musicas nunca antes lançadas na minha mala.

Fenther/Garagem – Iremos ouvir Alec no microfone?
Alec Empire – Se me derem um, irei usar!

Vitor Pinto / Garagem




O Fenther foi descobrir o que andam a fazer os Dazkarieh.

Fenther – Como estão os Dazkarieh actualmente?
Dazkarieh – Muito bem, a preparar o novo disco. Iniciamos as gravações em Novembro e estamos muito motivados.

Fenther – Por onde tem animado as almas com o vosso enorme espírito festivo?
Dazkarieh – Este ano tocámos essencialmente fora de Portugal. Realizamos a nossa primeira digressão fazendo 10 concertos de seguida na Alemanha. Também passámos pela Polónia, Bélgica e Suíça.

Fenther – Ainda a apresentar «Incógnita Alquimia» ou já com novos temas?
Dazkarieh – No inicio do ano o alinhamento era essencialmente «Incógnita Alquimia» mas a partir de Agosto começámos a tocar já novos temas e, neste momento andamos a experimentar muitas músicas novas ao vivo.

Fenther – Por onde vão passar ao vivo?
Dazkarieh – No próximo ano temos já agendadas duas digressões na Alemanha (uma em Maio de 15 concertos e outra em Outubro de mais 10). Também estamos em negociações para alguns concertos em Itália e na Polónia. Ainda neste ano, temos um concerto em Espanha 25 de Outubro e dois concertos na Alemanha em Novembro para além de um concerto em Lisboa no inicio de Dezembro.

Fenther – Têm sido bem aceite por onde passam?
Dazkarieh – Sim, temos sido muito bem recebidos.

Fenther – Melhor compreendidos do que em Portugal?
Dazkarieh – De uma forma diferente. No estrageiro, somos a banda de fora e por esse motivo as pessoas estão mais receptivas à nossa música. Mas em Portugal também somos muito bem recebidos e temos já um grupo considerável de pessoas que nos seguem e nos acarinham.

Fenther – Preparam já novo disco?
Dazkarieh – Sim, é a nossa grande prioridade neste momento. Esperamos lançá-lo em Março do próximo ano.

Fenther – Vai haver novidades? Podem desvendar?
Dazkarieh – O som está um bocadinho diferente, isto, porque ao longo dos últimos dois anos temos feito muitas experiências nos concertos por um lado, por outro temos alguns instrumentos novos como o cavaquinho, a sanfona e um bouzouki costumizado (um híbrido que mistura baixo e bouzouki) e por fim, como o Baltazar saiu do grupo, temos um músico novo (André Silva) que toca bateria e que vem acrescentar uma nova sonoridade à banda.

Fenther – Como está a musica nacional actualmente na vossa opinião?
Dazkarieh – Está muito boa, há muitos grupos novos a fazer coisas boas e isto em todas as áreas. Acho que cada vez mais a coisa está a florescer. Os músicos já se aperceberam do poder da internet e que não têm de estar dependentes de editoras para fazer e divulgar a sua música.

Vitor Pinto




Conversas animadas com Miguel Dias. O cerebro de Rose Blanket!

Fenther – Como surge este projecto?
Rose Blanket – Surgiu em 2003, na sequência da dissolução de um projecto anterior. Preparei um conjunto de temas e posteriormente convidei pessoas com quem tinha trabalhado em projectos anteriores. A partir daí foi tudo um pouco rápido até ao 1º disco. Um ano, sensivelmente e estávamos a gravar o primeiro longa duração.

Fenther – Até chegares a este disco, qual foi o percurso?
Rose Blanket – Após o lançamento do primeiro disco e de alguns concertos de apresentação, fiquei logo com a sensação de que tinha terminado uma fase e que a partir dali as coisas seriam de forma diferente. Não sabia ainda bem como, mas tinha essa certeza. E de facto de depois de uma paragem mais ou menos longa, distante de tudo o relacionado com Rose Blanket, foi nascendo a vontade de trabalhar novos temas e aos poucos fui iniciando umas gravações caseiras com esboços dos temas e dos arranjos. Quando já tinha aquilo que pensava ser a estrutura do disco já preparada, parti para gravação no estúdio, sendo que não tinha a certeza se seria para mais tarde acabar em edição. Mas as coisas acabaram por ir-se desenvolvendo, surgiram as participações e quando terminou a fase de estúdio já estava grande parte das coisas praticamente decididas: ia editar em nome próprio, recorrendo quer a parcerias para a promoção, com a Let´s Start a Fire, como para a distribuição, com a Compact Records, quer a colaborações para o design do disco, para as fotos, etc…

Fenther – Foi importante a passagem pela independente Bor Land?
Rose Blanket – Sim, estou convencido que foi a melhor opção para a edição do primeiro disco. E até porque se tratava de um primeiro trabalho, o facto de ser editado por uma editora que na altura já tinha um catálogo reconhecido, facilitou um pouco a credibilização do projecto.

Fenther – Foi complicado por este disco cá fora?
Rose Blanket – Não, penso que não. Deu trabalho, claro que sim. Ocupou-me muito o pensamento, mas não foi complicado. É mais ou menos como aquele provérbio, quando tens prazer, ou neste caso, também acrescido de muita vontade, tudo o resto são pormenores.

Fenther – Contente com o produto final?
Rose Blanket – Sim, estou satisfeito. Mas acima de tudo com todo o caminho para o resultado final. É nesse caminho, na criação e na construção que encontro a verdadeira razão para isto tudo.

Fenther – Vindos de bandas tão distintas, como conseguiste reunir todos estes convidados?
Rose Blanket – Os convites foram sendo feitos à medida que os temas iam-se desenvolvendo, e na maior parte dos casos, os nomes foram-me sugeridos e felizmente todos os convites foram aceites. Na verdade, inicialmente só o Miguel Gomes (guitarra) e a Petra Pais (voz), é que já tinha a ideia que queria que participassem. Nos restantes casos foram surgindo de acordo com a vontade e necessidade de trabalhar com determinado instrumento, ou como no caso da Ana Deus, um pouco por acaso pois o tema em questão estava pensado para ser instrumental. No entanto, e o mais importante, é que em todos os casos as melhores expectativas foram ultrapassadas e sinto que em todas estas participações, houve espaço, maior ou menor, para a criatividade de cada um.

Fenther – Identificas-te com o som das bandas dos teus convidados ou admiras apenas o trabalho de cada músico?
Rose Blanket – Identifico-me bastante em por exemplo com o Complicado (Miguel Gomes), talvez aquele de maior identificação e mesmo admiração, mas também por exemplo com La La la Ressonance do André Simão, que felizmente conheci devido à sua participação. De toda a forma, não vejo essa identificação como algo de fundamental e se em muitos casos não conhecia os respectivos projectos, o que é certo é que fiquei rendido às capacidades de todos.

Fenther – O que te inspira? O que ouves regularmente?
Rose Blanket – Pergunta difícil. Particularizando para este trabalho, o que sinto, a esta distância, ainda curta, é que foi tudo muito impulsivo, espontâneo e a certa altura apercebi-me que tal se manifestava nas músicas, nos vários momentos que cada tema parece ter. Acredito que tal será fruto de ter trabalhado de uma forma muito solitária, deixando-me abandonar meramente na observação de sensações momentâneas, menosprezando a necessidade de um sentido para as coisas. Vendo as coisas desta forma, não consigo concretizar propriamente uma fonte de inspiração, tudo se foi passando ora deitado na cama ora no sofá, com a guitarra nos braços, a dedilhar qualquer coisa, aguardando que algo me prendesse, um acorde, um ritmo.
O que ouço regularmente…bem será algo que me deveria envergonhar, mas não ouço assim muita música. Tenho as bandas, os músicos que me arrebataram já há algum tempo e para algo de novo ocupar um espaço dentro de mim, não é fácil. E não tem a ver com exigência! Nada! Na minha relação com o que ouço, a resposta está no que sinto. Se sinto, gosto. Se nada sinto, para quê ouvir? Não me interessa a teorização sobre se algo é bom ou mau, se é original ou cópia. E lá está, vou ouvindo o Nick Cave e os seus Bad Seeds, os Velvet Undeground, a maravilhosa Lhasa,…e mais recentemente descobri os (ou “o”) Smog. Mais recentemente ainda, enamorei-me por Mountain Goats e por uma francesa desarmante, a Emily Loizeau. Tenho que prestar mais atenção ao The National que no outro dia em casa de um amigo, a jogar às cartas soou-me lindamente.

Fenther – Convidados do norte, produção e gravação no norte... Inspira-te os ares nortenhos?
Rose Blanket – É pura coincidência, uma série de circunstâncias tem levado a que quase tudo se tenha passado no norte. Tudo começou num concerto no Porto, ainda antes da gravação do primeiro disco. Aí conhecemos o Rodrigo Cardoso da Borland. Ficou o contacto. A partir daí também surgiu a possibilidade de se gravar com o Paulo Miranda e assim se fez. Neste segundo disco também optei por gravar lá e assim sendo e por uma questão de conveniência para todos, os músicos, com uma ou duas excepções, são quase todos do norte do País. Foram portanto uma série de factores circunstanciais, embora que admito que são ares que me agradam.

Fenther – Como foi trabalhar com Paulo Miranda nos estúdios AMP?
Rose Blanket – No primeiro disco já tinha sido assim, sendo que no primeiro disco o Paulo Miranda teve a seu cargo também a produção, e neste já não. Quer num quer noutro correu bem.

Fenther – Com o novo filho cá fora, segue-se a estrada?
Rose Blanket – Sim, vamos apresentar este trabalho em alguns concertos. Numa primeira fase até ao final do ano e numa segunda fase entre Fevereiro e Março do próximo ano.

Fenther – Por onde vais apresentar este disco?
Rose Blanket – Nessa primeira fase estará centrado em show-cases nas Lojas Fnac, um pouco por todo o País, mais alguns concertos propriamente ditos em espaços maiores e por fim na segunda fase em previsivelmente 3 auditórios/teatros.

Fenther – Podemos encontrar Rose Blanket na net? Onde?
Rose Blanket – Sim, em www.myspace/roseblanket.com.

Fenther – Se tivesses que reduzir o disco numa musica apenas, qual seria?
Rose Blanket – Não seria sincero se o fizesse. Não consigo! E nem sequer vou utilizar esse lugar comum de dizer que vale pelo todo, pois na verdade também não acredito nisso. São 11 músicas, e a isso se resume.

Fenther – Parabéns pelo excelente disco. Muito saboroso. O Fenther quer ouvir todos os temas de «Our Early Balloons» a tocar por ai. Vais-nos ajudar?
Rose Blanket – Obrigado pelas palavras. Enfim, o que posso dizer, o que tinha a fazer na verdade já o fiz. Deu-me muito prazer, foi importante, e agora tudo é de esperar, quem goste, quem não goste. Tudo normal.

Obrigado
Abraço
Miguel

Vitor Pinto






The Great Lesbian Show em exibição!

Fenther – Quem são e como surgem os The Great Lesbian Show?
The Great Lesbian Show – O grupo é constituído por Ondina, Sérgio Lemos, António Manzarra, Nuno Emídio e César Zembla e surgiu porque pretendíamos / pretendemos criar música que sirva como diversão e como escape - para nós e para quem a ouvir.

Fenther – Como surgiu este nome tão bem conseguido?
The Great Lesbian Show – O nome foi inspirado no título de um artigo de uma revista erótica americana dos anos 70. O referido artigo, que se chamava “A Great Lesbian Show!”, era sobre umas senhoras que faziam um espectáculo em Las Vegas e pareceu-nos um bom nome para o grupo. A escolha até foi bem inocente: foi pela sonoridade e porque era divertido.

Fenther – Quem vos influencia?
The Great Lesbian Show – Somos influenciados por imensas coisas – cinema, literatura, música, pessoas, etc. - e somos influenciados por coisas de que gostamos e por coisas que detestamos; neste caso, a estratégia passa um bocado pelo “e se fizéssemos exactamente ao contrário?” … é uma óptima técnica, que aconselhamos vivamente.

Fenther – Definam o vosso som para quem ainda não conhece?
The Great Lesbian Show – Um carrossel que não funciona em círculo, mas em espiral.

Fenther – Sempre tiveram esta atitude punk glamouroso?
The Great Lesbian Show – Sempre fomos punks gamourosos!

Fenther – Na vossa opinião, sentem algum glamour na música actualmente?
The Great Lesbian Show – Há mais glamour num consultório de dentista…

Fenther – Qual é o vosso percurso discográfico?
The Great Lesbian Show – Dois álbuns e duas participações em colectâneas.

Fenther – Novo álbum este ano. Como esta a correr a apresentação?
The Great Lesbian Show – Muito bem, com concertos e inúmeras entrevistas (obrigado por esta!).

Fenther – Foi complicado pô-lo cá fora?
The Great Lesbian Show – Foi mais difícil com o primeiro; neste tivemos o grande apoio da Zounds, que o editou, e do Jorge Ferraz, que o produziu. Acreditaram em nós e isso foi óptimo.

Fenther – Contentes com o resultado final de “You’re Not Human Tonight”?
The Great Lesbian Show – Sim! E quem ouve parece concordar, mesmo quando é necessário insistir numa segunda ou numa terceira audição…

Fenther – Continuam a manter o lema de liberdade absoluta? É regra da casa?
The Great Lesbian Show – É a única regra que vale a pena seguir.

Fenther – Tem sido bem aceites por onde passam? E pelos Media?
The Great Lesbian Show – Regra geral, os concertos correm sempre bem… já é raro aparecerem pessoas que não sabem ao que vão, embora, no recente concerto no Cabaret Maxime, tenham surgido uns turistas à espera de ver outra coisa… em termos de Media as coisas estão a funcionar bem, temos tido apoio das rádios locais, saíram várias críticas positivas ao disco na imprensa e também na net…

Fenther – Tem tocado por onde? Tem havido espaços para vocês tocarem?
The Great Lesbian Show – Tem havido alguns, sim, embora nem todos com as mesmas condições. Os últimos concertos foram em Lisboa e em Leiria.

Fenther – Qual o vosso ambiente preferido? Onde vocês se sentem bem?
The Great Lesbian Show – Nos consultórios de dentistas, onde há imenso glamour…

Fenther – Pelas diferentes salas por onde passam, há mudanças? Preparam concertos específicos?
The Great Lesbian Show – Preparamos concertos específicos pontualmente, quando isso se justifica. Por exemplo, ao tocarmos integrados no Motel X – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, decidimos fazer um concerto que representasse mais o nosso lado cinematográfico…

Fenther – Onde podemos encontrar os The Great Lesbian Show ao vivo proximamente?
The Great Lesbian Show – Estamos a preparar alguns concertos para o Norte do país, onde tocámos ainda pouco…

Fenther – E projectos futuros? Vamos ter novidades em breve?
The Great Lesbian Show – Isso é surpresa…

Fenther – A musica portuguesa? Como a vêem actualmente?
The Great Lesbian Show – Há tanta coisa que se torna impossível seguir tudo, mas, como sucede noutros países, há coisas boas, há coisas interessantes e há coisas más…

Vitor Pinto




Encontro escaldante entre os Dapunksportif e o Fenther!

Fenther – Foi complicado superar as “malhas” do vosso primeiro disco e aparecer agora com outros tantos grandes momentos?
Dapunksportif – Nós temos um “baú” cheio de malhas e ritmos que vamos gravando ao longo do tempo. É uma questão de escolher quais os riffs e trabalhá-los de forma a chegar ao formato canção.

Fenther – Este é um disco mais forte, concordam?
Dapunksportif – Sim, de certa forma pode dizer-se que é mais maturo, a estrada deu-nos inspiração e motivou-nos a escrever canções Rock que reflectissem o nosso espírito sincero e honesto sem recorrer a grandes maquilhagens.

Fenther – Como foi trabalhar com tantos bateristas?
Dapunksportif – Já não é a primeira vez e não será a última. Sempre achámos que seria muito bom poder incluir outras pessoas no seio das nossas músicas. É enriquecedor tanto em termos musicais como pessoais.

Fenther – Foi tudo experiências ou passou por alguma necessidade?
Dapunksportif – Como já dissemos anteriormente não foi a primeira vez que tal aconteceu. Já estamos “batidos” em trabalhar em estúdio com vários músicos e de futuro pensamos em convidar outros instrumentistas.

Fenther – E ao vivo como funcionam? Qual é o baterista de serviço?
Dapunksportif – Somos um banda totalmente Rock: bateria, baixo e duas guitarras. De momento, é o Zé Carlos que está nas baquetas, é o nosso Dave Grohl!!!

Fenther – Como tem corrido as críticas e as reacções a este trabalho?
Dapunksportif – Tem sido boas. A crítica especializada tem dado boas notas e o feedback do público tem sido crescente. Estamos no bom caminho.

Fenther – As críticas menos boas dá-vos mais força?
Dapunksportif – Tens de estar preparado e consciente que a diversidade de opiniões é um valor a respeitar. As críticas de um modo geral têm sido boas. Não vamos “abaixo” com críticas menos boas.

Fenther – A vossa sonoridade tem sido bem aceite? Um rock poderoso…
Dapunksportif – Sim, a aceitação tem sido muito boa. Apesar de não termos um “hype mediático” o público tem-nos vindo a descobrir aos poucos. “Depressa e bem não há quem”.

Fenther – Peniche não é um grande centro… é dificel expor a vossa musica ai?
Dapunksportif – Sim não é um grande centro mas fica geograficamente no Centro de Portugal o que nos permite aceder tanto ao Norte como ao Sul e Interior, as distâncias são praticamente as mesmas. Por aqui não existem muitos locais virados para a música original. É uma pena, porque pensamos existir um “público adormecido” que precisa de ser acordado e educado a procurar aquilo que por cá se vai fazendo em termos musicais.

Fenther – A edição ficou por vossa conta? Porquê?
Dapunksportif – Sim em parceria com a nossa agência de espectáculos, Lisboagência. Foi um passo natural tendo em conta o mercado.

Fenther – Por onde passa o futuro dos Dapunksportif?
Dapunksportif – De momento, vamos continuar a tocar por Portugal mas queremos alargar fronteiras. Tem de se ir com calma ao encontro das pessoas certas. O custo de vida aumentou e não podemos ir “à maluca”. É um caminho longo…

Fenther – Tem tocado por onde? Algum momento para mais tarde recordar?
Dapunksportif – Um pouco por todo o Portugal Continental incluindo os Açores. Fomos por seis vezes a Espanha. No total já demos cerca de 110 concertos em três anos. Sabe sempre a pouco. Queremos mais!
Já tivemos situações para todos os gostos. Quando tocámos na primeira parte dos Xutos no Coliseu dos Recreios em Novembro 2005, foi um momento de grande responsabilidade e adrenalina. Era o nosso sexto concerto!

Fenther – Vão tocar por onde em breve?
Dapunksportif – Na segunda quinzena de Julho vamos ao Festival na Serra da Estrela dia 18, dia 25 no Cais de Vila Nova de Gaia e no dia a seguir estamos em S.Martinho do Porto no Festival Rock no Atlântico II. Em Agosto vamos estar dia 16 em Peniche e dia 22 em Guimarães, no Festival Barco Fest.

Fenther – Os vossos concertos são deliciosamente intensos e envolventes! Sentem-se a Vanessa Fernandes do Rock?
Dapunksportif – De certo modo temos de ter muita resistência psíquica e pulmão, para levar avante esta “embarcação”.

Vitor Pinto




Projecto Fuga em conversas com o Fenther!

Fenther – Como nasceu este projecto?
Projecto Fuga – Foi através de composições soltas que tinha composto ao piano. Depois foram surgindo convites a músicos de várias vertentes sonoras e mais tarde convites a cantores / cantautores para dar voz aos temas que na génese do projecto eram instrumentais. Pelo meio surgiram as palavras da Maria Pedro, a nossa letrista que muito engrandeceu os temas do Projecto. Todas as pessoas que passaram pelo colectivo foram altamente importantes para despoletar, aos poucos, a identidade sonora desta viagem a que chamei Fuga. Uma das entradas principais para o Projecto foi o Milton Batera, apresentado pela Maria Pedro. Através deste elemento foi surgindo convites a outros músicos que agora integram o núcleo base. Também compôs o tema Sem Pressas e é co-autor noutros temas do disco.

Fenther – A ideia inicial, sempre foi ter convidados em todos os temas?
Projecto Fuga – O resultado final não foi esse, visto que a Ana Deus está em 3 temas, mas os temas foram sugerindo vozes para protagonizá-los e os convites foram sendo aceites o que ajudou na multiplicidade de estéticas e de interacção entre músicos. De início a ideia inicial não foi esta, mas naturalmente, o leque de convidados ia sendo maior o que motivou também escolha de mais vozes para estarem presentes neste trabalho.

Fenther – Foi complicado editar este disco, pelas vossas próprias mãos?
Projecto Fuga – Teria sido mais complicado se não tivéssemos ganho o Prémio para a edição de disco SPA / ANTENA3. Esse prémio permitiu-nos editar, o que teria levado muito mais tempo se tivesse sido processado nos trâmites habituais.

Fenther – Falta de interesse por parte das editoras ou opção livre?
Projecto Fuga – Tivemos reunidos mais que uma vez com editoras, mas achámos que numa primeira fase, seria melhor termos rédea sobre todo o nosso trabalho. Não foi uma questão de liberdade mas sim de continuarmos a filosofia de trabalho que foi sendo feito ao longo dos anos.

Fenther – Tens já conhecimento das criticas feitas a este disco? E estás de acordo?
Projecto Fuga – Sim, temos tido conhecimento de algumas críticas que têm saido nos orgãos de comunicação social e penso que uma crítica é algo muito pessoal, mas em 95% das críticas tenho concordado e tem sido muito abonatório para o trabalho que agora estamos a promover. Houve muita compreensão na linha e no objectivo que tentámos transmitir a quem ouve o nosso disco.

Fenther – A pré edição foi feita on line no vosso site www.fuga.pt . Foi bem aceite? Resultou? Tiveram muitas visitas?
Projecto Fuga – Achamos que foi positivo. Não temos ideia de quantas visitas mas a internet foi e sempre será para nós uma das ferramentas mais utilizadas, já que nos próprios convites aos colaboradores do colectivo foi, em alguns casos, através do perfil pessoal de MYSPACE ou por email e por isso achamos que a internet foi fulcral para mostrar a nossa música e receber um feedback pessoal de vários pontos do mundo, inclusivé o Brasil que é um território em que temos muita curiosidade em sentir a reacção à nossa música.

Fenther – Como surgiu esta ideia? Será para repetir?
Projecto Fuga – Não é uma ideia nova, nem revolucionária. Foi uma consequência natural da forma como temos trabalhado até aqui. Iremos repetir com certeza.

Fenther – Como funcionam vocês ao vivo? Tem alguns dos convidados?
Projecto Fuga – Ao vivo temos uma banda base. Um núcleo duro constituído pelo MILTON BATERA na bateria, o RICARDO MOURA no baixo, o VASCO TEODORO na guitarra, a ROZETT na voz e eu nos teclados. Achamos que ao vivo é o melhor habitat para estes temas que compõe “01” ganharem uma vida mais significativa. Em alguns concertos iremos ter convidados.

Fenther – Vão tocar por onde futuramente?
Projecto Fuga – Temos agora agendadas 10 datas depois da festa de lançamento que aconteceu no passado dia 7 deste mês no Auditório da Sociedade Portuguesa de Autores. Estas são datas são showcases nas FNAC’S. Começamos no dia 18 de Julho em Coimbra e terminamos a 10 de Agosto na FNAC do Algarve Shopping. No dia 24 de Julho temos um concerto completo na sala ONDA JAZZ em Lisboa.

Fenther – Depois de tudo isto, vamos ter a aventura 02?
Projecto Fuga – Com certeza! Caso contrário o 0 não faria sentido…

Fenther – Tens mais convidados em carteira?
Projecto Fuga – “O segredo é a alma do negócio”… É esperar para ver/ouvir…

Fenther – Como vês a musica nacional actualmente?
Projecto Fuga – Está com muita qualidade, de boa saúde e começa a haver mais espaço e alternativas para mostrar os sons que vão sendo criados no nosso país. A rede de teatros está cada vez com mais qualidade e nota-se uma maior assertividade a nível da gestão cultural dos Auditórios/Centros de Artes. O terreno está fértil, há que regá-lo para brotar algo forte.

Fenther – Escolhe um tema deste 01…
Projecto Fuga – MARACATURAMA.

Vitor Pinto




You Should Go Ahead em discurso directo. Novo álbum na rua!

Fenther – Um regresso algo demorado... Voltaram só quando perceberam que tudo estava perfeito?
YSGA – Passaram apenas dois anos do lançamento do 1º álbum… apesar de nos parecer uma eternidade. Inicialmente pensámos em editar no final de 2007, mas era humanamente impossível! Produzimos o disco com alguma calma, tentámos ser perfeccionistas! Não se trata de procurar o cenário perfeito mas de conjugar todo o trabalho que envolve um novo disco.

Fenther – Uma das vantagem de se fazerem as coisas pelas próprias mãos, é precisamente não haver pressões nem datas. Foi por isso que partiram para uma producão caseira?
YSGA – Apesar de termos sido os produtores, a produção não foi caseira. Investimos bastante e pela 1ª vez sentimos que estávamos a fazer um trabalho “profissional”. Sentimos que melhor do que ninguém sabíamos o que queríamos. Essa vantagem rapidamente se transforma numa grande desvantagem porque não temos ninguém a impor-nos nada a não ser nós próprios. Isso implica uma disciplina que por vezes é difícil de encontrar...
Foi só aplicar a experiência passada e tudo correu na perfeição.

Fenther – Contentes com o resultado?
YSGA – Muito! Mas somos auto-críticos o suficiente para apontar o dedo a alguns detalhes que poderiam melhorar.

Fenther – Apostaram muito na imagem? O digipack e a originalidade do disco, tem como objectivo marcar a diferença?
YSGA – Apostámos em ter uma imagem coerente com a música. Foi um processo mais abrangente que envolveu som, imagem, comunicação e tudo o que envolve o lançamento de um disco para o mercado. Um disco vale pela música que contém mas também pelo objecto em si, e pensamos que isso foi conseguido, tentámos criar um objecto de colecção! Algo de único, pelo menos para os próximos tempos!

Fenther – Este vosso segundo disco traz um tema bónus, que só pode ser escutado num leitor de vinil. Como surgiu a ideia?
YSGA – A ideia surgiu em conversa com a editora (EDEL). O mercado está em revolução e é preciso valorizar a parte física do disco de modo a despertar o interesse das pessoas. Uma faixa em vinil no CD pareceu-nos uma ideia original e adequada. Adorámos! É um híbrido...

Fenther – Como tem sido as reacções?
YSGA – Tal como esperávamos, toda a gente ficou entusiasmadíssima!

Fenther – Qual é o tema?
YSGA – Vicious Wife

Fenther – Alguma brincadeira aos Vicious Five e X-Wife ou trata-se de um tributo?
YSGA – Começou tudo com uma ideia para a criação de uma t-shirt… um misto de brincadeira com tributo! Mais tarde, precisava de um nome para um tema que falava de uma mulher “com vícios” que “explorava “ o marido! Pareceu-nos indicado o nome, deixou de ter ligação mas ficou com o nome.

Fenther – Vocês ainda gostam de vinil?
YSGA – Gostamos claro! É um objecto que nos marcou a infância! Ouvir um vinil é um ritual, não é como ouvir um CD.

Fenther – Porque não editar os vossos dois discos em vinil?
YSGA – Porque não há... disponibilidade (se é que nos entendem)! Mas está aí uma boa ideia para o pack de Natal 2008 dos You Should Go Ahead! Uma forte possibilidade…

Fenther – "Emotional Cocktail” porquê?
YSGA – Porque este disco é composto por temas bastante diferentes entre si mas que fazem sentido juntos. São “ingredientes” com conta peso e medida, tal como num cocktail. Não se trata de uma mistura aleatória mas de uma conjugação harmoniosa.

Fenther – Este é um disco diferente do primeiro?
YSGA – Em determinados momento sim, noutros é apenas um desenvolvimento do 1º. É um disco variado, com linguagem variada mas dentro de um contexto! O primeiro tinha alguns momentos, que apesar de interessantes, não faziam parte do contexto… A composição, apesar de não termos alterado a metodologia, é fruto de um maior conhecimento entre nós, de maior diálogo entre instrumentos. Tentámos dar um passo em frente, experimentar coisas diferentes, ser mais arrojados.

Fenther – Consideram-no mais dançavel ou assumidamente mais 'emo'?
YSGA – Respondendo em inglês: both! Achamos que esse é um dos pontos forte do disco! Tal como a nossa vida é cíclica, o disco também o é.

Fenther – Tem concertos de apresentação deste álbum marcados para breve?
YSGA – Temos, o ideal é estarem constantemente atentos à nossa página do MySpace http://www.myspace.com/ysga Estão sempre a aparecer novas datas… Destacamos o dia 21 de Junho no Santiago Alquimista, onde vamos fazer o concerto oficial de lançamento do disco.

Fenther – Houve uma experiência por vossa parte no Texas no festival SXSW (south by south west)... Quando foi?
YSGA – Em Março de 2007

Fenther – E valeu a pena?
YSGA – Claro que sim! Aprendemos muitas coisas novas. Serviu para perceber que há uma longa estrada a percorrer, mas também serviu para nos valorizarmos… Muitas pessoas nos questionam acerca de resultados directos da nossa ida ao SXSW. Não há! Mas aprendemos muita coisa e conhecemos pessoas interessantes, lógicas diferentes... é uma perspectiva diferente.

Fenther – Esperam lá regressar novamente?
YSGA – Claro que sim! Já em 2009.

Fenther – E em que outros locais gostariam de tocar?
YSGA – Em alguns Festivais de Verão Europeus e talvez voltar a NYC! Mas...em todo o lado em que nos queiram ouvir!

Fenther – Mensagem final….
YSGA – Oiçam o disco, vale muito a pena! Depois sigam em frente… pelo menos deviam!

Vitor Pinto




Conversa com os Linda Martini a proposito do seu novo registo!

Fenther – Os Linda Martini tentam marcar a diferença? É um ideal primário da banda?
Linda Martini – Só no sentido em que a banda foi feita para experimentarmos coisas diferentes das que fazíamos nos projectos anteriores. Claro que tentamos também não repetir o disco anterior a cada edição. Estagnar é morrer e esse não é de todo o nosso plano.

Fenther – Como nasceu esta ideia excelente de editar um vinil e embrulha-lo num saco?
Linda Martini – Estávamos quase a entrar em estúdio e decidir pormenores no que ao artwork dizia respeito quando o Pedro entra numa dessas tertúlias com um saco na mão e fez-se luz. Decidimos meter o disco num saco e fazer deste a sua capa. Depois a rastilho sugeriu incluir-se um cd-r com os mp3 do ep e o objecto final foi tomando forma.

Fenther – Sentem que estão cada vez mais no topo da música nacional? Sentem alguma pressão ou desafio?
Linda Martini – Sentimos que estamos um pouco mais longe do fundo. O caminho para o topo ainda é longo. Temos a noção de onde estamos e vamos deixando as coisas acontecerem a seu tempo. Quanto a pressão, só aquela que impomos a nós próprios. Encaramos cada disco como um novo desafio e como já referimos acima, queremos sempre fazer algo diferente de edição para edição.

Fenther – Este EP poderia ser um álbum. Porque não o assumiram como tal?
Linda Martini – Não tem tempo suficiente para ser chamado de álbum. Para isso teria que ter 30 minutos. Mas ainda que tivesse, não o faríamos.

Fenther – Seis excelentes temas... Qual o vosso tema eleito?
Linda Martini – Dentro da banda há 5 pessoas, pelo que é difícil chegar a um consenso. Gostamos de todos ou não estariam no disco.

Fenther – Porque Marsupial?
Linda Martini – Marsupial, pela analogia com o saco. Como a edição vem dentro de um saco, achámos que o nome era apropriado.

Fenther – Vão apresentar este trabalho ao vivo por onde?
Linda Martini – Já fizemos algumas datas e neste momento, confirmadas estão:
3 Maio - galeria do desassossego em Beja
11 Maio - enterro da gata em Braga
24 Maio - soundtrack na fábrica de Braço de Prata em Lisboa
28 Junho - rockspot na Bajouca, em Leiria

Fenther – Mais novidades vão acontecer em breve?
Linda Martini – Sim, vão estando atentos ao nosso myspace. Há mais concertos a serem confirmados, bem como a gravação do video de "a corda do elefante sem corda".

Fenther – Sempre com o espírito inovador e com temas perfeitos?
Linda Martini – Essa pergunta foi feita com o intuito de nos deixar corados e como tal não respondemos.

Fenther – Mensagem final...
Linda Martini – Obrigado pela oportunidade e apareçam num dos próximos concertos.
Abraços a todos!

Vitor Pinto




Uma curta conversa com Alex Hacke dos Einstürzende Neubauten...

Fenther – After all this years, what’s the feeling of you guys? How are you now?
Alex Hacke – Very good, thank you.

Fenther – «Alles Wieder Offen» is another adventure of E.N. alone, right? Why do you walk with your own foots and not with a major?
Alex Hacke – We wont be able to find a company that can give to us:
The advance we need
The tour-support we require
The promotional effort necessary

Fenther – Was it your choice or solution?
Alex Hacke – We set up a website, where we ask the fans to directly support the production of a new record.

Fenther – It’s hard to do records without any supports? Does this record gets paid right before the edition, how does this work?
Alex Hacke – It is hard but worth it. About 2000 people paid for the CD or a CD/DVD-combination in advance and we used these funds to produce the new album.

Fenther – Tell us 3 words, how describe this record?
Alex Hacke – Intimate, honest, dynamic.

Fenther – Do you feel this record is your best album ever? Why?
Alex Hacke – Yes, because it represents the current state of the band.

Fenther – Have you planed a tour to show this work all over the World?
Alex Hacke – Yes, we will tour extensively in spring 08.

Fenther – And Portugal? It’s in the plans of E.N future tour.?
Alex Hacke – Yes, I’m sure we will manage to play at least in Lisbon.

Fenther – E.N already played in Portugal. Do you like and know Portugal?
Alex Hacke – Yes, I like Portugal but I don’t speak portuguese.

Fenther – After this new record, will we have more news about the band? Do you have any plans to the future of the greatest German band?
Alex Hacke – After the tour, EN will rest for a while.

Danke!
Vitor Pinto

Porto - Casa da Musica dia 3 de Maio
Lisboa - Aula Magna dia 4 de Maio