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Estivemos à conversa com White Haus sobre o novo disco.

Fenther – Como está a aventura White Haus neste ano de 2016?
White Haus – Para já ainda está a começar uma vez que o novo disco saiu há pouco mais de uma semana, por isso começa agora uma nova etapa, quase como se de um novo ano lectivo se tratasse, vai se iniciar uma nova fase de concertos de promoção do novo disco. Mas foi sem duvida um ano que marcou, saiu o novo album, tocamos em festivais muito importantes como o Primavera sound e o Bons Sons e sinto que estamos a crescer fora e dentro de palco, penso que foi um ano bastante positivo.

Fenther – "Greatest Hits" é o novo single e também o novo video... Fala-nos sobre este single.
White Haus – Greatest Hits foi um dos primeiros temas a ser composto para este disco, juntamente com This is Heaven, foi o tema que talvez mais tempo demorou a compor devido à complexidade da estrutura e da quantidade de pormenores, foi uma musica em que me influenciei nos primórdios do hip hop de inícios de 80 e também no electro de produtores dessa época, o toque de guitarra do André Simão levou a canção para um lado mais pop e acabou por se tornar um single. Estive para desistir desta canção várias vezes mas acabei por conseguir fechá-la. Vi potencial nela por isso dediquei bastante tempo a este tema.

"É o trabalho a solo que fiz até hoje com o qual me sinto mais confortável."

Fenther – Sentes-te mais confortável com este "Modern Dancing"? É um disco mais maduro?
White Haus– Não sei se lhe chame mais maduro, mas sinto uma evolução grande relativamente ao primeiro álbum. Acho que como produtor evolui bastante, o tempo que dediquei a este disco foi praticamente igual ao que dediquei ao primeiro mas enquanto que no" white haus álbum" ainda estava em fase de aprendizagem aqui já sabia qual era o caminho a seguir. Mas sim, é o trabalho a solo que fiz até hoje com o qual me sinto mais confortável.

Fenther – Um disco mais festivo, mais dançante? Podemos colocar este disco ao lado da produção X-Wife?
White Haus – Acho que não, são dois projectos muito diferentes, em White Haus há um lado nonsense que nunca iria existir em x-Wife. Existe um elemento muito importante em x-Wife que são as guitarras que pouco ou nada estão presentes em White Haus, o que leva a banda para um lado mais rock, a estrutura das canções e a forma como são criadas é bastante diferente, mas sim o aspeto dançante está lá em ambos os casos.

Fenther – Satisfeito com o trabalho do histórico Zé Nando Pimenta?
White Haus – Muito, acho que está cada vez melhor, senti que desde o ultimo disco que trabalhou de X-Wife em 2008 evoluiu bastante, pelo menos na minha opinião. Foi bastante fácil trabalhar com ele e uma ótima experiencia gravar este disco em estúdio. Acho que está um trabalho muito bem conseguido a nível de som, mistura, captação dos instrumentos, no geral estou muito satisfeito. Era este o som que eu procurava para este disco e o Zé Nando conseguiu captar na perfeição aquilo que eu imaginava para o álbum e alguns casos até superar.

"Tenho estado atento a muita coisa nova que sai e faz-se coisas incríveis às vezes só com um laptop e uns headphones e os resultados surpreendem."

Fenther – Por onde vai estar White Haus a apresentar este disco?
White Haus – Para já dia 18 de novembro no Passos Manuel no Porto, os próximos concertos serão depois anunciados na página de facebook e em whitehaus.org.

Fenther – Como vai funcionar o palco em concerto? Quem te vai acompanhar?
White Haus – André Simão no baixo, guitarra e percussão. Graciela Coelho nas vozes e sintetizadores, Gil Costa na bateria e eu na voz, guitarra e sintetizadores. Por vezes existirá um musico convidado ou não. Depende dos casos.

Fenther – Existe a componente video como membro extra da banda?
White Haus – Isso é surpresa…

Fenther – Na tua opinião, o estado da musica electrónica... está de boa saúde ou já viveu melhores dias?
White Haus – Está de muito boa saúde, hoje em dia é mais fácil fazer musica electrónica, basta ser criativo e trabalhar, há muitas ferramentas disponíveis para se fazer boa musica, é tudo muito mais acessível, têm surgido novos projectos bastante interessantes, tenho estado atento a muita coisa nova que sai e faz-se coisas incríveis às vezes só com um laptop e uns headphones e os resultados surpreendem. Acho que sobretudo cada um encontra a sua forma de trabalhar e aplica as ferramentas de formas diferentes e o resultado é esta diversidade de musica electrónica que tem saído cá para fora ultimamente. E isso é saudável e inspirador.

Fenther – E estado da musica nacional no geral?
White Haus – Existe muito boa musica feita em Portugal, existe uma grande variedade de géneros musicais, não sinto que haja uma linha ou uma "tendência" no panorama actual, penso que é diversa e rica em vários géneros, acho que está a atravessar um bom momento mas mesmo assim continuamos um pouco fechados dentro do nosso país, são poucos os projectos que conseguem alcançar alguma notoriedade lá fora, acho que é esse passo que ainda nos falta. Ao dizer isto não quero dizer que não há quem o faça, existem casos de sucesso de projectos Portugueses lá fora e alguns que estão a conseguir conquistar território aos poucos mas mesmo assim ainda é muito residual.

Fenther – Mensagem final...
White Haus – A musica Portuguesa está boa e recomenda-se.

Vitor Pinto