A.A.A.
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Estivemos à conversa com os The Walks, a proposito do album "Fool’s Gold".

Fenther – De Coimbra para o Mundo... Com muito rock nas veias?
The Walks – Com muito rock e não só. As nossas influências são diversas e vão do rock ao soul e ao Britpop, mas no fundo, as nossas influências não nos limitam o processo criativo. Quando compomos tentamos acima de tudo que as canções sejam coerentes com o que é a nossa identidade e aí, o rock está muito presente. De Coimbra para o Mundo? É o nosso foco, mas cientes das dificuldades que teremos em concretizá-lo.

Fenther – Digam-nos lá onde está a fonte escondida do Rock'n'Roll por Coimbra...
The Walks – Não sabemos se há uma fonte ou outro tipo poção mágica para isso acontecer. Acima de tudo acho que se faz muito boa música em Coimbra e não só rock’n’roll, como são exemplo os A Jigsaw. É uma cidade recheada de talento e com um historial imenso. Desde os anos 80 que Coimbra sempre teve excelentes bandas e talvez seja essa a fonte de inspiração, estarmos no café a conviver com grandes nomes da música nacional.

Fenther – Porquê "Fool's Gold"?
The Walks – O título do disco surgiu-nos um pouco pela proposta da capa. Não apenas, pela imagem forte que carrega mas também porque é fácil fazer uma associação com as letras das músicas (todas escritas pelo vocalista John Silva) que compõem o álbum.
“Fool’s Gold” pode ser traduzido para a expressão portuguesa “nem tudo o que luz é ouro”. Se pegarmos, a título de exemplo, no single Clockwork a mensagem é exactamente que andamos presos na nossa rotina que nem paramos para pensar se o que andamos a fazer contribui para algo mais, ou se contribui para a nossa felicidade. Ou seja, as letras das músicas acabam por alertar um pouco para o facto de que é necessário, ou aconselhável, questionar mais, colocar mais em causa o porquê das coisas serem assim, na nossa sociedade, ou na nossa vida pessoal e que por vezes nem tudo está bem e que é preciso mudar alguma coisa. Nós acreditamos que a música também tem um papel importante na sociedade e que podemos através dela passar alguma mensagem e as letras do John espelham exactamente isso.

Fenther – E a capa do disco? Quem foi o autor desta magnifica capa?
The Walks – É de facto uma excelente capa. A capa está tão boa que assim que vimos a proposta inicial, sugeriu-nos logo o título do disco e encaixa na perfeição na estética geral do álbum. Como disse anteriormente, a imagem transporta um pouco a mensagem do álbum mas de uma forma quase literal, satírica até. A capa é da autoria de Tiago Carvalheiro, primo do nosso baixista Gonçalo Carvalheiro e já tinha trabalho connosco na capa do EP “R” e na edição do vídeo do nosso primeiro single Redefine. Há muito talento à nossa volta.

"Desde os anos 80 que Coimbra sempre teve excelentes bandas e talvez seja essa a fonte de inspiração, estarmos no café a conviver com grandes nomes da música nacional."

Fenther – Onde se alimentam os The Walks na inspiração? O que ouvem regularmente?
The Walks – Tal como já tinha referido, nós não nos deixamos limitar no nosso processo criativo. Claro que todos nós temos gostos pessoais e como somos 5 elementos é normal que uns gostem mais de umas coisas e outros gostem mais de outras. Cada um de nós traz, para a sonoridade da banda, o seu cunho pessoal e é isso que faz com que o resultado final seja autêntico, o que nos ajudou a construir a nossa própria identidade.

Fenther – Satisfeitos com a Lux Records? (um abraço ao grande Rui Ferreira).
The Walks – Muito satisfeitos com o Rui Ferreira. Já tínhamos trabalhado com a Lux Records no EP e agora voltámos a trabalhar com ele. Numa altura em que o mercado discográfico está a atravessar uma crise sem precedentes, é de salientar que ainda há pessoas como o Rui, que continuam a apostar em novas bandas. Um grande abraço ao Rui.

Fenther – Palcos... Venham eles!!! Depois do D'Bandada, o que se segue?
The Walks – Ao D’Bandada seguiram-se os primeiros concertos de apresentação no Sabotage Club em Lisboa e no Salão Brazil na nossa casa. Agora a nossa vontade é fazer mais concertos de apresentação do disco, temos algumas datas para anunciar, que ainda não estão confirmadas oficialmente, mas assim que estiverem marcadas serão anunciadas no nosso facebook, pelo que fiquem atentos.

Fenther – Planos seguintes? Já há?
The Walks – No imediato, o nosso plano principal é apresentar o disco o maior número de vezes possível e se possível em todo o país. Queremos também ter a possibilidade de nos apresentar a outros públicos fora de Portugal. Não sabemos se será possível mas vamos trabalhar para isso. Como workahólicos que somos, queremos começar a compor para um segundo álbum. Portanto, temos vários planos.

Fenther – Música nacional? Estado de saúde? Qual a vossa opinião?
The Walks – Na minha opinião, a música nacional tem um sério problema de mercado. Hoje em dia é muito mais difícil vender discos e por conseguinte é muito mais difícil arranjar concertos. Na verdade, penso que nunca houve tantos projectos interessantes a surgir em Portugal mas acho que há uma fraca aposta no produto nacional. Se olharmos para os cartazes da maioria dos grandes festivais portugueses, vêm-se poucos nomes portugueses.

Fenther – Mensagem final...
The Walks – Agora que o nosso primeiro álbum está finalmente disponível, a nossa vontade é seguir para a estrada para o dar a conhecer ao máximo de pessoas possível, por isso, sugerimos que sigam a nossa página de Facebook, estejam atentos à divulgação de datas de concertos e caso haja algum na vossa cidade, não hesitem em vir conhecer-nos!
Finalmente queremos aqui deixar um Obrigado ao Fenther pelo apoio!

Vitor Pinto