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A.A.A.
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Estivemos à conversa com Miguel Angelo a propósito da edição de NOVA, o seu novo trabalho.

Fenther – Como está o Miguel Angelo actualmente?
Miguel Angelo – Neste momento interessa-me acima de tudo poder contribuir para o restabelecimento da confiança do público na ida aos concertos ao vivo. Este "peito às balas" de 5 de setembro no Theatro Circo, em Braga, foi assumido dessa forma. Interessa-me também reiniciar a digressão do NOVA (pop), uma NOVA (tour) interrompida em Março deste ano pelos motivos que todos sabemos, e poder visitar muitos teatros e auditórios nacionais, levando comigo, sempre que possível, alguns dos convidados que construíram este disco comigo.

"Só todos juntos, progressivamente, podemos, passo a passo, ir reconquistando as nossas profissões e a sua existência funcional."

Fenther – Como está a correr a promoção do disco? Complicado com esta situação...
Miguel Angelo – Esta rentrée está a correr muito bem, com os média tradicionais e alternativos a responderem com muito interesse e espaço, quer ao recomeço da tour, quer ao anúncio do lançamento em vinil de NOVA (pop) a 26 setembro. Nota-se que neste momento estamos todos, de vários lados, a tentar reerguer o nosso mercado de trabalho.

Fenther – Fala-nos um pouco destas colaborações no disco...
Miguel Angelo – São colaborações de raíz, muito diferentes dos tradicionais featurings ou duetos. Ou seja, as canções foram construídas e arranjadas em conjunto, e os convidados assumiram sempre em nome próprio a produção dos temas em que colaboraram. Fui mais eu que fui de encontro a eles do que o contrário.

Fenther – Em palco, podemos contar com estas colaborações?
Miguel Angelo – Sim, normalmente é ou com o Sambado e o Chinaskee juntos, ou com D'Alva, ou então só com a Surma. Já fiz algumas apresentações especiais com todos juntos (Casino de Lisboa, Eléctrico RTP1, o Vivámúsica na Antena 1), o que tem sido incrível, mas obviamente não pode acontecer sempre.

Fenther – De regresso aos palco, finalmente... Muita emoção e vontade?
Miguel Angelo – Sim, claro. è uma rentrée simbólica e de dupla importância. Sabemos que vamos encontrar platéias com mais espaços mas também sabemos que quem for lá estar trará consigo uma vontade especial de assistir novamente a espectáculos ao vivo. Haverá porventura uma troca diferente nestes espectáculos, uma vez que as pessoas vão estar menos juntas no público, de máscara e com uma maior atenção ao detalhe. É um desafio também para nós, criar um espectáculo que tenha em conta um maior pormenor e ousadia sonora e estética tendo em conta esses factores.

"Nota-se que neste momento estamos todos, de vários lados, a tentar reerguer o nosso mercado de trabalho."

Fenther – Estado da musica nacional? De saúde?
Miguel Angelo – Penso que sim, faltam é palcos, do momento, especialmente para novos artistas. De certeza que existirá muita música nova nos próximos meses, fruto do Grande Confinamento.

Fenther – Se fosses ministro da cultura, o que fazias neste momento com toda esta pandemia?
Miguel Angelo – Sensibilizava o Ministro da Economia a financiar as actividades culturais do mesmo modo que se financiam a pesca e a agricultura, por exemplo.

Fenther – Mensagem final...
Miguel Angelo – Quando se é proibido de trabalhar por Lei, tendo em conta razões de saúde, fica-se numa posição algo estranha... Especialmente não tendo um horizonte certo e definido. Só todos juntos, progressivamente, podemos, passo a passo, ir reconquistando as nossas profissões e a sua existência funcional. Sem grandes heroísmos mas também sem grandes dramas. Os espectáculos ao vivo são a maior parte do corpo de trabalho que sustenta várias classes profissionais e dependem em grande parte da afluência de público. Temos de passar a mensagem - real - de que são sítios seguros para se voltar a estar, através de iniciativas que resultem bem e que chamem à atenção.

Vitor Pinto