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A.A.A.
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Cancro é um novo projecto nacional que reúne Tiago Lopes, José Penacho (Marvel Lima e Riding Pânico) e Fábio Jevelim (Paus e Riding Pânico). O seu disco de estreia, «+», está à venda, em versão digital, a partir de dezasseis de Outubro. «Plástico» foi o primeiro vídeo promocional do disco. José Penacho deu a cara na entrevista ao Fenther.

Fenther – Como surge todo este projecto HAUS, em particular Cancro.
Cancro – O HAUS é um espaço bastante familiar e acolhedor para criar, feito de pessoas que o fazem e que trocam as suas influências, onde nós passamos grande parte do tempo, e que de certa forma acabou por nos dar algum input para o projeto. Mas o Cancro nasceu noutro contexto: eu e o Fábio já tínhamos falado várias vezes em fazer algo mais eletrónico e frontal, que fugisse à “vibe normal” que se anda a fazer e pensámos que o Tiago seria um bom frontman para levar o projeto, então criamos um grupo de Whatsapp e começámos a por mãos à obra.

Fenther – «+» porquê?
Cancro– Porque vai de encontro com toda a mensagem do disco, do que nos rodeia atualmente e da conjuntura mundial atual. A constante procura de mais que nos é transmitida subconscientemente e da insatisfação constante da nossa sociedade que está a chegar a um ponto de rutura, cenário este que não parece mudar. Achámos que este disco devia ter isso como mote.

"Apesar de termos projetos em comum não quisemos relacionar os outros projetos que também fazemos parte."

Fenther – Estreiam-se num mês, tradicionalmente associado ao Cancro, doam as receitas das vendas ao IPO… há uma óbvia relação em tudo isto. Qual a história por trás de tudo?
Cancro– Por acaso não há. O mês foi mera coincidência, o nome nasceu de forma metafórica, queríamos que fosse incisivo e até um bocado ofensivo, tanto que começámos a chamar-nos Cancro e quando tivemos que oficializar a coisa achámos que não fazia sentido mudar e mantivemos o nome. Por outro lado, ao escolher este nome achámos que devíamos ter um papel beneficiário nisto tudo e decidimos doar as vendas digitais do disco ao IPO.

Fenther – Apesar do nome, na realidade este disco revela-se cheio de energia, animado até, com letras que não deixam de ser observações causticas sobre uma certa sociedade. Como se posicionam estilisticamente?
Cancro– No género musical tentámos fazer algo eletrónico e direto, mas também agressivo, como viemos todos de ramificações do punk foi natural até. Mas não queremos criar barreiras estilísticas no projeto, quem sabe se no próximo álbum não fazemos um trance-reggae.

"Ao escolher este nome achámos que devíamos ter um papel beneficiário nisto tudo e decidimos doar as vendas digitais do disco ao IPO."

Fenther – Porque escolheram «Plástico» para primeiro single? Já há próximo?
Cancro– Achámos que era a que resumia melhor a essência da banda e que seria um bom cartão-de-visita. O próximo ainda estamos a decidir…

Fenther – «Caranguejo» é o tal punk a 0´s e 1´s?
Cancro– Essa música foi a primeira música que começámos a fazer, ainda à procura da vibe do projeto. Acabou por ficar um punk eletrónico marado mas que representa bem o disco.

Fenther – Todo este processo de edição apenas digital e vendas a reverterem para o IPO soa estranho, mas, para lá da componente beneficente, é o assumir do pouco impacto que as vendas têm hoje, no orçamento de um grupo?
Cancro– Achámos que não se justificava editar fisicamente para já, vendo como o mercado de consumo de música atualmente funciona. Ao mesmo tempo decidimos doar as vendas digitais numa vertente beneficiária pois achamos que no meio da crítica social também se deve ter uma postura contributiva, de que forma seja.

Fenther – Neste trio há dois elementos de Riding Pânico. Os temas aqui são mais eletrónicos, menos introspectivos… pode encontrar-se alguma relação com Riding Pânico?
Cancro– Acho que não. Apesar de termos projetos em comum não quisemos relacionar os outros projetos que também fazemos parte.

Fenther – Ao vivo vão ficar apenas pelos três músicos? Há projectos para mais concertos?
Cancro– Para já vamos tocar só os três, mas quiçá mais tarde possamos convidar mais malta. Vamos apresentar o disco dia 19 de Outubro, Sábado, no Sabotage Club em Lisboa e posteriormente esperamos apresentar o disco de norte a sul do país.

Emanuel Ferreira