Aftershow

White Lies e The Ramona Flowers no CCB

Banda originária de Bristol, e com nome inspirado numa das personagens de Scott Pilgrim, The Ramona Flowers são uma banda simples e complexa ao mesmo tempo.

Simples na maneira como tocam. Chegar a palco, fazer aquilo a que se haviam proposto e sair. E parecendo que não, isso é um ponto a valor. Não houve nada a mais, não houve nada a menos. Estiveram no ponto. Tocaram aquilo que de melhor tinham para tocar, conseguiram que o público entrasse no esquema, e quando já haviam tocado tudo aquilo que queriam mostrar à aundiência sairam de palco. Bravo pela eloquência à banda, A parte complicada com os Ramona Flowers, vem em categorizá-los em termos musicais. Tendo elementos rock e elementos electrónicos, não se podem limitar a esses géneros. Roçando o punk, o post-punk, o Emo (ou quem sabe mesmo o Screamo), mas depois para baralhar a equação, com elementos de dubstep pelo meio, The Ramona Flowers têm um rótulo que lhes acenta bem. Banda Jovem. Mas que está a percorrer um bom caminho. A mistúra disconexa de géneros (à semelhança do que acontecia com o Nu-metal há uns anos atrás), gradualmente se vai condensar naquilo que a banda definir como o seu estilo musical. Entretanto, reúnem aundiência, e futuros fãs.
Apesar de se apresentarem em Lisboa par abrirem para uma banda que já se tornou de culto como os White Lies, The Ramona Flowers vêm reclamar para si o direito que têm enquanto banda auto-suficiente, capaz de atrair o seu próprio público.
Creio que ainda teremos muito para ouvir dos Ramona Flowers num futuro próximo. Têm nicho, têm carisma, são bons músicos e bons entertainers. Expectantes por ver o caminho que a sua carreira seguirá.

White Lies apresentam Friends:
Fundados em 2007, e na altura apelidados de Fear of Flying, os actuais White Lies têm vindo gradualmente a cativar o público através do seu estilo misto. Estilo esse que se caracteriza pela diversidade.
Em termos musicais, tendem a inseri-los por entre as bandas de Indie Rock, ou como a Banquet Records os quis apelidar de um estilo "Quiet Danceable Indie".
Mas as suas músicas transcendem o Indie. As músicas que tocam são electrónicas, mas com aquela guitarra compassada de rock. São sombrias em certos momentos, para depois passarem a músicas electro-animadas, quando puxam do teclado e do sintetizador. São rock, são electrónica, são gótico, são dance. São aquilo que quisermos. De uma forma geral com uma música ou outra, conseguem agradar a toda a audiência.

A mais valia nos White Lies é a sua versatilidade. Têm material para agradar ao mais variado dos públicos. E isso comprovou-se neste concerto no CCB. Tendo um público muito diversificado, estes Senhores (sim, com S grande), souberam não só entreter, mas realmente cativar a audiêñcia. Mesmo quem não sabia as letras, tentava trautear, para manter o espetáculo a fluir.
As suas influências passam por bandas como Depeche Mode, Joy Divison, The Cure, mas mais recentemente tocam também nas cordas que tocaram She Wants Revenge, The Editors, The Killers, ou mesmo Arcade Fire.
A fonte onde estes rapazes foram beber, é infindável, e isso mesmo faz com que as suas músicas sejam um misto de gerações, que dessa forma abranger um público maior e diverso.
Com sala quase cheia, White Lies actuaram pela primeira vez em Lisboa nos seus nove anos de carreira.
E não desiludiram em nada.
Com um pouco de repertório de todos os discos (contudo mais focado no último albúm), fizerm questão de apresentar os principais temas pelos quais ficaram conhecidos, voltando mesmo depois do término do concerto para tocar aquelas músicas que faltavam tocar, e levando o público ao extâse. Uma estreia em Portugal de vangloriar, não só pela qualidade do concerto, mas também pela amistosidade da banda, que soube construir o concerto, de forma a que o publico disfrutasse, clamasse por mais, e no final ficasse de barriga cheia.

Texto e fotos: Filipe Martins


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