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After show

Vagos Open Air 2010




A 6 e 7 de Agosto realizou-se a 2ª edição do Vagos Open Air, o festival de metal por excelência, pelo menos este ano com as recentes informações que o festival da Ilha do Ermal e o Caos Emergente não se iriam concretizar. Não acampei no local, mas pelo que pude ver e ouvir as condições no parque de campismo não eram más, havia bastante sombra, chuveiros quanto baste, não faltando também algumas barraquinhas de parafernália artesanal / merchandise e inclusive (para meu espanto e nunca tal visto) uma barraquinha de produtos Oriflame.
Embora não tenha estado presente na edição do ano passado, informaram-me que as condições do espaço (um campo de futebol regional) estavam melhores, este ano havia uma bancada do lado direito que permitia obtermos algum abrigo do calor e sol abrasadores, e mais barracas de comes e bebes, no entanto o número de casas de banho revelou-se insuficiente e pouco higiénico para tanta gente e à noite havia pouca iluminação, principalmente quando os concertos acabavam, ficávamos literalmente às escuras.

Dentro do estádio, além dos comes e bebes havia uma tenda com venda de merchandise e outros produtos e onde haviam igualmente sessões de “meet and greet” com algumas bandas para regozijo de muitos fãs. Aliás o festival começou logo aí, no dia 5, com uma recepção aos campistas que já se faziam notar ao som de DJ convidado Pedro Gonçalves aka DJ MrKool (Rockódromo / RUAFM) e com a competição Air Guitar, com oferta de prémios.
Nota negativa para a bilheteira, apesar de haver um local para troca de bilhetes pré- comprados por pulseiras, à entrada havia apenas uma bilheteira (daquelas pequenas tradicionais destes estádios regionais…), ou seja uma fila única que lentamente marchava para todos os que comprassem bilhete, tivessem acreditação ou fossem convidados. Além de já não apanhar as bandas portuguesas no primeiro dia porque só pude ir após o trabalho, ainda perdi o concerto de Ensiferum quase todo na fila à espera da minha vez….

No entanto quando entrei ainda presenciei alguma da festa viking proporcionada pelos finlandeses, com o público bastante animado (alguns envergando tradicionais capacetes vikings ou com cornos no ar recheados de cerveja ou hidromel) que conhecia as letras de cor e não se coibiu de fazer alguns moshpits e levantar poeira ao som de temas como “Token Of Time”, “From Afar”, “Twilight Tavern”, “Stone Cold Metal”, “Smoking Ruins”, “La La Hei”, “Into Battle” e “Iron”.

À “batalha viking” seguiu-se o doom metal dos My Dying Bride, com o teatral Aaron Stainthorpe a levar-nos numa viagem soturna e sentimental iniciada com os temas “Fall With Me” e “Bring Me Victory”, do último trabalho “For Lies I Sire”. Aaron gracioso no meio de toda a performance melancólica mostrava-se satisfeito em estar novamente perante o público português (que já não via há 8 anos). Apesar de muitos pensarem que um palco ao ar livre não seria uma boa opção para esta banda tão melancólica e intimista, foi um bom concerto que agradou ao público e fãs e geral, com bom som e que ainda nos permitiu ouvir temas como “The Wreckage of My Flesh”, “Turn Loose the Swans”, “The Whore, the Cook and the Mother “, “Like Gods of the Sun”, “Vast Choirs”, “She is the Dark “, “The cry of mankind “, “My Body, a Funeral “ e “The dreadful hours”.

Após a melancolia de My Dying Bride o palco foi invadido pelo tecnicismo dos estreantes Meshuggah, banda objecto de amor e ódio das hostes metaleiras, pois ou se adora ou se detesta, dividindo um pouco o público presente em Vagos. De qualquer modo o caos foi instalado na plateia sob as orientações do vocalista Jens Kidman que entrou logo a abrir com “Rational Gaze” e, sem dar espaço para recuperar o fôlego, foram apresentados os temas “Bleed”, “Electric Red” e “Pravus” de “obZen”. Um concerto demolidor, longamente esperado pelos fãs que não se fizeram rogados aos moshpits, continuando o headbanging ao som cru e técnico de “Combustion”, “Lethargica”, “Sane”, “Straws Pulled At Random”, tendo direito ainda a um encore com “Future Breed Machine”.






O segundo dia fora iniciado com os portugueses The Firstborn, que anunciaram ser o seu último concerto, pelo menos durante algum tempo. Apesar de alguns problemas técnicos superados, a banda apresentou o seu mais recente registo, “The Noble Search”, marcado pelo etnicismo que tanto os caracteriza mas que não conseguiu fazer frente ao calor que se sentia e que fez com que a maior parte do público se retirasse para as bancadas.

Com Oblique Rain já se ouviam alguns fãs a gritar o nome da banda, que manteve a sua prestação profissional de metal melancólico competente e agradável ao ouvido naquele início de tarde que antecipava um anoitecer destrutivo. Ficou a promessa de um novo trabalho no meio de alguns discursos do vocalista, que relembrou a participação dos Oblique Rain naquela que poderá ter sido a “primeira edição” do VOA, ou pelo menos um ensaio com o In Ria Rocks em 2008.

Os estreantes Ghost Brigade apresentaram o seu mais recente registo “Isolation Songs”, e, apesar de ainda não arrebatarem o público, ganharam fãs ao tocarem temas como “Deliberatly”, “My Heart Is A Tomb” e “Into The Black Light”, presentendo- nos ainda com um instrumental “22:22 – nihil”.

Os Amorphis uma das bandas mais esperadas do dia e mesmo de todo o cartaz atraíram a multidão sedenta pela sua aguardada prestação. Tomi Joutsen foi um verdadeiro animal de palco, não só pela força vigorosa com que os seus longos dreadlocks fustigavam o ar, como pela sua poderosa voz e pela sua enérgica interacção com o público, que respondia cantando os temas apresentados. Nem um pequeno problema técnico com o seu “secador”, ou seja o seu invulgar microfone atrapalhou esta performance que percorria tanto temas mais antigos, como mais recentes, entre os quais “Sky Is Mine”, “From The Heaven of My Heart”, “Alone”, “My Kantele”, “The Castaway” e “House Of Sleep”.

Após um moroso checksound, que já estava a enervar toda a gente, roadie, banda e público inclusive, os Kamelot lá entraram em palco para um concerto marcado por um por um mau som e pelo cansaço de Khan, superados por uma performance profissional e carismática com bastante interacção com o público. Os Kamelot presentearam a plateia com alguns clássicos como “Ghost Opera”, “Center Of The Universe”, “The Hauting”, “When The Lights Are Down”, “Karma”, “Forever” e “March of Mephisto”, e ainda com dois temas novos (“The Great Pandemonium” e “Hunter’s Season”) a serem incluídos no seu próximo trabalho entitulado “Poetry For The Poisoned”

Os Carcass eram uma das bandas senão a banda mais aguardada de todo o festival, os senhores do Death Metal/Grind dos anos 80 foram responsáveis pela presença de muitos membros da velha guarda do movimento metaleiro em Vagos. Mas antes que a “carnificina” começasse, o público foi presenteado com o checksound mais engraçado de sempre protagonizado por um roadie a imitar o mostro das bolachas e a dizer “Cookies are good, chocolate is better!!!) enquanto experimentava os microfones. Esta segunda visita ao nosso país, fora um pouco tardia, como disse o carismático Jeff Walker, estava um pouco atrasado pois já não tocavam em Portugal desde 94.
Jeff e Bill Steer contam com a colaboração de dois membros dos Arch Enemy, Michael Amott e Daniel Erlandsson, este último substituto do baterista Ken Owen que sofreu um derrame cerebral em 1999. Aliás o “campo de batalha” parou quando Daniel Erlandsson saiu de palco e quem saiu de trás do Drumkit foi o Ken Owen dando origem a momento emocional no Vagos Open Air com Owen a tocar um bocadinho, o que o seu estado de saúde lhe permite, sendo ovacionado por todos.
O concerto foi iniciado a “ sangue frio” com “Corporal Jigsore Quandary” e “Buried Dreams”, revisitando temas antigos. Tocaram ainda temas como “Carnal Forge”, “No Love Lost”, “Incarnated Solvent Abuse”, “Death Certificate”, “Keep on rotting in the free world” e “Reek of Putrefaction” e “Heartwork”.
Foi concerto verdadeiramente intenso e nostálgico que superou as expectativas dos fãs e deu que fazer aos seguranças que tiveram que lidar com os muitos moshers que caíam no fosso.


Texto e Fotos: Helena Granjo


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