Aftershow

Festival Vilar de Mouros 2016

O festival mais antigo da Península Ibérica festejou sem qualquer timidez os seus 50 anos. Falamos claro do Festival Vilar de Mouros, que regressou este ano em grande com nomes internacionais como Peter Murphy, Peter Hook, Tindersticks, Orchestral Manoeuvres e Waterboys. A organização mostrou-se muito satisfeita com o resultado final. Pelas palavras da mesma, até superou aquilo que era esperado. No total dos três dias estiveram 22 mil pessoas, tendo esgotado no último dia. Assim sendo, é certo uma próxima edição do Vilar de Mouros daqui a um ano, no entanto não foram divulgadas datas específicas, apesar de ter sido anunciado no press release.

O ambiente foi sempre descontraído, confesso que não conheço nenhum festival com tal sentimento de liberdade e felicidade, seja entre amigos ou em família. Por aqui encontramos um pouco de tudo, há quem se desloque até à pacata terra minhota por recordações de outrora, apenas por ser o Festival Vilar de Mouros, um Woodstock português. Mas também há o outro lado dessa moeda, o público que não tem qualquer ligação emocional com o festival, pessoas movidas apenas por diversos cartazes apelativos, de norte a sul do país. Falando de confissões, também o presidente da câmara teve a sua, que tinha sido abordado por uma senhora da região, que lhe agradeceu por ter trazido o festival de volta. A felicidade dessa senhora devia-se a, ter conhecido o seu marido, um galego, numa edição anterior, com quem é muito feliz ainda hoje, e que dessa união já surgiu um filho. Esse tipo de elogio não tem preço, referiu o presidente. É este o sentimento que paira no ar, onde várias gerações se encontram, em perfeita união. E é este o sentimento que se defende a todo o custo, que se tenha como prova o último dia do festival. Com um total de 12 mil pessoas já no recinto, e com uma procura ainda elevada, a organização tomou a escolha de encerrar a bilheteira, de modo a não encher em demasia o espaço, de modo a proporcionar conforto a todos os que já estavam presentes.

Este ano o festival decorreu sempre no palco principal, e com pouco ou nenhum atraso. Ao longo dos três dias, o palco foi sempre justamente dividido por três bandas nacionais, e três bandas internacionais. Na primeira noite Manuel Fúria, The Legendary Tigerman e António Zambujo, alternaram com Peter Hook, Happy Mondays e Peter Murphy. Neste primeiro dia ainda não se verificava uma grande afluência, uma situação que se inverteu, mas ainda assim uma situação com a qual os músicos tiveram de lidar, acabando por se destacar The Legendary Tigerman, Peter Hook e Peter Murphy.

No segundo dia quem mais sacudiu o público foi Milky Chance, seguido de David Fonseca e ainda OMD. Os Linda Martini trouxeram “Sirumba”, álbum que teve a sua estreia este ano, mas que por si só não tornou a noite memorável. Os Echo & The Bunymen também se destacaram, o público aderiu, no entanto não chegaram a um patamar que elevasse mais a qualidade da noite.

Foi com o terceiro e último dia, que o recinto esteve mais recheado, foi de longe o dia mais concorrido. Samuel Úria foi um claro sucesso que iniciou a festa desde cedo, Bombino conquistou a multidão mesmo sendo uma cara nova para muitos, Tiago Bettencourt teve uma audiência que mais parecia um coro, não falhando na entoação das músicas, The Waterboys levou a noite ao seu auge e isso é indescutível, já com Tinderstick e Blasted Mechanism o público mostrou-se um pouco menos arrebitado, havendo quem deixasse o festival, para voltar num outro ano certamente.

Claramente o festival Vilar de Mouros está de volta,e na rota dos festivais de verão, aguardamos ansiosamente pelo fim do ano, data em que serão anunciados os primeiros nomes da próxima edição.Os bilhetes estarão em pré-venda no Natal.

Até para o ano!

Texto: Joaquim Pereira
Fotos:Ana Pereira


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