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After show

Festival Delta Tejo

Delta Tejo 2009 e o mês dos Festivais!



1º dia

O Delta Tejo iniciou as hostes festivaleiras na capital, e começou muito bem. No primeiro dia rumaram ao Alto da Ajuda 20 000 pessoas curiosas para as actuações de um cartaz de cor de terra e aromas a música do mundo.

Monobloco foram os primeiros a actuar no palco Delta, mas a meia hora de concerto o ambiente já tinha corpo, e a poeira não tardou a manifestar-se, fruto da euforia e do espírito de festa.
O dia foi ganhando forma nas caminhadas obrigatórias entre o palco Delta e a tenda Santa Casa, ambos com ofertas tentadoras.

Seguiram-se os talentosos Macacos do Chinês que, crescem em cada actuação ao vivo e não deixam indiferentes todos os que cantam “ai ai minha machadinha” de braços no ar, ou então com uma arrebatadora versão do “Hoje há festa” de Lara Li.

Orishas são já habituais no evento Delta, e embaixadores dos ritmos cubanos. O público manifestou-se sempre e bem aos temas e movimentos de dança latina. O cartaz foi cumprindo o seu propósito, na oferta diversificada, e Natiruts encheram a tenda Santa Casa com puro Reggae brasileiro. O ambiente aqueceu e chegou a incendiar-se.

NNeca seguiu-se no mesmo palco e igual a si própria. Discurso interventivo, voz profunda aproveitou o momento do festival e evocou o movimento VIP (vagabonds in power) que foi sendo repetido pelos fieis seguidores da artista.

O momento rock chegou com os brasileiros Skank, e o público respondeu com a voz afinada. “Garota Nacional”, “Ainda gosto dela” e “Partida de futebol” foram os momentos altos da actuação.

O Palco Delta despediu-se com tango electrónico e Bajofundo desvendaram o embrulho com uma actuação surpreendente. Músicos de grande qualidade e temas condimentados com um particular e talentoso acordeão.

O primeiro dia desta edição Delta chegou ao fim, com o palco Backstage tímido com os Dj’s snowboy e Katembe Sound System, mas um saldo muito positivo.

2º dia

Começou no palco Santa Casa, com a banda almadense OqueStrada, que lançou o seu primeiro álbum recentemente. Com 7 anos de carreira, os OqueStrada aguardaram pelo momento certo para lançar “Tasca Beat – O Sonho Português”, depois de viajarem e conhecerem outras cidades de Portugal e do mundo, porque, como referiu Marta Miranda “conhecer outras cidades dá muito trabalho”. O fado cantado à sua maneira, à desgarrada, com funk, com um cheirinho a ska, ao sabor do funáná, dá-nos a conhecer uma outra Lisboa, vista e sentida da margem Sul. “Oxalá Te Veja”, “Se Esta Rua Fosse”, “Creo”, “Eu e o Meu País”, “KekFoi” foram alguns dos temas que animaram um inicio de noite.

Os Bossa Nossa apresentaram no palco principal o seu projecto, o melhor da música pop portuguesa em ritmo bossa nova. Temas bastante conhecidos da nossa música foram cantados de uma maneira diferente à que estamos habituados. “Bairro do Amor” de Jorge Palma, “Não Sou o Único” dos Xutos e Pontapés, “Jardins Proibidos” do Paulo Gonzo, “Tudo o que Eu te Dou” do Pedro Abrunhosa são alguns dos temas cantados por Márcia Barros, brasileira radicada em Portugal há alguns anos, e pela sua banda composta por músicos portugueses. A fusão entre o ritmo brasileiro e temas clássicos da música portuguesa, fazem lembrar um pouco o trabalho dos franceses Nouvelle Vague.

Sara Tavares foi a menina que se seguiu. A estrela da Chuva, cantou e encantou quantos estiveram para a ouvir. Emotiva e alegre, exaltou todas as culturas que estavam presentes neste festival. Chamou por “Cabo-Verde, Angola, Moçambique, São Tomé, Guiné, Brasil, Tugas. Todos presentes porque somos todos pretogueses”. “Xinti”é o seu mais recente trabalho, mas foi com “Balancé” que se tornou mais conhecida pelo público português com a sua música, já considerada música do mundo. “Ponto de Luz”, “Balance”, “Bom Feeling”, entre outros, foram alguns dos temas cantados por Sara Tavares.

Os Per7ume apresentaram no palco Santa Casa vários temas pelos quais ficaram conhecidos pelo público português. Por terem participado na banda sonora de várias telenovelas da televisão portuguesa, facilitou-lhes o acesso à rampa do sucesso e o reconhecimento na música pop ligeira portuguesa, especialmente com a música “Intervalo”. com a participação especial de Rui Veloso. Este tema e outros, como “Azul”, “Sinal Amarelo”, “Má Sorte”, foram apresentados no Delta Tejo.

Os Deolinda, iguais a si só, mais uma vez trouxeram o seu fado lisboeta e tradicional, interpretando ao som da guitarra portuguesa temas como “Fon fon fon”, “Mal por mal”, “Fado Toninho” e “Não sei falar de amor”. Continuam a angariar fãs para este estilo tão português e alfacinha, o nosso Fado. Mal por mal, por alguma razão eles são os Deolinda.

Vanessa da Mata surgiu em palco, qual deusa do fogo e da vida. De vestido vermelho, com a sua juba exuberante e sorriso aberto, entrou em palco poderosa e depressa contagiou o público, já ansioso por cantar e dançar os seus temas. “Não Me Deixe Só”, “Vermelho”, “Quando um Homem Tem uma Mangueira”, “Amado” foram alguns dos temas cantados por Vanessa. Só faltou o Ben Harper.

3º dia

Dia dedicado ao Kisomba e à música brasileira, iniciou-se com os Cais Sodré Funk Connection. O nome diz tudo, o Funk foi o Rei do palco, com os berros do vocalista Fernando Abreu aka Silk, que mais parecia um James Brown do século XXI. As suas influências são dericadas de grandes senhores do Soul e do Funk, como Ottis Redding, Marvin Gaye, James Brown, Curtis Mayfield, entre outros. “Fool”, “Express”, “The Corners” e “Get Up Funk”, foram alguns temas apresentados, sensivelmente durante 60 minutos bastante suados e mexidos, pelos Cais Sodré Funk Connection.

NBC subiu ao palco principal para apresentar o seu segundo álbum “Maturidade”. Ex-elemento de uma das mais antigas bandas do Hip-Hop português, “Filhos D’1 Deus Menor”, lançou-se a solo e veio cantar as mensagens que tem para nos transmitir. “2ª Pele”, “Imagina PT”, “NBCioso”, “Maturidade”, “Mudança” e “Homem” foram alguns dos temas interpretados por NBC, tanto num rap purista como num RnB melodioso. Momento a recordar, quando NBC faz a sua homenagem ao seu ídolo Michael Jackson exibindo uma t-shirt com as palavras “Michael Obrigado”.

Os Kalibrados trouxeram um cheirinho a Angola, com os seus ritmos frenéticos e eléctricos em que é dificil manter o pé no chão. Comparados aos Buraka, souberam mostrar que são mais do que uma comparação. “Soldados Civis”, “Quem Manda no Teu Block”, “Kalibrado” e “Negócio Fechado”, foram alguns dos temas apresentados pelo Kalibrados. De realçar a entrada em palco de bailarinas com roupas bastante diminutas, dançando de uma maneira bastante apelativa para aos olhos do público masculino.

Irmãos Verdades, uma das bandas mais antigas de Kisomba, contam com 15 anos de carreira e são considerados os Reis do Kisomba. As suas músicas são sempre referentes a mulheres e aquilo que elas fazem sentir, supostamente. A paixão não correspondida, o amor impossivel, a relação ilicita, são temas cantados. O ritmo africano foi apresentado em temas como “Isabella”, “Yolanda”, “Oh Yara”, “Quero-te Baby”, entre outros.

Alexandre Pires é um ex-elemento da banda brasileira Só Pra Contrariar e veio apresentar o seu trabalho. Ritmos brasileiros, como o Samba e o Pagode misturados com zouk, funk e até música electrónica, mostram a versatilidade do cantor, tanto na dança como na composição. “Só por um momento”, “Cigano”, “Dessa Vez Eu me Rendo”, “Delirios de Amor” e “Pode Chorar”, foram alguns dos temas interpretados por Alexandre Pires e a sua banda.

Por fim, a Banda Calypso trouxe-nos à memória a altura em que se dançava a lambada e em que o Roque Santeiro era a telenovela presente em todas as televisões portuguesas. O público presente neste ultimo dia, aguardava ansiosamente pela Banda Calypso, com os seus bailarinos e coreografias de alto caribe, não esquecendo o mocito do merchandising, que vendia cd’s, DVD’s e t-shirts do lado direito do palco. O casal Chimbinha e Joelma são os lideres desta banda, considerada um fenómeno no Brasil.

Texto: Rita Pereira
Fotos: Carla Tiga

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