Aftershow

Sonic Blast 2016 - Dia 1

Sonic Blast
Moledo
12 de Agosto

Fundado em 2011, o Sonic Blast Moledo reúne um conjunto de nomes ligados ao stoner e psych rock. Na edição deste ano, a novidade estava no Warm-up, ou dia zero, dividido por dois espaços: Paredão476, com The Dead Academy e Ana Paris, e Ruivo’s Bar, com Milhomes, Big Red Panda e The Black Wizards. No primeiro dia oficial, tal como no seguinte, o festival dividiu-se entre o Pool Stage e Main Stage, com o primeiro a funcionar de tarde e o principal a partir do pôr-do-Sol. Os viseenses Maize abriram hostilidades, debaixo de um Sol escaldante, mas com água fresca bem ao lado. Seguiram-se os Asimov, duo lisboeta apenas com guitarra e bateria, que se inscrevem no psych rock. Já os britânicos Possessor, que lhes sucederam, estavam mais próximos do Metal, revelando um alinhamento baseado em “Dead By Dawn”, trabalho de Julho deste ano, do qual tocaram, entre outros, “Without WarningA tarde terminou com Correia, formado pelos irmãos do mesmo nome, Mike (Meneater, More Than A Thousand) e Poli (Sam Alone, Devil In Me). Com ambos os músicos a partilharem vocais, “Deceiver Of The Sun” foi um dos melhores temas de um bom concerto.
O Main Stage começou com os franceses Brain Pyramid, que trouxeram um blues rock, em que os solos de guitarra tiveram particular protagonismo num concerto interessante, em que o improviso predomina. Seguiram-se os Acid Mess, das Astúrias, que começaram bem suaves e evoluíram para um turbilhão de notas, ao longo da sua actuação, num psych rock que em determinados momentos lembrava King Crimson misturado com Led Zeppelin, usando letras em espanhol. Os portugueses Miss Lava estiveram em grande, frente a um público que os conhecia bem e recebeu bem, não seja o grupo um veterano da cena nacional de stoner. Arrancando com “Another Beast Is Born”, passaram pelos primeiros três temas do novo “Sonic Debris”, ao qual voltariam para encerrar com muito groove, através da faixa “Planet Darkness”. Os norte-americanos Sacri Monti eram esperados por muitos a quem não desiludiram, embora não tivessem estado entre os melhores.
O grande concerto da noite ficou a cargo dos All Them Witches, num concerto em que a capa de “Dying Surfer Meets His Maker” era projectada sobre o palco, o público deve ter surpreendido a banda pela forma como os recebeu, talvez por isso a música se tivesse tornado ainda mais intimista, por vezes quase entrando em terrenos pop, mas sempre deambulando por paisagens sonoras de blues rock.
Após a banda de Nashville, veio o furacão onhecido por Valient Thorr e liderado por Valient, um verdadeiro pregador em palco, sempre pronto a dar o seu sermão, fazer o seu número e contar a sua piada. Um fim de noite perfeito, um bom primeiro dia de festival.

Fotos e texto: Emanuel Ferreira


Mais Reportagens Fenther