Aftershow

Sofar Lisboa

Já que estamos na quadra natalícia, e em tempos de crise, fica a questão - O que podemos fazer para melhorar o mundo que nos rodeia, de forma simples, barata, isenta de impostos e burocracias?
Partilhar é o mote.
Distribuir bens; vivências; experiências; sensações; algo que tenhamos ao nosso alcance e que possa dar um pouco de ânimo e alento que seja a outras pessoas.
Mantendo algo similar a isto (mas em nada parecido) como premissa é isso que o Sofar Sounds promete, a que se compromete, e que cumpre em pleno. Dar a conhecer música, gratuíta e de forma intimísta. seja ela nova ou velha; conhecida ou desconhecida. Simplesmente apresentar bandas para quem quer mesmo ouvir ou para quem queira apenas inscrever-se na desportiva e passar uma tarde acolhedora..
Nascido em Londres em 2009 em Londres, resume-se da seguinte forma – Três concertos surpresa, num sítio quase surpresa, numa data que já não é assim tão surpresa. O projecto espalhou-se já por mais de 200 cidades, com cerca de 100 concertos mensais por esse mundo fora.
E felizmente Lisboa não foi excluída.
E foi neste cenário que no passado dia 11 de dezembro nos dirigimos à Galeria Underdogs 10, para o último Sofar Lisboeta de 2016 (já na sua 30a edição).
Com pessoal assíduo e pontual, esta edição do Sofar ficou marcada precisamente pela acção solidária a que organização convidou os participantes a aderirem. Comparecerem com uma caneca recheada de algum tipo de oferta, as quais depois de reúnidas seriam reencaminhadas para a associação Candeias, IPSS essa que se ao acompanhamento de crianças que se encontram num ambiente carenciado.
Agora focando-nos na sessão em sí.
Quem esteve presente?
Para além da lotação do evento, organização e dos parasítas que andavam por ali a incomodar as pessoas, sempre a passar à frente para fotografar, a sala esteve cheia. E foi bonito de se ver. Um público que vai ao desconhecido, não é fácil de agradar, mas mesmo assim, todos os presentes souberam aproveitar o espetáculo que lhe estava a ser apresentado, respeitando os artista, interagindo quando assim convém e deixando-se enredar naquele novelo sonoro.
Então e as bandas?
Desconhecidas até ao começo dos concertos, não desiludiram a audiência, pois abrangeram vários géneros musicais diferente, agradando a todos os presentes Para começar – Senhor Doutor – munido da sua guitarra e sem acompanhamento, o doutor de serviço apresentou um conjunto de remédios para a alma, no seu estilo que funde o Pop-Rock, o Folk, o Bossa e o Fado, compassando o showcase a toque de bota no chão, de um sorriso caloroso e de música que convida ao menear da anca, esta consulta ajudou o público a curar-se um pouco do frio que alastrava na rua.
De seguida – Norton – quarteto originário de Castelo Branco, que conta ja com 14 anos de carreira e que subtilmente têm vindo a encantar público por esse mundo fora (literalmente, já que andaram por terras nipónicas a mostrar o que de bom se faz na música em portugal), estes senhores vieram espalhar alguma mestria músical, e mostrar como um showcase é o suficiente para se criar uma legião de fãs.
Por fim – Niles Mavis. Surgidos da mente de Nélson Duarte (a.k.a DJ Assassino, Nel’Assassin, Sr. Alfaiate), estes senhores apresentam um misto entre o Jazz, o Soul e o Funk, com umas rimas e beats do Hip-Hop pelo meio, que souberam conduzir o público ao cúlminar do que foi esta última edição do Sofar Sounds. Homenageando através do trocadilho do nome da banda o famosíssimo trompetista de Jazz, Miles Davis, estes quatro senhores vieram dar uma mostra de como a versatilidade é uma mais valia, e de como a mistúra de vários estilos músicais, aparentemente distintos, tende a resultar numa boa surpresa.
Digamos que o Saxofone, o „Violão“, as Teclas e aquele scratch do Prato de Vínil, aliados a uma lírica própria de um género musical mais suburbano, se mesclam bem num novo estilo, e numa nova banda que tem categoria para fazer parelha com, por exemplo, os Orelha Negra.
Venham mais concertos dos Niles Mavis, e sobretudo venham mais Sofar Sounds.
Dia 8 de Janeiro é a data marcada para o regresso do projecto nesse novo ano que se avizinha. Resta-nos esperar para estar nos felizes contemplados das próximas surpresas. Se não formos dos felizes contemplados dessa primeira edição, bom, 2017 promete muitos Sofar Sounds, por isso basta aguardar pacientemente. Uma coisa é certa, seja onde for, e com quem for, nunca desilude.

Texto e fotos: Filipe Martins


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