Soen + Madder Mortem + Heavenwood
2017.10.20 – Hard Club, Porto

É já a terceira vez que os Soen visitam o Hard Club. Se na primeira ainda vinham como suporte de Paradise Lost, na segunda foram cabeças-de-cartaz na sala 2, e nessa altura o vocalista Joel Ekelöf lembrou isso, assim como agora lembrou que essa data tinha sido das primeiras do super-grupo. Com o terceiro disco, chegaram à sala principal da casa portuense e se não a encheram, pelo menos provaram que tiveram mais gente que antes.

Mas a noite começou com gente da casa e os Heavenwood abriram as hostilidades com “Arcadia Order”, tendo Miguel Inglês substituído Ernesto Guerra, como já tem sido habitual em algumas ocasiões. Percebia-se que não era um palco só deles, e por isso houve algumas limitações, que se notaram nas luzes e espaço, mas a máquina está bem oleada, destacando-se os bons temas do último trabalho do grupo “The Empress”, “The Juggler” e “The High Priestess”. A actuação completou-se com “13th Moon”, “Frithiof's Saga” e a excelente “Rain of July”.

Seguiram-se os Madder Mortem, um quinteto da Noruega, que, como recordou a vocalista Agnete Kirkevaag, terão passado pelo Hard Club de Gaia há 14 anos atrás, embora, pela idade de grande parte do público, já poucos se lembrarão. Desta vez, a sua passagem foi memorável e o grupo revelou-se uma excelente surpresa, com músicos que, embora sem o estatuto de virtuosos de uns Soen, se revelaram excelentes executantes e com uma presença em palco que fazia esquecer a habitual frieza nórdica. Mas foi sempre Agnete Kirkevaag que brilhou, com uma energia contagiante, apesar da constipação que revelou possuir. “Resolution” foi o melhor tema da noite, com a amplitude vocal de Agnete a arrepiar, seguida de perto por “M for Malice”, num concerto que começou com a morna “If I Could”, do trabalho de 2016 “Red in Tooth and Claw”, e encerrou com a excelente “Underdogs”, também do mesmo disco, que marcou o regresso do colectivo após sete anos em que apenas um Ep tinha sido editado. O alinhamento completou-se com um convite à dança em “The Little Things”, “The Whole Where Your Heart Belongs”, “Returning to the End of the World”, “Armour”, “Hangman” e “Fallow Season”. Muito bom!

Soen é a super-banda formada por Martin Lopez dos Opeth, mas é apenas isso. Martin está na bateria, quase sempre oculto, dando aos restantes músicos a hipótese de brilhar. É isso que acontece com o guitarrista Marcus Jidell, tecnicamente excelente, secundado pelos muito bons Lars Åhlund e Stefan Stenberg, aos quais se junta a voz de Joel Ekelöf, só que depois algo falha, soando tudo muito mecânico, como se uma parede separasse a banda do público e que retira alma ao concerto, muito ao contrário da atitude da banda suporte. Com um alinhamento apenas parcialmente assente no último trabalho, os Soen acabaram por soar como tocando para lá da hora, num alinhamento formado pelos temas: “Canvas”, “Sectarian”, “Savia”, “Sister”, “Pluton”, “The Words”, “Opal”, “Kuraman”, “Jinn” e “Fraccions” com “Tabula Rasa” e “Lucidity” em encore.☆


Texto: Rita Afonso
Fotos: Emanuel Ferreira



      

Soen

    

    

    

    

    

    

    

    

    

    

    

Heavenwood


    

    

    

    

    

Madder Morten


    

    

    

    

    

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