Scott Kelly e John Judkins - 2018-01-27 Understage, Porto

O Understage, localizado na cave do Teatro Rivoli, na cidade do Porto, não é um bar, mas apenas um espaço que tem sido rentabilizado para concertos, em que a ambiência remete para uma cave berlinesca, ou um qualquer espaço interdimensional entre a legalidade conforme do convencional e o alternativo não conforme. É ali que nomes menos convencionais como Jarboe ou Emma Ruth Rundell já se fizeram escutar e para onde se anunciam uns Esmerine, em Março e por onde se desejava ter ouvisto uns Woovenhand ou Swans.

No passado sábado, foi um calmo Scott Kelly que se fez acompanhar de John Judkins (Rwake), na guitarra e slide guitar. A sala praticamente esgotou, naquilo que o também vocalista e guitarrista de Neurosis descreveu como a maior audiência da digressão europeia, a par da de Lisboa na noite transacta.
“Push Me On to the Sun” e “The Ladder in My Blood” logo mostraram a qualidade da voz grave do norte-americano, da calma que emprega aos seus temas acústicos, num registo que varia muito pouco entre temas e em que as palavras pesam mais que a música. Veio “Forgiven Ghost in Me” e “The Wash of the Sea”, percebeu-se que Scott estava contente e não fosse ter poucos temas ensaiados, e teria ficado mais um par de horas a falar de música e a tocar. Mesmo assim ainda falou de Neil Young e trouxe uma “Cortez the Killer” soberba, em que cada palavra pesou. O encore foi apenas mais uma malha, “Tecumseh Valley”, encostada a “Endless” e “Figures”, e podiam ter vindo mais, podia ter-se ultrapassado a barreira dos sessenta minutos. Apesar de pouco, tudo soube bem, e só se lamenta que noutros espaços se ignore esta voz e música, ou talvez não, porque sabe bem, estar num espaço assim curto e sentir o privilégio de ter alguém tão grande, tão perto de nós. Que as arenas fiquem para outros.☆


Texto e fotos: Emanuel Ferreira



      

    

    

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