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After show
Super Bock em Stock 2009
Os Bass-Off mostraram-nos o seu rock alternativo/indie e provaram que nas Caldas da Rainha também se faz muito boa música. Rui Filipe (guitarra e voz), Né (guitarra e voz) e Nuno Oliveira (bateria) são os elementos da banda e já tocam juntos desde 2004. No ano passado foram os vencedores do Festival Termómetro e do concurso MTV/Levi’s 501 Live Unbuttoned, permitindo o lançamento do seu primeiro álbum “Ohmónimo”. Com uma assistência ainda pouco escassa, os Bass-Off tocaram na sala 2 do São Jorge (SJ2) com “guitarras rasgantes, noise à mistura com o rock puro e duro e uma breve ida ao experimentalismo” caracterizando “a sua sonoridade como rock n’ noise, ao mesmo tempo que tentam não definir nenhum estilo em específico, deixando assim todos os caminhos em aberto para uma total liberdade musical.”
Maxime foi a sala seguinte, com os portugueses Anaquim, banda de Coimbra composta por José Rebola, João Santiago, Pedro Ferreira, Filipe Ferreira e Luís Duarte. Explorando uma sonoridade folk, trouxeram boa disposição e grande empatia com o público presente, mostrando a nossa portugalidade musical devido tanto à temática das músicas, como também à escolha dos instrumentos e arranjos. “Prólogo” é o EP de estreia.
Saímos do Maxime e subimos em direcção ao restaurante terraço do Hotel Tivoli, onde o argentino Federico Aubele tocava músicas românticas, cantando com uma voz quente e envolvente, seduzindo o público, falando de amor, como o ritmo latino sabe fazer tão bem. “Amatoria” é o seu novo álbum lançado no início deste ano. Pena o burburinho que se fazia ouvir, talvez por aqueles que não estavam rendidos à sonoridade romântica de Federico. Mas isso não o assustou e fez questão de chamar para a frente do improvisado palco, todos aqueles que estavam mais afastados.
Descemos no elevador (com ascensorista particular, não estivéssemos nós num hotel de 5 estrelas) e seguimos para o São Jorge, onde na sala 1(SJ1) tocavam os Wild Beasts. O quarteto inglês tem como trunfo a voz de Hayden Thorpe, o rei do falsete, que mostrou o poder da sua voz, arrepiando a nuca sempre que um som mais agudo surgia. O rock emocional dos Wild Beasts não deixa ninguém indiferente, levando-nos de volta aos anos 80 e, juntamente com Hayden, Benny (guitarrista), Tom (baixo e voz) e Bert (bateria) mostram que o seu rock é selvagem, por não terem um fio condutor e uma única definição, e que a sua música é uma “beast” por fazer dançar do início ao fim. “We Still Got The Taste” e “All The King’s Men” são exemplo disso.
De volta à rua, rumamos ao LA Caffé, o café chic que recebeu o duo português Os Quais. “Meio Disco” é o primeiro registo deste duo, composto por Jacinto Pires, escritor, e Tomás Ferreira, pintor. Definem-se como Indie Pop, com referências de jazz e MPB, com influências de Caetano Veloso, Prince, António Variações e Beatles.
Atravessamos a estrada, em direcção ao Tivoli, onde Ebony Bones começa com 30 minutos de atraso. Sala esgotada, o público assobia, ansioso por ver a senhora da carapinha loira e a sua energia. E eis que os elementos da banda sobem ao palco, lançando os primeiros acordes e já se pode observar a excentricidade tão característica da artista. Ebony sobe ao palco numa correria saltitante e o público levanta-se num ápice, pois não se pode perder o momento mais energético e vibrante de toda a noite. Uma das bailarinas da banda não pode comparecer no concerto e Ebony escolhe uma bailarina improvisada do público. Maria de seu nome, não deixou os portugueses mal vistos perante Ebony Bones e a sua banda. A fusão entre o pós-punk, o funk, o electro-tribal e kuduro são bem sentidas nas primeiras músicas tocadas: “We Know All About You”, “Warrior” e “The Musik”. De referir a versão "Another Brick in the Wall" dos Pink Floyd, que incendiou o Tivoli.
Respirar fundo e acalmar o coração e seguimos para o São Jorge, onde Mikkel Solnado e os Gabriel Flies tocam na SJ2. Um palco demasiado pequeno para todos os elementos da banda, mas a guitarra acústica e a voz melodiosa de Mikkel, filho do grande Raul Sonaldo, acalmaram o espírito depois da excentricidade energética de Ebony Bones.
Subimos ao 1º andar, onde na sala 1 os americanos Voxtrot já tocavam a sua música. Jason Chronis, Mitch Calvert, Matt Simon, Ramesh Srivastava mostraram-nos o seu rock sereno, com evidentes influências de Beatles, Bob Dylan, Elvis Costello e Morrissey. Pedem desculpa por não saberem falar português e, pela sua simpatia e humildade, cativaram o publico português. De salientar que o vocalista Ramesh tem um programa na rádio lisboeta Radar, com o nome “O Amigo Americano”.
De volta ao Tivoli, Legendary Tigerman tocava o seu mais recente trabalho “Femina”, com algumas convidadas e participantes no mesmo, como Rita Redshoes, Cláudia Efe e Phoebe Kildeer. Foi o senhor da noite, mesmo com alguns imprevistos durante a sua actuação, que provocaram algum mal-estar para Paulo Furtado, que sendo perfeccionista como é, não estava satisfeito com o decorrer do seu espectáculo. O público, esse estava rendido ao blues e rock ‘n roll e, até, divertido com as explosões de Paulo. O bad boy português não desiludiu os que acorreram ao Tivoli apenas para o ver, tendo sido considerado o melhor concerto do primeiro dia do SBES.
Voltámos ao Maxime, onde os Blacklist finalizavam a sua actuação, também esta com alguns problemas técnicos, sendo que sempre que havia uma guitarra mais efusiva da banda, um blackout era sentido na sala. Mas quem assistiu a tudo, diz que a banda não desiludiu mesmo com os problemas técnicos que surgiram. Talvez o seu rock seja demasiado “forte” para o Maxime.
Na SJ2, Easyway, o quarteto punk-rock de Setúbal trouxe-nos o seu terceiro álbum “Laudamus Vita” e uma inovação: a passagem à música seguinte era feita através de vídeos, filmados e produzidos pela banda.
A noite de concertos acabou na Avenida, mas a festa continua no parque de estacionamento. Orelha Negra, banda de improviso e Freestyle, tocaram groove, breaks, samples e loops com base num espírito de hip-hop e música portuguesa. Apresentaram temas inéditos e animaram os resistentes do primeiro dia do festival. O Dj Marcelinho da Lua finalizou a noite.
No 2º dia podemos afirmar que havia melhor disposição horária das bandas e foi mais fácil percorrer quase todas as salas e todos os concertos, até porque começaram praticamente todos na hora prevista para o seu início.
João Só e os Abandonados foram os primeiros da noite, na SJ2. O rock simples e o carisma de João Só mostram-nos que ainda se faz bom rock em Portugal, à maneira de Palma e Veloso.
Mocky foi o senhor que se seguiu, no Maxime. Canadiano de origem Somali, nos seus concertos a palavra de ordem é diversão. No início do concerto, Mocky e os seus companheiros de palco, The Saskamodie Orchestra, surgem com chapéus e véus compridos brancos, dando uma imagem fantasmagórica juntamente com a instrumentalidade da música. O novo álbum “Saskamodie” traz-nos soul, jazz, uma pitada de hip-hop e um experimentalismo próprio, funcionando num remix de sons como é exemplo a música “Music To My Years”. Uma curiosidade: Mocky já colaborou com Feist e Peaches, como produtor.
Uma breve passagem pelo LA Caffé para ver Luísa Sobral, ex-concorrente dos Ídolos, a menina portuguesa que estuda música no Berklee College of Music, em Boston, EUA. Voz quente e envolvente, Luísa sobe ao palco e mostra que por detrás dos seus nervos (pudemos observar a sua ansiedade antes do concerto no bar/cozinha/camarins) e jovem figura, também já sabe o que é o Jazz e trata-o pelo primeiro nome. Foi o seu primeiro concerto em Portugal e o seu primeiro álbum será editado em Janeiro.
Os Golpes sobem ao palco da SJ1, um palco principal para a banda da editora Amor Fúria. Som popular e bastante português, as suas influências são principalmente d’Os Tubarões, Heróis do Mar e dos ingleses New Order. Nuno, Pedro, Luís e Manuel Fúria Golpes são os elementos da banda, anteriormente chamada 400 Golpes, nome inspirado no filme francês 100 Golpes de Truffaut. Para ajudar ao “renascimento” do folclore, o quarteto feminino de percussão “Caixas Furiosas” juntou-se à banda em palco.
No terraço do Hotel Tivoli, já Noiserv tocava e “samplava” as músicas do álbum “One Hundred Miles From Thoughtlessness". Homem dos mais-do-que-sete-instrumentos, David Santos é um verdadeiro artista e um caso a acompanhar bem de perto. O conceito do seu espectáculo faz lembrar Final Fantasy e tem influências como Radiohead, Sigur Rös, Air, entre tantos outros. A sua versão de “Where is My Mind” dos Pixies é absolutamente deliciosa. Faltaram os suportes visuais de Diana Mascarenhas, que são a cereja no topo.
OIOAI, banda indie-rock português, tocaram na SJ2 e apresentaram o mais recente álbum “Pela Primeira Vez”. João Neto (Guitarra), Pedro Puppe (Guitarra, Voz), Nuno Espirito Santo (Baixo) e Fred (Bateria), filho de Kalú, baterista dos Xutos, formam os OIOAI.
O primeiro concerto desta noite no Tivoli foi dos Beach House. Victoria Legrand, com a sua voz doce e teclas, e Alex Scally, na guitarra e voz, formam esta dupla de synth-pop, acompanhados por uma bateria, que tem feito bastante sucesso na cena indie. Bastante aplaudidos, o seu álbum “Teen Dream” será editado brevemente.
Mazgani, o senhor que se segue, nesta feita no Maxime, acompanhado pela sua banda, mostrou de que veia poética é feito. O poder da sua voz conseguiu superar os problemas técnicos com o som (estava absurdamente baixo, talvez devido ao problema que já tinha acontecido com os Blacklist na noite anterior). Considerado um dos 20 melhores novos artistas pela revista francesa “Les Inrockuptibles”, Mazgani lançou o EP “Tell The People” e as suas influências são assumidamente de Nick Cave, Leonard Cohen e Bob Dylan.
Mais um salto ao LA Caffé para ouvir Pássaro Cego, o novo projecto de Manuel Paulo, com aromas das ilhas africanas e com a voz quente e de de Nancy Vieira. Juntamente com o disco foi lançado um livro.
The Invisible no SJ1 foram uma das surpresas agradáveis da noite. O trio inglês é comparado pela imprensa aos Bloc Party e aos Tv On The Rádio e o seu indie rock/port rock tem impressionado bastante o público. Dave Okumu, Tom Herbert e Leo Taylor juntaram-se para trabalhar num projecto supostamente a solo de Dave. Durante este processo, nasceu os The Invisible. Especial atenção à música “Come Together”, versão da música dos Beatles.
Chegou a hora da alegria, imensa, não pequena. Little Joy subiram ao palco do Tivoli, com uma assistência ansiosa e cumpridora do horário do início do espectáculo. Rodrigo Amarante, ex-Los Hermanos, sobe ao palco sozinho, apenas acompanhado pela sua guitarra e toca “Evaporar”, ultima música do álbum da banda. De seguida, os restantes elementos sobem ao palco e durante todo o concerto estiveram bem-dispostos e comunicadores com o público. Rodrigo Amarante até “chamou a atenção” ao técnico sobre as luzes do palco e finalizou o seu reparo com “Não fica mordido não. Esse é o seu momento para brilhar”. Durante um concerto de aproximadamente 75’’, o álbum homónimo foi revisto e novos temas foram apresentados. Uma banda que teve início em Lisboa, no ano 2006, após o elemento de Los Hermanos, Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti, dos The Strokes, se terem conhecido e iniciado uma bela amizade, decidiram dar origem a este projecto musical maravilhoso.
Ainda antes de subir ao SJ1, para ver Patrick Watson, passamos pela SJ2 para espreitar Piano Magic. Grupo formado em 1996 por Glen Johnson, já contam com 12 álbuns editados e são considerados uma das melhores bandas underground, da actualidade.
Patrick Watson, para acabar em beleza este festival, terminou também, em Lisboa, a sua digressão europeia para apresentação do seu último trabalho.
Balanço Final: Muito Positivo. Boas surpresas e momentos memoráveis durante o festival. Parabéns pela organização e escolha de bandas.
Infelizmente não conseguimos ver tudo, mesmo correndo acima e abaixo pela Avenida, mas fica aqui mencionado as restantes bandas:
Texto: Rita Pereira

Super Bock em Stock (SBES) – 4 e 5 de Dezembro
Mas não foram só estas as novidades: como festival prevenido vale por muitos mais, juntamente com a troca de bilhete por pulseira, era oferecido ao público um kit SBES, que incluía informação útil para o festival e uma capa para a chuva, na eventualidade disso acontecer. Felizmente, não houve necessidade de recorrer a tão almejado presente. O autocarro Super Bock também ajudou, alguns festivaleiros, a efectuar o “difícil” trajecto entre o São Jorge e o parque estacionamento do Marquês.
Mas passemos ao festival concretamente e às bandas que fizeram parte de tão composto cardápio.
Enquanto a maioria dos festivaleiros trocava os bilhetes pelas pulseiras, as repórteres da Fenther.net não pararam quietas, pois havia muita música e bandas para ver e ouvir.


































“Wooden Arms”. Um concerto acidentado, devido aos problemas técnicos de som e a falha sistemática de luz, provocou provavelmente um dos melhores concertos do ano. Sem perder a boa disposição, Patrick decidiu improvisar e cantar “acapella” com a sua banda, Simon Angell, Robbie Kuster, Mishka Stein, provocando dos momentos acústicos mais bonitos de sempre na história de concertos em Portugal. Á falta de som do microfone, recorre-se ao megafone e foi assim que o público na sala 1 do São Jorge assistiu a momentos memoráveis que de certeza vão ficar na cabeça de todos durante algum tempo, incluindo na de Patrick Watson e da sua banda. “Beijing”, “Big Bird in a Small Cage”, “The Storm”, “The Great Escape”, “Weight of The World”, “Man Like You” e “Man Under The Sea” foram alguns dos temas interpretados nesta noite.
Wave Machines, Samuel Úria, Frankie Chavez, Piers Faccini, dj Juan Maclean, Kap Bambino, Dr. Ramos (djset) e Zé Pedro (djset).
Fotos: Carla tiga
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