Salgado faz anos fest 2018

Já é um acontecimento que toda a gente espera. O salgado fez anos, ou seja (parabéns salgado), tem lugar no maus hábitos a maior festa de anos do Porto. Chegamos e, surpresa (!), fila à porta; até chegarmos ao mítico 4º andar lemos a lista de convidados numa intervenção de Miguel Januário - maismenos - e à entrada um compêndio de fotografias de Pedro Mkk de alguns artistas que por lá passaram no passado ano. É imediato o sentimento de claustrofobia, era cedo e já estava um maus hábitos sobrelotado, onde apesar disso reinava a boa disposição. Copo a seguir a copo, começa Surma e o seu ensemble de instrumentos e máquinas musicais para deleite dos fãs que aguardavam a cantora de Leiria. No meio do rebuliço geral e encontrão aqui e encontrão ali, vimos os Ermo mostrarem porque são uma referência da eletrónica portuguesa, exímios e sábios, o duo bracarense presenteou-nos com um grande concerto. Já estavam os horários trocados, atrasos por todo o lado como é de resto apanágio, e as Putas Bêbadas viam o seu público fugir aos poucos para First Breath After Coma, o palco supernova foi-se esvaziando e o noise dos lisboetas da Cafetra ia-se perdendo por entre muita conversa e copos na plateia; talvez não tivesse sido má ideia inserir este conjunto no palco stockhausen: mais pequeno, mais escuro, sem bar... no fundo, mais propício. E para lá fomos, e ficamos; este é o palco, ao que me diz respeito, que melhor funciona em toda esta festa. Às tantas, os horários já não correspondiam ao que estava a tocar, e entramos dentro de uma autêntica caixa de fumo e de experiências de luz que absorvida por completo todos os que lá se encontravam e permaneciam, num autêntico estado de meditação. Uma pérola reflexiva de repouso e permanência, onde se respeita à música e se está alheio a toda a confusão exterior (aqui, muitos parabéns salgado!). Ainda houve os Stones Dead a rasgar mas já só queríamos Stockhausen. No final, ficaram os djs a manter os mais frenéticos a dançar e estava a festa feita. O cansaço apoderou-se e despedimo-nos do arraial, até para o ano.☆

Texto: André Coelho
Fotos: Raquel Nunes



      

    

    

    

    


    

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