Bandas/Discos | Crónicas | Livros | Eventos | DJ7 | Links | Apoios | Home


Mais Reportagens Fenther

After show



Clubbing na Casa da Musica

A noite foi, decisivamente e desde o primeiro momento, a noite dos Joy Division. Desde a abertura das portas da Sala Suggia que o vasto auditório se esgotou em rápidos instantes, fãs sedentos após uma espera de trinta anos. Como forma de assinalar o trigésimo aniversário da morte de Ian Curtis, Peter Hook, membro original e fundador de Joy Division, decide, acompanhado dos The Light, prestar a sua homenagem ao desaparecido cantor e desde o ano passado que se passeia pelos palcos mundiais, envergando voz e baixo ao longo dos temas que compõem Unknow Pleasures.



A noite contudo, começou em português. Gala Drop são uma das maiores esperanças nacionais, sendo o seu EP Overcoat Heat considerado, pelo jornal Público, um dos melhores álbuns do ano passado. Como traduzir para palavras o ritmo encantatório dos temas, a suave cadência em crescendo de "Ital", o psicadelismo ténue de "Drop"? Porque é disso mesmo que se trata, uma espécie de encantamento musical genuíno, numa mistura bem coordenada de electrónica, rock psicadélico, mas sobretudo, um dub inteligente. O público mexe-se nervoso nas cadeiras, a sala está já esgotada com Gala Drop e todos aguardam que Peter Hook pise o palco da Sala Suggia, que é precisamente o que acontece, poucos minutos depois da hora marcada.

Poucas vezes terá visto a Casa da Música uma ovação como aquela que recebeu Hook e a sua banda "The Light". Em jeito de celebração dos trinta anos da morte do mítico Ian Curtis, Hook decide re-interpretar "Unknown Pleasures", o mundialmente famoso primeiro álbum de Joy Division. O público está nervoso, a sala sobre-lotada, as cadeiras agitam-se e pouco depois, com os primeiros acordes da "Disorder" todos se levantam, e os que se encontravam nas primeiras filas, acorrem para perto do palco. As canções são eternas, representam a adolescência de tantos, é de um emotivo regresso ao passado o que se testemunha. Mas, a Hook, falta-lhe o carisma, falta-lhe a atitude, falta-lhe sobretudo e também, a voz. Mas os temas sucedem-se, e o seu peso histórico-musical sobre-eleva-se aos apontamentos técnicos da sua execução. E aí estão elas, as canções de Joy Division, trinta anos depois, "Day of The Lords", "Insight", "She´s Lost Control", "Wilderness", "Shadowplay", "I Remember Nothing". A encerrar a noite nada menos que "Love Will Tear Us Apart", com o público rendido aos encantos de ecos de uma banda que é, sem qualquer dúvida, um marco e referência de toda a música do século XX.

A programação simultânea não abonou para quem actuou na Sala 2, Samuel Úria e Norberto Lobo. Sós em palco, e ambos com pouco mas dedicado e atento público, embelezam e engrandecem a noite com o seu reportório. Úria apresenta-nos o seu desalinhado "Nem Lhe Tocava" e Lobo o seu belo "Pata Lenta".
A maior parte do público na Casa da Música, perdeu o encanto e o privilégio que é ver actuar Norberto Lobo. Apenas ele, e a sua guitarra, numa intimidade que poucos conseguem alcançar.

O espaço Cybermusica acolheu Massimo Pupillo, em actuação própria, após a ausência notória de FM Einheith, o percussionista de Einstürzende Neubauten. O projecto é acima de tudo experimental, portátil actuando em sintonia com a guitarra desalinhada de Pupillo, baixista do trio noise italiano Zu.
Também neste espaço actuou o portuense Ghuna X, em apresentação do seu mais recente trabalho "A Grande Explosão".

Findos os concertos, foi tempo de se rumar até ao Restaurante, a nova pista de dança da Casa. Durante duas horas, DJ Kitten preparou as hostes para The Glimmers, o duo belga responsável pelas remisturas mais aplaudidas dos últimos anos. O público permaneceu e foi fiel quase até ao fim.

Texto: Ana Cancela
Fotos: Ana Cancela e Maria João de Sousa







Texto: Ana Cancela
Fotos: Ana Cancela e Maria João de Sousa



Mais Reportagens Fenther