After show

Michael Nyman no Porto

Michael Nyman regressou à Casa da Música neste Domingo, 22 de Maio’16, menos de duas semanas depois de ter lá estado com o seu longo piano de cauda numa quarta-feira à noite.
Apresentou-se num cenário simples, a sós com o seu piano e as páginas da partitura que foi deixando cair à medida que iam sendo tocadas. Pautou assim, a preto e branco, o cenário que ocupava, entre o negro simples do fundo da Sala Suggia e o chão à sua volta pintalgado da alvura das folhas, à medida que o concerto avançava.

O concerto foi oferecido com a calma na ponta dos dedos, os mesmos que vão trazendo à casa cheia algumas músicas muito familiares, como as duas faixas do filme “O piano”, para o qual compôs a banda sonora em 1993.
Dentro da sonoridade que lhe é própria, Michael Nyman apresentou um espetáculo de hora e meia pautada pelos sons de piano e por imagens de curtas projeções. Os cenários das imagens mudavam, levando a plateia a viajar por “Slow walks”, por um “Love train”, pelo imaginário de “Witness I”, de “Privado”, projeções sem som que se desenrolavam ilustradas pela música de Nyman. Na única projeção com som, o piano deslizou em companhia alegre até às vozes que, em italiano, mostravam um jogo de homens e números, num cenário rural que hipnotizava o próprio pianista.
Na verdade, durante todo o concerto, Michael Nyman parecia levado pelas imagens, intercalando o olhar deitado às partituras com a cabeça erguida que observava as imagens a passar. De óculos na cabeça enquanto tocava, o músico de 72 anos parecia acompanhar as imagens que a plateia seguia com os olhos através dos seus dedos nas teclas, proporcionando uma espécie de banda sonora ao vivo, num espetáculo intimista.
Ovacionado de pé, Michael Nyman, que foi entrando e saindo de cena várias vezes entre blocos de músicas, despediu-se com a serenidade de quem aparentemente faz o que gosta.

Texto: Edite Amorim
Fotos: Pedro Jorge Sottomayor



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