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After show

Noites Ritual 2011

Texto: Maria João de Sousa
Fotos: Ana Pereira e Helena Granjo




Texto: Maria João de Sousa
Fotos: Ana Pereira e Helena Granjo


A 20ª Edição do Festival Noites Ritual teve como mote: “Ritmo e Electricidade”! Decorreram durante os dias 26 e 27 de Agosto nos Jardins do Palácio de Cristal como vem sendo habitual, numa Iniciativa da Câmara Municipal do Porto, com organização da Porto Lazer! Ao fim de três anos com entrada gratuita, este ano as entradas voltaram a ser pagas, mas a um preço meramente simbólico de 3 eur /dia (4 eur se incluísse a entrada para as Late Nights DJ’s)!

Trata-se de um Festival 100% nacional, com 6 bandas por noite repartidas por 2 palcos e onde salvo raríssimas excepções, se encontra do melhor público!
Na sua maioria, pessoas verdadeiramente apreciadoras de música, que nos seus variadíssimos estilos, sendo ou não conhecedoras das bandas, vão ali para viverem duas noites que são sempre especiais!

A Concha Acústica serve de palco essencialmente a novos talentos, aqueles que por norma são ouvidos ali pela 1ª vez, ou para os ouvintes da Antena 3 e atentos aos Novos Talentos Fnac que já têm o privilégio de conhecer pelo menos 1 tema; habitualmente assistem-se a pequenos grandes concertos, naquele magnífico espaço!
A “correria” entre o palco Principal e o palco Ritual (Concha Acústica), este ano estendeu-se à Capela Carlos Alberto, para a performance multimédia: “Sinergias”a cargo de José Rui Veiga I the.symbiosis@live.com ! Houve também a habitual Exposição Fotográfica do Cameraman Metálico, este ano sob o tema “ 25 anos – 25 Fotos”, bem como a Feira Alternativa e o espaço Fnac!

O concerto de Dan Riverman (www.myspace.com/danriverman) no Palco Ritual, fez as honras de abertura da vigésima edição deste Festival no passado dia 26 de Agosto! Banda de Santo Tirso, composta por: Rui Materazzi [Baixo], André Sebastião [Piano], Mike Peixoto [Bateria] e Dan Alves [voz /Guitarra].
Já havia tido o privilégio de ver/ouvir anteriormente numa edição do Festival St. Culterra e no I ciclo de Música Moderna de Vila das Aves e, Dan Alves é sem dúvida dono de uma grande voz; o seu timbre em combinação com a música e todo aquele cenário natural em torno da Concha Acústica criam um ambiente bastante intimista! Um concerto não com tanta “Electricidade”, como o tema do Festival poderia sugerir, mas que funcionou muito bem e foi um belo arranque numa noite que prometia ser longa!

Seguimos para o palco Principal, para o concerto daquela que para muitos é já uma banda de culto: os Linda Martini (www.myspace.com/lindamartini)! Banda iniciada em 2003, composta por: André Henriques [guitarra e voz], Pedro Geraldes [guitarra], Hélio Morais [bateria] e Cláudia Guerreiro [baixo], contam com 2 álbuns e 3 Ep’s editados e após aquele que para mim foi o melhor concerto deles a que assisti, o do sábado anterior (20/08) em Paredes de Coura, aqui mesmo que muito limitados em questão de tempo (40 min. apenas) conseguiram de alguma forma “incendiar” a maioria do público sobretudo em temas como: “Dá-me a Tua melhor Faca”, “Amor Combate”, “Nós os outros”,… sempre com a grande atitude, energia e rock electrizante de que parecem transbordar em palco! Para finalizar e em grande, o tema:“Cem metros Sereia”!




Regressamos ao Palco Ritual onde estavam os “We Trust” (http://www.wetrust.co/ ), projecto musical do jovem realizador português, André Tentúgal. São do Porto e aquela que eu conhecia como “a banda da Better not Stop”, tema que há muito se ouve diariamente na Antena 3 e que é o single de avanço do álbum que será editado até final do ano, mas que já faz parte da colectânea: “Novos Talentos Fnac 2011”! Apresentaram-se como um sexteto, sendo que dois dos elementos: Rui Maia e o baterista pertencem aos X-Wife. Foi um concerto animado e com um público que entusiasta aplaudia no decorrer do concerto e que acompanhava o refrão da “Time-Better not Stop” obviamente!

De Volta ao Palco Principal onde os X-Wife (http://x-wife.net), banda do Porto, formada em 2002, actualmente com 4 álbuns e 1 ep e composta por João Vieira [guitarra e voz], Fernando Sousa [baixo e voz], Rui Maia [sintetizadores] e actualmente ao vivo apresentam-se com um baterista também! Banda mais madura e segura, que nos brindou com um concerto já mais longo e também cheio de electricidade/ electrónica! Tocaram essencialmente temas do seu mais recente álbum “Infectious Affectional”, com um constante apelo à dança como sugere o single de apresentação:“Keep On Dancing”, mas sem deixarem de parte grandes êxitos como: “On the Radio”ou “Fireworks”, apenas alguns dos exemplos que fizeram as delícias do público!

Mais uma descida até ao Palco Ritual, esta era a vez da música dos Guta Naki (www.gutanaki.com). Vieram de Lisboa e são eles: Cátia Sá Pereira, Dinis Pires e Nuno Palma e foi com uma voz mais doce, a de Cátia Sá (por vezes chegava a parecer estar a ouvir um misto de Margarida Pinto e Susana Félix!?) e a música que nos levava a movimentos corporais que contrastavam com os provocados pelo ritmo enérgico de Linda Martini e o dançável de X-Wife, que encerraram os concertos do Palco Ritual nessa noite e que de certa forma nos ajudou a recuperar o fôlego!

Nova caminhada até ao palco Principal, para assistir àquele que seria o concerto mais aguardado da noite, para a maioria, quer para quem ainda não tinha tido a oportunidade de os ver num dos concertos após o seu regresso aos palcos, quer para quem como eu, esteve no concerto do Hard Club, aquele que supostamente seria o único, em que tanto banda como público ficaram rendidos naquele magnifico reencontro quase 10 anos depois e que abriu o apetite para mais!
A plateia já estava bem preenchida, sem permitir avançar muito e com um pequeno atraso sobem ao palco os Zen: Miguel Barros [baixo]; André Hollanda [bateria e voz]; Marco Nunes [guitarra] e Gon [voz]!
As expectativas eram elevadas creio que para todos, mas para mim “Zen e Noites Ritual” teriam que ser algo ainda superior a “Zen e Hard Club”! Na minha opinião este concerto não excedeu o do Hard Club. Ali não estavam todos com a mesma disposição e muito menos com a mesma disponibilidade. Fiquei atrás de mais para meu gosto, rodeada por gente que queria “colocar a conversa em dia” e por outros que pareciam autenticas estatuas; lá consegui avançar um pouco mais e a “coisa” melhorou bastante, mas não senti aquele calor e não falo da “sauna” que se vivia no Hard Club, mas sim da sintonia que havia entre o público e a banda e ali éramos bem mais!!! Se não tivesse estado no outro, teria achado este um concerto brutalíssimo, sem dúvida alguma! Foram momentos de verdadeira “loucura” em temas como “True Funk”, “Redog”, “RelativLand”, “Downtown”.”Air”, “Price of a Better Life” “U.N.L.O.” e “11 A.M” com o qual finalizaram o concerto!
De realçar o grande desempenho da banda: pela energia, pela atitude, pelo espectáculo e pela qualidade desde o momento da entrada, ao da saída de palco e sobretudo por assim serem mesmo após uma actuação na noite anterior no Barco Rock Fest e por 2 dos elementos da banda terem feito vários Kms directos entre uma actuação com outra banda em Ílhavo, para imediatamente a seguir subirem ao palco com Zen no Porto!!!!

E assim terminava em grande e com muita Electricidade a 1ª noite de concertos das Noites Ritual’11, aquela que ainda se prolongava até às 6h da manhã no interior do Palácio de Cristal / Pavilhão Rosa Mota com os Dj’s Beatebender seguidos pelo Dj Kitten onde a afluência também foi muita!

Eram 21h30 da noite de sábado 26 de Agosto e os 1os acordes dos The Chargers (http://www.myspace.com/theechargers) são ouvidos enquanto me revistavam à saída do parque de estacionamento!
Como habitual, a quantidade de público no 1º concerto não é abundante, mas este quarteto do Porto: Xinas [guitarra], Óscar [guitarra], Nuno [bateria] e Ângelo [baixo] de rosto escondido atrás de máscaras, desde logo nos deu boa música! Essencialmente instrumental e com poucas falas entre os temas, num estilo “Garagem / Lounge / Surf” como que faziam a ligação das 2 noites: as fortes guitarradas ainda no lado da Electricidade e a música a apelar à dança já a preparar uma noite de Ritmo! Elementos já conhecidos de outros projectos, mas que foram uma boa descoberta para mim e sem dúvida um bom aperitivo para essa noite, que em termos de preferências pessoais saiu a ganhar nos concertos do Palco Ritual!

E se a noite era de Ritmo isso ficou bem confirmado no concerto de Terrakota (http://www.myspace.com/terrakota).
De início o público ainda era pouco, mas ao 2º tema já o cenário estava bem diferente. Este concerto com constantes apelos à união, ao amor, à celebração, à liberdade sem preconceitos, à arte e à natureza, foi uma constante partilha de boas energias. A relação com o público foi facilmente conquistada e o último álbum “World Massala” que muito tem dado que falar provou funcionar muito bem ao vivo! É um espectáculo bastante dinâmico marcado pelo ritmo, pelos instrumentos não tão usuais e pela energia que transmitem para o público!

E do Ritmo regressamos à electricidade no Palco Ritual e temos os The Underdogs (http://www.myspace.com/theunderdogsworld ), uma banda Blues/Rock de Aveiro: João Maia [bateria], Alexandre Mano [baixo] e Victor Hugo [guitarra, harmónica e voz]. Com o single “She is la” a fazer parte da colectânea “Novos talentos Fnac 2011” e o Ep de estreia: ”Silence”, lançado em Abril foi gravado em “regime live”, pretendendo desta forma transmitir toda a energia que os The Underdogs têm ao vivo. Fazem realmente: “Rock! Sem derivações, adjectivos ou conceitos subjectivos… De Aveiro, para “o mundo”.”… e para mim, teriam encaixado na perfeição no cartaz da noite anterior! Uma vez mais mostraram serem bons no que fazem e deram um bom concerto, para um público que efusivamente demonstrava estar a desfrutar da música!

Mais uma subida da rampa em direcção ao palco Principal, desta vez para o ritmo hip hop dos Mind Da Gap numa formação alargada com o Baterista André Hollanda, o Teclista Sérgio Freitas e o DJ Slimcutz, que se juntam à “tríade nuclear”! Actualmente com 5 álbuns e 2 Eps editados, este concerto teve como base o álbum “A Essência”, mas que não deixou de fora clássicos como “Não Stresses”, “Dedicatória” e “Todos Gordos”, tema com que encerraram o concerto e temas esses que eram acompanhados em uníssono pela maioria dos presentes!

E nessa noite no Palco Ritual era ainda mais que evidente a presença da Electricidade e assim iria encerrar com mais um concerto ligado à corrente. Os D3o (http://www.myspace.com/d3orock): são um trio de Coimbra: Toni Fortuna [Voz e Guitarra] e ex-Tédios Boys, Tó Rui [guitarra e voz] e Miguel [bateria e voz], não são um novo talento, mas sim uma confirmação. Já existem há alguns anos, fazem Rock e preparam o lançamento do seu próximo álbum, do qual apresentaram alguns temas neste concerto, mas foi em “Wanna Hold You” e "Couldn't Care At All"que o público “explodiu”!

Era o encerramento do Palco Ritual e o mesmo aconteceria no palco Principal após a actuação dos Orelha Negra http://www.orelhanegra.com! Cruz [DJ/Scratches], Ferrano[Bateria], Gomes Prodigy [Teclas, Sintetisadores], Mira Professional,[voz Sampler/MPC, sintetisadores) e Rebelo Jazz Bass[baixo, guitarra]. A bateria, as teclas, o baixo e a guitarra ritmo em sintonia, criam um conjunto de batidas e ritmos com passagem por vários estilos musicais como:Jazz, Soul, Funk, Groove e Hip-Hop e quando “cruzados” com excertos de temas de bandas como: Chemical Brothers e Beastie Boys, produzem um efeito contagiante que nos faz dançar,cantar e até criar coreografias! Os Orelha Negra, são o resultado de uma boa combinação e comunhão musical entre bons músicos e DJ’s!

Tal como na noite anterior a animação prolongou-se no interior do Palácio de Cristal ao som dos 7 Magníficos e assim encerraram as Noites Ritual 2011. Parabéns a todos os que fizeram com que o Ritual se cumprisse!

De realçar que este é um dos festivais que prima pela pontualidade e o atraso de poucos minutos já é o suficiente para perdermos os primeiros acordes, ou até o primeiro tema de alguma banda; fazer referencia a mais uma novidade desta edição, a actuação do irreverente Trio itinerante Miss Easy, composto por Detlet Schafft, José Baltazar e Renato Correia, actuaram com um original triciclo para deficientes do século passado perfeitamente adaptado às necessidades de uma banda do Sec. XXI, com percussão, sintetizador, saxofone e trombone, tudo conjugado por três belas e sensuais matrafonas.
De referir também alguns dos comentários que ouvi nas deslocações entre os palcos tais como: “ ui e não vêm fazer encore”,…, “Já acabou? Para onde vai o pessoal!?”,… que só demonstravam serem vários os que ali estavam pela 1ª vez, pois os frequentadores assíduos deste Festival conhecem bem os procedimentos!

Agora é esperar pela edição de 2012, pois o Ritual vai cumprir-se!!!


Texto: Maria João de Sousa
Fotos: Ana Pereira e Helena Granjo

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