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After show
"It takes an ocean not to break"
Pela primeira vez a actuarem no Porto, a apresentação debutante dos The National não poderia ter corrido de melhor forma. Aos primeiros acordes de "Runaway", todos se levantaram e entoaram em coro "... but I won't be no runaway..." numa imensa e intensa sintonia com a voz de Matt Berninger. O encantamento e aclamação generalizada foi recíproca desde o primeiro ao último instante.
Os temas sucederam-se a uma velocidade estonteante, incluindo um pouco todo percurso da banda. "High Violet, último trabalho editado, teve óbvio e evidente destaque, mas "Boxer", "Alligator", "Sad Songs for Dirty Lovers" e mesmo o EP "The Virginia" não foram esquecidos, trabalhos de uma coerência arrebatadora, capazes de nos fazer acreditar que ainda é possível reinventar a música, que existem músicos que, quando juntos, compõem canções deliciosas e nos fazem sentir em demasia e é nisso mesmo que são mestres há dez anos, nas emoções que transmitem e nas letras, todas poemas de uma crueza demasiado bela, tal como o transbordante verso em "Slow Show": "I dreamed about you for twenty-nine years before I saw you".
São noites de amor estas, em que o calor é demasiado e a emoção se extravasa por todos os poros. Não exagero. Estive lá, encostada ao palco e foram tantas as vezes que me virei para trás para ver os rostos de puro êxtase do público que aplaudia de pé. Vinte e uma canções suadas, retiradas do âmago de cada um, como se de um próprio parto se tratasse, no qual cada nota é sofrida porque é dura, séria, é tocada de forma crua e encerra toda a vida porque tudo nelas é cantado, o amor, a ausência, o desejo mas sobretudo, o medo de desejar.
São raras noites assim e esta dedico-a integralmente à memória da doce Mónica, a amiga que sei que teria sorrido e dançado tanto quanto eu.
Texto e Fotos: Ana Cancela
Texto e Fotos: Ana Cancela

The National

Há noites que valem a pena. Pelo que encerram, pela comoção que geram nos sorrisos infinitos ou, simplesmente porque são inesquecíveis. Prova disso mesmo foi a energia gerada por uma multidão expectante dentro de um Coliseu esgotado e o burburinho nervoso de quem aguarda assistir às músicas que gosta.






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