Milhões de Festa! 2017

Em ano de décimo aniversário, é com maior e mais renovada energia que nos deslocamos a Barcelos para aquele que é, desde a sua nascença, um dos festivais mais aguardados do ano. Depois de actuações como Ensemble Insano, logo a abrir no final da tarde de quinta-feira, o dia gratuito, Live Low, Stone Dead ou Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, chegamos a sexta-feira com uma doce expectativa pelo que o alinhamento nos revelará.

No palco favorito de muitos festivaleiros, e eterna imagem de marca do festival, Lavoisier e Barrio Lindo atacam os primeiros sons que embalarão a tarde de sol e de piscina. Da Nova Zelândia chega-nos a Orchestra Of Spheres com a sua parafernália de sons e cores e, a encerrar o palco, Mehmet Aslan que, durante quase duas horas, sóbrio e competente, pôs os veraneantes a dançar sem parar ritmos do Médio Oriente. Simultaneamente e porque na ausência do dom da ubiquidade não nos foi possível assistir, o Palco Taina, acolheu TAU, Blown Out, Systemik Viølence e os bracarenses VAI-TE FODER.
Já com o sol posto e no recinto principal, Ifriqiyya Electrique são um dos nomes da noite. Seria redutor falar deles somente enquanto banda, o que nos apresentam é um espectáculo de dança, cultura sufi, reminiscências espirituais praticadas pela comunidade sul tunisina Banga. Não será por isso de espantar que é o exotismo e os ritmos encantatórios do próprio deserto o que nos trazem para o Palco Lovers. Tarek Sultan, Yahia Chouchen, Youssef Ghazala, Gianna Greco e François R. Cambuzat repartem-se pela voz, tablas, computadores, baixo e guitarra e, em apresentação do seu primeiro e recentíssimo álbum de estreia, produzem aquele que foi um dos momentos peculiares do dia.

“You give me your ears, we give you our hearts”, esta foi a promessa que faUSt & GNOD deixaram no ar logo nos primeiros segundos que pisam o Palco Milhões. E é uma assistência muito atenta que os segue e o que se segue é dificil de descrever, uma mistura de kraut rock e psicadelismo, sendo a actuação o resultado de uma residência artística das duas bandas. Tivemos direito a duas betoneiras em palco, a bailarinas escondidas debaixo de túnicas pretas com danças hipnóticas com pernas de manequins de plástico, a uma senhora a varrer demoradamente o cimento do palco (estaria amplificada a vassoura?), tivemos a psicadelia em acção até ao segundo final em que as duas bandas se abraçam numa profunda vénia de agradecimento. Nós demos a nossa atenção, eles cumpriram a promessa e deram-nos o coração, psicadélico é certo, mas deram.

Entretanto, com a euforia já acalmada, chega The Gaslamp Killer. Podemos defini-lo como um cometa, é produtor, músico, entertainer, tudo misturado num vórtice exuberante de hip hop, electrónica, grunge, rock. Ocupa o Palco Milhões como se uma banda inteira se tratasse, com volupia e grandeza. O público responde efusivo até à música final. ☆


Texto: Ana Cancela
Fotos: Fábio Silva


      

    

    

    

    

    

    

    

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