Aftershow

Vodafone Mexefest 2016

O eminente frio do mês de Novembro emana pelas ruas da cidade de Lisboa. Casacos grossos; cachecóis; gorros; luvas são a vestimenta do dia-a-dia da capital. Temos frio, temos chuva, temos um tempo adverso a circular pelas ruas. O inverno está instaurado, e não há como refutar.
Ou haverá? Aparentemente a Vodafone tem um meio de expulsar esse frio dos corpos de quem se queira juntar.
Com uma “fórmula mágica” que só os próprios conhecem, a Vodafone consegue neste ambiente gélido, trazer um novo calor à cidade e animar as ruas, quando as mesmas deveriam estar taciturnas. Ose senhores têm aquele truque na manga, que é o Vodafone Mexefest.
São só dois dias, mas por 48 horas, conseguem trazer à cidade uma animação que já não seria de esperar nesta altura do ano (as compras natalícias não estão incluídas no contexto de animação).
É a isso que se propõem, e é precisamente isso que concretizam. Por dois dias, a Avenida da Liberdade torna-se numa passerelle de festivaleiros, que circundam avenida acima e abaixo, correndo as várias salas, na esperança de ver o maior número de concertos possível, É esta a força e o mote principal do Mexefest. Trazer as pessoas para a rua, fazê-las correr para conseguirem marcar presença naqueles concertos que mais desejam, mesmo sem certezas se o vão conseguir. Pode parecer em parte injusto, pois apesar de se pagar um bilhete a entrada nunca está garantida num determinado concerto, devido à lotação que possa existir nos diversos espaços.
Mas aí está a diferença. O Mexefest não convida ao convencional, ao espaço de conforto. Convida às novas experiências, a conhecer bandas que nem sabemos quem são, mas que estão a actuar numa sala no meio do nosso percurso. É um festival que quer fugir do convencional, apresentar o que de melhor se está a fazer no mundo da música actualmente, sem que seja do conhecimento geral. Tem coisas óbvias, como seria de esperar, mas parecendo que não continua a ser um festival e a ter de atrair público. Mas se de entre três conhecidos, se resgatarem 6 desconhecidos, já é uma vitória.

Não querendo explorar nuances de concertos em específico, e dentro do que pudemos ver, é óbvio o cuidado que o festival tem na sua construção. Tem alguns nomes sonantes para atrair público de uma forma genérica. Mas depois apresenta bandas que desconhecidas e projectos inusitados.
É certo que tivemos uns Jagwar Ma, um Kevin Morby, uma Nao, um Baio. São nomes que de alguma forma já estão inscritos no mundo da música. Temos o intermédio com um Gallant ou uns Whitney a marcarem o ponto. Mas ao mesmo tempo tivemos uns Dead Preeties, ou uns Sunflower Bean,que ainda estão a crescer mas que tiveram graças ao festival a oportunidade de mostrarem o seu potencial ao público nacional. E se tiveram a oportunidade de os ver, poderiam comprovar que as expectativas não foram em nada defraudadas.
E nesta edição tivemos ainda uma surpresa agradável. A grande aposta na música Portuguesa e na música Lusófona.. Por bem que gostássemos de ter comparecido em todos os concertos, não nos foi possível. Mas digamos que todos aqueles nomes sonantes, foram um mero entretenimento.

A aposta e mais valia desta edição do festival foram as bandas vindas de Portugal e de países Lusófonos. Brasil, Angola, Moçambique e por aí além, a música cantada em Português (mesmo que nos seus vários dialectos) fez um marco nesta edição.
Começando com as pequenas editoras nacionais e crescendo para as maiores, trazendo nomes como Filipe Sambado, Luís Severo, Medeiros/Lucas, Manuel Fúria e os Náufragos, Joana Barra Vaz; PZ ou ainda Branko, a organização apostou também em muitos nomes de países lcom ligação portugal. Se não de outra forma, quanto muito pela língua. Mallu Magalhães, Mayra Andrade, Céu foram estrelas que deram um brilho muito forte ao festival.
Pessoalmente, gostaria de salientar quatro concertos.
Em primeiro lugar, dois nomes em ascenção.
Dead Preeties. Banda quase desconhecida, uma das apostas da vodafone, baseias se numa quadra de amigos, com gostos musicais em comum, que gostam de fazer música. Ponto. Banda versátil que vai do punk ao rock, passando pelo post-punk e com laivos de pop, fizeram questão de animar a garagem EPAL, e agarrar o publico que tinham presente.
De seguida Sunflower Bean. banda a roçar a onda do Shoegaze, era outra das promessas “desconhecidas” do festival, que não desiludiu em nada na sua apresentação.
Depois temos a nata do festival. Elza Soares. O nome deste Festival. Elza Soares. Uma mulher exemplo, uma inspiração de vida, pela força que manteve ao longo de todos estes anos enquanto vítima,e um portento em termos musicais. O melhor concerto do Festival.
E depois temos aquela dupla bestial, dois irmãos lisboetas com origens angolanas, que brincando no seu estilo eletrónico, decidiram no último álbum fazer precisamente uma homenagem à música de origem lusófona dos últimos 40 anos. E se o disco já estava surpreendente, o concerto foi sublime. Contando com alguns convidados em palco (Ary, Cátia Sá e Cachupa Psicadélica), Octa Push rendeu o público aos seus ritmos dançantes e ao mesmo tempo intervencionistas.

De ressaltar são os dois concertos surpresa com que a Vodafone decidiu presentear o público em geral (não era necessário acesso ao festival para assistir aos mesmos). Jorge Palma no primeiro dia e António Zambujo no segundo. O primeiro um nome mítico na música nacional, o segundo um nome em ascenção (e já a chegar ao topo). Este tipo de iniciativa só mostra o quanto a Vodafone gosta de agradar ao público, mas acima de tudo como dar mostras do que se faz de bom na música, nacional e internacional. Não me parece que seja um desempenho, mas sim um empenho. È fácil criar um cartaz apelativo. Não e fácil criar um cartaz que surpreenda. E nisso, a Vodafone faz anualmente um trabalho excepcional.
Nota 8 pelo bom trabalho, Nota 6 pela organização, Nota 9 pelo alinhamento.

Conclusão:
Venham mais mexefest's que nós precisamos.

Fotos e texto: Filipe Martins


Mais Reportagens Fenther