Vodafone Mexefest 2017

Regressou a Lisboa o festival mais movimentado e que transforma a Avenida da Liberdade no maior recinto festivaleiro do país; foram 2 dias com mais de 50 artistas espalhados por 14 palcos nesta edição do Vodafone Mexefest. Com lotação esgotada e em alguns espaços com capacidade máxima de 300 pessoas, foi visível a correria de sala em sala.
O festival começou no terraço do Cine-teatro Capitólio com a dupla de DJs Funkamente a aquecer o ambiente e a preparar o público para uma autêntica maratona. Seguimos para o concerto dos portugueses Killimanjaro, que tocaram nos bastidores do Capitólio vindos de Barcelos fazem um Heavy Rock, que serviu como a arma perfeita para combater o frio que se fazia sentir, no qual não faltou o tributo aos Motorhead e ao falecido Lemmy. 
Deixamos para trás os Killimanjaro e subimos até à sala Montepio, no Cinema São Jorge para o concerto de Pauli. Produtor musical de FKA Twiggs e Jamie XX e percussionista de bandas como Gorillaz, Pauli apresenta-se como multinstrumentista de R&B e eletrónica e estreia-se a solo em Lisboa e traz-nos uma amostra daquilo que será o seu primeiro disco a sair na primavera de 2018. O publico presente rendeu-se a Pauli que ao segundo tema desceu para a plateia e dançou com os presentes. É de momentos como este que é feito este festival: musica nova de qualidade em concertos (alguns mais que outros) intimistas.
Descemos até ao Palácio Foz para a atuação de Tomara, projecto de Filipe Monteiro, em estreia no Mexefest. Apresenta-nos o seu trabalho “Favorite Ghost”, lançado em Setembro passado, num registo que faz lembrar Bon Iver. Filipe Monteiro não é novo nestas lides, tendo já colaborado com artistas como Paulo Furtado (The Legendary Tigerman e Wraygunn), David Fonseca ou Márcia.
A caminho do Coliseu, passamos pela Garagem da EPAL onde se encontra Primeira Dama de Manuel Lourenço a representar a Xita Records, a editora indie nacional de onde nascem tantos dos nomes que aos poucos figuram nos maiores e melhores palcos com todo o mérito. Primeira Dama canta ao piano, sobre a vida e o amor nas 7 colinas da nossa capital; não poderia estar mais enquadrado neste festival.
Chega a hora de rumar ao Coliseu dos Recreios, à nossa espera estão os Washed Out, projecto Dream Pop/Chillwave do americano Ernest Weatherly Reene Jr. Na bagagem trazem três discos de originais, sendo o mais recente “Mister Mellow” lançado em Junho de 2017. O coliseu encheu-se para a viagem que os Washed Out nos propõem quando pisam o palco, para o final deixaram-nos os temas do disco de estreia e obra prima da banda “Within and Without” de 2009.
Já na estação de comboios do Rossio, no palco Vodafone F.M. actuavam Liniker e os Caramelows, vindos de Araraquara no interior de São Paulo, e eram uns dos projetos mais aguardados, após a sua passagem em Junho pelo Musicbox. O recinto lotou para ver e ouvir Liniker Barros e os seus companheiros que trazem a Lisboa o MPB e Soul carregado de mensagens de força e estimulo à comunidade queer. Terá sido um dos melhores momentos do festival como se pode comprovar pelos rostos dos presentes.
Regressamos ao Coliseu, desta vez para Destroyer, a banda que inicialmente tocaria no São Jorge e devido ao cancelamento de Jessie Ware mereceu o palco do Coliseu, e o casamento não podia ter sido mais perfeito. Os Destroyer contam com 12 anos de carreira e com o seu Chamber Pop carregado de influências Jazz, conquistaram o coliseu com a sua atuação algo hipnotizante. O frontman Dan Benjar é-nos também familiar pela sua colaboração com os The New Pornographers. Um dos momentos altos do Vodafone Mexefest passou por aqui.
Antes de nos dirigirmos novamente à estação da CP, passamos novamente pela garagem da EPAL onde actuam os Ermo, a dupla que fez sensação em 2013 quando editou o seu primeiro registo de longa duração, pela NOS Discos, “Vem por aqui”. Já com uma grande bagagem a nivel de concertos dentro e fora do país, os Ermo apresentam-se na garagem da EPAL frente a frente agarrados aos sintetizadores, numa espécie de batalha de eletrónica com nuances de Hip-Hop e Post-Punk.
Regressamos ao Rossio, desta vez para ver as espanholas Hinds. A promessa era um bom concerto de Rock, e tivemos isso e muito mais, as Hinds são um exemplo do bom Lo-Fi/Garage Rock que se faz na Europa. Em palco têm uma presença animada e comunicativa que nos recorda Warpaint. De Madrid para Lisboa, as Hinds vieram aquecer o palco do rossio quer pelos seus acordes quer pela simpatia oferecida pela banda. 
Terminamos o primeiro dia no Coliseu com os portugueses Orelha Negra. Apresentam-se como uma banda de Hip Hop sem voz, uma aposta arriscada mas que desde o primeiro momento foi ganha por este colectivo que se estreou em 2010. No paco tivemos a banda por detrás de um pano que cobria toda a area frontal deste, onde eram projectadas diversas imagens e efeitos que davam ao espetáculo toda uma aura diferente. Foi o final perfeito para o primeiro dia do festival, com o coliseu inteiro a dançar.

Chegado o dia mais aguardado, ora não marcasse o regresso dos Liars e Cigarettes After Sex, e tantas outras novidades, seguimos diretamente para a garagem da EPAL, onde atua Iguana Garcia, que apresenta o seu disco “Cabaret Aleatório”,  um disco de fusão de sintetizadores e guitarra acompanhados de beats de eletrónica. Uma boa forma de aquecer para o que viria a seguir.
Saímos para o Coliseu, para testemunhar a maior enchente (lotação esgotada?) neste espaço. Os Cigarettes After Sex estrearam-se em Portugal no Primavera Sound deste ano e voltam agora para um concerto na melhor sala possível para o ambiente criado pela banda. Com um sucesso e popularidade de invejar, os Cigarettes são possivelmente, e como se verificou pela enchente, o momento mais aguardado do festival. O primeiro disco da banda saiu este ano, no entanto a banda teve origem no ano 2008 no Texas. A atuação da banda transformou o Coliseu no espaço mais intimista do festival durante cerca de uma hora, na qual interpretaram os temas mais populares do disco e dos anteriores EPs. O momento alto foi certamente quando tocaram o célebre “Nothing’s gonna hurt you baby” do EP “I.” de 2012. A estética da banda é o Preto & Branco, tendo sido essa a única exigência a nível da reportagem fotográfica.
Saímos a correr, de alma cheia, para a garagem da EPAL para apanhar o final do concerto de Vaiapraia e as Rainhas do Baile. Chegados à garagem, os Vaiapraia já estavam a dominar o recinto, com o vocalista Rodrigo a rasgar a sua segunda pele (o fato elaborado por uma artista plástica), enquanto grita as letras do Queercore que trabalham e pelo qual são tão bem recomendados. Atitude Punk, Atitude ativista e sem medo de dizer o que vai na alma! “Partiram tudo”, e pouco mais se pode dizer, não os percam numa próxima oportunidade!
Regressamos ao coliseu desta vez para os Everything Everything, uma banda de indie rock com influencias do R&B e dream pop, cheio de falsetes a acompanhar. Talvez tenha sido o concerto mais vazio do Vodafone Mexefest no coliseu, no entanto os Everything Everything convidaram todos a dançar e o publico aceitou.
Rapidamente descemos até ao Rossio para o concerto dos Liars, agora reduzidos a apenas um dos membros da sua formação original, Angus Andrew, e consigo trazem o mais recente trabalho TFCF, oitavo longa duração lançado em Agosto passado. Nestes 17 anos de carreira os Liars revelaram ser uma das bandas mais excêntricas e com mais atitude Punk, não sendo de todo estranho ver Angus Andrew em palco vestido de noiva (como na capa do mais recente disco). Um concerto de Liars é uma experiência para além da musica, com um performer em palco que nos deixa colados ao palco de forma contagiante. 
Saímos novamente a correr, desta vez até à sala Manoel de Oliveira no Cinema São Jorge para ver Sevdaliza. A artista Iraniana que se estreia em Portugal e que teve lotação esgotada como pudemos verificar pela fila enorme a tentar entrar no recinto. Chegando à sala deparamo-nos com um ambiente soturno e intimo com a artista que entre movimentos hipnóticos canta sobre um ambiente trip-hop/eletrónico e dá-nos um dos momentos mais altos e bonitos do festival em perfeita comunhão com o público presente. Sevdaliza tem tudo para ser a nova princesa do pop, numa vertente mais indie, e para encabeçar os melhores festivais. Esperamos pelo regresso desta princesa numa sala maior, talvez o coliseu?
Vamos terminar esta edição em festa, Moullinex e convidados invadem o Coliseu dos Recreios e com o seu espetáculo Hypersex transformam a sala numa gigante pista de dança! Xinobi, Best Youth e Da Chick são os convidados para esta festa, que foi uma surpresa. Já tendo presenciado concertos desta tour, podemos afirmar que este elevou a fasquia e foi o grande concerto do festival. O concerto foi um constante desfile de convidados e de interações com o publico, que teve inclusive uma plataforma com um painel Chroma para onde convidaram quem quisesse a ir dançar enquanto eram projectadas imagens com efeitos “live” durante a atuação. Fecho com chave de ouro nesta edição de 2017 do Mexefest; para o ano há mais!#9734;

Texto: Carlos Ferreira
Fotos: Filipe Martins



      

Funkamente

    

Kilimanjaro

    


Pauli

    

Tomara

    

Primeira Dama

    


Washed Out


    


Liniker

    


Destroyer


    

    

Ermo

    

Hinds


    


Orelha Negra


    

Kumpania Algazarra


Cigarettes After Sex

    

    

    


Vaiapraia e as Rainhas do Baile

    

    

    


Everything Everything

    


Liars

    


Sevdaliza


    

    


Moullinex

    

    

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