Aftershow

Apresentação do Vodafone Mexefest 2016

E eis o ano a chegar ao fim.

2016 tem sido um ano prolífero para o mundo da música e para os amantes de música em Portugal, felizmente.
E, até à última batida de 2016, ainda há muito boa música para ouvir pelo país fora. Mas, e festivais?
Bom, com os festivais o cenário é diferente. Os festivais desvanecem com o calor, recolhendo-se, mal ele se afasta, para salas de espetáculos quentinhas, ou hibernando por mais uns meses até que o sol volte a aquecer as ruas.
Contudo temos uma excepção, e não é uma excepção qualquer.

Resta-nos um festival que começou por ser uma pequena experiência e que, gradualmente, foi ganhando mérito próprio no cenário Lisboeta, quer pela inovação, quer pela organização, quer ainda pela escolha cuidada dos alinhamentos.
Temos um último bastião festivaleiro para os melómanos (e não só) poderem sair para as ruas, pular e saltar ao som de músicas mais ou menos conhecidas, extravasarem uma última vez antes de darem início às festividades natalícias.
Sobra-nos o Vodafone Mexefest.

Nos dias 25 e 26 de Novembro, a Avenida da Liberdade volta a ganhar uma outra energia, as ruas enchem-se de pessoas com gosto pela música, que não têm medo de correr avenida acima e avenida abaixo para conseguirem apanhar aquela banda especial, só para depois largarem a correr para testemunharem a próxima. Os palcos nascem em sítios onde nem sempre seria o mais espectável, dando uma nova vida à cidade, o que de ano para ano tem vindo a dar a conhecer ao público espaços que, muito provavelmente, de outra maneira nunca teria oportunidade de explorar.
Este tem sido um festival pioneiro em Portugal não só em termos musicais, por não fazer as escolhas mais óbvias (de facto, um dos motes da Vodafone é precisamente dar a conhecer ao público em geral novos músicos e novos estilos, muito à semelhança do que acontece com a própria Vodafone.FM), mas também em termos de organização, por tentar dinamizar a experiência dos espectadores não só no terreno, mas também na interacção digital que tem com os festivaleiros.

Desde há 7 anos para cá que a Vodafone gosta de nos premiar e incentivar a comparecer no festival. A Vodafone quer que o público participe não apenas comparecendo nos concertos, mas ainda experienciando o evento de uma maneira simbiótica, integrando-se e interagindo com o festival em si. E é um facto que tem atraído cada vez mais público, visto ter esgotado nos últimos anos. E, se nas edições anteriores, o Mexefest já trouxe óptimas surpresas para o público, este ano não desilude de maneira nenhuma. Com presença marcada na conferência de imprensa, ficámos a conhecer as principais novidades que fizeram a plateia aplaudir de entusiasmo, porque o que aí vem transcende o bom.

Numa primeira instância, temos tudo aquilo a que nos temos habituados nestes últimos 7 anos. Um cartaz repleto de nomes mais ou menos conhecidos que prometem animar e fazer o público andar num verdadeiro reboliço avenida fora. Acompanhando nomes mais sonantes como Jagwar Ma e Kevin Morby (ambos repetentes por terras lusas este ano), Baio ou Gallant, surgem-nos artistas que só agora começam a destacar-se pelo mundo da música internacional como Não, Sunflower Beans, Dead Preeties ou Whitney.

Mas uma das grandes apostas do Mexefest para este ano provém de uma seleccão de bandas vindas de toda a lusofonia. Contando com vozes de Portugal, uma presença fortíssima do Brasil e, ainda, de Angola ou Cabo-Verde, a diferenciação entre este festival e os seus pares, que por norma se focam em bandas mais mainstream, torna o Mexefest numa experiência única que nos dá a perceber que a boa música se encontra espalhada pelo mundo inteiro, e que deve ser vivenciada. Branko, Octa Push, Mallu Magalhães, Mayra Andrade, Céu, a enormíssima Elza Soares, são tudo nomes que vêm mostrar que a música fala por si, independentemente da língua em que seja cantada.

Mas as novidades são muitas e caíram em catadupa, prometendo que esta edição tem tudo para superar as dos anos anteriores.

Comecemos já pela cereja no topo do bolo.
Dois concertos surpresa, a serem realizados um por dia. Sem artista associado, sem localização revelada, sendo essa informação somente descortinada no próprio dia dos concertos. A única coisa que foi revelada é que os seus protagonistas seriam nomes sonantes, não se tendo providenciado quaisquer outras pistas.
E agora, a parte ainda mais importante, é que ambos os concertos serão ao ar livre e abertos ao público em geral, não sendo necessário ser portador de pulseira do festival para comparecer nos mesmos. Esta sim é uma iniciativa inovadora que certamente pretende fazer chegar a música a ainda mais pessoas e, quem sabe, atrair ainda mais público para futuras edições do festival.

Temos igualmente a questão das salas por onde se vão espraiar os concertos. Contando com 8 salas repentes do ano anterior, mas com o desaparecimento de outras (como é o caso do Ateneu ou do Tanque), a organização conseguiu colmatar essa falha realizando um feito único, reabrindo uma sala mítica na capital - O Capitólio. Situado no Parque Mayer, e tendo sido toda recuperada, a sala contará com três palcos - o Cine-Teatro, os Bastidores e o Terraço.
Para além desta, surge ainda uma nova sala, apesar de num espaço já repetente. Dá pelo nome de Sótão do Teatro Tivoli BBVA, e é precisamente aquilo que o nome evidencia. Tendo sido uma antiga sala de projecções, a sala, agora recuperada e com um aspecto contemporâneo, reserva ainda uma surpresa que a organização preferiu não revelar, deixando a novidade para o primeiro dia do festival.

Uma outra novidade que vem mostrar que a música tem várias vertentes para além da instrumental é o Vodafone Vozes da Escrita. Sendo um conceito novo para o festival, este assenta no spoken word e foram convidados quatro artistas nacionais - Carlão, Mike El Nite; Fuse e ainda Da Chick - para darem uma outra vida à Palavra, ao Texto e claro, à Música.

Outra das novidades do festival centra-se no Coliseu dos Recreios. Mais especificamente, na sua Varanda Central. Chama-se Vodafone Cuckoo e, nessa mesma varanda, estará colocado um relógio, que a horas certas irá marcar o inicio de mais um concerto do festival. E quem teremos o prazer de ver actuar em mais um dos palcos invulgares do Mexefest? Não sabemos, porque a organização até à data ainda não adiantou um alinhamento, mas com o aproximar da data já não faltará muito para sermos surpreendidos.

Mas porque a música no Mexefest não se faz só dentro de salas fechadas, e num registo mais próximo do que acontece com o Vodafone Bus (que volta este ano com os Fugly e os 800 Gondomar), teremos a acompanhar a movimentação das hostes pela avenida acima e abaixo a companhia dos Kumpania Algazarra, que prometem manter o pessoal activo e aquecido na transição entre as várias salas.

Para terminar com mais um repetente, quem está de volta é o Vodafone Band Scouting, responsável por dar a conhecer ao público bandas como Cave Story, Galgo, Flying Cages, Pista ou Mighty Sands, que desde aí se tornaram parte do cenário musical Português. Este ano, a iniciativa promete apresentar ao público mais uma selecção de bandas que certamente não irá desiludir. Qualquer banda esteve apta a candidatar-se, bastando para isso ter enviado a sua candidatura até ao dia 9 de Novembro, data do encerramento das inscrições. Depois haverá um futuro concerto de selecção na estação de metro da Alameda, findo o qual as bandas escolhidas entrarão numa "batalha musical" até que dois nomes sejam seleccionados, nomes esses que actuarão separadamente, em cada dia do festival, e do qual sairá somente um vencedor. O prémio? A edição de um disco da banda vencedora pela Haus, com curadoria dos Paus.

Estando já mais do que rendidos a todas as novidades apresentadas, haveria muito mais coisas ainda a revelar acerca do festival. Contudo, há sempre algum interesse em manter certos nuances encobertos. Recomendamos que instalem a App do festival, que já está disponível, que se vão mantendo atentos, e que venham nos dias 25 e 26 de Novembro passear à Avenida da Liberdade. Vai haver muita música, muito passeio, muita animação e muitas surpresas para agradar a toda a gente.

Texto e Fotos: Filipe Martins


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