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After show

Clubbing Outubro - Casa da Musica


Mão Morta


Em dia de celebração mundial da Música, o Optimus Clubbing apresentou uma noite inteiramente dedicada a projectos nacionais.
Pouco depois das onze horas sobem ao palco os Mão Morta, e o cartão de visita desta vez é em forma de um “Pesadelo em Peluche”.
"Tiago Capitão” foi o tema de arranque do concerto, a banda caminha por estradas mais melindrosas, o rock mais duro é agora ouvido mais calmo, com subtis toques de uma pop tão contrária ao percurso já seguido nos últimos vinte e cinco anos.

Será com "Berlim" que o público anima, seguida logo pela "E Se Depois" com os atropelos de Luxúria Canibal a incentivar a interrogações existenciais. O alinhamento alterna temas mais recentes com canções emblemáticas, "Teoria da Conspiração", "Amsterdão", "Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real)", "Cão da Morte", "Anarquista Duval", guitarras em fúria pedindo palvras de ordem.
Já em encore ouve-se ainda "Velocidade Escaldante" e a sempre eterna balada, "Primeiro de Novembro".



Pop Dell Arte

Na apresentação do seu último álbum, os Pop Dell'Arte pisam o palco da Sala Vermelha e o seu "Contra Mundum" é-nos revelado: "Ritual Transdisco", "Ratatat", "Mr. Sorry" logo de uma assentada confirmam que João Peste continua presente, enorme em palco e que o recente álbum não defrauda mas sim acrescenta temas maiores à já extensa carreira da banda. Não será exagerado afirmar que os Pop Dell'Arte são João Peste e ele encarna em si a própria banda, os gestos delicados, o braço que segura um ramo de flores e a voz e o que ela canta, dando a palavra aos mais belos e simples sentimentos. Saudade, amor. Mas simultaneamente solidão, ausência. Esta ambiguidade de sentir é fácil de compreender. As palavras cantadas são reflexo do pesar invisível, uma espécie de lamentos dorido, mas belo, do que se canta.

As emoções precedem o sentimento e ele é o único que conta. Peste, em jeito de saudosismo inesperado, sussura de olhos fechados estrofes de "Recordar é Viver" de Vitor Espadinha e o silêncio entre o público é demasiado pesado.
Porque estávamos há pouco "Contra Mundum", agora não se está já. Todas as canções que acompanharam a juventude de tantos ouvem-se agora, "Turin", "My Funny Ana" e a sempre eterna "Querelle". Em jeito de despedida, "Poppa Mundi", "Planet Lakroon", "Supersticion" e a sempre supreendente "Esborrr" encerram uma actuação irrepreensível daquela que é considerada por muitos, uma das mais originais bandas portuguesas.



Texto e fotos: Ana Cancela



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