Ludovico Einaudi – Campo Pequeno – 15 de Setembro

Presença que já pode ser considerada recorrente em Portugal, Ludovico Einaudi apresentou-se no Campo Pequeno no passado dia 15 de Setembro, tirando da cartola o seu mais recente trabalho "Elements".

Este novo trabalho é, nas palavras do compositor, "uma experiência única, acompanhada pelos ritmos pulsantes de uma primavera explosiva". Invocando elementos que nos fazem pensar no etéreo, Einaudi apresenta-se e palco qual mago ilusionista, vestido de cor negra, envolto em escuridão e "nevoeiro".

E foi precisamente nesse contexto que o compositor fez na sala a sua Magia.
Pianista de formação e vínculado à música clássica por tradição, Ludovico não gosta contudo de singir o seu trabalho a um género tão "clacissista", apresentando tanto no álbum como em palco um estilo clássico-contemporâneo, que lhe permite abrir os seus horizontes, explorar sonoridades que não são as suas convencionais, criar música rica de sintonias diferentes que se complementam e pelo caminho alargar o público a que consegue chegar.

Digamos que a música clássica a que estamos habituados não é propriamente apanágio nas gerações mais recentes, de uma forma genérica. Por isso há que transpôr barreiras não só para aprazer o público, mas também para abrir as fronteiras que permitem a um músico crescer exponêncialmente, com base nas suas ideais e vontades.

E essa é uma das vitórias de Einaudi, pois tal como se pode comprovar no Campo Pequeno, a plateia e balcão estavam lotados das mais variadas idades ou estratos sociais, o que o afasta da vulgaridade do termo um compositor de música "clássica", bem como da atracção desse género musical como quase exclusiva de uma certa faixa etária , o que mostra bem a versatilidade do compositor e da sua música.

Contando com um ensemble de oito pessoas (contando com o próprio), Einaudi esgotou mais uma vez o concerto, o qual não deixou brechas para desilusões.

Tendo enfoque no seu último trabalho, Ensemble, que segundo o próprio resulta "de um desejo de recomeço, de seguir um diferente percurso de consciência, o concerto não deixou de ter presente músicas dos seus registos anteriores, de salientar "In a Time Lapse" e Nightbook".

Quem esteve presente pode constatar um processo quase alquimico, em que Einaudi e os seus músicos conseguiram criar ouro a partir da pedra, ou transpondo para a nossa era nas palavrass do próprio Einaudi - "a ideia foi tornar um processo científico numa peça musical".

Exímia performance com uma acústica invulgarmente boa, este foi de facto um dos concertos mais memoráveis do ano.

Ansiamos por nova performance de Ludovico Einaudi por terras Lusas para o próximo ano.
Caso esta não se concretize, há toda uma rica discografia para explorar, enquanto esperamos.
E esperamos impacientemente.☆


Texto e fotos: Filipe Martins


      

    

    

    

+ Aftershows      

      geral@fenther.net       Ficha Técnica     Fenther © 2006