Kraftwerk no Neo Pop

Já tinha Alex FX aberto (e bem) o palco principal e um amontoado de gente olhava ansiosamente para uma cortina preta gigante. Eis que surgem as primeiras luzes por detrás e abre-se a cortina; no palco, um ecrã massivo e quarto stands milimetricamente centrados, aos quais se juntaram, sem sequer lançarem um olhar para o público, estas lendas semi-robóticas. 

Os primeiros acordes de “Numbers” fizeram-se soar e com eles as primeiras projeções 3D, simples números que iam pairando sobre o público aos quais este respondia, perplexo, com as mais básicas interjeições que lhe ia ocorrendo. A partir daí foi uma viagem arrepiante pela discografia destes mestres, seguiu-se “Radioactivity”, “Man Machine”, um ovni a voar por Viana e a pousar em pleno recinto em “Spacelab”, uma “Autobahn” de deixar todos e quaisquer pêlos do corpo espetados, e, entre outras, uma “Tour de France” que transformou o recinto numa autêntica rave e onde ninguém estava parado. 

Até que sem que nada o previsse, a cortina fecha e deixa toda a gente num estado de ansiedade. Sem o tempo necessário para que a plateia pudesse respirar, luzes voltam a surgir e a cortina abre-se; BAM, surgem no lugar dos músicos quatro robôs deles mesmos e começa “The Robots”, levando toda a gente ao delírio e voltando à dança generalizada. 

A cortina fecha-se, muitos pensam já ter sido o fim do concerto; mas não! Abre-se a cortina outra vez e há tempo para “Trans-Europa Express” e uma despedida sentida com “Music Non-Stop", um a um, foram-se deslocando ao lado esquerdo do palco - uma vénia cada um ao público que não se cansou de berrar e aplaudir (e a confirmação de que os Kraftwerk são afinal, humanos; eles cantam, eles mexem-se, sorriem e agradecem o apoio, eles são verdadeiros génios).

Acaba o concerto e paira no ar uma certa estupidez, uma boa, de quem não consegue acreditar no que acabou de acontecer, de quem não tem palavras para o que acabou de ver, e ainda uma sensação de história, que tinha acontecido perante nós e muito dificilmente se volta a repetir. Sem o tempo suficiente para absorver tudo isto, começa The Field e o festival continua, mas quem nos dera que o tempo tivesse parado, uma, duas ou três horas para que ali pudéssemos ficar só a contemplar o ambiente e assimilar aquele que foi (a par de Aphex Twin, no Primavera Sound) o concerto do ano. Venha quem vier.☆


Texto e fotos: Raquel Nunes


      

    

    

    

    

    

    


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