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After show
Gogol Bordello no Coliseu do Porto MANIFESTO EM 16 PONTOS AO CONCERTO DOS GOGOL BORDELLO NO PORTO
1. Como ponto primário deste manifesto ao concerto dos Gogol Bordello, queremos deixar bem claro que não apoiamos a crítica distante e objectiva. Defendemos o sentir e que apenas ele pode fazer valer um concerto. Salientamos que esse sentir não dá para ser justificado inteiramente, muito menos racionalmente. Daí ele ser tão especial e explicar o poder da música – nas palavras do vocalista da banda, Eugene Hütz: «Mixed with alcohol it seems to be a remedy for just about anything, be it a rapid fire of notes exploding in catharsis all over the major key, or an obsessive marathon of soul-searching sounds crawling around minor key... it all appears somehow more solid and present in our lives than materials, something we can always address and hold on to. At its best, music connects us to a feeling as large as the whole goddamn universe itself...».
2. Nós, do punk, acolhemos, agradecidamente, o gipsy e achamos que os dois fazem uma combinação bombástica.
3. Comprovamos que, depois de três concertos, é mais que óbvio que os GB não sabem dar maus concertos.
4. Admitimos que o concerto foi mais sério e introspectivo do que o que estamos habituados nos GB, mas, por isso mesmo, lhes agradecemos.
5. Constatamos que, mesmo sem destruição de instrumentos, nem garrafas partidas, o concerto foi uma festa.
6. Confessamos que nos apaixonámos pela percussionista/bailarina/actriz Elizabeth Sun, mas sentimos falta da sua partner.
7. Confessamos também que nos apaixonámos pelo cigano-punk Eugene Hütz e que, em sua homenagem, vamos ler toda a bibliografia do Nikolai Gogol.
8. Declaramos que notámos influências de música brasileira nas canções do último álbum dos GB, “Trans-Continental Hustle”, apresentado quase integralmente no concerto (nota: o Hütz está a viver no Brasil).
9. Sentimos que os GB fazem parte das poucas bandas que têm realmente garra e fazem, quase literalmente, das tripas coração. Sentimos também que não nos enganam, isto é: não cantam, nem tocam o que não sentem – coisa estranhamente rara no mundo musical dos dias de hoje. Queremos ser transtornados, sentir-nos abananados, queremos um murro no estômago, sentir-nos completamente vivos, e agradecemos aos GB por nos transtornarem, abanarem, por nos chegarem ao estômago e à alma.
10. Na sequência do ponto anterior do manifesto, queremos sublinhar fortemente que atrás dos saltos, das danças e do suor, a música dos GB faz-nos pensar, chorar, berrar pelo mundo. Faz-nos também sentir que podemos agir, rir, criar, contrariando as imposições pseudo-pós-modernas de isolamento, de rotina urbana e de coma criativo.
11. Na sequência destes dois pontos, lamentamos seriamente que, para além da festa, alguns membros do público não tivessem consciência das palavras de ordem que gritavam, nem mesmo do que os próprios GB representam, em termos políticos e culturais. Com isto, não queremos manifestar-nos contra o puro divertimento, alimentado ou não pelo álcool ou outras substâncias. Nós também bebemos e gostamos de festas, mas defendemos, acima de tudo, a mensagem de uma das músicas dos GB, escrita na camisa do violinista mais louco de sempre: RISE THE KNOWLEDGE (no álbum: RAISE THE KNOWLEDGE).
12. Ainda em referência aos três pontos acima, aclamamos o final do concerto, com a música “Redemption Song” (Bob Marley), interpretada por Johnny Cash e Joe Strummer, e cantada em coro pela banda (sem microfones). Lamentamos a debandada de grande parte do público ao som da música.
13. Aqui, fazemos uma grande vénia literária ao pirata-russo-violinista-“eléctrico”, Sergey Ryabtsev, ao baixista etíope, Thomas Gobena, à menina chinesa-escocesa, Elizabeth Chi-Wei Sun, ao acordeonista russo de estrela vermelha na boina, Yuri Lemeshev, ao percussionista-MC equatoriano, Pedro Erazo, ao baterista americano com origens em Trinidad e Tobago, Oliver Charles, ao guitarrista israelita, Oren Kaplan, e ao ucraniano-do-mundo, Eugene Hütz.
14. Concordamos com o slogan dos GB: “Think Locally Fuck Globally”, mas agradecemos o facto de eles andarem a agir pelo mundo fora.
15. Defendemos a Revolução Cultural constante.
16. Queremos mais.
–
Texto e fotos: J.

(o leitor pode optar por ler cada ponto acompanhado por cada uma das músicas da setlist, também 16)

Coliseu, 6 de Março de 2011
17. Acrescentamos um ponto extra, já que os GB tocaram a “Think Locally Fuck Globally”, que não está na setlist.
www.gogolbordello.com
www.myspace.com/gogolbordello







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