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After show

Foge Foge Bandido

FOGE FOGE BANDIDO
12 de Junho de 2009 Teatro Sá da Bandeira Porto

Lembro-me de ver a primeira apresentação do que seria o projecto Foge Foge Bandido, já há uns anos, precisamente no Teatro Sá da Bandeira. No final do concurso de bandas Termómetro Unplugged de 2006, o Manel Cruz lá subiu ao palco sozinho, com uma guitarra, um kazoo, e outros instrumentos de menino. Tocou uma, duas, três, talvez quatro músicas, e deixou-nos encantados e curiosos com o que sairia dali.

Dois anos mais tarde, saiu o álbum. Ou podemos antes dizer, uma colectânea do que foi o trabalho do Manel nos últimos anos, incluindo gravações de pessoas que passaram por sua casa e velhos sons guardados em caixas cheias de pó. Álbum duplo recheado, e uma obra de arte e um livro a cobri-los. De imediato, os fãs, já impacientes antes, começaram a reclamar os concertos e, finalmente, este ano, o bandido apareceu. E apareceu com reincidência no Teatro Sá da Bandeira, de sala cheia. O concerto não foi muito diferente do de Lisboa, três dias antes, no Cinema São Jorge, sala que também esgotou.

Público sentado – o que fez sentido, visto os próprios músicos (Eduardo Silva, Nuno Mendes, Brendam Hemsworth e Alfredo Teixeira) estarem sentados.
Conseguiu-se criar um ambiente intimista, como se estivéssemos todos na sala do Manel, confortáveis no seu sofá, a ouvi-lo com os amigos numa sessão de improvisação. Claro que muitas foram as vezes que a vontade de saltar se manifestava, talvez com raízes nos concertos dos Ornatos Violeta, dos Pluto, ou dos Supernada. Mas logo o público – maioritariamente jovem – se apercebia que estava perante algo novo, um outro projecto, um outro Manel.

Uma setlist certeira – face ao número elevado das músicas no disco-livro O Amor Dá-me Tesão / Não Fui Eu que Estraguei, a sua escolha para apresentação parece ser difícil. No entanto, o concerto foi coerente, sem deixar de ser emotivo, nem perder força. Passou pelas músicas mais animadas entoadas em coro, como “Canal Zero” ou “Tirem o Macaco da Prisão”, bem como pelas mais melancólicas (“Foi no Teu Amor” ou “Falso Graal”) e pelos sons mais experimentais. No início, os músicos pareciam pouco à vontade, também devido a algumas questões técnicas, mas a meio do concerto já se sentia o calor do norte a circular, e a música a crescer, a crescer. Até ao fim, o concerto foi sempre intenso, sem nunca perder a energia, nem a paixão. O público, mesmo sentado, transmitia o prazer do espectáculo.

A maturidade dos músicos – é, claramente, um ponto a destacar. Foram todos excepcionais e extremamente profissionais. De destacar a voz do Manel que se revelou amadurecida, bem como a prestação de Eduardo Silva, também na voz, em “Fechado Para Obras / Dans Une Autre Vie Misérable”.
No fim, para surpresa de todos, a Maria (que estava a vender merchandising na entrada do Teatro) subiu ao palco, para acompanhar “A Cisma mais rápida”, nas palavras de Manel. É, afinal, a Maria Mónica, que tem várias participações ao longo do álbum de Foge Foge Bandido. Esta outra versão de “A Cisma” acabou com o concerto em grande euforia, após a belíssima e esperada “Ninguém É Quem Queria Ser”. Mas, ali, estávamos todos onde queríamos estar.

Setlist:
a cisma
não aldrabes
um tempo sem mentira
tu não tens de o fazer
canção segredo
a dor de ter de errar
fartos do que não tens
falso Graal
canção da canção triste
foi no teu amor
noções para viver sem ti
as nossas ideias
canal zero
ainda pode descer
meu amor está perto
acorda mulher
fechado para obras
mau hálito
diz-me se aprovas
desce à cama
a lenda da verdade
tirem o macaco da prisão
estou pronto
quem sabe
o caminho certo

canção da canção da lua
sempre-a-pensar

ninguém é quem queria ser
a cisma (“mais rápida”)

Texto: Joana Soares

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