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Fantasporto 2007



Fantasporto 2007

Uma vez mais, a baixa portuense recebeu a festa do cinema fantástico. Foi a 27ª edição do Festival Internacional de Cinema da Cidade Invicta, mundialmente conhecido como Fantasporto, que decorreu entre 19 de Fevereiro e 4 de Março.

Para este ano de 2007, as habituais exibições de filmes a concurso, retrospectivas, curtas-metragens, ainda a 17ª semana dos realizadores, edição esta que foi ganha por Carlos Iglésias com o filme “Un Franco, 14 Pesetas”, a secção oficial “Orient Express”, animações e a homenagem feita ao realizador francês Marin Karmitz. Tudo isto aconteceu somente no Rivoli Teatro Municipal.

O arranque foi feito com a directora do festival, Beatriz Pacheco Pereira, anunciando em primeira-mão, a criação da Fundação Fantasporto, para combater as dependências dos subsídios, quase sempre ausentes. A outra novidade, foi a confirmação dada pelo vereador da cultura do Porto, para que o Fantasporto volte para o ano com a sua 28ª edição.
Seguiu-se em antestreia para mais de 800 pessoas presentes no grande auditório do Rivoli, o filme premiado em Hollywood com 3 Óscares (fotografia, caracterização e direcção artística). “El Laberinto del Fauno” do mexicano Guillermo del Toro. Filme este que acabou mesmo por vencer o Grande Prémio da Secção Oficial de Cinema Fantástico e ainda, o prémio de melhor actor, atribuído a Sergi Lopez. Seguiu-se logo depois “Suicídio Encomendado” de Artur Serra Araújo, que arrecadou o prémio de melhor filme português em competição.

Com as sessões praticamente todas esgotadas, foi bom presenciar películas como a animação francesa “Renaissance” que se passa em Paris no ano 2054, “The Host” do sul coreano Bong Joon-Ho, premiado com o título de melhor realizador da secção oficial. “Isabella”, com o fado de Mariza na banda sonora, venceu 2 galardões. Prémio melhor filme Orient Express e melhor actriz da semana dos realizadores. Destaque ainda para o filme documentário “Sketches of Frank Gehry” do realizador de “Africa Minha”, Sydney Pollack. Trata-se de uma peça à volta da criação de edifícios como o museu Guggenheim em Bilbao.

A magia do mundo fantástico da 7ªarte esteve em grande como sempre na cidade do Porto. Durante 2 semanas, todas as atenções estiveram ali concentradas, sempre com avalanches de publico interessado em assistir a brilhantes filmes, o que torna cada vez mais difícil a tarefa do júri presente. Ainda bem que assim é.

A presença de Henry Thomas, foi uma das mais calorosas nesta edição. O pequeno herói do filme “E.T.” de Steven Spielberg, este presente para assinalar os 25 anos deste filme. A outra presença marcante, foi sem duvida a de Rosanna Arquette, actriz americana de “Crash” e “Pulp Fiction”, causando delícias na assistência, ao receber o merecido prémio carreira. Tudo aconteceu no novo espaço, a tenda “Movie Town Fantasporto” que ficou em plena Praça D.João I. O britânico Simon Rumley esteve em palco para apresentar os seus dois filmes. A curta “The Handyman”, premiada em vários festivais, e o filme “The Living and the Dead”, considerado já como um dos filmes mais arrepiantes deste ano. O público presente adorou. Outro filme marcante foi “Tebas” de Rodrigo Areias, que teve uma estreia em glória, ao contrário da desilusão do filme espanhol de Nacho Cerdá “Los Abandonados”.

O Baile dos Vampiros, a tradicional festa de encerramento que aconteceu uma vez mais no Teatro Sá da Bandeira logo após a cerimónia de entrega dos prémios Fantasporto 2007, apresentou os Blind Zero, eles que andam a promover o seu álbum ao vivo em acústico, seguindo-se as manobras nos gira-discos de Peaches e da dupla nacional do colectivo Buraka Som Sistema. Muita dança para agitar o sangue vampírico, muito procurado durante toda a noite.

Os directores do festival, Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira e António Reis, agradeceram o sucesso de mais uma edição do Fantasporto. Prometeram voltar para o ano que vem, com o alargamento ao Teatro Sá da Bandeira para projecções cinéfilas e já com duas retrospectivas agendadas. Uma sobe Fernando Lopes e outra sobre o cinema dinamarquês.

Marcado encontro para 2008, entre 23 de Fevereiro e 9 de Março nos teatros Rivoli e Sá da Bandeira, relembrando assim, os tempos do Fantasporto no teatro Carlos Alberto. Palavras de Mário Dorminsky.

Foi um Fantas de luxo, e uma vez mais, de óptima colheita.

Texto: Vítor Pinto / Fotos: Ana Gabriela Sousa



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