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After show
Fantasporto 2011
Assim sendo, começamos com a sessão de abertura. Depois de um longo discurso ditado pela directora do festival Beatriz Pacheco Pereira, onde focou a importância deste festival, mesmo a nível económico, para o nosso país (e atenção, é preciso sublinhar o facto de o Prof. Teixeira dos Santos estar presente entre os convidados mais “distintos” desta sessão de abertura), veio finalmente a hora de apagar as luzes e começar a verdadeira maratona do cinema fantástico. E começamos bem, com a “deliciosa” curta-metragem de animação polaca “Kinematograf” de Tomek Baginski. Uma história sobre um inventor obcecado por encontrar a formula que transformará a película cinematográfica a preto e branco em película colorida, acreditando que será uma magnifica invenção. Mas a sua obsessão faz com que se esqueça daquilo que realmente é importante e, quando se apercebe, já é tarde demais para reconsiderar as suas prioridades. Uma curta com uma qualidade de animação, imagem e cor soberba.
Com as honras de abertura desta edição tivemos presente o finlandês Anti Jokinen com o seu 1º filme, “The Resident” . Um filme que aborda o voyeurismo de uma forma bastante mais próxima e íntima que o habitual. Com as actuações de Hilary Swank, Jeffrey Dean Morgan e Christopher Lee, “The Resident” é um filme que entretém mas não surpreende.
No sábado (dia 26 de Fevereiro) começamos o visionamento dos filmes em competição com “EXORCISMUS (LA POSESSIÓN DE EMMA EVANS)” do espanhol Manuel Carballo e dos mesmos produtores de “Rec”. Embora seja uma produção espanhola, todo o cast é, curiosamente, inglês e o filme passa-se no Reino Unido (que não é de todo relevante para a plot deste filme). Um filme sobre uma adolescente frustrada e rebelde que vive num regime rígido exercido pelos pais, que acaba por ser “possuída” pelo demónio e toda a história se desenrola à volta deste processo. Nada de novo, nada que já não seja esperado num filme sobre exorcismos e, por consequência, previsível.
“And Soon the Darkness “ é a primeira longa-metragem de Marcos Efron e traz-nos a história de duas jovens que se encontram algures na argentina a fazer uma “bike trip”, até que chegam a uma pequena vila, aparentemente pacata, mas com um historial de desaparecimentos de jovens raparigas (facto desconhecido pelas personagens). Embora seja um remake de um filme dos anos 70, este continua com uma temática de certa forma contemporânea e com boas representações. Para quem não viu o original pode vir a ser surpreendido ao longo do filme.
Acabamos o fim-de-semana com um filme que já tinha sido exibido no pré-fantas e que, como muitos já devem ter ouvido falar, foi um dos mais polémicos filmes do Fantasporto… e muito provavelmente, do mundo cinematográfico actual. Estou a falar de “ A Serbian Film”. Esta crítica poderá ser a mais longa (como quase todas as já existentes relativas a este filme), mas devo confessar que não o vi, por isso não interpretem as próximas palavras como critica mas sim como uma opinião. Apesar de tudo não quero ser injusta. A diferença entre mim e os que viram o filme é que eu fui elucidada para o que me esperava na tela de cinema antes de ter tomado a iniciativa de o ir ver. O mais incrível de tudo, e desculpem-me a sinceridade, foi o Fantasporto (que normalmente é bastante esclarecedor nas suas sinopses e press kits dos filmes) limitar-se a informar que (e passo a citar): “Filme com cenas eventualmente chocantes. Filme mais cortado pela censura britânica nos últimos 16 anos. Premiado no Festival de San Sebastian com prémio especial como símbolo da defesa da liberdade de expressão.” Se eu não tivesse tido a oportunidade de ouvir alguns comentários de quem já tinha visto o filme no pré-fantas (e estamos a falar de comentários do género: “Muito pessoal não aguentou e saiu a meio do filme”. “Ninguém teve coragem de se rir com as cenas mais gore (que normalmente é tradição no Fantasporto) porque estava tudo demasiado incomodado e chocado com o que estava a ver.”) muito provavelmente teria ido ver o filme porque a sinopse era igual a tantas outras. Visto isto resolvi ir fazer a minha pesquisa e estudar sobre o assunto (depois de ter sido avisada) antes de decidir ir ver o filme. Digamos que, segundo os spoilers que li, sou uma sortuda por ter tido a oportunidade de me informar antes de ver cenas que não passam pela mente de ninguém… mesmo as mais perversas. Pelo que estudei, li e ouvi, é um filme demasiado chocante para não conter qualquer tipo de aviso mais específico por parte do Fantasporto. Li algures um comentário de um espectador que me marcou e dizia: “Uma parte de mim morreu ao ver aquele filme. Não precisava de ter visto aquilo.” Por isso, e porque tanto há liberdade de expressão como há de escolha, recusei-me a ver esse filme. Portanto, quem quiser ver a crítica de alguém que tenha tido a coragem e o sangue frio de o ver, acho, honestamente, que o deve fazer, e de preferência com spoilers para que possam ter a mínima noção do que vos espera.
“Red Nights” foi também a estreia nas longas metragens de Laurent Courtiaud e Julien Carbon. Ao início custou-me a entender onde é que este filme nos poderia levar, e foi uma agradável surpresa quando descobri. Tudo gira em torno e em função de um objecto extremamente valioso. O “catch” está precisamente em descobrir o que é esse objecto e, principalmente, qual é a sua função. Na minha opinião, esta última, é o elixir deste filme e o que o torna intrigante, interessante e curioso.
“I Saw the Devil” de Kim Jee-Won é outro filme que eu tenho que destacar. Com uma interpretação soberba de Choi Min-Sik (protagonista no filme “Old Boy”) e que agora interpreta um papel alucinante de um psicopata. Rapidamente somos situados no filme (de que se trata, objectivo, como se vai desenrolar, etc) e isso ajuda a que o interesse seja acrescido uma vez que começamos a “envolver-nos” com os personagens e com a história como se fosse nossa. Mestre na construção do suspense, nas representações, na originalidade das cenas e do respectivo desenvolvimento.
Jang Cheol-so , com o seu filme “Bedevilled”, não foge à excelência da indústria do cinema de terror psicológico a que as produções Sul-Coreanas nos têm habituado. Um filme forte e revoltante sobre a escravização (laboral e sexual) de uma mulher que habita numa remota ilha, isolada do mundo “moderno”, onde sofre todo o tipo de abusos, violência e privações. É impossível, ainda mais sendo mulher, não aplaudir quando finalmente chega o ponto de ruptura da personagem e a vingança se torna impiedosa e sangrenta. Mais uma vez não posso deixar de salientar o soberbo desempenho da actriz Seo Young-hee (que desempenha o papel de Bok-nam, a mulher escravizada) e que acabou por ganhar o prémio de melhor actriz na secção oficial do cinema fantástico deste ano. Não podia ser mais merecido.
Miguel Angel Vivas regressa ao Fantasporto (depois de já ter sido premiado neste festival com o filme "I’ll See You In My Dreams") com o seu mais recente trabalho “ Secuestrados”. Miguel Vivas fez um breve discurso de apresentação do filme onde sublinhou que o objectivo deste era que “o público se sentisse sequestrado durante uma hora e meia” (uma vez que em Espanha, a cada 75 segundos, uma casa é assaltada). Na minha opinião a missão foi cumprida. Somos rapidamente absorvidos pelo filme, pelos personagens, pelas situações, pelo medo, etc. Há óbvias semelhanças com o “Funny Games” de Michael Haneke (e penso que isso é facto assumido) mas em “Secuestrados” o terror não é só psicológico mas também físico. O fim é o que menos esperamos depois de termos “sofrido” com aquela família durante 1h e pouco. Tenho de salientar a interpretação da jovem Manuela Vellés que conseguiu transmitir todo o desespero da personagem de forma credível e na qual qualquer um de nós se poderá rever se estivéssemos naquela situação.
Mas também temos lufadas de ar fresco no meio de tanta agressividade psicológica e física, quando nos deparamos com um filme como o “Febre da Fieno” da italiana Laura Luchetti. Com um “paladar” semelhante ao de ” Le fabuleux destin d'Amélie Poulain”, este filme leva-nos até a uma história de amor passada em Roma onde 2 jovens, que trabalham numa loja de artigos vintage, se apaixonam. Não faltam as personagens caricatas, as situações com piada e toda a cor que são indispensáveis nestes filmes “simpáticos” e divertidos que quebram por vezes o ambiente que começa a ficar pesado entre tanta violência e terror.
Um filme que foi obviamente esperado por muito público (visto que a sala estava com lotação praticamente esgotada) foi o “The Rite” realizado por Michael Hafstorm. Devo confessar que fui com poucas espectativas assistir a este filme (uma vez que já tinha lido umas criticas onde era referido o facto de este filme não trazer nada de novo, de ser mais um dos muitos filmes sobre exorcismo, etc), mas tenho que discordar. Este filme tem uma coisa que o diferencia totalmente de todos os outros deste estilo…o personagem e a respectiva interpretação de Sir Anthony Hopkins. Na minha opinião é esta combinação magnífica e brilhante que faz o filme. Não poderíamos esperar outra coisa deste grande senhor. O que também não esperávamos era que houvesse uma mensagem gravada especialmente para o Fantasporto onde aparecia o Anthony Hopkins e o Michael Hafstorm a desculparem-se pelo facto de não terem oportunidade de estar presente, uma breve apresentação do filme e um agradecimento ao público por terem ido assistir ao filme.
“Brutal Relax” foi a curta-metragem que saiu vencedora na secção oficial de cinema fantástico. É obviamente uma sátira aos filmes gore, onde Adrián Cardona, Rafa Dengrá e David Muñoz (os realizadores) não poupam em levar ao extremo as cenas mais “gráficas” tornando-as assumidamente ridículas e hilariantes. Ar fresco foi o que estes 3 senhores trouxeram à competição das curtas-metragens, e por isso levaram o merecido prémio. Originalidade é cada vez mais a palavra-chave para se ser reconhecido num festival de cinema como este.
Secção Oficial de Cinema Fantástico
-Prémio Especial do Júri
-Melhor Realização
-Melhor Actor
-Melhor Actriz
-Melhor Argumento
-Melhores Efeitos Especiais
-Melhor Curta-metragem
-Prémio Especial do Júri
-Melhor Realizador
-Melhor Argumento
-Melhor Actor
-Melhor Actriz
-Menção Especial do Júri da Semana dos Realizadores
-Prémio Especial do Júri Orient Express – Prémio International Film Guide (IFG)
-Prémio da Crítica
-Prémio do Público
Homenagem
Prémios Carreira
Texto: Carolina Matos











Este ano saíram premiados nas diferentes categorias os seguintes filmes:
- Prémio Melhor Filme – Grande Prémio Fantasporto 2011
Two Eyes Staring – Elbert Van Strien – Holanda
A Serbian Film - Srdjan Spasojevic – Sérvia
I Saw the Devil - Kim Jee-woon – Coreia do Sul
Axel Wedekind – Iron Doors – Stephen Manuel - Irlanda
Seo Young-hee – Bedevilled – Jang Cheol-soo – Coreia do Sul
Elbert van Strien, Paulo van Vliet – Two Eyes Staring – Elbert Van Strien – Holanda
La Herencia Valdemar II: La Sombra Prohibida – José Luís Alemán – Espanha
Brutal Relax - David Muñoz - Espanha
Secção Oficial 21ª Semana dos Realizadores
-Prémio Melhor Filme da Semana dos Realizadores – Prémio Manoel de Oliveira
The Housemaid – Im Sang-Soo – Coreia do Sul
Miyoko - Yoshifumi Tsubota – Japão
Carancho - Pablo Trapero – Argentina
Miyoko - Yoshifumi Tsubota – Japão
Lee Jung-Jae em The Housemaid – Im Sang-Soo – Coreia do Sul
Jeon Do-yeon em The Housemaid – Im Sang-Soo – Coreia do Sul
R U There - David Verbeek - Holanda
Secção Oficial Orient Express
-Prémio Melhor Filme Orient Express
I Saw the Devil - Kim Jee-woon – Coreia do Sul
Enemy at the Dead End - Owen Cho, Kim Sang-hwa - Coreia do Sul
Rabies (Kalevet) - Aharon Keshales, Navot Papushado – Israel
The Extraordinary Adventures of Adèle Blanc-Sec - Luc Besson - França
Super Bock – 25 anos de patrocínio ao Fantasporto
Mick Garris – Estados Unidos da América
Maria de Medeiros – Portugal
Paulo Trancoso – Portugal
João Meneses – Portugal
No próximo há mais!
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